segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

NUDEZ DE PESSOAS COMUNS: ANTES E DEPOIS


As fotos sempre me intrigaram e excitaram. Não se sabe nada a respeito delas: época, motivação, quem são as modelos, nada. Mas, encontrei a crônica abaixo, copiei e traduzi, o que me dá a desculpa de publicar mais uma série delas, para deleite de leitores e leitoras desse blog:

A RESPEITO DE UMA SÉRIE DE FOTOS 

DE MOÇAS COMUNS NUAS 

E NUMA MESMA POSIÇÃO

(Autoria desconhecida)


Não acho que elas sejam excitantes, mas... provocantes.


Muito longe do imaginário publicitário que nos atordoa com imagens totalmente retocadas que, ao fim, elas não se parecem com nada, muito longe da encenação erótica ou pornográfica que fica longe da coisa real...


Mais ainda muito além de toda significação claramente estabelecida, e que é sem duvida provocante.


Eu  olho essas mulheres, vestidas e depois nuas, a mesma mulher, o mesmo olhar indefinível, e eu pergunto: mas o que existe por trás desse olhar? Que vida, que história, que motivações? O que a levou a isso, a essa fotografia objetiva?


Eu  olho esses rostos e esses corpos imperfeitos, ou seja, portadores de sua história e de sua identidade, eu me pergunto: em que língua ela pensa? E em que ela pensa nesse exato momento? Que fazia ela uma hora antes? Por que ela está aqui?  Que significa para ela o fato de se colocar nua diante do fotógrafo?


Porque esse significado, e é isso o que é provocante, nos é totalmente recusado. Não se sabe nada dessas mulheres, nem quem elas são, nem de onde elas vieram, nem porque estão aí, nem em qual momento exatamente. Há vinte anos? Ontem? Elas estão vivas, já são velhas, são elas mesmas? O que faziam elas ali? Por quê?


Há  como uma contradição entre essa distância intransponível que nos separa delas e a familiaridade de seus corpos, tão parecidos ao nosso em sua timidez mesma.


Sua nudez é muito mais provocante que a de qualquer modelo publicitário ou pornográfico, que nunca se encontra sob a imagem enquanto pessoa, mas somente enquanto sentido, enquanto ícone. Ao passo que, aqui, é belo e bem uma pessoa que está aqui, entregue a nosso olhar, uma pessoa detentora de toda a sua vida, de toda a sua história, que não se conhece, mas que se imagina, através daquilo que nos deixa imaginar seu corpo.


Esse corpo entregue sem desejo e sem paixão, talvez com somente um pouco de constrangimento às vezes, esse corpo infinitamente mais nu naquilo que ele mostra de humanidade que aquele que nos apresentam os modelos que se julgam belos ou excitantes.


De minha parte, toca-me muito mais. Com, entretanto, uma ponta de maldade, devido à impressão de contemplar a nudez de uma pessoa como por arrombamento.


É isso.
Era minha emoção artística do dia...
Ficarei curiosa de saber mais sobre o contexto dessas fotos.




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