segunda-feira, 31 de outubro de 2011

AS SAPATILHAS ERÓTICAS DA BRUXINHA NUA




O quadro abaixo , pintado por volta de 1470, é assinado por um Nederrrheinischer Meister, ou mestre do Baixo Reno, na França. Seu nome permanece desconhecido. O título da obra, “Libeszauber”, pode ser traduzido por “amor mágico”, ou, mais provavelmente, por “magia do amor”.

Ele está exposto no Museu de belas-artes de Leipzig. Parece que é a primeira pintura que representa de forma claramente erótica uma jovem e sedutora feiticeira.





No centro do quadro, a jovem bela e loira feiticeira de seios pequenos prepara um encantamento de amor. Ela está jogando um líquido misterioso num coração depositado numa caixa a seu lado.

Um véu transparente, dobrado sobre o seu braço direito, passa sobre o púbis e contorna sua perna direita, o que não esconde sua nudez, mas aumenta a sensualidade da cena.




Ela tem modos recatados, mas atrás dela, uma figura de homem a observa. Nada o impede de contemplá-la. No entanto, melhor colocado que ele, nosso ponto de vista é bem mais carregado de erotismo do que o seu.






Retardemos nosso olhar sobre as sandálias da bela feticeira. Elas são muitas vezes símbolo de liberdade e licenciosidade. Nos séculos XIV e XV, essas sandálias, verdadeiras “sapatilhas de ponta”, eram utlizadas para cutucar ou excitar os homens, estimulando suas partes íntimas sob as mesas em lugares públicos.





Como até o final do século XIX as mulheres raramente usavam roupas de baixo, a resposta masculina a esse assédio podia muito bem ocorrer com dedões do pé usados como verdadeiros falos, por baixo das longas saias femininas.


(Traduzido e adaptado do blog Sac à fouille:

http://sac-a-fouilles.skynetblogs.be/archive/2009/week36/index.html)


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O CASO ROSE LEONEL












Esta crônica fugirá um pouco às características das matérias desta “Lua”. Porque será meio furibunda (sem duplo sentido) e sem ilustrações. Vou falar de Rose Leonel.

Rose Leonel é uma jornalista de Maringá, PR. Tem 41 anos e desde 2006 luta por justiça, por um escândalo que correu o País via internet: ao romper um namoro de mais de três anos, seu ex postou na rede um conjunto fabuloso de fotos íntimas da moça. E isso teve repercussão até no exterior.

Bem, por que volto ao assunto? Por vários motivos.

Primeiro, e o mais importante de todos: o tal sujeito foi condenado, finalmente. Saiu a sentença há pouco, creio que em agosto. Não interessa se a condenação foi a esperada, se foi justa ou não. Importa é que ele foi condenado. E isso é fundamental.

E, por conta disso, entramos no segundo motivo: o direito à privacidade. Sem dúvida, temos todos tal direito e, muitas vezes, indivíduos inescrupulosos e idiotas (como o tal ex da Rose) acham que podem dispor da vida das pessoas e ficar impunes. Uma vitória do Direito e da democracia (sem entrarmos em discussões filosóficas do que sejam direito à privacidade e democracia).

Terceiro motivo: o machismo. Há homens – e esse tipo abunda por aí (mais uma vez, nada de trocadilhos infames!) – que não se conformam com um simples término de relacionamento. Acham que a mulher é sua propriedade, e que não podem dela ser desalojados. Isso é uma das coisas mais irritantes e imbecis do machismo. Sofra, cara, mas caia na real: vá chorar as mágoas na cama, que é lugar quente e deixe em paz a quem não lhe quer!

Quarto motivo: as mentes criminosas. Aliado ao machismo, há também os criminosos, muito piores do que os machistas imbecis: aqueles que matam, porque foram colocados para escanteio. A esses o desprezo total. E punição, punição bastante severa, para servir de exemplo a todo macho que se acha dono da vida e da morte de suas parceiras.

Quinto motivo: a repercussão. E aí vai uma crítica a toda a mídia. Quando estouram casos nebulosos e escandalosos, como o que viveu a jornalista de Maringá, as mídias correm atrás, tiram proveito, faturam com manchetes e reportagens. Depois, quando o caso chega ao fim, com a devida punição do criminoso, quase nada se publica. Acho que o mesmo destaque devia ser dado, para que – cumprindo um dever de cidadania que a mídia devia ter e não tem – o caso sirva de lição e desencoraje outros idiotas a fazerem o mesmo.

E, finalmente, o último motivo: o alerta. Hoje, com a facilidade de usar celulares e outras pequenas engenhocas, para fotografar e filmar, não caiam em tentação. Meninas (e meninos também), lembrem-se de que um celular pode ser perdido, que o parceiro ou parceira nem sempre é confiável e, mesmo que confiável no momento, as pessoas mudam: o amor de hoje pode se transforma em rancor e ódio amanhã, ou depois. Não se exponham!



terça-feira, 25 de outubro de 2011

DOIS POEMAS DE MARIA TERESA HORTA








Estou trazendo dois textos de uma das três Marias de Portugal.

Sim, porque, aqui, nesta mesma “Lua”, já falei de Maria Teresa Horta, quando publiquei um texto do livro “Novas Cartas Portuguesas”. Agora, ela vem sozinha, com toda a sua verve, com todo o seu erotismo.

Maria Teresa Mascarenhas Horta nasceu em Lisboa em 20 de Maio de 1937. Oriunda, pelo lado materno, de uma família da alta aristocracia portuguesa, conta entre os seus antepassados a célebre poetisa Marquesa de Alorna.

Estudou na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Dedicou-se ao Movimento Feminista de Portugal juntamente com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa, com as quais publicou o já citado "Novas Cartas Portuguesas".



Deliciem-se com os dois poemas de Maria Teresa Horta, ilustrados com fotos de Viktor Ivanovski:



As nádegas






Porque das nádegas
a curva
sempre oferece
a fenda
o rio
o fundo do buraco


Para esconso uso do corpo
nunca o fraco
poder do corpo em torno desse vaso


Ambíguo modo
de ser usado
e visto


De todo o corpo
aquele
menos dado


preso que está já
do próprio vicio
e mais não é que o limiar de um acto

Joelho






Ponho um beijo
demorado
no topo do teu joelho


Desço-te a perna
arrastando
a saliva pelo meio


Onde a língua
segue o trilho
até onde vai o beijo


Não há nada
que disfarce
de ti aquilo que vejo


Em torno um mar
tão revolto
no cume o cimo do tempo


E os lençóis desalinhados
como se fosse
de vento


Volto então ao teu
joelho
entreabrindo-te as pernas


Deixando a boca
faminta
seguir o desejo nelas.




sexta-feira, 21 de outubro de 2011

BRIDE PARADE? POIS, É: A PARADA DAS NOIVAS






(Monica Bellucci, foto de Helmut Newton)



Leio, hoje, no jornal, que São Paulo vai ganhar mais uma parada. Depois do “orgulho gay”, depois da “para das vadias” e de tantas outras marchas e paradas, vamos ter a PARADA DAS NOIVAS.


Informa a notícia que esse evento já ocorreu em países como Rússia, Nova Zelândia e Portugal. Puxa, pensei, estamos em boa companhia!




Mas, que diacho é isso, de PARADA DAS NOIVAS?


Bem, com certeza, deve haver interesses comerciais nisso, mas deixemo-los de lado. Fiquemos só com os aspectos mais lúdicos do acontecimento.


Parece que é uma oportunidade para que muitas mulheres casadas vistam de novo o vestido que é usada uma única vez, o famoso e cobiçado vestido de noiva.




E também que mulheres solteiras possam soltar suas fantasias de casamento, já que haverá uma concentração de fotógrafos, estilistas, cabeleireiros, floristas e festeiros vão ter de mostrar seus serviços.



Enfim, uma parada para as mulheres se verem e serem vistas, como no dia de um casamento, em desfile em limusines e carros de luxo. E, é claro, para todos os homens soltarem também suas fantasias e pensarem ou imaginarem noivas como as que estão ilustrando essa matéria.



Ah, sim: tudo na parada tem um preço, inclusive a inscrição, com direito a almoço num determinado restaurante e sorteio de uma noite de núpcias em hotel a ser escolhido pelos organizadores. E os preços são estes: noivas, 120 reais; acompanhantes e assistentes de noivas, 50 reais; fotógrafos de casamento, duzentos e noventa reais...



