segunda-feira, 9 de maio de 2016

ROSA PÚRPURA, UMA BLOGUEIRA PORTUGUESA SEM PUDOR




(Alain Aslan)

Ela se apresenta assim: “Conheces-me. Ou melhor, vais-me conhecendo através dos textos que publico. Esta sou eu. Rosa de nome, púrpura de estado de alma. O que mais há a saber sobre mim, aqui não tem lugar. Dou-me a quem quero, como quero. De verdade dou-me apenas nos beijos que dou noutras bocas. Esses beijos proibidos às putas, mas que são, como diz uma grande mulher que conheço, o melhor do mundo.”



(Fameni Leporini)


Será uma prostituta? Será apenas uma mulher que gosta de sexo e tem vários parceiros? Ou será apenas a invenção de alguma mente fértil, homem ou mulher? Não sei e não o saberemos nunca. Ela se apresentou,  publicou vários posts, há pouco mais de dez anos, despediu-se e... desapareceu. Fiquemos, portanto, com alguns de seus textos, que são eróticos, são divertidos e estão escritos num delicioso sotaque de Portugal, com seus termos diferentes, sua sintaxe elaborada, suas vogais rápidas.



(Denis)


E mais: são um pouco dos sentimentos e da vida (real? Fictícia?) de alguém que dividiu conosco seus sonhos, desejos, observações e práticas sexuais. Os títulos são meus e também editei um pouco alguns textos mais longos. Divirtam-se:


1.     UNHAS VERMELHAS



(Garv)


Gosto de pintar as unhas. De vermelho. Gosto do contraste. Do choque da cor vermelha na cor morena. Gosto de ver as minhas unhas vermelhas quando seguro numa pila bem firme. Gosto de entreabrir os olhos quando a chupo e movimento a minha mão e, a uma tão curta distância, apenas vejo as unhas vermelhas sobre a pele. Gosto de apertar as minhas mamas enquanto cavalgo o macho que crê que me possui, e as unhas vermelhas se confundem com as marcas que deixo na minha própria pele. Gosto de coisas simples. Unhas vermelhas e sexo. Sem fantasias nem fetiches. De vez em quando apenas a simplicidade de umas unhas vermelhas e pele nua.

2.     CONA RAPADINHA



(Mark Blanton)



O pior é a comichão. A cona rapadinha fica engraçada. Para eles poderá ser a ilusão de cona virgem em dona imberbe. Para mim é muito mais do que isso. É sentir-me completamente nua, é por um espelho entre as pernas e ver a pele lisa, é acariciar-me e sentir-me em pleno. Claro que, com a cona rapada, e quando me comem pela frente, o que raramente acontece, presumo que por disso estarem já fartos em casa, é do melhor que há sentir na minha pele nuinha os pintelhos deles, algo rígidos a esfregarem-se em mim. Tê-los a eles rapadinhos também não me desagrada de todo. Alguns, claro. Há os que mais vale não terem essas ideias que têm uma pila feia, acogumelada e uns colhões disformes e escuríssimos. Há os que ficam favorecidos, evidenciando a pila, os colhões redondinhos que posso lamber, chupar e mordiscar até me vir. Sim, que eu venho-me de qualquer forma, felizmente. De falta de orgasmos nunca eu hei-de morrer.


3.     BIGODES


(Rodzo)



Bigodes são uma triste redundância, ainda ninguém lhes disse? Eles pensam que lhes conferem um certo tom másculo, ou lá o que é. Mas bigodes, só aqueles emprestados pelos meus pintelhos quando me lambem a cona com afinco e dedicação. Quando levantam os olhos para mim e os vejo com a língua enfiada em mim, de ar destrambelhado, os meus pintelhos a entrarem-lhes pelas narinas. Esses bigodes, sim. Tudo o resto são paneleirices de quem quer vincar um tom másculo que vai falhando em atitudes.


4.     MASTURBAÇÃO


(Erich von Gotha)


Isto da masturbação não é necessariamente um prazer solitário. A gente aprende sozinha (com eles é difícil sem esta aprendizagem) mas depois pode e deve ser um prazer partilhado. Já estive com tipos que levavam a mal eu masturbar-me enquanto me fodiam, quase interpretando-o como um desafio ao seu desempenho. Mas não é nada disso. É conhecermo-nos e darmos um jeito às coordenadas para não nos perdermos da rota que queremos seguir.


