segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O RELATÓRIO HITE, OU: A BUSCA DO ORGASMO PERDIDO? – 2



(Joëlle Circé Laramee)

A segunda e última parte do artigo de Tito Sena sobre o RELATÓRIO HITE faz uma breve análise do processo de pesquisa de Shire Hite, procurando esclarecer alguns aspectos abordados no livro, trazidos pelos depoimentos das centenas de mulheres que responderam aos questionários. A fotos ilustrativas são da fotógrafa estadunidense  Samantha Volov:

OS RELATÓRIOS SHERE HITE: 

SEXUALIDADES, 

GÊNERO E OS DISCURSOS CONFESSIONAIS

(conclusão)

Tito Sena

J

A pesquisa aponta o fato da maioria das mulheres não gozar normalmente em decorrência do coito. Para Shere Hite o orgasmo no coito consiste num ponto crucial de discussão em relação à sexualidade feminina, provocando sentimento de insegurança, frigidez, culpa, vergonha e principalmente o fortalecimento do mito orgástico vaginal, fazendo com que se instale a grande indústria da objetivação sexual na busca da “cura fora de si” (palavras suas) do tão almejado prazer.


No tocante à controvérsia orgasmo clitorial/vaginal, o exame é feito baseado nas diferenças entre o orgasmo com ou sem a presença do pênis na vagina. As depoentes se dividem em dois grupos: um grupo descreve o orgasmo clitoriano como mais intenso e concentrado e o outro define o orgasmo vaginal como mais difuso e mais distribuído pelo corpo. Mas Hite não deixa de registrar sua opinião sobre a intensidade superior e forte dos orgasmos através da masturbação (estímulo clitorial) em comparação ao proporcionado pela penetração vaginal.


O relatório explora o que a autora denomina dois grandes mitos sobre a sexualidade feminina: 1°) As mulheres interessam-se menos por sexo e orgasmo que os homens; 2°) As mulheres demoram muito mais tempo que os homens para gozar, devido à fragilidade e delicadeza feminina. Segundo Hite, o não ter orgasmo no coito é uma adaptação dos corpos femininos, tendo em conta o coito nunca ter sido praticado de modo a estimular o orgasmo para a maioria das mulheres. Sendo assim, deve-se considerar o aumento das chances de um orgasmo durante o coito depender de um relacionamento sexual com um parceiro atento às necessidades individuais.


A pesquisa ressalta ainda que, segundo as entrevistadas, os homens não têm o mínimo de conhecimento da anatomia e dos desejos femininos. Para Hite, “O fato de que não há uma ‘iconografia’ dos órgãos genitais femininos, enquanto os pênis são glorificados, é mais um reflexo da forma pela qual o sexo reflete a desigualdade cultural entre mulheres e homens” (HITE, 1979:263).


Em suma, Shere Hite a partir dos relatos de suas pesquisadas, conclui que as dificuldades do orgasmo feminino evidenciam a supremacia genitalizante e mecânica masculina, constituída pela ereção, penetração e orgasmo, excluindo a mulher da possibilidade de expressão e satisfação. Em suas palavras, está sacramentado o sexo ser uma atividade par, mas infelizmente com satisfação ímpar.


A análise estatística das respostas é apresentada ao final do relatório, mas destacamos um resultado em especial para lançar uma provocação e reflexão: 30% das mulheres, apenas, podem gozar regularmente no coito – isto é – podem ter um orgasmo no coito sem um estímulo clitorial manual mais direto, ou seja, para 70%, o coito – o pênis mexendo na vagina – não leva regularmente ao orgasmo. Logo: o “normal”, estatisticamente falando, é a mulher não chegar ao orgasmo com um homem mexendo seu pênis na vagina. Ou o normal é o ideal de sentir orgasmo, portanto, os 30%?


 O estudo realizado ancorou-se fundamentalmente em Michel Foucault, principalmente suas elaborações presentes em História da sexualidade I - A vontade de saber, e sua crítica no modo como a sociedade ocidental situa a sexualidade: na configuração de uma scientia sexualis (ciência sexual) desenvolvida para dizer uma verdade no sexo, verdade entendida como construtora de normatividades (pelas formas de saber) e normalidades (pelas forças de poder).


Para Foucault (1988) a procura da verdade no sexo foi e é obtida através de inúmeros mecanismos, incluindo, por exemplo, a confissão. O deslocamento da confissão religiosa cristã a um projeto de discurso científico, atravessou o século XIX até sua consolidação, sendo um marco na constituição das ciências sexuais.


Neste sentido, os relatórios Hite, através de questionários, enquetes, entrevistas, narrativas descreveram comportamentos íntimos sexuais, relataram privacidades, expuseram medos, receios, em suma: apresentaram “novas” possibilidades de descobertas e explicações sexológicas. Os depoimentos, os relatos, as descrições minuciosas sobre o corpo, reações físicas, zonas erógenas, preferências sexuais, segredos, os desejos e as fantasias sexuais, insistentemente citadas e referenciadas, são mentiras ou são verdades? São verdades produzidas historicamente, a partir das contribuições de diversas ciências, com “especialistas” legitimando as informações distribuídas e divulgadas através de formas discursivas.


Mas é na ânsia de respostas verdadeiras, que emerge a insistente pergunta: “Sou normal”? “Sou anormal”? O que é normal para quem pergunta?  Será que bastaria ouvir de um “especialista” a resposta “você não é anormal!” ou ouvir “isto não é doença!”? As estranhezas ou as discrepâncias de comportamento sexual são colocadas em relação a mim ou em relação aos outros?  Somos o que o outro confirma que somos? Somos o que o outro afirma que somos? A diferença entre afirmação e confirmação não é apenas de ordem semântica. Eu sou o diferente, ou os outros? Em resumo: quem é o normal? Como algo ou alguém é considerado anormal?


Nestas escalas classificatórias de (a)normalidade, o recurso à estatística é uma prática comum e pretensamente legitimadora de verdade científica. Ao ver os percentuais estatísticos num livro “científico”, o enquadramento comparativo é automático: estando nos 70% ou nos 30%, é o número que me avaliará, é um “diagnóstico estatístico”, não é um diagnóstico clínico, cuja mediação (pela média numérica!) é relatada pelos participantes das enquetes, logo, os outros. Se estiver na maioria, tudo bem, sou normal; caso contrário, tendo este (pré/pseudo)diagnóstico  estatístico (científico) como referência, procurarei (se puder) um especialista para confirmação através de um diagnóstico clínico (científico). È a prática real da normalização que determina o conceito de normal e é esta a possibilidade de um conceito ser incorporado como um preceito.


Nesta teia de jogos numérico-estatísticos (verdadeiros!?), as pessoas confundem fatos (descrições) com valores (apreciações), quantificações com qualificações, as normas com os normais.



 Fonte:

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O RELATÓRIO HITE, OU: A BUSCA DO ORGASMO PERDIDO? - 1




Faz 40 anos que Shere Hite publicou O RELATÓRIO HITE – UM PROFUNDO ESTUDO SOBRE A SEXUALIDADE FEMININA. Um livro que lançou um grande facho de luz sobre alguns aspectos do que pensavam as mulheres estadunidenses, naqueles idos dos anos 70, sobre o sexo, os homens e, principalmente, sobre o orgasmo e a masturbação. Não sei se há estudos recentes que abordem da mesma maneira a sexualidade nem imagino como seriam as respostas às mesmas questões levantadas.

(Joëlle Circé Laramee - Petals II)

O mundo mudou nesses quarenta anos. Terá mudado o pensamento feminino sobre a sexualidade? Estão as mulheres mais livres para viverem sua sexualidade do que estavam há quarenta anos? A tal “revolução sexual” tornou as mulheres menos dependentes do “domínio machista” e dos preconceitos? Estas e muitas outras perguntas podem e devem ser feitas. Mas, enquanto buscamos as respostas, vamos recordar e mostrar alguns aspectos do “profundo estudo sobre a sexualidade feminina” de Shere Hite, em algumas postagens que possam esclarecer aos leitores e leitoras deste blog que não viveram os anos 70 do século passado como era o pensamento das mulheres daquele tempo. O artigo abaixo começa a desvelar o mundo do sexo feminino da era moderna (as ilustrações são do pintor Taro Hata):


OS RELATÓRIOS SHERE HITE: SEXUALIDADES, GÊNERO E OS DISCURSOS CONFESSIONAIS (*)

(primeira parte)

Tito Sena

Os relatórios Hite: questionários e narrativas

(Shere Hite)

Shere Hite (1942- ) se formou em História Americana e Ideologia das Ciências na Flórida e fez doutorado em História na Universidade de Columbia. É autora de diversos livros sobre a mulher e foi fortemente influenciada pela 2ª onda do movimento feminista na década de 60 e 70.