Serviço:


Brides Parade (www.bridesparade.com.br)

Data: domingo, 23 de outubro de 2011.
Local: Praça Júlio Fontoura (Ibirapuera), São Paulo, SP
Horários:
7h – preparação das noivas;
10h – início do trajeto de carro, saindo do Obelisco em direção à Avenida Paulista
12h – chegada ao Parque Trianon (Avenida Paulista)





(Fotos da internet, sem indicação de autoria)






terça-feira, 18 de outubro de 2011

EROTISMO E HUMOR – 2





A literatura erótica tem por objetivo despertar a libido, com descrições e narrações de conteúdos sexuais. No entanto, quando cai no humor, a descrição mais fescenina torna-se apenas humor, nada mais. O erotismo desvanece. Henry Miller, em O Trópico de Capricórnio, talvez sem o querer, estabelece bem a diferença entre humor e erotismo, quando descreve a mulher divertida no sexo:






(Autor não identificado)





“Evelyn [...] tinha uma boceta que ria. [...] Tudo era piada, inclusive foder. Ela seria capaz de fazer um pau duro rir, o que não é pouca coisa. Dizem que um pau duro não tem consciência, mas um pau duro que ri também é fenomenal. Só posso descrever o negócio dizendo que quando ela, Evelyn, quero dizer, ficava quente e interessada, encenava um ato de ventriloquia com sua boceta. Você estava pronto para enfiar o membro quando de repente o boneco que ela tinha entre as pernas soltava uma gargalhada. Ao mesmo tempo, avançava em sua direção e dava-lhe um alegre puxão e apertão. Sabia cantar também, esse boneco de boceta. Na verdade, portava-se como uma foca amestrada.



 



(Autor não identificado)



Nada é mais difícil que fazer amor em um circo. À força de executar constantemente o número de foca amestrada, ela se tornara mais inacessível do que se tivesse sido fechada entre grades de ferro.

[...]

Quando a fêmea ri, o melhor que o macho tem a fazer é correr para o abrigo contra ciclones. Nada resiste àquela gargalhada vaginal, nem mesmo concreto armado.”

(Trópico de Capricórnio, tradução de Aydano Arruda)




Acho que podemos exemplificar o humor no erotismo com dois trechos de duas obras: a primeira, do século XVIII – Teresa Filósofa; e a segunda, contemporânea – Pornopopeia.

Teresa Filósofa, de autor anônimo, é um clássico. Conta a história de uma moça “esperta” tanto nas artes da sacanagem quanto nas firulas da filosofia da época. É um livro de sacanagem com filosofia, ou seja, primeiro vem a sacanagem, depois o pensamento erudito que busca justificar, diante de deus, a sacanagem dos homens, e das mulheres. Muito bom.

No trecho selecionado, uma velha cafetina combinara um programa entre uma prostituta e três frades. Combina o programa com a “senhora” Bois-Laurier (amiga de Teresa) que narra o episódio.

No meio da orgia, um dos padres, já totalmente bêbado e frustrado por não conseguir trepar com a Bois-Laurier (por um motivo que só lendo o livro, para acreditar!), revolta-se e diz que não irá embora, “enquanto não tiver fodido, nem que seja o diabo”. Então, entra em ação a velha cafetina, a senhora Dupuis:


 



(Fujiwara-Hazuki)





“[...] – Pois bem, fode! – disse ela, arregaçando as suas roupas até o umbigo. – Olha essa boceta venerável, que vale por duas. Sou uma ótima diabinha... Fode-me então, se ousares, e ganha o teu dinheiro!

Ao mesmo tempo ela pega o padre Ange pela barba e o arrasta para cima dela, deixando-se cair na pequena cama. O Padre não está nada desconcertado pelo entusiasmo da sua Proserpina, ele se dispõe a meter e o faz imediatamente.







(Autor não identificado)


Mal a sexagenária Dupuis provou da fricção de algumas sacudidelas do padre e esse prazer delicioso, que nenhum mortal tivera a ousadia de fazê-la experimentar há mais de vinte e cinco anos, transporta-a e logo a faz mudar de tom:



 



(Autor não identificado)



- Ah, meu Papai – dizia ela, debatendo-se como uma raivosa, meu querido Papai! Mete, vamos... dá-me prazer... tenho somente quinze anos, meu amigo. Sim, estais vendo? Tenho somente quinze anos... Estás sentindo esse ritmo? Vai, então, meu pequeno querubim! Estás me devolvendo a vida... estás fazendo uma obra meritória...








