terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

EROTISMO ADOLESCENTE




Um poeta, J. G. de Araújo Jorge, um tantinho antes de minha geração. Lido e admirado, na época, década de 50, 60. Apesar de seu lirismo às vezes fora de época. Mas tinha um erotismo sutil que encantava uma época ainda sexualmente travada, mas louca para fazer a revolução sexual que atingiu o mundo no final dos anos 60. Jovens, éramos muito jovens ainda, quando líamos José Guilherme de Araújo Jorge, o poeta acreano, radicado no Rio, eleito várias vezes Deputado Federal, pelo antigo (e ainda confiável) MDB:






PUDOR






Escapas, nua, de meus braços
e vais te vestir no quarto ao lado.



SENSUAL





Eram dois bicos, como dois bicos de aves,
só que tremiam sob o teu vestido...





(Poemetos de JG de Araujo Jorge extraídos do livro "Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou")


(Fotos de Cirenaica Moreira)



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

POESIA ERÓTICA, SEMPRE ELA...





Poesia erótica: sempre ela a provocar controvérsias. Há a poesia antiga, aquela dos gregos, de Safo, por exemplo, ao mesmo tempo intelectual e safada, sem pejo, sem medo. Há a poesia erótica de grandes nomes, de medalhões da literatura (que nem é preciso citar), que fazem uma poesia erótica inibida, intelectual demais, metida a besta, embora bela, pela classe, pela escolha das palavras, pela filosofia nela embutida. Poesia que as pessoas ditas de bem definem como de bom gosto (seja lá o que isso seja). 




Mas há também a poesia escrachada, de cujos exemplos temos publicado aqui, neste blog, aquela poesia sem eira nem beira, que não teme o chamado palavrão, que se compromete com o tema até à raiz do cabelo ou de outras coisas... se é que me entendem. Gosto de todas. Assim como gosto, também, da poesia que emana de palavras simples, de frases sem frescura, do dizer claro e simples, quase prosaico. Aí vai um exemplo, de Leila Miccolis, com ilustrações de Frans de Geetere:




Confissão





Dizem que o amor é cego,
não nego,
por isso te abro os olhos:
não tenho bens nem alqueires,
eu não sou flor que se cheire,
nem tão boa cozinheira,
(bem capaz que ainda me piches
por só comer sanduíches),
minha poesia é fuleira,
tenho idéias de jerico,
um cio meio impudico
como as cadelas e as gatas,
às vezes me torno chata
por me opor ao que contemplo,
sei que sou péssimo exemplo,
por pouca coisa me grilo,
talvez por mim percas quilos,
eu não sei se valho a pena,
iguais a mim, há centenas,
desejo te ser sincera.
Mas no fundo o amor espera
que grudes qual carrapicho:
são tão grandes meu rabicho
e minha paixão por ti,
que não estão no gibi...
Ao te ver, viro pamonha,
sem ação, e sem vergonha
o meu ser inteiro goza.
Por isso, pra encurtar prosa,
do teu corpo, cada poro
eu adoro adoro adoro...







quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

LA FONTAINE, QUEM DIRIA?



Numa tradução de José Paulo Paes, achei em meus arquivos este poemeto maravilhoso. E logo de nosso celebrado moralista La Fontaine. Fiquei em dúvida se seria autêntico, mas, de qualquer modo, é bom. Bebam-no, comam-no, gozem-no:




Epigrama

de La Fontaine



(André Leroux)


Amar, foder: uma união
De prazeres que não separo.
A volúpia e os prazeres são
O que a alma possui de mais raro.
Caralho, cona e corações
Juntam-se em doces efusões
Que os crentes censuram, os loucos.
Reflete nisso, oh minha amada:
Amar sem foder é bem pouco,
Foder sem amar não é nada.



(A. não identificado)