segunda-feira, 8 de agosto de 2016

SEXO NEM SEMPRE É SÓ PENETRAÇÃO





Quando o ex-presidente estadunidense Bill Clinton quase foi defenestrado da Casa Branca (o impeachment deles), por causa de seu rumoroso caso com a secretária, muito se debateu – a sério – se só pegação não é sexo. O que salvou Clinton foi que os juristas – conservadores como sempre – conseguiram convencer todo mundo de que só o sarro (incluindo até mesmo gozar no vestido da moça) não se constitui em ato sexual. Portanto, Clinton não “traiu” os “sagrados laços do matrimônio” e “não mentiu”, ao afirmar que não fizera sexo com Monica Lewinsky.


Mas, a coisa não é bem assim, na prática. A pegação, o sarro, a mão naquilo ou aquilo na mão, a masturbação etc. – tudo são formas de sexo. Ou seja, até um beijo bem arrochado pode levar ao prazer e pode ser considerado um ato sexual. Não é necessário um pênis dentro de um orifício qualquer para que se considerem certas práticas eróticas entre parceiros ou até mesmo as práticas de autoerotismo como sexo. E sexo do bom. É o que descobriram alguns gays e não gays, com uma “nova”(?) – será que existem novidades no sexo? – prática de busca do prazer, conforme o artigo abaixo (fontes ao final), com uma abordagem introdutória (sem trocadilho) do tema, que deverá ser desenvolvido em outra ou outras postagens (fotos da internet e ilustrações de Anthony Gonzales):

NEM ATIVOS NEM PASSIVOS, 

'GOUINES' SÃO GAYS QUE NÃO CURTEM

PENETRAÇÃO

Fábio de Oliveira


No mundo homossexual, há os que se dizem passivos (têm prazer ao serem penetrados), os ativos (que curtem penetrar) e os versáteis (que praticam os dois papéis na cama). Mais recentemente, tem surgido nas redes sociais e nos aplicativos de "pegação" um grupo de gays que se autodenomina de "gouine".


O termo, em francês, é usado para se referir às lésbicas e foi adotado para classificar homens que se relacionam com outros homens, mas não gostam de sexo anal –ou, simplesmente, "gouinage".


Desde o final da década passada, a prática vem sendo abordada em reportagens publicadas por revistas de temática gay na Europa. No Brasil, os primeiros grupos de "gouines" começam a se formar. Um deles está no Facebook, o Gouinage SP, que foi criado recentemente pelo autônomo Sergio Akio, 40. O espaço virtual serve para quem curte esse tipo de relação sexual conhecer seus pares.


Segundo Akio, há dificuldade para encontrar "gouines". "Não é um movimento, uma coisa passageira. A gente nasce assim. Muitos fazem, mas não dão esse nome, nem o conhecem", diz. "Sempre me senti 'gouine', desde menino. Por isso, até hoje, não tenho muitas relações".


Ao buscar referências na internet, quem sente o mesmo desejo de transar sem que haja penetração acaba trombando com a expressão francesa. Foi o caso de Akio. "Na época das comunidades do Orkut, eu procurava pelas páginas de sexo sem penetração. Achei uma e, nela, alguém postou algo com a palavra 'gouinage'. Fui atrás", conta ele.


E como os "gouines" se soltam sob os lençóis? O sexo oral é uma das práticas. Tem também o "frottage" (fricção em francês) ou a "guerra de espadas".


Apesar de a prática estar mais associada a homossexuais, os heterossexuais também podem se sentir bem transando sem que tenha penetração, diz o psiquiatra Alexandre Saadeh, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. E não tem nada de patológico. "Mesmo entre heterossexuais, essa prática pode ser adotada, não o tempo todo, mas durante parte da vida sexual de um casal".


A também psiquiatra Carmita Abdo, do ProSex (Programa de Estudos em Sexualidade da mesma instituição paulistana), complementa: "Estudos populacionais que tenho coordenado sobre o comportamento sexual do brasileiro revelam que cerca de 20% das relações sexuais não têm penetração por diversas razões, inclusive por dificuldade de ereção ou de relaxamento da vagina. Mas também por opção".



Fonte:
Do UOL, em São Paulo 09/10/2013

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