segunda-feira, 28 de março de 2016

EXIBICIONISMO OU APENAS UMA BRINCADEIRA?



(Milo Manara)



Creio que não existe país no mundo que admita a nudez pública. E praticamente todos condenam a exibição das chamadas “partes pudendas” em locais públicos. Excetuam-se, claro, as praias e campos segregados especialmente para os naturistas, esses “seres estranhos que adoram viver sem roupa”. No Brasil, a lei denomina de “atentado violento ao pudor” qualquer ato de exibicionismo público. Até no carnaval, quando os padrões vigentes relaxam um pouco. No Rio de Janeiro, por exemplo, por causa de certos “exageros” nos desfiles das escolas de samba, criou-se a regra da “genitália desnuda” (você pode conferir a história na postagem sobre Enoli Lara): proibido mostar paus e bocetas na avenida.

O exibicionismo (outra postagem que você pode conferir),  no sentido mais estrito e psicanalítico do termo, consiste em ter prazer sexual em mostrar os órgãos sexuais a outrem, principalmente quando esse prazer decorre do susto, do horror ou do choque do outro, do que do ato em si de exibir-se.

Portanto, exibicionismo, em termos clássicos, consiste em ter prazer no ato de mostrar-se, principalmente quando a pessoa a quem o exibicionista se mostra, sente-se chocada, humilhada etc. Notem que usei o artigo masculino, porque exibicionismo é uma parafilia quase sempre praticada pelo sexo masculino. Poucas são as mulheres realmente exibicionistas, muito poucas. Também não confundir o exibicionismo com sexo em público, que é outra parafilia denominada agorafilia (confira, por favor).

No entanto, há um tipo de “exibicionismo” (não consigo encontrar outro termo, embora concorde que não seja o correto) feminino bastante recorrente. Consiste em deixar-se fotografar exibindo a vagina em lugares públicos, no momento em que, embora haja pessoas em volta, essas pessoas estejam distraídas.

Não se trata de fotos em que o fotógrafo flagra alguma celebridade em situação constrangedora, sem calcinha, num ato de puro voyeurismo, tanto de quem tira a foto quanto de quem aprecia esse tipo de material, mas trata-se de fotos devidamente combinadas e posadas, num ato repentino e instantâneo de rebeldia contra a sociedade moralista ou simplesmente num ato de brincadeira entre a fotografada e seu companheiro de traquinagem.

Quase sempre esse tipo de foto é tirada em lugares públicos abertos ou fechados, com pessoas em volta. Encontrei, claro, fotos com modelos devidamente contratadas, mas muitas das fotos que se podem achar na internet se constituem de mulheres comuns. E a publicação dessas fotos parece ter por objetivo apenas complementar a brincadeira, com a “prova” do ato, seja ele de rebeldia ou de pura traquinagem.

Como são divertidas, e quase sempre pouco ou não devidamente valorizadas essas fotos, resolvi escrever este texto, para chamar a atenção para o fato de elas serem um fenômeno mais ou menos comum, e para divertir-me um pouco, além, é claro, de levar também meus leitores e leitoras a um momento de prazer, com a reunião de algumas das mais interessantes. Portanto, divirta-se com a “genitália desnuda”, com as “partes pudendas”, com, enfim, bocetas que se mostram de forma galhofeira ou escarnecedora dos chamados “bons costumes”, devidamente fotografadas em lugares públicos variados.




















(Fotos da internet, sem indicação de autoria).

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