segunda-feira, 25 de junho de 2018

PAU COM PELE OU PAU SEM PELE: O QUE VOCÊ PREFERE?






Nunca pensei que, um dia, abriria uma matéria deste blog com uma foto de um cão. Mas, o fato é que me lembrei de que, há algum tempo, assistindo, à famosa série SEX AND THE CITY, uma das personagens reclama dos paus que parecem cães da raça sharpei, ou seja, paus não circuncidados. Claro, há um exagero em dizer que um pênis que ainda se mantém incólume, seja assim tão... bem, julgue você. 


Pois, é: voltamos a falar de paus, ou melhor, de um procedimento cirúrgico conhecido e polêmico: a extirpação da pele que cobre a cabeça do pênis, por vários motivos, até mesmo religiosos. Um procedimento que não altera nem para melhor nem para pior a performance do dito cujo, mas que pode até ser recomendado em alguns casos. Enfim, leia a matéria, informe-se e, principalmente, aprecie as fotos e use a sua imaginação para isso, seja você homem ou mulher, ou tenha qualquer orientação sexual (afinal, um pau é sempre objeto ou de prazer ou de discussão): 


CIRCUNCISÃO – RISCOS E BENEFÍCIOS 

Dr. Pedro Pinheiro 



Cada vez mais popular, a circuncisão pode ser realizada por motivos de saúde, pessoal ou religioso. 


A circuncisão é um procedimento cirúrgico, frequente realizado em crianças, no qual é removido o prepúcio, a pele que recobre a glande (cabeça do pênis). Historicamente realizado por motivos religiosos, a circuncisão tem se tornado cada vez mais comum por motivos de higiene e por ser um procedimento que reduz a incidência de doenças urológicas. 


Neste texto vamos explicar como e por que é feita a circuncisão, abordando seus riscos e benefícios. 


O QUE É O PREPÚCIO? 



O prepúcio é aquela camada de pele retrátil que recobre e protege a glande, conhecida popularmente como cabeça do pênis. Apresenta duas faces, a externa composta de pele comum, e a interna, virada para a glande, que é uma mucosa responsável por manter o pênis hidratado e protegido contra agressões do meio externo. 



O prepúcio, nos adultos, encobre a glande quando o pênis está flácido, mas se retrai quando o mesmo está ereto. 


Essa pele que recobre o pênis começa a ser formada já nas primeiras semanas de desenvolvimento do feto. Desde o nascimento até os primeiros anos de vida do homem, o prepúcio encontra-se aderido à glande, um processo chamado de fimose fisiológica. 


Com o crescimento, a região interna vai se desprendendo gradualmente da glande, até ser totalmente retrátil quando o pênis encontra-se ereto. Não se deve forçar o descolamento do prepúcio nas crianças, pois o mesmo ocorre naturalmente com o passar dos anos. 


POR QUE É FEITA A CIRCUNCISÃO? 



EyptianCircumcision


A circuncisão é um dos procedimentos cirúrgicos mais antigos da humanidade, havendo relatos da prática entre os egípcios, há mais de 15.000 anos, como modo de aumentar a higiene masculina e “purificar a alma”. 


The circumcision of Christ. Oil painting after Hendrik Goltzius


A circuncisão, apesar de ser um procedimento cirúrgico, até hoje ainda é feita frequentemente por questões de tradição e religião, sem que haja necessariamente indicação médica para tal, como são os casos das circuncisões rotineiras em crianças judias e muçulmanas. 


No final do século XIX e início do século XX, a circuncisão começou a se tornar um procedimento médico comum, mesmo em famílias sem motivação religiosa. Em alguns países como EUA e Coréia, mais de 80% da população masculina é circuncidada (atenção: o termo circuncisada não existe). É bom deixar claro que, apesar dos conhecidos benefícios – que serão explicados mais à frente -, as principais Sociedades de Pediatria do mundo não recomendam a realização rotineira da circuncisão sem indicação médica. 



A circuncisão por indicação médica é normalmente feita nos casos de infecção do pênis (bálano-postite) ou fimose patológica, ou seja, ausência de retratilidade do prepúcio em crianças mais velhas e adolescentes. 


BENEFÍCIOS DA CIRCUNCISÃO 



A circuncisão, quando feita na infância, apresenta alguns benefícios, entre eles, podemos citar: 

a) Redução das infecções urinárias 



A infecção urinária em homens é incomum, porém, ocorre mais frequentemente em crianças não circuncidadas devido ao favorecimento do crescimento de bactérias nas secreções armazenadas no prepúcio. 

Obs: o esmegma é uma espécie de muco branco composto por células esfoliadas e gordura que pode se acumular sob o prepúcio. 

b) Redução das infecções do pênis 



A balanite (infecção da glande) e a postite (infecção do prepúcio) também ocorrem menos frequentemente em crianças circuncidadas. 

c) Redução do câncer peniano e do câncer do colo do útero nas parceiras 



Homens circuncidados apresentam menor risco de terem câncer peniano. Todavia, é bom destacar que esta doença também é rara em não circuncidados (cerca de 1 caso a cada 100.000 pessoas). Este benefício só existe quando a circuncisão é feita ainda na infância. Homens circuncidados após a adolescência não apresentam taxas de menores de câncer peniano. Além da redução do câncer peniano, parceiras de homens circuncidados, que não apresentam histórico de promiscuidade, apresentam menor taxa de câncer do colo do útero. A explicação parece estar no fato de homens não circuncidados terem maior risco de contaminação e transmissão do HPV. 

d) Redução de DST e HIV 



Além do HPV, homens circuncidados apresentam uma menor taxa de contaminação por outras DST, nomeadamente tricomoníase e HIV. Curiosamente, a circuncisão não apresenta evidencias de proteção contra a gonorreia e há dados conflituosos em relação à sífilis. 


RISCOS DA CIRCUNCISÃO 



A circuncisão é um procedimento cirúrgico que, como tal, possui riscos. Todavia, a cirurgia é rápida e simples (dura cerca de 10 minutos) e apresenta taxas de complicações cirúrgicas abaixo de 0,5%. As complicações mais comuns são sangramentos, infecções e insatisfação com o resultado estético. A circuncisão, como qualquer outra cirurgia, deve ser feita sob anestesia, evitando que a criança ou mesmo o adulto sintam dor durante o procedimento. 


PERDA DE SENSIBILIDADE APÓS A CIRCUNCISÃO 


A mucosa do prepúcio é muito inervada e contribui para a sensação de prazer. Um dos argumentos contra a circuncisão sem indicação médica é o risco de redução da sensibilidade do pênis. Todavia, apesar da lógica por trás desta teoria, o fato é que, na prática, homens circuncidados não apresentam uma satisfação menor com suas vidas sexuais. 


Mesmo em homens que se submeteram à circuncisão somente quando adultos e com vida sexual já ativa, não há provas contundentes de que haja mudanças da qualidade da vida sexual dos mesmos. Existem relatos pessoais de diminuição da sensibilidade, porém, existem também trabalhos científicos com grandes grupos, que mostram ausência de alterações na qualidade do sexo. É um tema polêmico. 



O fato é que a circuncisão feita em crianças, sem indicação médica formal, é atualmente um procedimento que causa controvérsias. Existem grupos contra a circuncisão que apresentam os seguintes argumentos: 



• A circuncisão causa dor nos recém-nascidos trazendo estresse desnecessário ao bebê. 

• O trauma da circuncisão realizada quando bebê é carregado pelo resto da vida, mesmo que o indivíduo não se dê conta disso. 

• A circuncisão vai de encontro aos direitos humanos, pois mutila um ser incapaz de tomar decisões. 



A posição da maioria dos Colégios de Pediatria é de não indicar a circuncisão sem motivo médico claro. Entretanto, não há contraindicações à sua realização por motivos pessoais ou religiosos.


Fonte:


segunda-feira, 18 de junho de 2018

STRAP-ON DILDO: AME-O OU FUJA DELE!



A respeito de consolos ou dildos já falamos bastante, por aqui. É só procurar. Vamos falar um pouco sobre um outro brinquedo ou brincadeira não tão incomum, como se pode pensar: o strap-on dildo, que não tem uma tradução precisa em português. Fiquemos com o termo internacionalmente usado. 


O strap-on dildo consiste num pênis artificial que pode ser amarrado ao quadril de uma mulher, para que ela faça penetração ou na vagina ou no ânus de uma parceira ou de um parceiro. 
 

Entre mulheres, podem até mesmo ambas usarem um strap-on dildo e se revezarem no prazer de penetrar uma à outra. Mas entre casais, a brincadeira é um pouco mais quente, porque o homem precisa curtir ser penetrado. Para isso, ele não tem que ser necessariamente gay. O ânus é uma zona erógena, não importa se localizado numa bunda masculina ou feminina. 


Assim, muitas vezes, homens heterossexuais que não se aventuram a ter sexo com travestis ou com outros homens, para gozarem as delícias do sexo anal, por qualquer motivo, mas gostam de ter o ânus estimulado ou penetrado, podem – de comum acordo com a parceira – deixar que ela faça uso de um strap-on dildo. 
 

Note-se que é um jogo sexual que vai cumprir uma fantasia masculina, embora isso pode também dar prazer à mulher. No filme DORES DE AMORES, dirigido por Raphael Vieira, com Milhem Cortaz e Fabíula Nascimento, um casal está em crise de relacionamento. Então, ela resolve fazer-lhe uma proposta arrojada: inverter os papéis. 
 

Então, ela compra um consolo, para susto do marido: - O que é isso (ele pergunta). – Um pau (ela responde). – Pra quê? – Pra comer você! – Você deve estar louca! (ele diz) e esse é um momento muito engraçado do filme. Enfim, se a curiosidade for grande, veja o filme, é realmente muito interessante (ficha técnica no final). 


Se o casal estiver disposto a tentar o strap-on dildo, para incrementar a relação ou para satisfazer a fantasia de um dos dois, é necessário que tomem sempre muito mais cuidado do que no caso do sexo anal normal. Lembrem-se de que, por mais macio que seja, é um artefato artificial, mais rijo que o pênis. 


Então, até mais do que no sexo anal ou num enfiar de dedos (fio-terra), usem bastante lubrificante e vão com calma, com muita calma, para não ferir o ânus. É conveniente que comecem com um dildo menor e vão aumentando ou utilizem um plug anal, para relaxar a musculatura do ânus. 


Sempre use brinquedos e consolos que tenham uma base larga na ponta para impedir que o brinquedo anal fique preso no ânus. Você não quer arriscar não poder tirá-lo de volta. 


Comece devagar e continue devagar. Sexo anal não é o momento para abusar, as coisas podem ficar machucadas lá atrás, se os movimentos forem muito bruscos. E tenha uma palavra de segurança para quando as coisas ficarem desconfortáveis. 


Enfim, se ele curte e ela também gostar da brincadeira, podem ambos se divertir e apimentar a relação. O prazer consensual e trocado de maneira livre e sem peias ou culpas traz momentos muito intensos de felicidade e companheirismo. 


Fontes: 






Filme: DORES DE AMORES 

Data de lançamento: 13 de setembro de 2013 (1h 17min) 

Direção: Raphael Vieira 

Elenco: Milhem Cortaz, Fabiula Nascimento, Walderez de Barros e outros 

Gênero: Drama 

Nacionalidade: Brasil



segunda-feira, 11 de junho de 2018

TESÃO TEM IDADE? TESÃO ACABA COM A IDADE? OS MAIS VELHOS NÃO TÊM DIREITO AO SEXO?


Georges Delfau

A não ser que haja doenças impeditivas, o desejo sexual não tem hora para terminar. Desde que a pessoa tenha uma vida saudável e se disponha a viver, o sexo pode ser praticado em qualquer idade. Há limitações? Sim, mas nada que a vontade, o tesão e o companheirismo entre os parceiros não possa resolver. 

Georges Delfau

Nesse post, desvendamos um pouco a controversa e quase sempre desqualificada vida sexual de pessoas mais velhas, através das palavras da psicóloga Tereza Creuza Negreiros, numa matéria de conhecida e séria revista, conforme irão ler (além de poder consultar a fonte, citada no final). As fotos podem ser um pouco chocantes, para quem imagina que idosos não possam trepar, não possam foder, mas o objetivo é este mesmo: surpreender (ou não) os leitores.



O SEXO DAS IDOSAS E DOS IDOSOS

Por Léa Maria Aarão Reis



“Os homens, a partir da década de 90, quando apareceu o Viagra, retomaram sua potência. A sexualidade masculina sempre foi voltada para o poder. A potência sexual masculina foi readquirida com o Viagra,’’ comenta a psicóloga Teresa Creuza Negreiros, nesta entrevista que concedeu a Carta Maior, no Rio de Janeiro, fazendo observações acuradas sobre a vida sexual das idosas e dos idosos - ainda hoje um assunto tabu, pouco abordado, em especial no caso das mulheres. 


O que a professora Negreiros constata, nos anos de prática clínica e teórica do seu trabalho - que se estende até hoje – é a mulher mais velha, na sua maioria, se sentindo “estimulada por um homem mais jovem, tendendo a sublimar o desejo por conta de cobranças sociais internalizadas.’’


Doutora em Psicologia Clínica e professora aposentada na PUC/RJ, psicóloga clinicando desde a década de 80 e autora de tese de doutorado Os conflitos e confrontos da meia idade da mulher, e organizadora do livro A Nova Velhice, Teresa Creuza Negreiros continua pesquisando, dando palestras e participando de seminários nacionais e internacionais sobre envelhecimento dessa atual geração de mulheres e homens nascidos no pós-guerra (os baby boomers) os quais, se por um lado revolucionaram modos e costumes quando jovens, por outro, agora, ao envelhecer, se mostram, em aspectos como o sexo, quase tão conservadores quanto seus pais. Seu depoimento:


Até aqui houve três ondas de atitudes relacionadas ao feminismo. A primeira, quando as mulheres começaram a contestar a dominação total do homem. Até então, elas não tinham direito a propriedades nem ao voto. Foi um movimento dirigido à conquista de direitos civis. A segunda onda do feminismo ocorreu na década de 60, com o advento da pílula e da queima de sutiãs. Nessa época, o que se discutia era o corpo feminino. A questão de a mulher ser dona de seu próprio corpo, o direito ao aborto e a questão de ter prazer com o sexo desvinculado da reprodução. A mulher passava a participar da produção - antes, a representação da mulher se encontrava na reprodução e a do homem na produção. E a terceira onda, de agora, quando se fala tanto de LGBTQ – movimento de lésbicas, gays, transgêneros e queer. 


Pode ser até que o quadro mude, mas por enquanto ainda há muito ranço das visões antigas, até porque a ciência, tal como a psicanálise, foi disseminada de acordo com a cultura da época, com preceitos e preconceitos. Falava-se, por exemplo, com ênfase, no decréscimo do desejo com a chegada de mais idade, e na sua sublimação. Claro que há um decréscimo do desejo nos mais idosos por conta da questão hormonal. Mas a potência sexual masculina foi readquirida com o Viagra. Assim, a possibilidade de exercer influência sobre uma pessoa ou um grupo desde que o homem tivesse boas condições financeiras, sociais e/ou políticas foi mantida. 


Quanto à mulher, nunca foi legitimada a existência de seu desejo. E, quando essa possibilidade foi conquistada, o desejo feminino permaneceu atrelado ao desejo masculino, isto é, continuou ligado a exercer fascínio para despertar atração ao homem. Por mais que a cosmetologia avançasse com a prática dos procedimentos de rejuvenescimento, das cirurgias plásticas, dos recursos ornamentais, digamos assim, as mulheres continuaram diminuídas e dependentes do olhar masculino; e o homem poderoso continuou revitalizado pela juventude das mulheres. 