Atuou, entre 1972 e 1978, como Diretora do Projeto Feminista de Sexualidade da National Organization for Women (NOW), organização ativista feminista fundada em 1966 com a finalidade de agir pela igualdade de todas as mulheres e pela eliminação da discriminação no  trabalho, na escola, no sistema judiciário e outros setores da sociedade, além de lutar pelos direitos reprodutivos das mulheres e contra quaisquer formas de violência. Neste contexto histórico, especialmente o norte americano, que se situa a emergência de seus relatórios, pouco tempo posterior às produções clássicas de Betty Friedan (1921-2006) - Mística Feminina em 1963 , Shulamith Firestone (1945- ) - A Dialética do Sexo em 1970, Germaine Greer (1939- ) – A Mulher Eunuco em 1970, Juliet Mitchell (1940- ) - Psicanálise e Feminismo em 1974, e Kate Millet(1934- ) - Políticas Sexuais em 1970, com suas forças contestatórias, sociais e políticas.


Hite organizou as respostas de mulheres com idade entre 14 e 78 anos para lançar o The Hite Report (Relatório Hite sobre a Sexualidade Feminina) em 1976 nos EUA. O relatório foi traduzido e lançado em dezessete países, tendo sido censurado em alguns, inclusive proibido (**) no Brasil até 1978. Segundo a autora, de um total de quase 100.000 (cem mil) formulários distribuídos, 3.019 (três mil e dezenove) foram devolvidos. Para editar o The Hite Report on male sexuality (Relatório Hite sobre a Sexualidade Masculina), em 1981 nos EUA, dispôs de respostas de homens com idade entre 13 e 97 anos. Neste caso, o livro teve edição no Brasil, no ano seguinte, 1982 (período, portanto, de abertura política). Segundo Hite, de um total de 119.000 (cento e dezenove mil) foram devolvidos 7.239 formulários.


No prefácio da edição brasileira, Shere Hite destaca o caráter de anonimato do seu questionário: Preferiu-se o questionário escrito à entrevista pessoal, uma vez que para preservar a total honestidade das respostas era necessário que os homens que respondessem a ele tivessem a proteção do anonimato total. Foi por isso que se lhes pediu que não assinassem as respostas, e que as devolvessem pelo correio.


Ainda assim, segundo Hite, houve mulheres e homens que fizeram questão de assinar o questionário, fazendo de seu depoimento uma afirmação de identidade e o anonimato, irrelevante para a oportunidade de exposição de suas práticas sexuais, sem medos de sanções ou julgamentos.


Hite procurou no relatório masculino, justificar-se das críticas recebidas pelo relatório feminino, quanto à sua metodologia. No prefácio e nos apêndices, isto fica taxativamente explícito, fazendo, neste sentido, referências às pesquisas de Kinsey e Masters & Johnson: Esse estudo é representativo? Nenhum estudo em larga escala já produzido no campo da pesquisa sexual conseguiu ser perfeitamente representativo, devido à natureza bastante sensível das questões, incluindo os de Kinsey, Masters & Johnson e o meu próprio anterior. O melhor que se pode fazer é tentar aproximar, o máximo possível, fatores como idade, raça, etc. dos traços da população em geral. (HITE, 1982:08).


Hite destaca como uma das características fundamentais de seus relatórios, o fato de apresentarem as citações e narrativas para ilustrar suas descobertas, o que, segundo ela, permite uma comunicação entre os participantes da pesquisa e os leitores, proporcionando a estes últimos, a oportunidade de terem suas próprias opiniões e efetuarem suas reflexões.

O Relatório Hite sobre a Sexualidade Feminina
(1976)


Shere Hite inicia seu Relatório Hite sobre Sexualidade feminina afirmando ser a masturbação um dos assuntos mais importantes de seu livro, uma vez constituir-se fonte fácil de orgasmos para a maioria das mulheres. A facilidade com que as mulheres têm orgasmos pela masturbação contradiz os estereótipos gerais sobre a sexualidade feminina, especificamente aqueles sobre a excitação lenta e sobre a raridade do orgasmo das mulheres. Enfatiza que “não é a sexualidade feminina que tem um problema (uma disfunção) – é a sociedade que é problemática na sua definição de sexo e no papel subordinado que essa definição confere às próprias mulheres”.


