segunda-feira, 11 de abril de 2016

NUDEZ, SWING E SACANAGEM NUMA SAUNA... EM LONDRES





(Rio's Relaxation Spa em Kentish Town, North London)



Para saciar a curiosidade de pessoas que não têm coragem ou condição ou possibilidade de frequentar um ambiente de sacanagem, publico a reportagem abaixo. A sauna fica em Londres, não há nenhum registro fotográfico de seu interior, por motivos óbvios de proteção de seus frequentadores. Assim, recorri aos meus ilustradores favoritos, de várias épocas (alguns não identificados), para quebrar um pouco a possível aridez do texto, escrito e publicado em fevereiro de 2015. O autor é John Lucas e a tradução, de Marina Schnoor. A fonte está citada no final. Divirta-se (ah, sim, editei só um pouquinho o texto):


COMO É UMA NOITE NA PRINCIPAL SAUNA DE SWING DE LONDRES




(Constantin Somof)


Um cara turco se levanta, o pau duro apontando para frente como uma varinha de condão. Os amigos dele comemoram, como se aquela ereção fosse digna de algum prêmio. Uma da manhã na principal jacuzzi do Rio's Relaxation Spa em Kentish Town, Londres. A noite dos casais vai das 19h até 0h, mas parece que o swing ainda está a pleno vapor, com três casais transando na água e oito – talvez nove – caras curtindo as bolhas e fingindo não ver nada.



(Constantin Somof)



O Rio's, que fica a 10 minutos de caminhada de Camden High Street, já é uma velha piada sobre noitadas londrinas de embriaguez ("Acabou no Rio's, né?"), mas provavelmente é um lugar mais falado que visitado. Com sua fachada icônica e um tanto brega, as fotos de palmeiras e praias não combinam muito com a localização urbana encardida do spa, mas a maioria acredita que o "relaxamento" oferecido não se limita às saunas e banheiras – que todas as massagens ali têm final feliz.




(Constantin Somof)



O que realmente acontece quando você visita o Rio's é o seguinte: você vai até uma pequena janela na recepção onde paga uma taxa de entrada (£ 21, cerca de R$ 93, para homens desacompanhados; £ 8-£10, de R$ 35 a R$ 44, para mulheres desacompanhadas, e £ 21-27, R$ 93 a R$ 120, para casais, dependendo da hora do dia) e recebe uma toalha e a chave de um armário. Depois de ser rapidamente revistado pelo segurança, você passa por uma porta pesada. Aí você tira toda a roupa num dos vestiários extremamente básicos e entra no clube pela sala de TV. Aqui a estética da fachada vai ainda mais longe; painéis de mogno, plantas de plásticos empoeiradas e arte "erótica" estilo anos 60 nas paredes.



(Denis)


Os primeiros vislumbres de nudez acontecem aqui, onde gente pelada se deita em espreguiçadeiras de plástico para assistir ao futebol ou a filmes. Há uma estranha desconexão entre os blockbusters infantis na TV HD e a grande quantidade de pelos e genitálias exibidos casualmente no local. Mas quando entra no corredor oblongo com jacuzzis e várias saunas com iluminação fraca azulada, você percebe que a tensão entre a atmosfera estranhamente familiar e amistosa e a promessa de sexo que paira no ar é o que torna o Rio's especial.



(Autor não identificado)



O público noturno é diverso. São clientes afro-caribenhos, turcos, russos, gregos, japoneses e indianos usando toalhas brancas enroladas na cintura ou – mais frequentemente – nada.



(Eugene lPoitevin)



Vamos falar sobre nudez. O clube tem uma política inteiramente naturista na maioria das noites. Chegando lá, você vai ver uma miscelânea de pintos (moles e duros), vaginas e bundas – alguns mais atraentes que outros. Isso é desconcertante nos primeiros minutos, como se você tivesse entrado num mundo atrás do espelho onde, por alguma razão, todo mundo decidiu tirar a roupa e fingir que é normal. Mas você se acostuma rápido, do mesmo jeito que se acostuma com a luz fraca.




