sábado, 3 de agosto de 2019

MORALISMO: SANDICE OU FASCISMO?





Você que parou por alguns segundos a contemplar a animação acima pense um pouquinho e tente responder: quantas vezes esse entra-e-sai do pênis na vagina (ou, se quisermos ser mais diretos, do pau na boceta) está ocorrendo neste exato momento em todo o planeta? 



Impossível saber, não é? Porque, enquanto você leu essas poucas linhas centenas, milhares, milhões de pessoas estão neste exato momento fornicando, fazendo sexo em todas as posições possíveis e imagináveis, sendo ou não os parceiros do jogo sexual do mesmo sexo, ou seja, homem com homem, mulher com mulher, vários homens, várias mulheres, num mosaico incrível de prazer e gozo. 



E se você está lendo essas linhas é porque, um dia, seu pai e sua mãe fizeram exatamente a mesma coisa que o casal acima. Ou até mesmo gozaram os corpos um do outro de mil maneiras diferentes até que uma semente plantada no útero de sua mãe possibilitou que você estivesse agora aqui, lendo e vendo tudo isso e, talvez, pensando: caramba, que absurdo! 


Não, sexo não é absurdo. Todos os seres humanos (e, por extensão, todos os seres vivos) podem fazer sexo e estão aptos para fazê-lo e, se alguns não o fazem, é apenas por opção, não por não poderem fazê-lo. E o número dos que não o fazem é absolutamente irrelevante para a perpetuação da espécie humana. 



Seus pais treparam e, antes deles, todos os seus ascendentes. E, a seu redor, homens e mulheres trepam, não importa se são seus filhos ou suas filhas, seus irmãos ou suas irmãs, seus amigos ou suas amigas. Todo mundo (ou quase) trepa. Faz sexo. Tem prazer com isso. Goza. 



Então, por que as pessoas ficam neuróticas por causa do sexo? Ou melhor, por que se tornam moralistas, a ponto de querer proibir que se fale de sexo, que se eduquem sexualmente os jovens, que não se vejam imagens de nudez ou de sexo, mesmo que a exibição seja só para maiores? 



Por que esse moralismo todo? O que há de mal ou o que pode mudar a vida de uma pessoa, por estar ela contemplando um casal trepando ou assistindo a um filme de sexo, ou vendo uma exposição de pinturas ou desenhos que exponham sexualidade, ou lendo uma história que contenha descrições ou narrações de encontros sexuais? 


A repressão sexual só tem trazido sofrimentos e angústias: sexualidade precoce dos jovens e, consequentemente, sentimento de culpa e, muitas vezes, gravidez precoce e indesejada; abortos; estupros; frustração por desconhecimento da própria sexualidade; frigidez; ejaculação precoce; doenças sexualmente transmissíveis, algumas delas mortais, como a SIDA/AIDS... 



O moralismo, se por motivos religiosos, é de uma total sandice, já que, se você pratica uma religião, sabe que o seu deus criou você assim, sexuado, e não há nada que se possa fazer contra isso. E se o moralismo tem origem política ou ideológica, isso só pode mesmo ser uma face bastante negra de um fascismo absurdo e destruidor. 



Voltaremos ao assunto, na publicação seguinte. Enquanto isso, pense um pouco sobre o assunto. Encha seus olhos com as fotos que ilustram esse artigo, sem nenhum preconceito, sem nenhum moralismo, imaginando que você também faz tudo isso ou parte disso e o que você faz ou como faz com seu parceiro ou sua parceira só diz respeito a você e a mais ninguém.