Nos depoimentos, a maioria das mulheres disse ter prazer fisicamente na masturbação, mas não psicologicamente, embora outras não se permitiam ter prazer na masturbação, mesmo fisicamente. Não obstante, quase todas as mulheres foram educadas de forma a não se masturbarem.


Além disso, a maioria das mulheres sentia a masturbação importante como substituto do sexo (ou do orgasmo) com o parceiro. Se para algumas a masturbação as ajudava a se relacionarem melhor sexualmente com outra pessoa, outras viam-na como uma forma de obter independência e autoconfiança.


Houve uma relativa concordância de que o melhor jeito de aprender a gozar é se masturbando, sendo que algumas delas aprenderam como ter orgasmos, depois de anos de incapacidade para tal. Em contrapartida, as mulheres muitas vezes ignoram as informações sobre sua sexualidade, conservando o mito da masturbação, impedindo-as de explorar e apropriar-se do seu próprio corpo.


Apesar de o livro ser de depoimentos, Hite não se omite de posicionar-se, seja através de opiniões, de conclusões científicas de outros autores (Kinsey, Masters & Johnson, Helen Kaplan, Mary Jane Sherfey, Seymour Fisher, etc.) e, sobretudo, politicamente como feminista: O direito ao orgasmo tornou-se uma questão política para as mulheres. Embora não haja nada de errado com o fato de não ter orgasmos, assim como não há nada de errado em enfatizar e compartilhar o prazer do outro, há alguma coisa de errado quando isto se torna um padrão, quando o homem sempre tem o orgasmo e a mulher não. (...) É hora de recuperamos nossos corpos, de começarmos a usá-los nós mesmas para o nosso próprio prazer.





 (*) Este Artigo é parte de um capítulo da tese de doutorado intitulada Os relatórios Kinsey, Masters&Johnson, Hite: as sexualidades estatísticas em uma perspectiva das ciências humanas, do programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Federal de Santa Catarina, realizada com a orientação da Profª Drª Mara Coelho de Souza Lago e Co-orientação da Profª Drª Miriam Pillar Grossi. Por limitação de texto não vamos expor considerações sobre os relatórios Kinsey e Masters&Johnson.

(**) Neste sentido nos informa Cynara Menezes, em artigo publicado na Folha de São Paulo, de 19/05/01: “Em 1977, quando Shere Hite esteve no Brasil, o governo militar invadiu a sessão de autógrafos, no Rio e recolheu todos os exemplares do Relatório Hite feminino”.

Fonte:




segunda-feira, 15 de agosto de 2016

ABALO SÍSMICO 7: BETTIE PAGE



Um religioso iraniano, Hojatoleslam Sedighi, disse que “Muitas mulheres que não se vestem de forma modesta levam os homens jovens ao mau caminho, corrompem a sua castidade e espalham o adultério pela sociedade. Isso, consequentemente, faz aumentar o número de terremotos”.


Retomo, depois de algum tempo, os “abalos sísmicos”, para homenagear uma mulher que teve uma vida complexa e sofrida, mas que deixou sua marca de liberdade num mundo já em transformação em sua época, mas que até hoje ainda convive com muito conservadorismo: Bettie Page.


Não vou entrar em detalhes de sua biografia, apenas algumas informações básicas, para que o leitor se situe, porque não importam, aqui, as suas contradições e dificuldades. Celebremos, apenas, o que ela deixou de alegria e de desafio aos costumes, como uma mulher que, certamente, provocaria ainda hoje muitos terremotos na cabeça dos moralistas.

BETTIE PAGE

(22 de abril de 1923 – 11 de dezembro de 2008)



Bettie, modelo estadunidense que se tornou famosa na década de 1950 por fotos de temática pin-up e fetichista, é frequentemente chamada de "Rainha das Pin-ups". Seu visual, cuja marca registrada eram os cabelos pretos lustrosos e uma franja, influenciaram dezenas de artistas.


Page foi também uma das primeiras "Playmates do Mês" da Playboy, aparecendo na edição de janeiro de 1955 da revista. Investiu também no mundo da moda: criou seus maiôs e bikinis e a tanga clássica de oncinha.