5.     MULHERES FÁCEIS


(Dubigeon)



Gosto de foder. Sempre gostei. Sou uma mulher de sorte. No liceu fodia com quem queria, indiferente aos comentários. Fodia com quantos queria. Quando é assim, os homens pensam que nos usam, que somos de todos. Que ingénuos são. Quando é assim, não somos de ninguém a não ser do nosso próprio prazer. Nem sequer os usamos. Partilhamos prazer. Tão triste é o preconceito que rotula as mulheres de fáceis quando se dão ao prazer tanto quanto os seus companheiros. Gosto de foder e fodo. E grito e gemo e rio-me e venho-me. E é assim que deve ser. Sou livre, afinal.


6.     CU É PARA FORNICAR



(Druuna)


E fala-se de cus, uns bem torneados, outros lisos como certos dias de verão. Mas, digo eu, se o cu não receber valentes fodas de que lhe servem as bonitas formas? Tenho a certeza de que se perguntasse aos que me fodem, ou que fodo, por vezes não sei bem o que acontece, como é isso dos cus, todos, sem excepção, me responderiam que desde que aceitem acção todos são magníficos. E percebe-se, quer dizer, de que me serviria um gajo dotado de portentosa pila se não a pusesse em pé? Então um cu é só bom para ver e apalpar? Então mas fode-se a valer só com mãos e olhos? Quer dizer, os olhos também comem, não é? Afinal isto resume-se ou não à história de antes ainda de andarmos direitos os narizes andarem enfiados nos sexos alheios? Tenham lá paciência, o corpinho que temos, mais ou menos voluptuoso, é ou não feito para estas coisas da fornicação?


7.     PRECONCEITOS


(A. não identificado)


A mim, o que me deixa mesmo fodida, é encontrar no meu caminho, o mesmo será dizer entre as minhas pernas, que aí se fazem todos os meus caminhos, fulanos que, dizendo-se muito liberais e abertos e dispostos a tudo e com a mania de que as mulheres é que se recusam a certas práticas, na hora da verdade se acobardam, se enojam, se retraem. Parece estar tudo muito bem até ao momento em que certas (novas) ideias me surgem. Parece que, para esses fulanos, variar é uma vez um por cima, outra vez outro. Ora, puta que os pariu, que quando me aparecem à frente a vontade que tenho é picá-los ainda mais e propor-lhes que comam a minha merda (é que esses, normalmente, pertencem ao grupo dos que gostam de me foder o cu e ver-me fazer-lhes um broche logo de seguida, mas são incapazes de me beijar a boca a seguir). É remédio santo para os pôr logo noutro caminho, o que leva para longe da minha porta. 



(Tomer Hanuka)



O preconceito, mesmo nos que se vangloriam de ser muito abertos a experimentações, leva-os a recusar à partida um acto que desconhecem. Nem toda a gente tem de gostar de tudo, obviamente. Eu própria, enfim, deve haver coisas de que não gosto (só não me lembro agora). E isso não quer dizer que sejamos preconceituosos. Mas, por exemplo, recusar um minete porque se está com o período, não me parece muito inteligente. Não tem de se enfiar o queixo numa poça de sangue, basta que a língua se passeie pelo clitóris e aí não há sangue. Enfim, foi só um exemplo (e um desabafo) de preconceitos que me parece não terem razão de existir. Até boa justificação.


8.     EXCESSOS



(M. Powell)


Ai, tesão! E depois, é isto. Mas quem me mandou querer dois caralhos, que mais parecem de preto (não que a minha experiência o comprove, forçosamente), a esfregarem-se um no outro dentro do meu cu? Agora aqui estou, de quarentena, que ainda por cima não me apeteceu mandá-los parar. Soube-me bem, que hei-de fazer? As dores, durante o sexo, até se confundem com o gozo. O pior é depois. E logo hoje que danço no clube do Freddy e estas noites já sei como acabam. Enfim, lá ficarei a perder esta noite, que eu gosto de levar no cu (por falar nisso, não percebo os pseudo-especialistas que dizem que os homens gostam de ir ao cu às mulheres, mas as mulheres não gostam de lá levar). Tenho para mim que esses fulanos e fulanas que assim falam ganhavam mais em praticar mais e teorizar menos. Enfim, vou tratar de mim que só a ideia já me está a fazer lamentar não a concretizar. E daqui até que isso aconteça, ainda tenho umas boas horas para recuperar, que hoje durante o dia não haverá cabrão nem puta que me veja fora de casa.



(Felicien Rops) 



Fontes:





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