segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

ANTES DO SEXO ANAL, DE ACORDO COM UMA GAROTA ALEMÃ



























Zonas úmidas, o romante erótico de Charlotte Roche, conta a história de Helen Memel, uma estudante alemã que está internada num hospital para uma operação de... hemorroidas! Sua obsessão é reunir de novo os pais separados, que praticamente a abandonaram nas mãos de médicos e enfermeiros. Enquanto isso, relembra seus momentos de erotismo, de tesão e suas aventuras sexuais. Aqui, a sua visão de garota adolescente, bastante peculiar, do sexo anal, ou melhor, da preparação para o sexo anal. Ilustrações de Julie Delcourt:


























"Quando fica claro que logo vou transar com alguém que gosta de sexo anal, pergunto: com ou sem cobertura de chocolate? Traduzindo: alguns gostam quando a ponta do pinto carrega um pouco de cocô do sexo anal até a luz do dia, o cheiro de cocô cavado pela própria pessoa dá tesão. Outros querem a estreiteza do ânus sem sujeira. Fica ao gosto do freguês. Para aqueles que preferem limpo, fiz pela internet uma encomenda numa oficina de couro. O negócio se parece com um dildo com buracos na ponta e é inteirinho de aço cirúrgico. Não sei bem se é isso mesmo, mas soa bem e tem boa aparência.






Primeiro eu desatarraxo a ponta do chuveirinho do banheiro do meu namorado, e o negócio cabe direitinho ali. Acho ótimo que tudo seja padronizado neste país. Agora é hora da limpeza do intestino. Meto o negócio com força através da minha couve-flor e o empurro o máximo possível para dentro. Bem, eu fazia assim antes, agora a couve-flor sumiu. Certamente muitas coisas ficará mais fáceis. Fico com tesão quando estou metendo, pois se alguma coisa entra assim no meu cu, em geral é um pinto. Será que podemos chamar isso de condicionamento clássico?






Esse negócio, porém, é mais duro e gelado do que um pinto. Agora eu abro a torneira até o fim, mas não muito quente, não quero cozinhar por dentro. Essa é a melhor parte da minha limpeza interna. Parece que estou sendo inflada como um balão de gás. É mais comum ter essa sensação de estufamento por causa de flatulências do que de água no intestino. Essa é a razão de achar que se trata de ar e não de água. Mas logo virá a sensação de que há litros e mais litros de água no intestino e que uma explosão é iminente. Fico com muita vontade de fazer cocô.




Desligo a água e me agacho na ducha como se fosse para soltar um xixi. Pressiono com força toda a água do meu intestino para fora. A sensação é de mijar pela bunda. É parecido com uma diarreia bem líquida. É bom tirar o ralinho e a tampa, porque logo uma boa quantidade de cocô, predaços grandes e pequenos, vai sair também. Repito esse processo três vezes, até que não haja nem um pedacinho na água expelida. Nenhum pinto, independente de quão largo ou comprido, conseguiria extrair mais alguma coisa do final do intestino agora. Assim estou perfeitamente preparada para um sexo anal limpo, como uma boneca inflável.






Mas se alguém quer com cobertura de chocolate, só vai dar certo se já transamos bem algumas vezes antes. Essa é uma das minhas grandes provas de amor. Sexo anal, sem que eu tivesse higienizado o cu previamente. Nessa hora a confiança precisa ser grande para eu permitir a alguém decorar seu pinto com meu cocô. Se eu não esvaziar o intestino um pouco antes do sexo, tanto faz se com ducha ou no vaso, sempre haverá um cocô pronto para ser expelido alguns centímetros depois da entrada. Para mim, não existe nada mais íntimo. Nessa variação, todo o ambiente fica com o cheiro do meu interior. Eu também fico sentindo meu cheiro o tempo todo. É só ele ter metido um pouquinho e tocado meu cocô com a ponta do pinto. Daí, quando ele tirar de novo e tentarmos uma outra posição, seu pinto funciona como um incenso aromático com meu cocô."







(Zonas úmidas; tradução de Cláudia Abeling)



Nenhum comentário: