segunda-feira, 3 de outubro de 2016

O UNIVERSO DO FILME PORNÔ: DEPOIMENTO DE UMA ATRIZ



Mulher que faz filme pornô é atriz ou prostituta?

Uma pergunta que passa pela cabeça de muitas pessoas. E uma discussão mais ou menos inútil, já que tanto a profissão de atriz quanto a da prostituta são tão dignas quanto quaisquer outras. Nossa sociedade – principalmente por causa de princípios religiosos – tem estigmatizado tudo o que se relaciona a sexo, se não for o sexo permitido por leis, dentro do chamado “casamento burguês”, com regras pré-estabelecidas e dentro de convenções ditas “aceitáveis” pelo tradicionalismo e pelo puritanismo de padres, pastores, rabinos, aitatolás etc.

No entanto, a pergunta mais aceitável deveria ser: por que alguém faz filme pornô? Acho que a entrevista abaixo responde parcialmente. Se considerarmos o sexo profissional como uma realidade de que não de pode fugir, faz-se sexo – particular ou publicamente (no caso, via cinema, televisão, computador etc) – por dinheiro, ou seja, para sobreviver. E ponto. Sem moralismos. Sem condenações. Leia a matéria com a atriz Márcia Imperator, 42 anos, conhecida na televisão e no cinema, regale-se (por que não?) com suas fotos e... vida que segue.


CRIEI MINHAS TRÊS MENINAS 

FAZENDO PORNÔ, 

DIZ MÁRCIA IMPERATOR


“Transar você já vai de qualquer maneira. Melhor fazer isso ganhando dinheiro e sustentar suas filhas do que fazer de graça e passar fome”. Foi assim que meu pai reagiu quando contei pra ele que tinha recebido uma proposta para trabalhar num filme pornô, em 2001. Fiquei feliz por saber que ele e minha mãe me apoiavam. Encarei aquilo como uma oportunidade de sair do sufoco e dar às minhas três filhas uma condição melhor de vida do que eu tinha tido na infância, trabalhando na roça e passando necessidade. Todo mundo faz sexo. Qual o problema de as pessoas me verem fazendo?


Comecei a ajudar meus pais na lavoura aos 7 anos. Não foram tempos fáceis. Quando havia uma colheita ruim, a gente passava fome. Por isso, assim que cresci um pouco mais, aos 14 anos, me agarrei ao que considerava uma boa oportunidade para deixar a casa dos meus pais: me casei com um trabalhador do campo da nossa região, no interior de Santa Catarina. Ao contrário de mim, meu companheiro planejava passar o resto da vida plantando em sua terra, perto de sua família.


Tivemos três filhas e um casamento bastante conturbado, que terminou quando eu tinha 21 anos. Aí, aluguei uma casinha em Florianópolis (SC) e ralei muito para sustentar minhas meninas. Trabalhei como faxineira, ajudante de cozinha, doméstica... Só que, por mais que eu me desdobrasse, o dinheiro nunca era suficiente. Então, em 1999, pra me livrar de um namorado possessivo, acabei me mudando para a casa de uma amiga em São Paulo.


Essa minha amiga tinha conhecidos na TV e conseguiu que eu fizesse algumas pontas em programas de auditório. Num teste para um programa, a produtora achou que eu tinha o perfil do quadro “Teste de Fidelidade”, em que uma atriz ou ator sensuais tentam seduzir alguém a pedido do seu cônjuge. Tinha de ficar de calcinha e sutiã e beijar o convidado. Eu estava solteira, era bonita e segura do meu corpo. Por que não? Mandei tão bem que eles me aceitaram na hora! Me divertia gravando o quadro e, aos poucos, fui ficando conhecida.


Só que, quando chegava o pagamento, era uma tristeza só: cerca de R$ 1.000 por mês. Quando completei um ano no programa, fiquei muito conhecida e não podia mais fazer o quadro. Por isso, fui dispensada. Passei a fazer shows de strip-tease pelo Brasil até encontrar um empresário que me convidou para fazer um filme pornô. Uau!


 A primeira coisa que fiz foi conversar com meus pais para ver o que eles achavam. Expliquei que o pagamento era uma bolada (cerca de R$ 30 mil por meia hora de filme!) e que eu gostaria de fazer. Eles sempre confiaram nas minhas escolhas e disseram que me apoiariam. Minhas filhas, que na época estavam com 11, 9 e 7 anos, não entendiam muito bem a situação, mas percebiam que o que eu estava fazendo era pelo bem delas. Não queria que elas passassem as dificuldades que passei.


Além do mais, poderia fazer aquilo de uma forma profissional. Afinal, quem não faz sexo? A única diferença é que as pessoas iam me ver fazendo. Conversei com meu namorado na época e ele disse que não se importava. Então, topei o convite e fui fazer os testes de aids e doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) que eles nos pediam.


 No primeiro dia de gravação, fiquei me arrumando em um quarto e só fui apresentada ao meu parceiro na hora da cena. Eles me instruíram sobre como seria o desenrolar da história e que deveríamos começar pelo beijo, para então partir para o sexo oral e, finalmente, para a penetração. Fiquei supernervosa e não consegui me soltar. Aí, o diretor pediu para que só quem era imprescindível ficasse no set e me deu um pouco de uísque. No final, bebi quase a garrafa toda! Fiquei tão à vontade que atingi o orgasmo no fim da gravação!


Quando o filme estava para ser lançado, meu namorado não aguentou a pressão e acabou me deixando. Fiquei triste, mas sabia que eu estava fazendo a coisa certa. A prova foi o sucesso do filme, que me fez receber convites para participar de outras 13 produções nos seis anos seguintes. Fiquei famosa até no exterior! Contracenei com diversos atores famosos no meio, fiz meu trabalho com muito empenho, me esforçando para me soltar e para sentir o prazer que estava demonstrando. Nunca fiz nenhuma cena que me desagradasse e, se sentisse o menor desconforto, já pedia para parar.


Sempre agi de uma forma tão bem resolvida em relação ao meu trabalho que acabei passando essa tranquilidade para as minhas filhas. No colégio, elas nunca foram desrespeitadas pelos coleguinhas nem sofreram desaforo. Da mesma forma, meus amigos sempre me respeitaram e elogiaram o meu trabalho. Diziam que eu era uma ótima atriz e que assistiam aos filmes com suas parceiras! É claro que de vez em quando aparece algum otário que me aborda com vulgaridade. Mas sei colocar os desaforados no lugar deles.



Queria que as pessoas entendessem que um filme pornô é uma arte e um trabalho como qualquer outro. Sei que o que fiz ajudou a inspirar outras mulheres na cama, pois muitas já me disseram que buscaram conhecer seu corpo e ter mais prazer. Desde 2007, trabalho apenas fazendo shows de strip-tease em casas noturnas e gosto muito. Não fiquei rica, mas dá pra viver com dignidade. Não me arrependo de nada do que fiz e acredito que ninguém tem o direito de me julgar!


Fonte:

Reportagem de Thaís Helena Amaral



Um comentário:

Anônimo disse...

essa porra de teste de fidelidade destrói familias