(Denis)



A sala principal tem uma grande jacuzzi para 20, talvez mais, pessoas e uma piscina. O teto de madeira alto e branco dá uma sensação de clube. E é estranhamente relaxante se recostar na beirada da banheira, curtir as bolhas e observar as pessoas. A vibe aqui é social e a maioria dos clientes sabe não ultrapassar os limites. Mas um cara gigantesco, com a pele flácida esticada por cima da barriga estufada – os peitos balançando de um lado pro outro – se senta perto de um casal grego bonito que acabou de chegar. O cara fica olhando furtivamente para a garota. Ela nota e parece irritada. Um movimento discreto do ombro sugere que ele está se masturbando embaixo d'água. O cloro na água é de fazer arder os olhos – melhor assim.




(Eugène Reunier)



"Você tinha que ver isso aqui 20 anos atrás – tinha muito mais ação", segundo Jim, um cara do nordeste da Inglaterra com quem converso na piscina.  "Mas você ainda consegue ver alguma coisa. Tinha um cara russo que vinha aqui sempre com a namorada. Ele tinha uns 70 anos e era rico; ela tinha 25 e era muito gostosa. Ele descia para o andar de baixo para uma massagem de 90 minutos, e ela se divertia enquanto ele estava fora. Não tem como saber quantos caras passavam por ela na sauna. Ela era esperta – marcava o tempo certo, então o cara nunca descobriu."




(A. não identificado)



Certamente dá para se divertir muito aqui, se você chegar na hora certa e saber onde procurar. Atrás da piscina, um corredor iluminado por luzes vermelhas leva ao jardim. No caminho há três ou quatro salas privativas, com cama e dispenser de papel na parede. Cartazes na parede avisam para não entrar sem ser convidado se a porta estiver fechada, mas às vezes nem é preciso tentar. À noite, homens e mulheres desacompanhados se sentam nas camas com as portas abertas, olhando convidativamente para quem passa.



(Louis Icart)


De acordo com um cara parecido com o Vladimir Putin de sunga, para maximizar suas chaves de diversão adulta você precisa chegar como um casal. "É importante chegar cedo. Com uma garota. Não importa se ela é feia. É importante trazer alguém para poder transar com outras garotas", ele aconselha, romanticamente.



(Peter Fendi)



Vlad vem aqui toda semana. Ele tem sorte na maioria das visitas, mas nada é garantido. "Às vezes, sexo, sim – às vezes não. Você tem que tentar. É melhor chegar com uma garota bonita."



(Peter Fendi)


"Conheci minha esposa aqui 20 anos atrás", me confidencia o velho do nordeste da Inglaterra. "Ela tem um dos maiores talentos que uma mulher pode ter: ela não tem reflexo de engasgo. Nos damos muito bem. Temos um acordo. Adoro ver ela chupando outros caras. Tinha um cara marroquino que vinha toda semana. Ele era feio de doer, mas tinha um pau enorme. Era incrível ver como ela fazia aquela coisa desaparecer."



(Serpieri - Druuna)


Para um swinger de longa data como ele, você poderia achar que o Rio's é o um paraíso, um oásis celestial nas ruas cinzas de North London, com seu clima safado de festa da toga, sorrisos, brasileiras de topless e garçonetes polonesas. Mas lá pelas 3h, as escolhas são escassas – apenas alguns casais que não parecem particularmente inclinados e uma legião de caras babões, incluindo o punheteiro da piscina. Até o Vlad deu o fora. Quando vejo meu novo amigo Jim sentado com o queixo apoiado nas mãos, olhando desconsolado para o chão, fico pensando se o estilo swing realmente o faz feliz.



(A. não identificado)


Enquanto me troco no vestiário para sair às 4h, um grupo de cinco caras chega vindo da balada, empolgados por estarem aqui e prontos para a ação. "Quantas minas estão lá dentro, cara?", um deles pergunta. Não tenho coragem de dizer que eles chegaram muito tarde. "Um monte. Vocês vão se divertir pacas."



(Suzanne Ballivet)


Sexo comunal em banheiras públicas altamente cloradas pode não fazer o estilo de todo mundo. Mas nessa época de gentrificação e puritanismo na nossa outrora grande capital, o charme peculiar do Rio's é algo a ser celebrado.



(Vittorio Giardino)



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