segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O QUE É LITERATURA ERÓTICA? - VII: DEZ MOMENTOS ERÓTICOS DA LITERATURA - 2







Damos sequência à publicação de dez momentos eróticos da literatura, com os últimos cinco. Leia e divirta-se - com os textos e, também, com os desenhos de Kitagawa Utamaro (c. 1753  - 31 de outubro 1806; artista japonês, um dos profissionais mais conceituados do ukiyo-e, gênero de xilogravura, especialmente por seus retratos de mulheres bonitas, ou bijin-ga).


5. Pequenos pássaros – Anaïs Nin, 1979




Anaïs Nin foi uma feminista e vanguardista da revolução sexual nos anos 40. Ela escreveu contos eróticos nessa época, que só foram publicados na década de 70, depois de sua morte, compilados com o título Pequenos pássaros. O livro traz treze histórias sobre paixões e anseios sexuais.

Trecho do livro





“Depois, me tocava devagar, como se não quisesse me despertar, até que eu ficava molhada. Ai, seus dedos passavam a se mover mais depressa. Ficávamos com as bocas coladas, as línguas se acariciando. Aprendi a pôr o pênis dele em minha boca, o que o excitava terrivelmente. Ele perdia toda a delicadeza, empurrava o pênis e eu ficava com medo de me engasgar. Uma vez eu o mordi, o machuquei, mas ele não se incomodou. Engoli a espuma branca. Quando ele me beijou, nossos rostos ficaram cobertos com ela. O cheiro maravilhoso de sexo impregnou meus dedos. Eu não quis lavar as mãos.” (O modelo)



4. O amante – Marguerite Duras, 1984





"O amante" é um livro autobiográfico de Duras, que narra sua iniciação sexual com um chinês rico de Saigon. O romance ganhou o Prêmio Goncourt, o mais importante da literatura francesa. Apesar dos personagens serem reais, a escrita de Duras é transcendente e faz confundir o que é verdade e o que é imaginação.

Trecho do livro



“Ela lhe diz: preferiria que você não me amasse. Ou, mesmo me amando, que se comportasse como se comporta com as outras mulheres. Olha para ela espantado e pergunta: é o que você quer? Responde que sim. Ele começou a sofrer lá, naquele quarto, pela primeira vez, não nega isso. Diz que sabe que ela jamais o amará. Ela o deixa falar. (…) Ele lhe arranca o vestido, joga-o longe, arranca a calcinha branca de algodão e a leva nua para a cama. Então, vira-se para o outro lado e chora.”



3. Elogio da madrasta – Mario Vargas Llosa, 1988





O escritor peruano, ganhador do Nobel de Literatura em 2010, é autor desse livro, que trata da relação apaixonada e sexual entre Lucrécia, de 40 anos, e dom Rigoberto, que está em seu segundo casamento. Lucrécia torna-se madrasta do filho de Rigoberto, Fonchito, e acaba se envolvendo com ele. O livro trata da linha tênue entre a paixão e a inocência.

Trecho do livro




“Seu marido havia levantado a camisola e lhe acariciava as nádegas, num movimento circular e metódico, enquanto beijava os peitos. Ouviu-o murmurar que a amava, sussurrar meigamente que com ela tinha começado para ele a verdadeira vida. Dona Lucrecia beijou seu pescoço e mordiscou os mamilos até ouvi-lo gemer; depois, lambeu lentamente aqueles ninhos que tanto o exaltavam e que dom Rigoberto tinha lavado e perfumado cuidadosamente para ela antes de ir se deitar: as axilas. Ouviu-o ronronar como um gato manhoso, contorcendo-se sob o seu corpo. Apressadas, suas mãos separavam as pernas de dona Lucrecia com uma espécie de exasperação. Colocaram-na de cócoras sobre ele, ajeitaram-na, abriram-na. Ela gemeu, dolorida e gozosa, enquanto, num redemoinho confuso, divisava uma imagem de São Sebastião flechado, crucificado e empalado. Tinha a sensação de ter levado uma chifrada no centro do coração. Não se conteve mais. Com os olhos entrecerrados, as mãos atrás da cabeça, avançando os seios, cavalgou naquele potro de amor que se balançava com ela, ao seu compasso, ruminando palavras que mal podia articular, até sentir que ia desfalecer.
— Quem sou eu? — indagou, cega. — Quem você diz que eu fui?
— A esposa do rei da Lídia, meu amor — explodiu dom Rigoberto, perdido no seu sonho.”



2. A Casa dos Budas Ditosos – João Ubaldo Ribeiro, 1999





João Ubaldo Ribeiro escreveu um clássico da literatura erótica brasileira, que narra a história de uma mulher de 68 anos relatando suas experiências sexuais. Tudo é contado de uma forma natural, divertida e explícita.

Trecho do livro:





“E então, com a expressão de homem mais bonita que já vi na minha vida e exalando um cheiro para sempre irreproduzível, gozou muito fundo dentro de mim e eu senti, senti mesmo, aquele jato me inundar gloriosamente aos borbotões, aquela pica grossa e macia pulsando ereta dentro de mim, ai! Eu não gozei, mas só tecnicamente, porque de outra forma gozei muito naquele momento, não posso descrever minha felicidade, minha profusão de sentimentos, me sentir mulher, me sentir fodida, me orgulhar de ter sido esporrada em meio a meu sangue, sem fricotes, como uma verdadeira fêmea deve ser inaugurada por um verdadeiro macho.”



1. A vida sexual de Catherine M – de Catherine Millet, 2001





Catherine Millet é uma crítica de arte francesa respeitada que chocou muitas pessoas ao lançar A vida sexual de Catherine M, seu livro de memórias sexuais bastante ousadas, envolvendo desconhecidos, grupos de 150 pessoas em variados cenários, e com direito a até fotos íntimas.

Trecho do livro





“Certos devaneios, é natural, são eróticos, e mergulhei neles muito antes de saber em que consistiam exatamente os atos sexuais, quando eu ainda os assimilava apenas aos beijos na boca e às carícias nos seios. Aliás, é provável que minha natureza sonhadora combine com minha tendência à masturbação. Desde jovem, acompanho minhas sessões de masturbação com construções fantasiosas, a maioria delas longas e muito elaboradas. Elas são recorrentes e vão se tornando complexas e se ramificando ao longo do tempo, às vezes durante anos, como essas novelas que não acabam nunca e cujo roteiro é improvisado de acordo com a inspiração dos autores. Eu não saberia atingir o orgasmo sem elas. No entanto, os devaneios eróticos não estão todos ligados ao ato da masturbação.”


Fonte:
Luíza Antunes




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