segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O QUE É LITERATURA ERÓTICA? - VI: DEZ MOMENTOS ERÓTICOS DA LITERATURA - 1







A literatura erótica não é um gênero recente. Muito pelo contrário, ela está por aí estimulando a imaginação das pessoas há quase 2 mil anos. Vários escritores e escritoras foram ousados o suficiente para ir contra tabus de sua época e narrar aventuras sexuais de seus personagens – e ainda criar excelentes livros. Veja a lista com os primeiros 5 momentos eróticos que foram importantes na história da literatura. Leia-os e divirta-se - com os textos e com as ilustrações de Katsukawa Shunsho (1726 – 1793, pintor e gravurista japonês do estilo ukiyo-e, líder da escola Katsukawa):


10. Kama Sutra – Vatsyayana, séc. II




O Kama Sutra é um clássico indiano que trata do comportamento sexual humano, do amor e das relações. Ao contrário dos outros livros nessa lista, não é um romance, mas um guia para se estabelecer o kama, um dos antigos objetivos de vida hindu, que significa o gozo dos sentidos.

Trecho do livro:




“Por ocasião do primeiro congresso, os beijos e as outras carícias mencionadas acima devem ser praticados com moderação, sem se prolongar por muito tempo, e alternadamente. Em ocasiões subsequentes, porém, o inverso pode ocorrer, e a moderação não será necessária; as carícias podem continuar por muito tempo e, com o objetivo de reacender a chama, podem ser feitas todas ao mesmo tempo.
Eis os lugares adequados ao beijo: a testa, os olhos, as faces, o pescoço, o peito, os seios, os lábios e o interior da boca. Além disso, o povo do país de Lat também beija os lugares seguintes: as juntas das coxas, os braços e o umbigo. Vatsyayana acha que, embora o beijo seja praticado por esse povo em tais lugares, por causa da intensidade com que amam e dos costumes de seu país, nem todos o devem imitar.”



9. Decamerão – Giovanni Boccaccio, 1350




Essa obra medieval traz uma ruptura com a moral da época ao retratar a história de dez jovens (sete moças e três rapazes) reunidos em uma Itália dizimada pela peste negra. Boccaccio conta cem histórias retratando o amor e as relações humanas, usando temas como sexo, luxúria, infidelidade e amor.

Trecho do livro:




“E quem negará que, seja ele quanto for, convirá dá-lo muito mais às amáveis senhoras do que aos homens? Porque elas, temerosas e envergonhadas, guardam as chamas amorosas escondidas dentro do peito delicado, e, como bem sabe quem as sentiu, têm estas muito mais força que as chamas declaradas: além disso, coagidas por vontades, gostos e ordens de pai, mãe, irmãos e marido, ficam a maior parte do tempo encerradas no pequeno circuito de seus aposentos, permanecendo quase ociosas e, querendo e não, revolvendo num mesmo instante diversos pensamentos que não podem ser todos sempre alegres. E, se, em decorrência de tais pensamentos, nascer em sua mente alguma melancolia trazida por ardente desejo, esta ali haverá de ficar, para seu grande pesar, caso não seja afastada por novas conversações: sem contar que as mulheres são muito menos fortes que os homens para opor resistência; coisa que não ocorre com os homens enamorados, como podemos ver claramente. Estes, se afligidos por alguma melancolia ou por pensamentos pesarosos, têm muitos modos de encontrar alívio ou esquecimento, pois, desde que queiram, não lhes falta a possibilidade de passear, ouvir e ver muitas coisas, praticar cetraria, caça e pesca, cavalgar, jogar ou comerciar: desses modos cada um encontra forças para recobrar o ânimo, no todo ou em parte, e para afastar-se do pensamento pesaroso pelo menos por algum tempo, após o que, de um modo ou de outro, ou se alcança o consolo ou o pesar diminui.”



8. A Filosofia na Alcova – Marquês de Sade, 1795




Não se pode esperar nada menos do que muito sexo num livro de Marquês de Sade. Em A Filosofia na Alcova, ele narra uma história que se passa em um quarto, onde a jovem virgem Eugénie é enviada por seu pai para se libertar da moralidade. Um casal de irmãos e um amigo libertino educam a moça, não só em relação ao sexo, mas também discutem ideais republicanos, dogmas religiosos e outras questões políticas. Ménages, homossexualidade, incesto e sodomia fazem parte da narrativa.

Trecho do livro:



“SAINT-ANGE – Espera, Eugénie, agora vou ensinar-te uma maneira nova de mergulhar uma mulher na mais extrema volúpia. Afasta bem tuas coxas… Vede, Dolmancé, da forma que a deixo, seu cu fica para vós! Chupai-o, enquanto sua boceta vai sobrar para a minha língua… Façamo-la desmaiar assim, entre nós, três ou quatro vezes, se possível. Teu grelo é um encanto, Eugénie. Como é bom beijar esta penugem!… Vejo agora melhor teu clitóris, ainda pouco desenvolvido, mas já bastante sensível… Como te mexes bem!… Afasta mais as coxas… Ah, és virgem, sem dúvida!… Diz-me o efeito que irás sentir quando nossas línguas se introduzirem ao mesmo tempo nos teus dois orifícios.”



7. Asfalto selvagem: Engraçadinha seus amores e seus pecados – Nelson Rodrigues, 1959




A história de Engraçadinha foi folhetim, livro, minissérie e filme. A obra trata da vida sexual da personagem principal, assim como suas relações familiares disfuncionais. Sexo explícito, incesto, homossexualidade e traição são abordados por Nelson Rodrigues, um dos mais polêmicos dramaturgos brasileiros.

Trecho do livro:




“No Leblon, abraçado a Silene, Leleco pede:
— Deixa eu olhar mais um pouquinho!
Silene foge com o corpo:
— Escuta! Sabe o que é que eu vou fazer? Olha!
E tira os punhos e a gola.
Leleco exclama:
— Que é isso?
E ela:
— Agora, já não estou mais de uniforme, compreendeste? Estou vestida normalmente: saia e blusa. Ninguém diz, não é?
Leleco:
— Você é de amargar! De arder!
Já sem os distintivos do uniforme, Silene sente-se violentamente livre: “É o que o pessoal faz no colégio. Eu podia ter tirado pra ir ao cinema. Nem me lembrei.”
Silene pousa, de novo, a cabeça no seu ombro. Quando o rapaz, inquieto, quis acariciá-la, diz, do fundo do seu sonho:
— Deixa pra fazer tudo lá.
E, súbito, volta-se, transfigurada, para ele:
— Terias coragem de fazer uma coisa?
Leleco:
— O quê?
Diz, quase boca com boca:
— Terias coragem de passar a noite comigo? E, depois, morrer comigo? Terias?“



6. Mulheres –  Charles Bukowski, 1978




Bukowski é famoso por suas narrativas eróticas, e Mulheres é uma das mais reconhecidas nesse sentido. O livro narra as aventuras sexuais do próprio autor, sob o alter ego Henry Chinaski. O personagem ficou 4 anos em jejum de sexo e, aos 55 anos, decide retomar suas aventuras com várias mulheres diferentes.

Trecho do livro:




“Por fim, tiramos a roupa e fomos pra cama. Primeiro Mercedes, depois eu. Nos beijamos. Fiquei sassaricando aquela buceta. Ela pegou no meu pau. Montei nela. Ela mesma meteu meu pau lá dentro. Era bem apertadinha. Fiquei brincando um pouco. Colocava e tirava, colocava e tirava, só a cabeça. Daí, devagarinho, enfiei até o cabo. Sem pressa. Meti com força umas quatro ou cinco vezes. Ela gemia, com a cabeça apoiada no travesseiro. “Ãããiiii…” Maneirei e fiquei só bimbando de leve.
Noite abafada, os dois suando muito. Mercedes estava doida de cerveja e maconha. Resolvi que o final seria esplendoroso, ia mostrar-lhe umas coisinhas.
Continuei chacoalhando. Mais cinco minutos. Mais dez. Não conseguia gozar. Comecei a fraquejar. Fiquei mole.
Mercedes não gostou:
– Continua! – pediu. – Ah, continua, baby!”


Fonte:

Luíza Antunes


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