segunda-feira, 5 de setembro de 2016

IMAGINÁRIO ERÓTICO: FESTAS SEXUAIS OU ORGIAS – 2




Nas décadas de 40 a 60, o imaginário dos jovens povoava-se de uma lenda urbana – o bordel das normalistas. Ninguém nunca o viu ou o frequentou. Mas havia gente que jurava existir.




Diferentemente desse bordel inexistente, as orgias sempre existiram. O problema é que uma boa orgia – ou seja, festa regada a muita bebida, comida e sexo – custa caro. E, por isso, desde a antiguidade, quem organizava e frequentava tais festas eram a nobreza, depois a burguesia, as classes privilegiadas.




Mas que elas existem, existem.




No mundo atual, inclusive. Frequentadas por pessoas que, talvez, você até conheça: o seu vizinho que trabalha na bolsa de valores – um distinto casal; o gerente de seu banco; o dono do supermercado da esquina; o advogado que você contratou para resolver um problema trabalhista; o pediatra de seus filhos...




São pessoas “comuns”, mas que ganham bem, fazem viagens ao exterior, vestem-se bem, falam outros idiomas. Não são, propriamente, pessoas ricas, mas bem de vida. E frequentam, nos fins de semana, ou nas férias, festas e bacanais orgíacos, onde dão vazão a seus instintos básicos de sexo, mas não de sexo comum, o sexo compartilhado.




Naturalmente, essas festas exclusivas estão restritas a um grupo especial de pessoas dispostas a, primeiro, gastar; segundo, manter sigilo absoluto. A discrição é alma do negócio. Porque é um negócio. Lucrativo. Por isso, o livro do jornalista Marcos Nogueira denomina-se SOCIEDADE SECRETA DO SEXO – O LUXO E A LASCÍVIA DAS ORGIAS MAIS EXCLUSIVAS DO MUNDO.


O autor desvenda um pouco desse mundo, já que obteve a permissão – bastante negociada – de frequentar algumas dessas festas e narrá-las, sem citar explicitamente locais, nomes de pessoas envolvidas e, principalmente, nada de fotos. Serão alguns trechos desse livro que vamos apresentar aos leitores e leitoras a partir de agora, de forma literal ou editada. Divirtam-se:


OS FREQUENTADORES



“Swingers, libertinos, orgiastas e afins constituem uma camada invisível da sociedade. O que eles não desejam é que amigos, família e colegas de trabalho saibam de suas travessuras sexuais. Temem o preconceito [...] pois não preciso mais que uma fração de segundo para que a mente de um cidadão mediano rotule de ‘corno’ um homem que sente prazer em ver sua esposa transar com outro homem e de ‘vagabunda’ a mulher que se entrega para vários indivíduos de ambos os sexos numa mesma noite.”




AS SOCIEDADES SECRETAS



“As sociedades secretas existem para esconder do resto do mundo aquilo que se pratica sob o manto do anonimato. Elas protegem seus membros da exposição pública e inibem a contaminação de determinado grupo social por elementos estranhos. Entres os swingers, isso significa principalmente evitar que homens solteiros acompanhados de amigas ou prostitutas entrem apenas em uma parte da transação – pegar a mulher do próximo. Já as sociedades libertinas tentam coibir o ingresso de gente feia, iletrada, grosseira. A nota de corte estética vale especialmente para as mulheres”.


AS REGRAS


“Engana-se muito quem acredita nos dicionários que definem as palavras ‘suruba’ e ‘orgia’ como sinônimos de tumulto e bagunça. Uma festa de sexo grupal é uma das coisas mais organizadas que existem, com uma intrincada etiqueta própria e ditames que quase ninguém ousa desobedecer. ” (Obs.: as regras são estipuladas nos convites e não vou, aqui, dar detalhes, porque são específicas quanto a trajes, horários etc., e o código de comportamento durante as orgias é regido também pelo próprio publico exclusivo, como, por exemplo, a proibição de contato físico numa abordagem, que é livre; quando um casal se interessa por outro, é a mulher que toma a iniciativa etc.; há sempre um clima de respeito: não é não).


MADAME O


O autor se refere durante todo o livro a uma certa “Madame O”, que organiza festas sexuais na Europa e organizou a primeira que ele e colega de trabalho (a também jornalista Cláudia de Castro Lima) frequentaram aqui no Brasil. Ele acaba conhecendo a tal Madame O, mas sua identidade permanece sob sigilo. Ela tem um site na internet, mas é inútil tentar entrar, pois há chaves, filtros e senhas que só permitem o acesso a integrantes do seu exclusivo clube, pessoas convidadas e devidamente cadastradas.


A PRIMEIRA ORGIA



“Abri caminho entre as pessoas e arrastei Cláudia pelo braço para dentro. Ali calhava de ser a suíte principal da casa, [...] encostados na parede, os convidados observavam atentamente a ação que se desenrolava sobre a cama gigante. [...] Um casal fazia sexo ritmado, coreografado, [...] ela, de quatro, urrava e gritava e gemia enquanto ele penetrava sua vagina. Em seguida, sem parar um segundo, eles trocavam de posição, com o homem por cima. Logo depois, outra mudança altética, sem perder o pique nem desengatar as duas genitálias: a mulher agora sentava-se sobre o púbis do parceiro enquanto continuava a gemer e a gritar palavrões”. (Observação: show de “aquecimento” de atores pornôs, que logo perdeu o interesse do público).


(A festa demora um pouco a “engrenar” e o casal de jornalistas percorre a casa, onde há vários quartos exclusivos, como um destinado só às “meninas”. Encontram um casal que convidara a repórter a participar). “[...] o casal não se abalou com a negativa e arrumou outro parceiro [...] que penetrava a mulher enquanto seu provável marido ou namorado assistia a tudo com o pênis na mão, masturbando-se. [...]. No quarto ao lado, [...] dois casais – um em cada canto do cômodo – praticavam sexo oral aos olhos de um espectador. No primeiro, era o homem que explorava a vagina da companheira com a língua, lábios e dentes; no outro, os papéis se invertiam.”




Enfim, o autor descreve alguns breves encontros e desencontros de pessoas que se abordam, fazem sexo ou apenas se beijam ou andam pelos cômodos, alguns nus, outros meio vestidos, buscando algum tipo de ação. Não há qualquer tipo de pejo, mas também não há grandes novidades em termos de sexo: divertem-se uns com os outros, copulam, vestem-se e depois, já no começo da manhã, vão embora e retomam suas vidas.







Fonte:

Marcos Nogueira, Sociedade Secreta do Sexo 

– O luxo e a lascívia das orgias mais exclusivas do mundo; 

LeYa, 2014.



(Ilustrações de Paul-Émile Bécat)


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