segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O RELATÓRIO HITE, OU: A BUSCA DO ORGASMO PERDIDO? – 4



(Adriana Munoz)

Há poucos meses, um famoso programa da televisão brasileira informou que uma pesquisa realizada com mais de duas mil mulheres tinha chegado à conclusão de que quase 40% das mulheres brasileiras não conseguiam atingir o orgasmo.

(A. não identificado)
Quarenta anos depois da publicação do Relatório Hite, ainda há muitas mulheres que gostariam de gozar, mas não o conseguem. A revolução sexual, que tantas conquistas trouxe no terreno da sexualidade, não chegou ainda a muitas mulheres, nesse terreno. Mesmo depois da “descoberta” de que a mulher é o único mamífero da natureza que tem um órgão específico voltado para o gozo: o clitóris.

 (A. não identificado)

Interessante notar que Shere Hite dedica um curto capítulo – apenas 16 de um calhamaço de quase 500 páginas – às “Mulheres que nunca têm orgasmo” e não chega a nenhuma sugestão que realmente resolva o problema (que parece, mesmo, meio insolúvel para muitas). Sugere o de sempre: masturbação (manual e com a ajuda de um vibrador); conhecer o próprio corpo, a própria anatomia; aprender, com o tempo, a melhorar o nível das relações; vencer o medo e a insegurança... e pouco mais do que isso.

(A. não identificado)

Quais são os fatores que levam uma mulher a não chegar ao orgasmo? Acho que a ciência ainda está longe de descobrir uma resposta definitiva. Mas há causas que vão desde aspectos disfuncionais do próprio organismo, do próprio corpo, até aspectos sociais, psicológicos e religiosos. De qualquer modo, o assunto hoje é orgasmo – ou a falta dele. Abaixo alguns depoimentos sobre isso, das mulheres da década de 70, reproduzidos, obviamente, do livro que dá título a esta matéria (com ilustrações de Alain Aslan). Quem sabe possam eles ajudar a esclarecer esse mistério.

QUASE TODA MULHER 

QUE NUNCA GOZOU 

GOSTARIA DE FAZÊ-LO



“Me sinto menos desejável uma vez que não tenho ou raramente tenho orgasmos. Muitas vezes fico imaginando se o fato de ter orgasmos é parcialmente uma reação fisiológica individual. Realmente não creio que as diferenças nesta área sejam todas psicológicas. Gostaria que a nossa cultura enfatizasse menos o orgasmo e os atletas sexuais. Ficaria mais fácil para pessoas como eu se aceitarem a si mesmas. ”


 “Parece que levei a metade da minha vida sexual à procura do orgasmo. Levou sete anos até que eu experimentasse meu primeiro orgasmo e me sinto como se estivesse continuadamente caindo numa forma negativa de fracasso em relação a isso; quase nunca tenho orgasmo. ”



“Nunca tive nem nunca terei. Sou fria. ”


“Faria meu amante feliz. Eu realmente nunca quero um até o momento em que ele pensa em desistir. Os orgasmos são um grande mito para mim. Que é orgasmo? ”


“Leio e ouço falar constantemente em orgasmo. Você gostaria de ser daltônica e ficar o tempo todo lendo sobre arco-íris e borboletas? ”


“Sinto como se toda uma parte minha estivesse trancada. Acho que existem duas coisas me bloqueando, ambas têm relação com a minha mente. Uma delas é uma desagradável história pessoal (fui violada por meu padrasto) e a outra é uma necessidade tão forte de manter o controle dos meus pensamentos que não consigo afrouxar nem mesmo durante o sexo. ”


“Para mim ter orgasmos é um alvo inatingível, convenientemente artificial. Acho que o orgasmo relaxaria as minhas tensões – especialmente as sexuais. Sinto que o orgasmo é uma realização. Sinto que é necessário que eu os tenha. Às vezes eu os simulo, ficando tão envolvida que quase chego a pensar que eles estão realmente acontecendo. ”


“Tentei tudo mas nunca gozei. Acho que se tivesse um orgasmo ficaria mais satisfeita e saciada. Mas nunca me sinto contente quando acabamos. Sinto-me frustrada e insegura por não tê-los. Isso me causa mais tristeza do que qualquer outra coisa na minha vida. Não estou certa se quero continuar casada com meu marido, por causa de uma vida sexual incompleta. ”


“Vivo uma relação de amizade com meu marido de 66 anos. Eu sou e sempre fui sexualmente anestesiada e acredito que sempre serei. Gosto do sexo psicologicamente (proximidade, intimidade, sentimento de feminilidade, ir ao encontro às necessidades de um homem etc.) mas não tenho meios de saber como seria o sexo com orgasmos para poder comparar. Sinto-me extremamente singular, isolada sexualmente e entediada. ”




Um comentário:

Lynce disse...

Penso que muitas mulheres não gozam e o homem é o culpado. Nós, homens, temos que usar mais a inteligência e menos a força. Aprender a satisfazer a mulher na sua plenitude e fazê-la gozar como nunca é uma necessidade!