segunda-feira, 16 de maio de 2016

LE JARDIN PARFUMÉ / O JARDIM PERFUMADO


A civilização árabe já deu grandes contribuições para a história e o desenvolvimento social, científico e artístico da humanidade. Não tem essa civilização nada a ver com os fanáticos que hoje tentam explodir o mundo, como novos profetas enlouquecidos de uma causa absurda. Como não é nossa intenção criar polêmicas em outros campos que não seja o erótico, fiquemos com a notícia de um livro curioso e sua história de sacanagens, com um final irônico e já dentro da atual onda conservadora que varre o oriente. Divirtam-se com as ilustrações (atribuídas a um nosso velho conhecido, Martin Van Maele) e com o texto de alguém que se assina, na França, como Le Vicomte Kouyakov (fontes indicadas no final):


EROTISMO QUE FARIA CORAR O PROFETA MAOMÉ





Uma das obras mais raras dos colecionadores de antiguidades é, sem nenhuma dúvida, a tradução de um manuscrito árabe do século XVI, intitulado O Jardim Perfumado, que um capitão do estado maior na Argélia, o barão R..., redigiu em 1850. Foi a primeira obra erótica que me mostrou um colecionador parisiense, que me convidou há alguns anos, a visitar sua biblioteca de obras eróticas. Muito tempo passou, antes que eu pudesse ser seu feliz proprietário, depois que ela reapareceu, como por encanto, no Norte da França. Antes disso, só uma vez eu encontrara essa obra num velho catálogo, acompanhada de uma carta manuscrita de seu feliz dono, Guy de Maupassant!


O Jardim perfumado, dividido em vinte um capítulos, encerra todo tipo de conselhos técnicos e de histórias como aquela do palhaço Bahloul que trepa várias vezes com a mulher de um vizir. Ela diz alegremente, a cada vez: “Toda boceta tem escrito na sua abertura o nome daquele que deve aí entrar”, parafraseando Maomé que dizia que todo homem leva inscrito seu destino em sua fronte! O xeique Nedzaoui ensina os seis movimentos do coito, as onze posições próprias dos árabes e as vinte e nove usadas pelos povos da Índia. Ele conta anedotas sobre as artimanhas e as traições das mulheres, receita remédios contra a impotência e a esterilidade. E ensina ao homem que tem um membro muito pequeno a aumentar a dimensão do pênis e por qual alimento medicinal se tornar um amante infatigável.

Um dos capítulos mais engraçados refere-se ao coito entre duas pessoas de tamanhos diferentes, como o homem obeso com a mulher magra, ou o coito entre a mulher e o homem gordos. As relações entre o homem excessivamente pequeno com a mulher muito alta, e o contrário, e o coito entre corcundas são descritos saborosamente, encarando todos os casos particulares (corcundas  por cima, no peito, ou pela frente e por trás, às vezes!)


Foi Guy de Maupassant, ao passar alguns dias no oásis de Bou Saada, na Argélia, que descobriu a tradução francesa do Jardim Perfumado. Maupassant encontrou o tradutor oficial, que lhe disse:”Infelizmente, eu não ousei traduzir um dos capítulos concernente a um vício muito comum neste país: a pederastia,  mas em suma, o livro é, em seu gênero, um dos mais curiosos que pude encontrar!”


A edição autografada foi reproduzida em 1885, depois o editor Isidore Liseus publicou, em 1886, uma tradução revista e corrigida do Jardim Perfumado. A observar que Martin Van Maele criou uma soberba série de 12 aquarelas para ilustrar esta obra e que, enfim, pertence à coleção Gerard Nordmann o manuscrito original, mas não a obra que eu descrevi brevemente.





Fontes:
Le Vicomte Kouyakov
http://picasaweb.google.com/111453150870945126273/JARDINPARFUME?gsessionid=wkLWmR5fEKPl-BN9WrsaKQ#

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