(Autor não identificado)


No intervalo dessas ternas exclamações, a Dupuis beijava o seu campeão, beliscava-o, ela o mordia com os dois únicos tocos de dente que lhe restavam na boca.




De um outro lado, o padre, que estava sobrecarregado de vinho, nada mais fazia do que O relinchinar, mas esse vinho começando a subir, logo a galeria composta pelos Reverendos Padres Anselme, Hilaire e eu, percebeu que padre Ange perdia terreno e que os seus movimentos deixavam de ser regularmente periódicos.







(Autor não identificado)

- Ah, droga! – exclamou de repente a conhecedora Dupuis –, acho que estás brochando... Cachorro, se me fizesse tal afronta...

Nesse instante o estômago do padre, cansado pela agitação, faz bluf e lá se foi a inundação diretamente no rosto da infeliz Dupuis, no momento de uma das exclamações amorosas que mantinham sua boca aberta; a velha sente-se contaminada por essa exlibação infecta, o seu estômago se revolta e ela paga o agressor com mesma moeda.








(Autor não identificado)


 


Jamais houve espetáculo mais horroroso e mais risível ao mesmo tempo. O monge torna-se pesado sobre a Dupuis, esta faz poderosos esforços para virá-lo de lado e consegue. Ambos nadam na sujeira, seus rostos estão irreconhecíveis. A Dupuis, cuja raiva estava somente suspensa, cai sobre o Padre Ange com fortes socos. Meus risos imoderados e os dos dois espectadores tiram nossa força para lhes prestar socorro. Enfim, fomos até eles e separamos os campeões. Padre Ange adormece, a Dupuis se limpa. Chegando a noite, cada um se retira e volta tranquilamente para o seu solar.”






(Teresa Filósofa, tradução de Carlota Gomes)







O segundo texto foi extraído da obra do brasileiríssimo Reinaldo Moraes. Pornopopeia é a história de um publicitário às voltas com sua falta de criatividade para elaborar um anúncio de uma fábrica de embutidos de frango. Sua trajetória é forrada de muita droga, muita bebida e muito sexo, mas sexo escrachado, como podem ver no trecho abaixo, onde o narrador participa de uma orgia pseudo-budista:



 



(Autor não identificado)



[...] Caminhei de língua em riste em busca do grelo perdido, dando de passagem uma lustradinha no brinco dourado, uma joia incrustada na outra.

A guria deu uns tremeliques e voltou a arrebitar a bundinha facilitando meus trabalhos linguais. O gosto de sangue prevalecia no coquetel, e eu entendi mais uma vez, como sempre acontece quando me ponho a chupar uma buça regrada, qualé a grande onda dos vampiros. De fato, nada como o liebfräublut colhido na fonte. A transilvânica e canibalesca iguaria me dá uma turbinada fudida no tesão. Sem contar que, ao praticar o cunnilingus pelo derrière de milady, você vai incorrer fatalmente no narigânus, que outra coisa não é senão o contato direto da sua napa com o orobó da fêmea que você está a cunnilinguar, ora pois.







(Autor não identificado)




Sei lá, viu. A vida humana ainda é muito primitiva em vários aspectos. Quem tivesse vivido ou apenas visto aquelas evoluções no porão não duvidaria dessa minha alta constatação antropológica.






(Autor não identificado)


Enquanto devorava a buceta da Sossô, eu ia me proporcionando uma punhetinha maneira pra manter o nível paudurístico. A certa altura, dando uns tiros de olho ao redor, flagrei-me num dos espelhos mágicos com a cara lambuzada de rouge-xoxotte. Boca, nariz, queixo, parte das bochechas, tudo vermelho, feito lobisomem de filme B depois de jantar um figurante distraído. E a Sossô, só ali, lustrando o cabeçote do bailarino. De vez em quando, liberava a mão direita e dava umas apalpadas na volumosas almôndegas dentro do saco preto do cara, coisa que pude constatar por debaixo da xotinha dela, ao recuar minha cara pra tomar fôlego e decidir se metia duma vez por todas o bruto na racha ou se continuava chupando mais um pouco. Até agora não entendo como foi que o Melquíades conseguiu brecar por tanto tempo a ejaculação, na certa esperando que eu me resolvesse a enfiar logo a piça na frangota. Daria um artista pornô de primeira, o filhadaputa. No lugar dele eu já teria gozado umas oito vezes sem tirar das amígdalas da sinhá-moça.






