segunda-feira, 26 de setembro de 2016

UM DEMÔNIO TARADO E ALGUMAS FREIRAS ENSANDECIDAS





“O convento do inferno” (“El Convento infernal“) é uma história em quadrinhos erótica escrita e ilustrada pelos espanhóis Ricardo Barreiro e Ignácio Noé, publicada em 1987. Contém uma combinação explosiva de sexo entre as freiras e um demônio, dentro de um convento isolado, com referências a mitos como de Cthulhu, criado por HP Lovecraft. Como não é possível reproduzir aqui todas as páginas do livro, para degustação de meus leitores e leitoras, apresento-lhes um resumo da história e algumas das pranchetas mais significativas, indicando no final a fonte onde se pode ler a íntegra, em espanhol ou em inglês.

O CONVENTO DO INFERNO


A história se passa no ano de 1951, em um convento isolado perto da cidade espanhola de León , presidida pela sádica madre Juana. Na cena de abertura, duas outras freiras ajudam-na a torturar uma freira mais jovem com um gigantesco vibrador de madeira.


No dia seguinte, uma porta ornamentada, fixada com um parafuso pesado e vários cadeados, é descoberta atrás de uma estante em uma adega, no depósito do convento. Madre Juana e irmã Teresa, seu braço direito, examinam uma planta do convento datada de 200 anos, mas a porta não consta nela.



Naquela noite, madre Juana tem um sonho. Ela vê a irmã Agatha, uma freira do convento no passado, realizando um ritual de invocação que abre um grande buraco na parede da despensa, por onde um demônio, Belzebu, emerge. Agatha, tendo sido lançada fora de seu círculo de proteção pela explosão, é então sodomizada por Belzebu. Juana acorda de seu sonho em um estado de excitação sexual, e começa a se masturbar, inclusive inserindo uma vela acesa no ânus.


No dia seguinte, madre Juana leva Irmã Teresa e três freiras mais jovens para o depósito e ordena que elas desbloqueiem a porta e abram-na. Irmã Luisa (uma freira idosa) entra na despensa, carregando um livro proibido que ela encontrou na biblioteca do convento, o "Necronomicon", escrito por um árabe louco, Abdul Alhazred. Ela mostra a Juana uma página que se refere a três portas para o mundo dos Deuses Primitivos do Mal, um dos quais está localizado dentro de seu convento. Juana adverte Luisa por acreditar em tais blasfêmias, e ordena o que se quebre o último lacre da porta.



A freira que abre a porta é imediatamente atacada e estuprada por sete pontas de tentáculos em forma de pênis. Madre Juana é tomada pela luxúria e se masturba com a visão; Irmã Teresa ataca os tentáculos, obrigando-os a recuar de volta para trás da porta, mas é tarde demais para salvar a vida freira.

  
Em uma reunião naquela noite, Teresa e Luisa sugerem entrar em contato com Roma, mas Juana convence-as de que, para evitar um escândalo, a porta deve apenas ser lacrada de novo na manhã seguinte.


Mais tarde naquela noite, durante uma violenta tempestade, madre Juana deixa seu quarto, desce até o porão e remove as placas que foram apressadamente pregadas em toda a porta naquela tarde.



Ela começa um canto semelhante ao usado pela Irmã Agatha em seu sonho, mas é interrompida em seu ritual por um querubim , um anjo sob a forma de um menino, que pede a ela para desistir. Juana rejeita sua advertência e ataca-o, cravando suas asas na porta.


 Ela, então, estupra o anjo, drenando sua força vital  através de uma felação, e oferece o seu cadáver ressecado como um sacrifício para Belzebu. A porta se abre repentinamente  e o demônio emerge e passa a ter relações sexuais com a ansiosa e excitada a madre Superiora.


Irmã Teresa e Irmã Luisa, despertadas pela tempestade, notam uma luz brilhante vindo da despensa e vão investigar. Irmã Luisa confronta o demônio, mas ele rapidamente a mata. Belzebu, em seguida, fulmina Teresa com um raio em miniatura, fazendo-a sucumbir ao desejo e se juntar a ele e a madre Juana.



Mais tarde naquela noite, Juana e Teresa ordenam a todas as freiras que vão para a capela. Juana invoca Belzebu; a figura de Cristo crucificado se transforma no demônio. Ele usa o mesmo poder demoníaco que corrompeu Teresa com todas as outras freiras, que iniciam uma grande orgia lésbica, enquanto o convento se envolve em um turbilhão de fogo, visto por espantados camponeses dos arredores.



