sexta-feira, 7 de outubro de 2011

NA POESIA, BUNDA E CU





Dois grandes poetas – Verlaine e Drummond - celebraram duas partes anatômicas da mulher, muito próximas uma da outra, ou melhor, uma está contida na outra. Pode-se preferir uma ou outra, mas estão indissoluvelmente associadas.


Já falamos, aqui, nesta “Lua Quebrada”, do Soneto do Olho do Cu, do Verlaine, em parceria com Rimbaud. Voltamos ao tema, com o mesmo poeta. Fixação? Não importa: o poema é uma bela ode ao cu feminino.




Antes, porém, apresentamos o nosso poeta maior, que nos deixou uma pequena, mas fundamental obra de poemas eróticos: O AMOR NATURAL. Seu poema sobre a bunda feminina merece estar em todas as antologias da boa poesia erótica, quase fescenina.

Gozemos com ambos, Drummond e Verlaine, no bom sentido e em todos os sentidos que queiram leitoras e leitores deste blog.

De Carlos Drummond de Andrade:

A bunda, que engraçada





(Foto de Roman Tkachenko)

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.


Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.


A bunda são duas luas gémeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.


A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.


Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.


A bunda é a bunda,
rebunda.

De Paul Verlaine:


Moral abreviada



(Autor não identificado)

Uma nuca de loura e de graça inclinada,
Um colo que arrulha, belos, lascivos seios,
Com medalhões escuros na mama afogueada,
Esse busto se assenta em baixas almofadas
Enquanto entre duas pernas para o ar, vibrantes,
Uma mulher se ajoelha - ocupada com quê?
Amor o sabe - expondo aos deuses a epopeia
Singela de seu cu magnífico, um espelho
Límpido da beleza, que ali quer se ver
Pra crer. Cu feminino, que vence o viril
Serenamente - o de efebo e o infantil.
Ao cu feminino, supremo, culto e glória!





(Tradução de José Paulo Paes)


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