segunda-feira, 27 de junho de 2016

HUMOR E EROTISMO OU EROTISMO E HUMOR, TEMPERADOS COM UM BOM BOQUETE






Sempre disse que humor e erotismo (quero dizer aquele erotismo que nos dá arrepios, que nos dá tesão) poucas vezes combinam. O humor grosso, da chamada “piada suja” (porque “suja”, não sei; assim como não sei quem a sujou), não é erótico. Ou é raríssimamente erótico.


 No entanto, de vez em quando topamos com algum texto (ou ilustração, desenho etc.) de humor que é um tanto erótico ou vice-versa, um texto erótico que tem um tanto de humor, lembrando que o riso, na maior parte das vezes, nos tira o tesão (pelo menos, na minha humilde opinião).


  
Cleycianne, uma diva do Senhor no mundo da internet: sua página é hilária, quando tira sarro do fundamentalismo evangélico, uma praga que anda vicejando por aí (e perdoe-me, cara leitora, caro leitor, se você é evangélico, mas acredito que, a partir do momento que acessou este blog, mesmo que você seja evangélico, sabe bem do que estou falando).


 É da Cleycianne o texto abaixo. Divirta-se com ele, como eu me diverti, e goze um pouco também. Porque, afinal, um bom boquete implica uma série de outras preocupações que não só as de ordem prática, como você já deve ter lido em outras publicações sobre o assunto por aqui e por aí. As ilustrações são de Julius Zimmerman, de sua série de desenhos com incríveis mamadas:

15 MOTIVOS PARA VOCÊ NÃO CHUPAR UM PÊNIS





Uma prática muito comum nos mundanos hoje é o sexo oral! As piranhas fazem loucamente e os homossexuais se chupam até antes de se beijarem pela primeira vez, é muito assustador!!! Para provar que isso é coisa de Satanás, venho aqui mostrar para vocês os 15 motivos para você não chupar um pênis!! Vem crente:



- Pênis não é pirulito e muito menos picolé;



- Sua boca não é uma vagina;


- O pênis pode ferir a sua garganta, deixando você muda para sempre;


- Engolir esperma pode causar úlcera e espinhas;


- Atrofia a boca, segundo estudos;


- Ficarás com hálito de pênis;


 - Tem gosto de frango estragado;


- Quem começa chupando pênis, logo estarás chupando ânus; 


- A boca foi feita para louvar e comer alimentos, não para chupar pênis;

- Terás uma dúvida mortal: cospir ou engolir?;


- Não faz bem para os dentes;


- Não engravida;


- Pode se engasgar com o esperma e morrer;


- Sarah Sheeva não chupa;


- Jesus também não.




Fonte:





segunda-feira, 20 de junho de 2016

ATRAÇÃO, TESÃO E SACANAGENS DE... CARLOS ZÉFIRO – 5

Não resisti. E aqui está de novo o nosso pornógrafo-mor, com mais um catecismo. Notemos que as mulheres de Zéfiro são sempre gostosonas, mulheres “com substância”. Ainda não entrara em moda a moda das falsas magras ou das verdadeiras magras. Modelos esguias, de pouco busto e pouca bunda, não faziam parte do imaginário dos jovens da época de Zéfiro, ávidos por uma boa sacanagem. Na história abaixo, Nancy, a personagem, seduz o “massagista” com suas formas abundantes e poderosas que ela buscava aperfeiçoar nas mãos hábeis de um profissional. Leia e divirta-se. Não há contra-indicação, não importa seu sexo ou sua designação sexual, todos podem se divertir com Carlos Zéfiro, hoje:







































segunda-feira, 13 de junho de 2016

POR QUE TANTOS NOMES PARA A BOCETA?



(Felicien Rops)

Não sei qual destas duas palavras tem mais sinônimos: se puta ou vagina. De qualquer modo, isso revela ou desvela um mundo muito pouco investigado: o preconceito contra as mulheres, uma certa ginofobia  ou misoginia ou, ainda, a incompreensão do mundo feminino pelos homens.

(Feodor Stepanovich Rojankovsky)

No caso da prostituição, o preconceito social, escondido na quantidade de termos, expressões e circunlóquios para designar a mulher que a pratica é bastante óbvio. Provém de séculos de intolerância de todas as origens possíveis, desde as motivações higiênicas e sociais até as religiosas. Mas, no caso do órgão feminino, há muito o que se discutir. E essa discussão pode começar com o texto abaixo, que é, ao mesmo tempo, jocoso e sério, por nos acender uma luzinha, uma pequena luzinha contra a misoginia, travestido com a intolerância e o preconceito sexista contra a mulher. Divirta-se, claro, mas também pense bem no assunto (com exceção da primeira e da última foto abaixo, todas as outras são constituídas de pintura corporal, no caso, feitas nas bocetas. Os autores estão identificados na própria foto ou não foram identificados).