O final de sua vida foi marcado por depressão, mudanças violentas de ânimo e vários anos de internação em um hospital psiquiátrico público. Em 1959, ela se converteu ao cristianismo e posteriormente trabalhou para Billy Graham.


Após anos de obscuridade, ela presenciou uma retomada de sua popularidade durante a década de 1980 e, nos anos 90, Hugh Hefner arrumou um advogado para Bettie, que a ajudou a ganhar dinheiro com os direitos de sua imagem em diversos produtos e revistas que, até aquele momento estava sendo usada indevidamente, fazendo com que ela ganhasse mais dinheiro na velhice do que a época em que era jovem, proporcionando a Bettie uma vida confortável em seus últimos anos.


De acordo com o amigo de longa data e agente de negócios Mark Roesler, Page foi hospitalizada em estado crítico, em 6 de dezembro de 2008, após sofrer um ataque cardíaco do qual não recobrou a consciência e entrou em coma. Faleceu aos 85 anos, em 11 de dezembro de 2008, de pneumonia.


Ela está enterrada no Westwood Village Memorial Park Cemetery. Sua lápide lista o nome dela como "Bettie Mae Page" e inclui a legenda "Rainha das Pin-Ups".





segunda-feira, 8 de agosto de 2016

SEXO NEM SEMPRE É SÓ PENETRAÇÃO





Quando o ex-presidente estadunidense Bill Clinton quase foi defenestrado da Casa Branca (o impeachment deles), por causa de seu rumoroso caso com a secretária, muito se debateu – a sério – se só pegação não é sexo. O que salvou Clinton foi que os juristas – conservadores como sempre – conseguiram convencer todo mundo de que só o sarro (incluindo até mesmo gozar no vestido da moça) não se constitui em ato sexual. Portanto, Clinton não “traiu” os “sagrados laços do matrimônio” e “não mentiu”, ao afirmar que não fizera sexo com Monica Lewinsky.


Mas, a coisa não é bem assim, na prática. A pegação, o sarro, a mão naquilo ou aquilo na mão, a masturbação etc. – tudo são formas de sexo. Ou seja, até um beijo bem arrochado pode levar ao prazer e pode ser considerado um ato sexual. Não é necessário um pênis dentro de um orifício qualquer para que se considerem certas práticas eróticas entre parceiros ou até mesmo as práticas de autoerotismo como sexo. E sexo do bom. É o que descobriram alguns gays e não gays, com uma “nova”(?) – será que existem novidades no sexo? – prática de busca do prazer, conforme o artigo abaixo (fontes ao final), com uma abordagem introdutória (sem trocadilho) do tema, que deverá ser desenvolvido em outra ou outras postagens (fotos da internet e ilustrações de Anthony Gonzales):

NEM ATIVOS NEM PASSIVOS, 

'GOUINES' SÃO GAYS QUE NÃO CURTEM

PENETRAÇÃO

Fábio de Oliveira


No mundo homossexual, há os que se dizem passivos (têm prazer ao serem penetrados), os ativos (que curtem penetrar) e os versáteis (que praticam os dois papéis na cama). Mais recentemente, tem surgido nas redes sociais e nos aplicativos de "pegação" um grupo de gays que se autodenomina de "gouine".


O termo, em francês, é usado para se referir às lésbicas e foi adotado para classificar homens que se relacionam com outros homens, mas não gostam de sexo anal –ou, simplesmente, "gouinage".


Desde o final da década passada, a prática vem sendo abordada em reportagens publicadas por revistas de temática gay na Europa. No Brasil, os primeiros grupos de "gouines" começam a se formar. Um deles está no Facebook, o Gouinage SP, que foi criado recentemente pelo autônomo Sergio Akio, 40. O espaço virtual serve para quem curte esse tipo de relação sexual conhecer seus pares.


Segundo Akio, há dificuldade para encontrar "gouines". "Não é um movimento, uma coisa passageira. A gente nasce assim. Muitos fazem, mas não dão esse nome, nem o conhecem", diz. "Sempre me senti 'gouine', desde menino. Por isso, até hoje, não tenho muitas relações".


Ao buscar referências na internet, quem sente o mesmo desejo de transar sem que haja penetração acaba trombando com a expressão francesa. Foi o caso de Akio. "Na época das comunidades do Orkut, eu procurava pelas páginas de sexo sem penetração. Achei uma e, nela, alguém postou algo com a palavra 'gouinage'. Fui atrás", conta ele.


E como os "gouines" se soltam sob os lençóis? O sexo oral é uma das práticas. Tem também o "frottage" (fricção em francês) ou a "guerra de espadas".


Apesar de a prática estar mais associada a homossexuais, os heterossexuais também podem se sentir bem transando sem que tenha penetração, diz o psiquiatra Alexandre Saadeh, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. E não tem nada de patológico. "Mesmo entre heterossexuais, essa prática pode ser adotada, não o tempo todo, mas durante parte da vida sexual de um casal".


A também psiquiatra Carmita Abdo, do ProSex (Programa de Estudos em Sexualidade da mesma instituição paulistana), complementa: "Estudos populacionais que tenho coordenado sobre o comportamento sexual do brasileiro revelam que cerca de 20% das relações sexuais não têm penetração por diversas razões, inclusive por dificuldade de ereção ou de relaxamento da vagina. Mas também por opção".



Fonte:
Do UOL, em São Paulo 09/10/2013

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

CAMINHAR PELADO: PODE SER UMA EXPERIÊNCIA INCRÍVEL




Temos sempre defendido os ideais e a filosofia naturista neste blog, porque acreditamos numa sexualidade saudável, quando se pratica o naturismo. A integração entre natureza e os naturistas é algo que realmente fascina o homem envelopado das cidades. O erotismo mitigado, mas não eliminado, transfere sua libido para os momentos íntimos, já que a convivência com corpos nus em situação social parece deixar no ser humano a marca da civilidade e da harmonia entre as pessoas de diversos corpos, de diversas idades, incutindo o desejável e sempre procurado respeito.


Agora, imaginemos uma trilha que passe por campos e morros, riachos e bosques, uma trilha por onde pessoas sozinhas, aos pares ou em grupos caminhem nuas, gozando o prazer não só da caminhada e do ar puro, mas também a liberdade e a sensualidade livre do vento, do canto dos pássaros, do perfume da terra e das flores. Quase um éden, não é? Pois esse lugar existe e seu exemplo devia espalhar-se por toda a Terra, como uma pequena contribuição para a superação da barbárie. Veja a reportagem abaixo:

A INCRÍVEL TRILHA NATURISTA NA ALEMANHA


Na pequena cidade alemã de Dankerode, existe um famoso roteiro de trilhas e caminhadas ecológicas que atrai os adeptos do naturismo.


E eles fazem o passeio como manda o figurino: completamente nus. A trilha de 18 quilômetros está localizada dentro da propriedade de Heinz Ludwig, onde também funciona um acampamento e um restaurante. Heinz, um entusiasta tanto do naturismo quanto de caminhadas ao ar livre, alerta: “Se você não quer ver gente nua, não deve passar desse ponto!”


A trilha naturista é uma atividade já praticada em países como Inglaterra, EUA, Suíça e na própria Alemanha, mas de forma clandestina: quando são flagrados pela polícia, seus adeptos costumam ser multados ou presos. Agora, em uma grande vitória para os naturistas, a Alemanha decidiu legalizar a prática.


Os praticantes costumam caminhar em pequenos grupos, de 15 a 20 pessoas, e tomam o cuidado de se vestir 50 ou 100 metros antes do final da trilha para não chocar a população em geral.


A Alemanha é o país com maior concentração de nudistas – acredita-se que 12 milhões de pessoas, 14,6% de toda a população do país, já tenham se despido em público pelo menos uma vez. “Nós nunca tivemos nenhum problema. As pessoas são simpáticas, até puxam assunto com a gente”, conta Kehm.


O naturismo surgiu na Alemanha em meados do século XIX. O primeiro campo oficial do país foi aberto em 1906.  Os adeptos da prática preferem o uso do termo “naturismo” em vez de “nudismo”. De acordo com eles, a palavra “nudismo” adquiriu uma conotação negativa e erótica ao longo dos anos, algo que contradiz a filosofia naturista, que prega principalmente o respeito ao próximo e ao meio ambiente.


Ao fazer uma trilha, deixe o ambiente como você o encontrou. Traga de volta tudo que você levou. É triste ver latinhas e garrafas jogadas nas trilhas. Nosso lixo não faz parte do meio ambiente. Mantenha as árvores no seu estado natural. Riscar letras nos troncos e arrancar galhos de árvores é vandalismo.


Fonte:

24 setembro / 2015