segunda-feira, 23 de maio de 2016

MACHÕES POLITICAMENTE CORRETOS: ISSO EXISTE?


(Tara Jacoby - príncipes da Disney nus - Gaston de A bela e a fera)

Num post publicado em 25 de janeiro deste ano – “Porque me comeu no primeiro encontro, não sou para casar?” – dei voz à queixa das mulheres quanto ao fato de muitos homens discriminarem as que “dão no primeiro encontro”. Não há desculpa para esse tipo de machismo, mas, em todo caso, chegou-me ao computador um texto de machão que, mais ou menos, faz um “mea culpa” em relação ao tema.

(Tara Jacoby - príncipes da Disney nus - John Simith de Pocahontas)

Já que o texto não contém grosserias, como muitas vezes encontramos em desabafos e confissões machistas, e está razoavelmente bem escrito, resolvi encará-lo, com algumas reservas, como um tipo de resposta dos machões às mulheres.

(Tara Jacoby - príncipes da Disney nus - príncipe Adam de A bela e a fera)

Não encontrei nada que possa dizer sobre o autor, já que sua única referência é um blog (indicado no final da matéria) onde ele publica textos literários ou pretensamente literários devidamente ilustrados com imagens eróticas. E por falar em imagens eróticas, escolhi como ilustrador Jeff Faeber, que faz uma interessante recriação da arte shunga japonesa. Eis o texto:

MACHÃO HÉTERO PROCURA...



Sou macho e hétero. E daí? Não quer isso dizer que seja machista.


Quando digo que sou macho, apenas confirmo e reafirmo a minha condição sexual de indivíduo do gênero masculino, ou seja, um cara que tem um pau entre as pernas e que esse pau (ainda) funciona. Nada demais, portanto. E nenhum motivo de orgulho por isso, já que sou apenas um dentre milhões de outros seres de igual condição. Se algum orgulho há, é pelo fato de ser considerado bom de cama por parceiras eventuais ou fixas. Aliás, nem isso é motivo de orgulho, já que é condição normal do gênero masculino satisfazer as fêmeas que apreciam uma boa trepada, pelo menos, as fêmeas humanas.


Quando digo que sou heterossexual, isso apenas confirma e reafirma um fato: se não tenho nenhum preconceito contra humanos que gostam sexualmente de outros humanos do mesmo gênero, o que eu quero dizer é que eu, um indivíduo do gênero masculino, não tenho nenhum tesão por outros indivíduos que também tenham um pau entre as pernas. Ou seja, só gosto de sexo com indivíduos do sexo oposto ao meu. E isso não é nenhum motivo de orgulho, já que considero a heterossexualidade, a minha pelo menos, uma condição absolutamente normal. Como vejo como normal, também, qualquer outra possibilidade de prazer. O que cada um faz com seu corpo entre quatro paredes e consensualmente com qualquer tipo de parceria é problema que não me diz respeito. E a palavra respeito, aqui, ganha o seu significado normal: de aceitar isso e não ficar condenando por aí outras formas de sexualidade, de que a humanidade é pródiga.


Dito isso, quero fazer, aqui, algumas considerações sobre o gênero oposto ao meu, ou seja, algumas considerações sobre as relações entre mim e as mulheres. Porque elas, muitas vezes, queixam-se de nosso machismo, principalmente quando se trata do famoso primeiro encontro. E acho o foco preciso de minhas atenções: o primeiro encontro.


As mulheres têm um dilema sexual que eu acho meio idiota, mas que, para elas, acaba se tornando importante. Por isso, até já me arrependo de ter usado a palavra “idiota”. Talvez o termo certo seja “desnecessário”. Mas, também essa talvez não seja a melhor definição para este dilema: ir para a cama ou não, no primeiro encontro. Dar ou não dar, no primeiro encontro.


Só posso falar do que vivi, do que experimentei. Já saí com inúmeras mulheres. Não sei e não quero saber quantas. Esse negócio de número não faz muito a minha cabeça, e acho, isso sim, uma coisa idiota ficar contando com quantas mulheres saí, quantas mulheres comi. Se nem a mim interessa, acho que não interessa aos outros. Saí com muitas, muitas mulheres. Algumas, comi no primeiro encontro. Outras, só fui comer depois de vários encontros. E outras, ainda, não comi nem depois de muitos encontros.


Para mim, nunca fez diferença o fato de ter ido para a cama no primeiro encontro ou depois de muita conversa, muito cinema e jantares. Era importante, sim, o prazer que isso resultava para elas e, claro, para mim. Muitas mulheres que deram na primeira noite se tornaram casos para muito tempo e só terminamos porque não tenho, mesmo, vocação para casamento e relações duradouras. E acho que elas também não. E tenho amigas queridas até hoje que “deram no primeiro encontro” e depois viraram só isso mesmo, amigas. Nada mais.


Nunca, em tempo algum, saí por aí dizendo que comi fulana ou beltrana. Nunca saí por aí dizendo que fulana era fácil ou difícil. Porque não existe esse negócio de mulher fácil e mulher difícil. Existem apenas mulheres que gostam de trepar e outras que não gostam muito de trepar. Respeitei e respeito o momento, o gosto, as intenções, as vontades de todas elas. E também elas me respeitaram, porque, devo confessar, por mais incrível que isso possa parecer, houve momentos e situações em que a mulher queria ir para a cama e eu é que não estava disposto, não podia, não estava a fim, por motivos variados, que eram desde um mal-estar passageiro até mesmo o fato de que, por mais bonita, gostosa ou agradável que fosse a mulher, eu não estava com tesão nela, não tinha tesão por ela. E não era para cumprir o “destino do macho”, de comer todas em qualquer situação, que eu iria me violentar.


Então, entendeu agora o que é ser macho e heterossexual? Ou o que eu acho que deva ser o verdadeiro macho heterossexual? Portanto, amigas que tiveram a experiência negativa de topar com um pretenso “macho alfa” e que foram para a cama no primeiro encontro e depois esse infeliz saiu dizendo por aí que vocês são fáceis, são galinhas e não servem para casar: eu digo que vocês toparam com o pior de nossa espécie, com o tipo de indivíduo que macula nossa “categoria”, com verdadeiros cafajestes que não constituem aquilo que de melhor o verdadeiro “macho alfa”, como eu, pode dar a vocês, que é carinho, muito carinho; sexo, muito sexo; mas, acima de tudo, respeito, muito respeito.


Augusto Pinto Gomes

Fonte:

Sexo em prosa e verso






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