(Autor não identificado)

Uma hora lá me bateu uma puta inveja do Melquíades. Não ciúme, inveja mesmo. Queria eu ter um pingolim daquele tamanho e homenageado daquele jeito, com anima & cuore, pela petite diablesse du petit pagode. Ocorreu-me, então, uma joia de reflexão psicanalítica: quem tem inveja do pênis alheio é o homem, não a mulher, que, afinal de contas, se não for uma baranga desgraçada, nem uma veia coroca, pode ter quantos deles quiser.[...]


(Autor não identificado)


(Pornopopeia, de Reinaldo Moraes)




sexta-feira, 14 de outubro de 2011

UMA LOLITA BRASILEIRA



Este texto já estava mais ou menos programado, quando li no jornal a notícia da morte de ALBERTO SALVÁ. E é em homenagem a ele que o publico hoje.

Nascido em Barcelona, em 1938, chegou adolescente ao Brasil, passando a morar no Rio de Janeiro. Dedicou-se ao cinema e foi um diretor de relativo sucesso nos anos 70 e 80.

Observador dos costumes, principalmente, na área amorosa, foi nessa praia que dirigiu o seu maior sucesso – A MENINA DO LADO.






O tema é espinhoso, mas tratado com grande delicadeza e beleza: o relacionamento amoroso entre um jornalista quarentão (Reginaldo Farias) e uma garota de quatorze anos (Flávia Monteiro), durante um verão sabático dele numa praia.







Flávia Monteiro, a menina do lado, que seduz o homem maduro, está lindíssima, no frescor de sua juventude, aos catorze anos, a idade da personagem, como se pode ver nas fotos do filme, acima, que causaram, claro, a maior polêmica na época (1986).

Já uma bela mulher, posou nua para revistas femininas:






E continua bonita, como nesta foto de 2009, quando, aos 37 anos, recebe seu diploma do curso de cinema (foto do blog da atriz:





Fica, portanto, neste post, nossa homenagem a Alberto Salvá, diretor brasileiro nascido na Espanha, criador de uma Lolita brasileira.





terça-feira, 11 de outubro de 2011

DIA DA CRIANÇA




(Autor não identificado)




( - Acho que está na hora de termos uma conversinha sobre sexo...
- O que o senhor gostaria de saber?)

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

NA POESIA, BUNDA E CU





Dois grandes poetas – Verlaine e Drummond - celebraram duas partes anatômicas da mulher, muito próximas uma da outra, ou melhor, uma está contida na outra. Pode-se preferir uma ou outra, mas estão indissoluvelmente associadas.


Já falamos, aqui, nesta “Lua Quebrada”, do Soneto do Olho do Cu, do Verlaine, em parceria com Rimbaud. Voltamos ao tema, com o mesmo poeta. Fixação? Não importa: o poema é uma bela ode ao cu feminino.




Antes, porém, apresentamos o nosso poeta maior, que nos deixou uma pequena, mas fundamental obra de poemas eróticos: O AMOR NATURAL. Seu poema sobre a bunda feminina merece estar em todas as antologias da boa poesia erótica, quase fescenina.

Gozemos com ambos, Drummond e Verlaine, no bom sentido e em todos os sentidos que queiram leitoras e leitores deste blog.

De Carlos Drummond de Andrade:

A bunda, que engraçada





(Foto de Roman Tkachenko)

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.


Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.


A bunda são duas luas gémeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.


A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.


Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.


A bunda é a bunda,
rebunda.

De Paul Verlaine:


Moral abreviada



(Autor não identificado)

Uma nuca de loura e de graça inclinada,
Um colo que arrulha, belos, lascivos seios,
Com medalhões escuros na mama afogueada,
Esse busto se assenta em baixas almofadas
Enquanto entre duas pernas para o ar, vibrantes,
Uma mulher se ajoelha - ocupada com quê?
Amor o sabe - expondo aos deuses a epopeia
Singela de seu cu magnífico, um espelho
Límpido da beleza, que ali quer se ver
Pra crer. Cu feminino, que vence o viril
Serenamente - o de efebo e o infantil.
Ao cu feminino, supremo, culto e glória!





(Tradução de José Paulo Paes)