Várias semanas depois, o Papa envia um sacerdote, o padre Kruger, com dois assistentes, para investigar. Kruger recebe um revólver carregado com balas de prata . Tudo parece normal, quando os sacerdotes chegam ao convento, mas, naquela noite, a irmã Teresa seduz e mata os dois padres mais jovens, enquanto a madre Juana tenta fazer o mesmo com Kruger.


Ele resiste às suas tentações no início, mas ela invoca Belzebu. Kruger dispara contra o demônio suas balas de prata, mas Belzebu sai completamente ileso, subjuga o sacerdote, e permite que Juana  drene sua força vital, como  fez com o querubim.


Mais tarde na mesma noite, um casal recém-casado, perdido nas montanhas, enquanto tenta encontrar o hotel onde pretendem começar sua lua de mel, acaba no convento. Irmã Teresa oferece-lhes abrigo, mas eles se tornam as próximas vítimas da súcubo-freiras. Teresa drena o marido de sua vida, enquanto sua esposa se ​​torna joguete sexual do Belzebu.



Na manhã seguinte, no entanto, a mulher consegue escapar do convento, e viaja a Roma para informar o Papa da situação. O Papa envia o exército secreto da Igreja, os monges guerreiros, os Cavaleiros Templários, que descem de paraquedas no convento.


Madre Juana ataca e subjuga o comandante dos Templários, mas quando ela tenta o seu método habitual de drenar sua força vital, seu "pau consagrado" causa-lhe um grande mal e ela é morta por outros Templários com lança-chamas; eles passam a fazer o mesmo com as outras freiras na capela.


 Belzebu é encurralado no depósito, após a irmã Teresa ser morta tentando protegê-lo.  No início, ele fica despreocupado com os lança-chamas, mas o comandante revela que o seu é preenchido com água benta. O demônio é forçado a recuar através do portal e os Templários, em seguida, selam-no para sempre, enquanto o resto do convento é destruído e queimado.





Fonte:




segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O RELATÓRIO HITE, OU: A BUSCA DO ORGASMO PERDIDO? – 3



(Shere Hite, anos 70)


Lançado em 1976, THE HITE REPORT – no Brasil, O RELATÓRIO HITE – desvelou a sexualidade feminina logo após a chamada “revolução sexual” dos finais dos anos 60. Através de longos questionários, que deviam ser preenchidos com narrativas, a sexóloga, pesquisadora e feminista estadunidense Shere Hite (1942) convocou e estimulou as mulheres a falar sobre aspectos até então praticamente intocados da intimidade feminina, mesmo após os estudos de Masters e Johnson e outros pesquisadores.


Não é possível saber se, quarenta anos depois, as mulheres dariam as mesmas respostas ou levantariam as mesmas questões que aparecem nas volumosas páginas do RELATÓRIO. O que se pode notar é a excessiva preocupação com a obtenção do orgasmo, até mais do que com a obtenção do prazer, o que fica claro com os longos capítulos sobre a masturbação. De qualquer modo, são depoimentos verdadeiros e bastante interessantes, até os dias de hoje.


Na abordagem de hoje do RELATÓRIO HITE, vamos dar voz a algumas dessas mulheres, no assunto mais discutido no livro e o que mais impacto causou, creio, na época: as mulheres se masturbam e sentem prazer com isso. Desde o final do século XIX, quando a masturbação feminina com fins terapêuticos – para curar distúrbios neurológicos (veja a história do vibrador, nesse mesmo blog) – teve um certo boom, não se falava tanto nesse assunto. Com a palavra, as mulheres da década de setenta e suas incucações masturbatórias:


VOCÊ GOSTA DE SE MATURBAR?



“A maioria das mulheres disseram que fisicamente tinham prazer na masturbação (afinal de contas, levava ao orgasmo), mas não psicologicamente”:


Sim, gosto de me masturbar. Psicologicamente, não tenho tanta certeza. Não é que eu sinta que estou fazendo uma coisa “suja”, mas acho que tende a reforçar meus medos de ser “frígida” ou fodida (acho que fui terrivelmente influenciada por toda aquela “literatura” que diz que, se você se masturba, mas não tem orgasmo durante a relação, você é uma fodida). Eu sempre tenho orgasmos quando me masturbo. É mais intenso sozinha. Eu geralmente tenho um ou dois orgasmos.


 Gosto fisicamente de me masturbar, mas psicologicamente, por mais que eu “saiba” que é bom, e que “não há nada de errado nisso”, também sei que a masturbação não é aceita socialmente pela maioria, e tenho medo de ser “descoberta” e rejeitada.


Com muita frequência, eu sinto que sexo não é exatemente um comportamente adequado. Eu gosto muito de me masturbar, mas sinto um incômodo indefinível depois (mesmo depois de me masturbar). Esta é a segunda vez na minha vida que me permito a masturbação. A primeira foi quando o meu parceiro sexual me pediu.


Gosto de me masturbar. A sensação física e o orgasmo são ótimos, mas com frequência me sinto envergonhada depois, como se houvesse alguma coisa de errado comigo, porque eu deveria ter um homem para me dar essa sensação sempre que eu quisesse, e eu não tenho.


Gosto de me masturbar fisicamente, mas não psiscologicamente. Eu me masturbo talvez umas três vezes por mês. Sempre tenho orgasmo e é igualmente intenso sozinha ou com alguém, mas eu me sinto mais à vontade sozinha. O ego do parceiro fica ferido porque você pode ter muitos orgasmos e ele só um! Geralmente tenho um orgasmo com um parceiro, mas vários se estou sozinha.


“Fisicamente gosto da masturbação, mas psicologicamente, tenho sentimentos de culpa e de “sujeira”, embora racionalmente eu tenha plena consciência de que não deveria me sentir assim. [...] Procuro sempre um orgasmo quando me masturbo, provavelmente porque é uma experiência ativa para mim; é difícil ficar passiva quando se está sozinha.


Fisicamente, sim. Psicologicamente, não. Na verdade, eu ainda não convivi por tempo suficiente com o fato de que sim, senhora, as mulheres se masturbam. Eu me masturbava frequentemente quando eu era mais nova (dos onze aos quatorze anos), e depois “rezava” pedindo força para abandonar esse hábito. Ah, os meus pecados! Mas essa “foraça” quase sempre me faltava, e eu voltava a Deus pedindo que os raios não me partissem ao meio. Eu sabia que era uma Pecadora.


Fisicamente, sim. Psicologicamente, estou sós começando a apreciar. Tenho aprendido muito sobre sensações e sobre sexo na masturbação, embora há bem pouco tempo eu sentisse muita culpa. Eu sempre tenho um orgasmo, algumas vezes até três. É mais intenso sozinha, porque eu sinto que me seguro quando estou com alguém.


Cada vez gosto mais de me masturbar, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Fisicamente, é rápido, fácil e satisfaz. Psicologicamente, é um pouco solitário algumas vezes, mas isso também ocorre quando se faz amor com uma pessoa que não se ama. Eu me masturbo todas as noites antes de adormecer. Sempre tenho pelo menos um orgasmo e geralmente me satisfaço com meia dúzia. Tem a mesma intensidade, só ou com alguém.


Sim, gosto muito, mas sinto que se eu me masturbar demais, vai ser difícil gozar com um homem. Eu me masturbo quase diariamente com um vibrador. Eu quase sempre tenho orgasmo, mas manualmente eu só aprendi há pouco, e só tenho orgasmo às vezes. Com o vibrador leva cinco a vinte minutos; com a mão, meia hora ou mais. Ainda me sinto inibida demais para me masturbar com um parceiro.




(O Relatório Hite – Um profundo estudo sobre a sexualidade feminina); tradução de Ana Cristina César

– DIFEL – DIFUSÃO EDITORIAL S/A; São Paulo; 1985)

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

PROBLEMAS DE EREÇÃO EM NUDISTAS




Uma pergunta frequente que os homens, principalmente jovens, se fazem antes de frequentar um campo de nudismo:

"E se eu tiver uma ereção?"

(Fameni Leporini)

Para alguns, o medo de ficar com o pau duro em público é suficiente para conter o seu interesse no naturismo. O fato, porém, é que muito mais se fala do que realmente acontece uma ereção em ambientes sociais. O texto abaixo, de Jordan Blum (referências e fontes ao final), pode esclarecer muitas dúvidas, tanto de homens que gostariam de adotar a filosofia naturista, quanto as mulheres e muitas famílias, que passam a entender melhor como funcionam as regras de um campo de nudismo:

UM PAU DURO NUM CAMPO DE NUDISTAS: 

ESCÂNDALO?



Ereções são naturais, com certeza, mas um nudista com pau duro não é um bom sinal, na definição de naturismo público. Todos sabemos (e já tratamos disso aqui mesmo) que as regras de frequência aos campos e praias nudistas são bastante rigorosas. E a prática do nudismo público segue uma ética de seriedade, bom gosto e proteção a todos os participantes.