VAGINA NÃO É BACALHAU


Ananda Hilgert


(Foto de Chris Maher)

O nome que a gente dá para as coisas na vida não é inocente, não é por acaso, é marcado por posicionamento, é político, é cultural. Pensando nisso, os diversos apelidos dados aos órgãos sexuais feminino e masculino dizem muito sobre sexo e papéis de gênero:


Enquanto o pênis tem todos os nomes possíveis que remetem ao formato de cenoura, nabo, cano, anaconda, espeto e tantos outros mais, à vagina direciona-se outro tipo de apelido, muito mais pejorativo, como:
bacalhau
carne mijada
nugget de peixe
marisco
suvaco de coxa
túnel cheiroso
suadinha


A vagina e seus perseguidos odores! Fedor de peixe, suor, mijo. A vagina é nojenta, tem mau cheiro. Tudo que o homem hétero quer é que sua estaca crave esse marisco, mas sem abrir mão de rebaixar essa pobre carne mijada ao seu devido lugar.


A mulher escuta esses nomes desde pequena mesmo sem entender ainda seus significados. A gente vai crescendo e entendendo que é suja, que deve esconder nossos cheiros, mesmo que sejam naturais para todas as mulheres. A menina desde novinha aprende a usar uma infinidade de produtos de higiene, enquanto o menino aprende a fazer xixi na árvore e dar só uma balançadinha na sua bengalinha. A gente aprende que peixe podre e vagina tem o mesmo odor. Carregamos um túnel “cheiroso” no meio das pernas, motivo de piada, medo, objeto de controle.


Esses apelidos podem parecer apenas piadinhas inofensivas para muita gente, mas carregam um peso muito maior que uma comédia boba. Muitas mulheres realmente acabam tendo nojo de si mesmas, não conhecem suas próprias vaginas, não tocam em si mesmas. Aliás, falando em toque, a masturbação feminina é um grande tabu que vem também desses apelidinhos carinhosos:
engole espada
ninho de rola
lixa-pica
casa do caralho
papa-duro
gulosinha
buraco da serpente


Se o homem chama a vagina de lixa-pica e casa do caralho, isso significa que a maldita xoxota só existe para servir ao homem; portanto, mulheres, o prazer sexual não é de vocês, mas do homem e sua espada.


O homem carrega orgulhoso sua terceira perna (a vontade de aumentar o tamanho do pênis através de apelidos é visível), sua furadeira, seu socador, sua ferramenta. A mulher esconde, depila, limpa sem cansar seu suvaco de coxa. Dar nomes pejorativos à vagina prejudica muito a sexualidade feminina, pois a mulher tem pensamentos negativos em relação a si mesma, acaba se limitando, tem medo de se expor, de ter o cheiro errado, o formato errado, o prazer errado.


A tentadora vagina, o testador de batina pode parecer idolatrado por muitos homens, mas essa adoração tem um limite muito demarcado: o controle. Dar nome é querer controlar, diminuir, determinar a função. O homem apelida de ninho de rola quando quer dizer que a vagina serve para nada além das vontades de sua rola. O homem corta, mete, penetra, come com sua serpente, seu canivete, sua arma. E finaliza chamando de bacalhau.


Essa mistura de idolatria e controle é muito parecida com aquela história de chamar as mulheres de musas que muitos adoram. Vários homens tentam fugir de uma imagem de machista dizendo que amam as mulheres, que elas são musas inspiradoras, deusas que devem ser veneradas. Gente, deixa eu contar um segredo: isso ainda é machismo, isso ainda é tentar definir uma posição para mulher alheia à sua vontade. Portanto, não me venha dizer que a vagina é a coisa mais adorada do mundo, a área VIP, a desejada, a caixa dos prazeres, pois, homem, você está determinando que a vagina só serve pra ti.


Os apelidos dados à vagina tiram da mulher o controle (e orgulho) sobre o próprio corpo. Quando somos condenadas a levar entre as pernas nada além de um nugget de peixe e um buraco de serpente, aprendemos que somos submissas ao gigante adormecido masculino. O poder das palavras é forte na subjugação de qualquer grupo, qualquer minoria. As 100 palavras mais comuns para vagina podem ser separadas em três grupos: mau cheiro/aparência feia; diminutivos; provedor do prazer masculino. Nenhum apelido carrega uma ideia de poder como espada, ou de algo que machuca e domina como arma.


Esses nomes condenam a mulher pela sua própria natureza, ou seja, não há saída. As mulheres passam a vida lutando contra as suas cavernas, cabaças, cabeludas, pombinhas. A espada manda, o engole-espada obedece. Vivemos numa cultura de idolatria do pênis, toda a teoria psicanalítica do Freud gira em torno do desejo ao falo. No entanto, com as mulheres tentando se libertar cada vez mais, podendo finalmente falar (de vez em quando e ainda controladamente) que gostam de sexo, que se masturbam, que gostam do próprio corpo, acho que está na hora de apelidos com mais empoderamento feminino.




Fonte:
TEXTOS CRÍTICOS