As mais velhas ainda tendem a ser um pouco – um pouco bastante – relegadas a um segundo plano. E se ela se sentia estimulada por algum homem mais jovem, reprimia este desejo por conta das cobranças sociais internalizadas: homem mais velho com mulher mais jovem está aprovado, desde que ele seja “poderoso”; mas o oposto não. Daí, a maioria das idosas continua sublimando o desejo, dirigindo suas atenções para outros campos - netos, as artes etc.


A história do jovem Emanuel Macron, atual presidente da França, e da sua mulher bem mais velha chama muito a atenção geral. Mas não chama tanta atenção, por exemplo, o atual presidente dos Estados Unidos com sua mulher muito mais jovem. Neste segundo caso percebe-se essa situação como “natural’’. Mas o caso da mulher mais velha é quase visto como um caso de “perversão’’. A grande diferença de idade passa a ser considerada como um caso de amor maternal equivocadamente dirigido, tipo um “Édipo invertido”... 


Pelo lado feminino é quase como anormal, imoral, amoral ou, ao menos, surpreendente que a vida sexual seja mantida. Quando os casais estão juntos durante muitos anos, o tempo traz mudanças na atividade sexual. Ao se apaixonarem ainda jovens, a paixão não permanece idêntica, evidentemente. O afeto, a amizade, a admiração, no entanto, fortificam a relação. E a vida sexual pode permanecer durante toda a união. Atualmente, porém, os casamentos não duram muito tempo porque homens e mulheres não querem essa mudança. Eles e elas desejam emoções fortes, o êxtase da paixão e não a evolução da relação.


No casal, os dois vão mudando os seus objetivos, porém mantendo-se solidários. Não mais produzir filhos, adquirir bens, enfim, metas que já foram atingidas. E, como mencionei, transformando a paixão em intimidade, em apoio mútuo. Tem que haver uma mudança da sexualidade no casal para que ela seja preservada, porque o fogo da paixão não será mantido. Em geral, casais que se mantiveram unidos durante 50 anos, bodas de ouro, de diamantes, conseguiram essa proeza, que, de fato, não é fácil.


Há dificuldades colocadas pela cultura e pela própria natureza humana. Na verdade, se a paixão fosse tão duradoura, como de início, a pessoa morreria do coração, porque a aceleração cardíaca, a pupila dilatada durante 50 anos, ninguém aguentaria ... há que haver uma acomodação, no bom sentido, uma adaptação da sexualidade para um afeto maior. E é raro ocorrer isso, principalmente por parte dos homens, mais voltados para a continuação dessa paixão.


Antigamente, o homem ficava com uma “matriz” e com várias “filiais’’ - as teúdas e manteúdas. O homem de uma classe social mais alta mantinha o casamento porque para ele era útil do ponto de vista social e financeiro (divisão de bens etc.). Mas agora, com a independência feminina, isto não ocorre tanto quanto antes. Nas culturas onde é aceito o homem ter várias mulheres, isto ocorre desde que ele possa manter as várias esposas. Na nossa cultura se observa que os homens querem sentir as mesmas emoções juvenis, aos 40,50, 60 anos. E vão trocando de companheira, mas não segundo o sistema antigo de teúdas e manteúdas, cada vez mais raro, porque as mulheres não admitem mais esse tipo de arranjo, esse código. 


Essa questão do homem potente – com a ajuda de remédios – e sendo poderoso, podendo até ter filhos depois de certa idade, provoca mudanças. Mas há outras mudanças também. 


Entrando no mercado de trabalho, muitas mulheres não querem ter filhos quando jovens. Elas estão mais preocupadas com sua ascensão social e profissional. Desejam ter filhos aos 40, 50 anos com a possibilidade de inseminação e de outras práticas. E os homens jovens aceitam e acompanham essas novas situações até pelo bem financeiro do casal. 


Com as crises financeiras, ninguém sabe quem vai continuar sustentando a família: o pai ou a mãe. É outra realidade que faz os homens jovens aceitarem e concordarem que suas companheiras devem consolidar uma situação financeira confortável antes da maternidade. E mais: com esta crise econômica/financeira atual, pessoas mais velhas, que tiveram ganhos durante toda a vida, passaram a ser muito importantes na família. Elas sustentam filhos e/ou netos. Sustentam muito mais do que são sustentadas, em todas as classes sociais. E nas médias e altas, são idosos quem frequentam os restaurantes, as agências de turismo, academias de ginástica, tudo que se refere a consumo - gastos ordinários e extraordinários. Idosos e idosas fazem o dinheiro circular. 


Os homens mais velhos, mais do que nunca, se casam com frequência com as chamadas “enfermeiras’’. Mulheres bem jovens que não se incomodam de cuidar desses senhores a vida inteira, até com certo afeto por eles. Sabem que neles têm sustento e aposentadoria garantidos. Em geral, essas moças não têm uma qualificação profissional mais específica. 


Esta situação da mulher cuidar do companheiro, na velhice, como a um “filho’’, é frequente sim. E as mulheres da geração dos anos 60 que envelheceram, sempre tiveram um cuidado maior com a sua própria saúde do que os homens – até pelas idas frequentes a ginecologistas, iniciada com a maternidade. E os homens, em geral, morrem com menos idade que a das companheiras. As cuidadoras esposas de idosos com Alzheimer, com Parkinson e doenças crônicas, são em número bem maior do que o contrário. Mas é uma situação que também está mudando. Cresce atualmente o número dos homens cuidadores de suas parceiras. 


Um valor muito importante na vida dos casais que permaneceram juntos é o cultivo da intimidade, da ternura e da integração. Isto devia ser visto com uma delicadeza maior e com mais seriedade, pois transcende a sexualidade genital, uma sexualidade que chamaríamos de “expansiva’’. Porque a sexualidade não está localizada apenas nos genitais; ela se encontra no corpo inteiro, e no que chamamos de “alma’’, no psiquismo. Trata-se do prazer de estar juntos, o prazer do toque, da companhia. Aliás, as mulheres de todas as idades reclamam muito de falta de diálogo com os companheiros. Especialmente as mais velhas.


As idosas, sejam casadas, viúvas ou separadas fazem seus “piqueniques’’ noturnos utilizando serviços conhecidos como os das “vans’’ para frequentar teatros, cinemas, restaurantes, shows. É um lazer benéfico à saúde e não deixa de ter uma conotação sexual porque envolve sensualidade: estar presente no mundo das sensações, assistindo a uma boa peça de teatro, um bom filme. E o convívio sócio-afetivo é muito importante para a saúde física e mental.


Ressalto que as mulheres ainda ficam muito recolhidas no aspecto sexual, porque a vaidade impera e elas não querem passar por ridículas, não querem passar por “oferecidas’’. O homem, no seu entender, é quem precisa se encantar por ela. Mas o homem se encantar por uma mulher mais velha é mais raro. Em alguns casos, há admiração e atração intelectual de “alunos/nenês’’ por “mulheres/professoras” mais velhas. Por outro lado, os homens quase sempre desejam ensinar – eles têm a pretensão de orientar.


No processo da sexualidade entre idoso nas classes populares ninguém se intromete muito quando uma mulher mais velha quer ter uma relação com um homem mais jovem. São casos em que não pesa a questão de quem vai sustentar financeiramente quem, ao contrário do que ocorre nas classes médias e altas.


Entre os mais pobres pode se verificar uma solidariedade às vezes bem maior entre idosos e mais jovens, do que ocorre nas classes médias e altas. As famílias vivem mais próximas - sobrinhos, primos, tios. Nas classes mais altas raramente existe o personagem do vizinho que leva ao hospital. E os tios, primos, sobrinhos, quase não atuam mais. A família nuclear é cada vez menor: no máximo dois filhos, dispersos em suas ocupações profissionais e de lazer. Ou até um filho único que não cuida da mãe porque ele e sua esposa trabalham muito e, dizem, não têm tempo para tal. Ou outro/a que vive à custa da mãe ou do pai e gostaria de receber logo uma eventual herança. É uma triste realidade.


Num mundo onde prevalece o materialismo e o individualismo, a capacidade de olhar o outro se obscurece. Precisamos incentivar a convivência com os mais velhos desde a infância, com trocas espontâneas de afeto e consideração.






Fonte:

09/12/2017