Muitos praticantes do naturismo reclamam que há uma ênfase excessiva nesse problema, que é um evento absolutamente normal e que deve ser tratado dentro dos princípios sadios da prática, sem muito alarde. Mas, há, sim, dentro da comunidade nudista, algumas pessoas que expressam o sentimento de “proteger” determinados grupos, quando se percebe que há uma excitação abertamente sexual.


Aspectos religiosos e percepções sociais mais conservadoras levam alguns naturistas a discutir, digamos, as ações do pênis e sua visão em estado de ereção como algo que deve ser severamente reprimido. O problema é que uma ereção, num indivíduo adulto, pode também ser um ato involuntário. Ou seja, pensamentos eróticos não são a única coisa que faz que o pênis endureça. É normal entre os homens que ele fique ereto várias vezes durante o dia, sem nenhuma razão particular.


Além disso, qualquer ato que gera um fluxo de sangue para a parte inferior do corpo, como atividades esportivas, pode ser suficiente para provocar uma ereção. Também é normal para um homem ter uma ereção durante o sono REM (movimento rápido dos olhos). Ereções podem ser impossíveis de controlar, especialmente entre os homens mais jovens. Assim, uma ereção não sinaliza automaticamente a excitação sexual. No entanto, a sociedade continua a associar um pau duro quase exclusivamente com a excitação sexual. Ereções podem diminuir por conta própria ou após a ejaculação.


De qualquer modo, o pênis ainda tem má reputação, na sociedade moderna. Coube a Agostinho (o santo da igreja católica) ser o primeiro filósofo a moldar a opinião religiosa sobre o pênis e suas ações, ao apontar a ligação entre as ereções, a luxúria e o pecado. As gerações anteriores admiravam o pênis e sua conexão com a masculinidade. Mas, a partir daí, a sociedade passou a ver o órgão como a raiz do mal. Essa mudança na percepção deixou uma impressão que ainda causa problemas de hoje.


Evitar a ereção involuntária de crianças e até de homens fez surgir uma série de engenhocas, utilizadas pelas famílias até o início do século 20. E as religiões continuam a ensinar que o sexo é sujo e que lidar com os órgãos sexuais é errado. Masturbação, então, nem pensar: faz crescer pelos nas mãos! Assim, muitos homens encontram dificuldade em separar nudez e sexualidade, em suas mentes, e não conseguem imaginar como um ambiente social em que as pessoas estão nuas não possa ser poderosamente excitante.


Uma vez que se experimenta e se acostuma com isso, passam a perceber que uma situação de nudismo total não é mais sexualizada do que uma praia de pessoas de biquínis e maiôs, com mais ou menos exposição. Ou seja, tudo depende de os olhos, os sentidos, a mente e o hábito levarem ao indivíduo a conformidade dele com o ambiente, para se chegar a uma zona de conforto. No entanto, entre a comunidade nudista, quando ocorre de alguém ter uma ereção – voluntária ou não –, recomenda-se que se aja com naturalidade e discrição, cobrindo o pênis com uma toalha (que um bom nudista sempre tem à mão), entrando na piscina ou no mar até que passe a excitação.


Mas, lembre-se: andar por aí, num campo de nudistas, ostentando uma ereção visível e prolongada pode resultar em ser convidado a sair do ambiente, por ser um comportamento totalmente contra as boas regras de convivência e de respeito ao outro.


É claro que há grupos que divergem dessa opinião e, em muitos fóruns de discussão, aparecem pessoas que acreditam que, por ser uma função natural, a ereção não devia ser assim tão penalizada. No entanto, o sexo também é natural e, em geral, os naturistas não admitem o ato sexual em público. De qualquer forma, a necessidade de proteção a grupos vulneráveis, como crianças, pode ser um argumento poderoso contra as artimanhas voluntárias de algum engraçadinho com pau duro, num campo de nudismo.


Uma última observação: neste campo, há claramente um duplo padrão de comportamento e de etiquetas em jogo. Não há regras claras para mulheres que se excitem e exibam, por exemplo, mamilos claramente eriçados de tesão.  Mas, talvez, isso nem seja mesmo muito percebido, não é?


Enfim, não há muito o que temer, se você estiver disposto a passar a frequentar as delícias de um campo de nudismo e a adotar a filosofia naturista: o bom senso levará seu pênis mais afoito a acostumar-se com a visão da nudez e, em pouco tempo, você nem mais se lembrará de que está nu no meio de uma porção de pessoas nuas. Aproveite.




Referências e fontes: