segunda-feira, 2 de maio de 2016

ANDROFILIA: ELES TRANSAM COM HOMENS... E NÃO SE CONSIDERAM GAYS




(Berthommé Saint-André)



Abro esta postagem com o Dr. Dráuzio Varela: “Existe gente que acha que os homossexuais já nascem assim. Outros, ao contrário, dizem que a conjunção do ambiente social com a figura dominadora do genitor do sexo oposto é que são decisivos na expressão da homossexualidade masculina ou feminina.




(Claude Bornet - 1733-1804)


Como separar o patrimônio genético herdado involuntariamente de nossos antepassados da influência do meio foi uma discussão que monopolizou o estudo do comportamento humano durante pelo menos dois terços do século XX.


(Claude Bornet - 1733-1804)



Os defensores da origem genética da homossexualidade usam como argumento os trabalhos que encontraram concentração mais alta de homossexuais em determinadas famílias e os que mostraram maior prevalência de homossexualidade em irmãos gêmeos univitelinos criados por famílias diferentes sem nenhum contato pessoal.


(Claude Bornet - 1733-1804)


Mais tarde, com os avanços dos métodos de neuro-imagem, alguns autores procuraram diferenças na morfologia do cérebro que explicassem o comportamento homossexual.



(Claude Bornet - 1733-1804)

Os que defendem a influência do meio têm ojeriza aos argumentos genéticos. Para eles, o comportamento humano é de tal complexidade que fica ridículo limitá-lo à bioquímica da expressão de meia dúzia de genes. Como negar que a figura excessivamente protetora da mãe, aliada à do pai pusilânime, seja comum a muitos homens homossexuais? Ou que uma ligação forte com o pai tenha influência na definição da sexualidade da filha?


(Claude Bornet - 1733-1804)



Sinceramente, acho essa discussão antiquada. Tão inútil insistirmos nela como discutir se a música que escutamos ao longe vem do piano ou do pianista. ”




(A. não identificado)


Para colocar um pouco mais de molho na discussão, apresento-lhes a reportagem abaixo. Acrescentando um comentário: trata-se de homens, seres do sexo masculino. No entanto, se fossem mulheres a dizer que gostam de transar com outras mulheres, mas não são gays, a aceitação seria outra. Muitos homens apreciam que suas companheiras, num ménage à trois, se relacionem com outra mulher, numa boa. Bem, vamos ao texto. Que cada um/a pense (e transe) como achar melhor, que no sexo, o que acontece entre quatro paredes, desde que haja respeito e consentimento, tudo é permitido:



PARA ALGUNS HOMENS, O DESEJO POR OUTRO HOMEM NÃO MUDA A ORIENTAÇÃO SEXUAL


(David Livingston)



O arco-íris da sexualidade humana tem muito mais do que sete cores. Entre a heterossexualidade e a homossexualidade, existem tantas nuances quanto desejos. No meio desse caminho, estão os HSH (homens que fazem sexo com homens). São homens que gostam de transar com outros, porém não se consideram gays.



(David Livingston)



"Nunca consegui me imaginar de mãos dadas ou trocando carinhos. Sexo com homem é grosseiro, por isso é só sexo", diz Antônio* (nome fictício), 40, corretor de seguros, que se identifica como hétero. Pai de um menino de cinco anos, ele já foi casado e namora apenas mulheres. "Nunca conseguiria me relacionar afetivamente com um homem, tenho 101% de certeza, curto apenas a putaria na cama", fala, negando qualquer hipótese de que poderia ser um homossexual enrustido.






A ideia de negação da verdadeira orientação sexual sempre surge quando alguém coloca em prática uma fantasia que não corresponde à sexualidade assumida. Porém, para o sociólogo Felipe Padilha, membro do grupo Quereres – Núcleo de Pesquisa em Diferenças, Gênero e Sexualidade da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), não há essa relação. "O contato erótico entre homens não leva necessariamente a uma identidade."





Para Flávio (nome fictício), 25, analista de sistemas, tanto a homossexualidade quanto a bissexualidade estão mais ligadas aos sentimentos por alguém do mesmo sexo. Por essa razão, ele se considera hétero, apesar de transar com homens desde os 15 anos. Flávio tem prazer em ser penetrado, mas, assim como Antônio, não se imagina namorando outro homem. "Meu desejo é apenas para sexo. É só tesão, talvez uma fantasia ou um prazer que a mulher não pode me dar."







Nem todos os HSH desfrutam do sexo anal. "Não gosto de ser penetrado, apesar de já ter sido, fico desconfortável, mas curto uma lambida, o que é mais fácil ter entre homens", conta Márcio* (nome fictício), 27, professor de história, que fez sexo com um amigo pela primeira vez há três anos por curiosidade.






Márcio tem uma parceira sexual há quase dois anos e prefere fugir dos rótulos. "Poderia dizer que sou bissexual, mas acho tais nomenclaturas desinteressantes. Minha orientação sexual é a de permitir entrar em contato e experimentar o mundo como aventura."







Muitas vezes, as relações sexuais entre os HSH são mantidas em segredo por causa do preconceito em relação a esse tipo de comportamento. "Diferentemente dos homens, que adoram quando duas mulheres ficam, muitas mulheres não ficariam com um homem que já transou com outro. Acham que o cara é gay e não serve para elas", afirma Flávio, que prefere não contar sobre esse aspecto da sua vida para as namoradas até sentir abertura para isso.






Márcio fala que já revelou para algumas parceiras que sente atração por homens e até participou de uma transa a três com uma namorada. Apesar dos preconceitos, tabus e do machismo, o professor diz acreditar que cada vez mais pessoas estão dispostas a viver os relacionamentos e a sexualidade de outras formas, além dos modelos tradicionais. "Hoje em dia é mais fácil encontrar quem lide bem com essas questões, ainda mais em grupos de poliamor."







Antônio diz que, quando começou a ter experiências com outros homens, chegou a se questionar se era gay. Contudo, percebeu que seu desejo não estava relacionado à sua orientação. Hoje, ele não se preocupa tanto com julgamentos morais. "Sou muito homem no dia a dia, mas se quiser sentir outro pau serei bicha por minutos, horas e depois minha vida volta ao normal, o que importa é o meu prazer."








Fontes:

Yannik D´Elboux
Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro
08/01/2016



P.S.: Neste blog, vê-se apenas o lato erótico dos fatos, sem entrar em profundas discussões científicas ou nas consequências de atos libidinosos. No entanto, quero deixar registrado um pequeno alerta de um amigo, Luiz Cláudio Lins, publicado numa rede social, a respeito desse texto:

"Em que pese a citação de uma "fonte acadêmica" (supostamente para dar consistência ao artigo) acho um artigo desnecessário, perigoso e indutor de uma distorção grave. HSH é um termo técnico usado para aferir estatísticas relativas às DSTs. Ou seja, ele permite abranger indivíduos do sexo masculino que se contaminam (inclusive com HIV) e não se alinham com a identidade homossexual.

O que essa "face secreta" revela é que, em grande sua maioria, os episódios sexuais ocorrem de maneira anônima (os parceiros não se conhecem), em locais de oportunidade ( motéis, saunas, parques públicos, banheiros, veículos etc.) e com uma frequência de troca de parceiros e desproteção bem maior, haja vista que estão associados ao "aqui e agora" e à mera satisfação da libido.

Desses encontros, que podem ser caracterizados como promíscuos, surge um "ecossistema" que os possíveis contatos sexuais atinjam as parceiras desses homens que assim são infectadas."


(Ilustrações hentai: fotos da internet, sem indicação de autoria)


Nenhum comentário: