sábado, 28 de novembro de 2009

SATYRICON




(Oriental/kama sutra gay/sem indicação de autoria)


Um texto fescenino é um texto sacana. Ou que fala de sacanagem. A boa e velha sacanagem. Que alguns dizem pornografia, porque o moralismo assim os obriga. Bobagem! Que, aliás, rima com sacanagem. E estou falando de sacanagem também no velho e bom sentido: o que uns e outros fazem com o corpo de uns e outros, tudo consentido, claro; uns e outros adultos e donos de si, também fique bem claro. Isso o atual politicamente correto. Que nem sempre foi político, nem sempre foi correto. O tempora, o mores! – diziam os antigos. Com certa razão. Petrônio que o diga, com seu Satyricon. Como exemplo de uma boa sacanagem, aí vai um pequeno trecho fescenino, bem ao estilo do – considerado hoje – clássico Petrônio, numa tradução de Paulo Leminski:



(Oriental/kama sutra gay/sem indicação de autoria)



Ofendido com minha perfídia, o garoto fechou a cara pra mim. Mas dali a dias, voltei a atacar. De novo, o acaso voltou a nos favorecer, ouvi que o pai roncava, e comecei a implorar ao garoto que fizesse as pazes comigo, vale dizer, me deixasse voltar às delícias de antes. Gastei, nisso, toda a lábia que o desejo costuma ditar.

Ele, no entanto, furioso, só sabia dizer:

—   Volte a dormir, senão eu conto pro meu pai.

Nada é tão difícil que a teimosia não consiga atingir. Ele dizia "vou acordar meu pai", e eu já estava em cima dele, agarrando-o à força e satisfazendo meu tesão. Não resistiu muito. Não parecia aborrecido com minha violência. Disse que tinha sido objeto da zombaria dos colegas da escola, por causa da minha avareza.

— Mas eu não sou avarento com você. Pode me comer de novo, se quiser.



Eu, feitas as pazes, fiz com o garoto o que o meu desejo queria, e caí no sono. Mas o garoto, com toda sua disposição juvenil, queria levar mais.

Me despertou de repente:

— Não quer mais?

Eu ainda tinha um restinho de tesão, fiz o melhor que pude, e, suando e resfolegando, consegui satisfazê-lo mais uma vez. Exausto, voltei a dormir, cansado de tanto gozar. Dormi só um pouquinho, ele me cutucou:

— Vamos transar de novo.

Acordando furioso, devolvi sua ameaça:

— Ou você dorme, ou eu conto tudo pro seu pai.





(Paul Émile Bécat)







Um comentário:

Anônimo disse...

Gostaria se possível que comenta-se sobre as práticas homossexuais contidas no Kama Sutra original,suprimidas do mesmo quando levado ao ocidente. Também seria interessante abordar a destruição de obras de arte seculares indianas por Gandhi,apenas por essas retratarem cenas de sexo explicito homossexual.