segunda-feira, 18 de abril de 2016

QUEBRANDO TABUS: CHUPAR UM PAU PODE E DEVE SER PRAZEROSO





Embora haja uma (saudável, acredito) proliferação de filmes adultos, com mulheres fazendo longas sessões de sexo oral em seus parceiros, ainda há uma certa desinformação com relação a essa prática entre casais. Primeiro, é preciso esclarecer que o sexo dos filmes é um sexo profissional, isto é, executado por pessoas que vivem disso e dispõem de técnicas diversas, além do fato de as tomadas são interrompidas e repetidas muitas e muitas vezes, o que torna o sexo muito mais mecânico. Segundo, pelo menos é minha opinião, o sexo oral deve dar mais prazer a quem o pratica do que a quem o recebe. Portanto, se você pretende fazer sexo oral em seu parceiro, certifique-se de que realmente isso lhe será prazeroso. Por mais que o homem aprecie ter seu pênis devidamente chupado, lambido, beijado, se isso não lhe agrada, é melhor conversar e, até mesmo, não fazer.


De qualquer modo, chupar um pau, que parece uma tarefa simples, pode não ser assim nem tão simples mas também nem tão complicado que não se possa aprender, para evitar insucesso ou certos constrangimentos de parte a parte. Por isso, o artigo abaixo pode esclarecer algumas dúvidas, não deixando nunca de pensar que, acima de qualquer técnica, está necessariamente o prazer. Todas as ilustrações são de Julius Zimmerman


SEXO ORAL: SEGUNDO ESPECIALISTAS, É POSSÍVEL APRENDER TÉCNICAS E MELHORAR A PRÁTICA



A partir de novembro, em Salvador (BA), o grupo Mundo da Intimidade oferecerá um curso com objetivo de desmistificar o sexo oral. “As aulas serão voltadas principalmente para a área técnica, não só prática. Diversos especialistas vão lidar com o assunto: sexóloga, urologista, fonoaudióloga e terapeuta sexual, para trabalhar traumas e problemas”, explica Aline Castelo Branco, sócia da empresa. “A mulher tem que ter a autoestima elevada, ter a consciência daquele momento”, diz.


Rozana Rezende, sex trainer que dá cursos de Goiás ao Rio de Janeiro, explica que é muito procurada por mulheres que querem aprender mais sobre sexo oral. “A maioria das mulheres têm dificuldades em ter uma boa qualidade de vida sexual, pois nunca ensinaram pra gente como funciona”, comenta.




A profissional conta que o maior problema é o preconceito em torno do sexo oral, o que dificulta a busca por boas informações. Para Rozana, tudo que é relacionado à vida sexual tem que ser tratado com seriedade e sinceridade. “Muitas mulheres se sentem desconfortáveis para fazer [sexo oral] no parceiro. Cursos são importantes para saber como funciona o corpo e, desse jeito, proporcionar e receber prazer”, diz.


Para a educadora sexual e diretora do Instituto Kaplan Maria Helena Vilela, uma coisa é certa: a principal busca da atividade sexual é a o sentimento de gratificação. “O sexo prazeroso é aquele que atende as necessidades de estímulo do outro”, explica.




Mas na hora H, existe um certo e errado? “Todo mundo tem as suas preferências e sensações em determinadas áreas do corpo. É uma questão subjetiva de cada um”, define Maria Helena. Apesar disso, existem alguns cuidados e dicas que podem ser postos em prática.




Segundo os especialistas, existe um fator muito importante que é esquecido na hora do sexo: o diálogo. É imprescindível que os parceiros conversem e descubram do que gostam e do que não gostam. “Esse conhecimento tem que vir antes do sexo, na hora não é legal fazer um questionário”, aconselha Maria Helena.


Para Rozana, a maior preocupação que a mulher deve ter antes do sexo oral é a higienização. É importante escovar bem os dentes e deixar a região bucal limpa para o ato. “As mulheres não têm muita informação da acidez da língua e de como ela pode machucar o órgão do parceiro”.  Mas a  higienização tem que ser dos dois lados, tanto da mulher quanto do homem. Lavar a região genital é obrigatório.


“A intimidade com o órgão é uma das primeiras dificuldades, uma vez que a mulher passou a vida aprendendo que era uma coisa suja. Ela já vai com medo, é preciso quebrar essa ideia”, conta Maria Helena.


Não precisa ter pressa. Calmamente, massageie, acaricie, aperte levemente, roce e fique muito atenta nas reações que isso causa no seu companheiro. Peça para ele dizer do que gosta.


Uma dica para eles é deixar que a parceira descubra os pontos de prazer. Jamais segure a mulher pela cabeça e guie com força: isso dá a impressão de que ela está fazendo errado e pode acabar com o clima ali mesmo.


Maria Helena aconselha encarar o pênis como uma fruta a ser experimentada. Esse é um momento erótico para ambos e deve ser apreciado. Escolha o momento para olhar nos olhos do parceiro e veja como ele reage. A melhor parte do sexo oral é a descoberta em conjunto dos corpos e sensações.


Para brincar com sensações, experimente usar produtos eróticos que esquentam e esfriam, mas mantenha qualquer produto longe da glande (cabeça do pênis). Se não tiver esses produtos em casa, escolha o champanhe. Tome um gole e deixe na boca. As borbulhas causam uma sensação refrescante e prazerosa.


O aconselhável para qualquer prática sexual é a utilização de camisinha. Porém, por não ser um costume muito difundido no sexo oral, a educadora sexual Maria Helena Vilela recomenda que o esperma liberado na ejaculação não seja engolido pela mulher. “Caso o homem tenha alguma doença sexualmente transmissível, a permanência do esperma contaminado por muito tempo no organismo pode causar infecção”, diz.


Uma das técnicas mais faladas é a garganta profunda, com uma colocação de uma maior parte do pênis na boca. Apesar de prazerosa, ela pode apresentar algumas dificuldades, principalmente pela ânsia. Rozana aconselha não abrir muito a boca e Maria Helena diz que a perfeição vem com o tempo. “É uma questão de prática, de tentar encontrar o seu ponto limite. Com ajustes e treino, vai encaixar naturalmente”.


Embora as dicas sejam bem-vindas, não existe uma técnica secreta e única para o prazer. É do companheirismo e da descoberta em conjunto que vai crescendo a libido. “Você deixa de fazer as coisas só para você e faz para vocês. O relacionamento se torna mais permissivo quando o objetivo principal é agradar e ser agradada”, finaliza Rozana.





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