segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

PORQUE ME COMEU NO PRIMEIRO ENCONTRO, NÃO SOU PARA CASAR?





O machismo gera ideias estúpidas. E quase todas as ideias estúpidas do machismo têm a ver com sexo. O machista clássico sai com uma garota pela primeira vez e, depois, reclama que ela foi difícil, porque não deu para ele. Se, no entanto, ela vai para a cama com o idiota, pronto! É o suficiente para "cair na boca do povo", porque ele dispara para todos que ela é "fácil", é "galinha" e coisas piores. E então, o que fazer? Ah, os machistas! Difícil combatê-los, mas algumas pessoas tentam. E é por isso que convido você, meu amigo, e você, minha amiga, eventuais frequentadores dessa LUA, a ler o texto abaixo, um verdadeiro manifesto pelas garotas sexualmente livres. As ilustrações são de Apollonia SaintClair, que dispensa apresentações.



“NÃO É MULHER PRA CASAR”. POXA, JURA?






Você andou dizendo por aí que não sou "mulher pra casar" porque "me comeu" no primeiro encontro. E, portanto, "não me valorizo". Talvez você imagine que estou arrasada por não receber mais suas mensagens. Deixa eu te contar uns segredos. Quem disse que eu quero me casar? Que, se eu quisesse, seria com você?






Não foi você quem CONSEGUIU me comer, fui eu que DECIDI te dar. A lógica é inversa. Eu me valorizo tanto que não preciso da opinião alheia para saber quem sou e quanto valho. Valorizo o que eu sinto, não represo meu desejo nem finjo ser outra para agradar seus padrões moralistas. Se você categoriza garotas assim, EU é que não te considero "homem pra compartilhar a vida". Quero um cara que me enxergue muito além desse seu critério.


Porque, se eu transei na primeira ou na vigésima vez, não faz a menor diferença. Eu continuo gostando de Rolling Stones, cuidando da minha avó doente, planejando a próxima viagem exótica, passeando com a minha cachorra, tentando entender as raízes históricas da guerra entre Israel e Palestina, pagando minhas contas, cozinhando o melhor feijão do planeta, morrendo de rir com as amigas que cultivo desde a infância, sendo elogiada pelo meu desempenho profissional...






A sexualidade é apenas uma das minhas facetas. Mas, para você, ela é nota de corte. É suficiente para me tornar desinteressante aos seus olhos. Entende como o seu machismo diz muito mais sobre você do que sobre mim? E quão rasa é a sua percepção sobre as pessoas?






A verdade é que tô aliviada. Agora EU posso fugir de você. Homens com esse tipo de atitude não aceitam mulheres bem-sucedidas, aquelas que eventualmente têm um salário maior que o deles. Também jamais admitiriam que eu tenha tido uma vida sexual ativa antes de conhecê-los. Ou que eu saiba fazer um boquete incrível ("onde essa vagabunda aprendeu isso?") e fantasie com um ménage.




Não duvido que me encheria de porrada se descobrisse que guardo um vibrador e me masturbo com frequência ("ela tem prazer SEM mim?"). Homens desse naipe tentariam me proibir de encontrar as amigas para beber, regulariam o tamanho da minha saia e fuçariam o meu celular. Credo.




Definitivamente, você só serviu para uma trepada mesmo. E, olha, confesso que esperava mais de você. Nunca namoraria um cidadão que não faz sexo oral e goza antes de me satisfazer. Acho meio antiquado e egoísta, sabe? O amor que eu almejo é generoso em todos os sentidos. Tem a ver com cumplicidade, igualdade e respeito.




Veja, não estou convocando todas mulheres a transarem de cara. Estou defendendo o direito legítimo daquelas que tiverem vontade. Sem que essa atitude interfira na forma como elas serão tratadas no dia seguinte. O papo tá ótimo, mas agora eu preciso ir. Não imagine que te quero mal. Apenas não te quero mais.



Fonte:

NATHALIA ZIEMKIEWICZ





segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

VOCÊ TEM UM PÊNIS GROWER OU SHOWER?







O tamanho do pau é uma constante preocupação masculina. Eu disse e repito: masculina. Porque quem aprecia as delícias que um pênis pode proporcionar, em geral, não se preocupa muito com isso. Talvez se preocupe com outros fatores relacionados ao prazer, desde a capacidade de ereção até o formato ou a aparência.






  
Desta vez, vamos falar de algo que sempre incomoda os homens: o tamanho do pau, quando flácido. Muitos já passaram pela situação (para alguns, constrangedora) de vestiário: alguns homens apresentam um pênis murcho bem maiores do que outros. E as pessoas pensam: se é assim, quando mole, imagine quando em ereção!







Mas, a história não é bem assim.

Alfred Kinsey, o famoso pesquisador estadunidense, efetuou mais de mil medições de pênis em estado de flacidez e eretos, para chegar a uma surpreendente conclusão: pênis menores, quando flácidos, tendem a ganhar cerca do dobro do comprimento ao ficarem eretos. Talvez isso, apenas, não console. Por isso, há ainda mais: pênis flácidos grandes tendem a aumentar muito pouco, quando excitados. Ou seja, o pau mole grande continua praticamente do mesmo tamanho ao ficar duro.







Aos pênis que ganham muito comprimento com uma ereção foram denominados de “grower” e aos que ficam praticamente do mesmo tamanho foram chamados de “shower”. Esses termos não são termos médicos ou científicos. E são praticamente impossíveis de serem traduzidos para o português.






É claro que um pênis muito pequeno, quando mole, não vai se tornar nenhum assombro ao ficar duro; tampouco se pode desdenhar de um grande pau mole, porque o enrijecimento o tornará bastante apreciável. O que se pode dizer a respeito desse estudo é que a relação entre flacidez e enrijecimento, quando se trata de tamanho, não é uma relação muito lógica: não se entusiasmar ou se decepcionar antecipadamente deve ser a regra.






Vejamos mais algumas fotos:













E, para encerrar, um exemplar típico de pênis “shower”, cujo tamanho quando ereto deixo para a imaginação de cada um:







(Fotos da internet, sem indicação de autoria)





segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

VERÃO: MUITO CALOR E... PERNAS DE FORA






Sempre se festeja o verão como o tempo do corpo. As pessoas vestem-se com menos roupas. As praias se enchem de biquínis ousados. Os bares fervem com saias curtas. E são as saias curtas, talvez, o que mais incomoda as cassandras do moralismo, os tarados enrustidos de plantão, os babacas que não admitem a liberdade do corpo. Então, é para esses que teimam em olhar com o ódio de quem não trepa bem as liberalidades de verão - a profusão de pernas de fora; para aqueles que não usufruem de um bom sexo, recalcados por preconceitos e pré-conceitos de origens diversas, principalmente religiosas e morais e, por isso, condenam as liberalidade do verão; para aqueles que não conseguem entender que essas liberalidades fazem a festa de nossos olhos e, portanto, devem ser incentivadas e, principalmente, respeitadas, é que publicamos o post de hoje. Deixemos que nossas moçoilas em flor desfilem em paz com suas pernas de fora, com seus vestidos e suas saias mais curtos que a própria vida. E regalemos nossos olhos, apenas nossos olhos, com o prazer que a visão do belo nos traz, pois são essas belezas - vistas, contempladas, deliciadas e respeitadas - que nos trazem um pouco de prazer e de civilidade. Portanto, repito, respeitemos, neste verão, as pernas de fora. Para que elas sempre nos brindem com sua desinibição. Para que elas não se sintam constrangidas de nos mostrar  suas belezas. Assim, com vocês, homens e mulheres que apreciam tais belezas, uma seleção de moças de vários cantos do planeta - famosas ou anônimas (que importa?) que tiveram a ousadia de dispor do direito - sim, do direito - de povoar nossas ruas de beleza, com suas pernas livres, leves e soltas a desfilar de dentro de saias e vestidos curtos, curtíssimos... como a vida!


















(Fotos da internet, sem indicação de autoria)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O QUE É LITERATURA ERÓTICA? - IV: BREVE HISTÓRIA DA LITERATURA ERÓTICA - 3



(Foto s/indicação de autoria)



DE EÇA DE QUEIRÓS AOS NOSSOS DIAS



(Felicien Rops - la luxure)


Fora dos cânones instituídos (e controlados) do cristianismo, é a arte de Eça de Queirós, em O Crime do Padre Amaro: "Quando descia para o seu quarto, à noite, ia sempre exaltado. Punha-se então a ler os «Cânticos a Jesus», tradução do francês publicada pela Sociedade das Escravas de Jesus. É uma obrazinha beata, escrita com um lirismo equívoco, quase torpe - que dá à oração a linguagem da luxúria: Jesus é invocado, reclamado com as sofreguidões balbuciantes de uma concupiscência alucinada: «Oh! Vem, amado do meu coração, corpo adorável, minha alma impaciente quer-te! Amo-te com paixão e desespero! Abrasa-me! Queima-me! Vem! Esmaga-me! Possui-me!» E um amor divino, ora grotesco pela intenção, ora obsceno pela materialidade, geme ruge, declama assim em cem páginas inflamadas onde as palavras gozo, delícia, delírio, êxtase, voltam a cada momento, com uma persistência histérica." (Obras Completas de Eça de Queiroz, vol.4, Círculo de Leitores, Lisboa, 1980, p.29).



(Felicien Rops - saint Marie Madeleine)



Não admira a preferência de Amaro por esses cânticos, pois eles traduzem, sem levantar suspeita, a linguagem do desejo libidinoso. Amaro conclui: "É beato e excitante" — precisamente, essa é também a conclusão de todo o romance. Este passo do romance contém, aliás, todos os termos da jouissance. "Concupiscência", ou apetite sexual ou desejo intenso de gozo, é o termo de Eça que corresponderá à jouissance. As palavras que Eça destaca — "gozo, delícia, delírio, êxtase" — são significantes da jouissance e determinam não só toda a dialética do desejo n'O Crime do Padre Amaro como pode ilustrar o léxico privilegiado do discurso amoroso da literatura erótica.


(Frans de Geetere)


O modernismo que inaugura o século XX teve nos seus poetas de vanguarda os melhores intérpretes do erotismo, bem representado no grito "Rezai à Luxúria." — exortação às gerações portuguesas do século XX pronunciado pelo pintor, desenhador, poeta, romancista, declamador, dramaturgo, ensaísta, conferencista e crítico de arte Almada Negreiros. Aquele grito de vanguarda pertence ao "Ultimatum" que escreveu para o número único do "Portugal Futurista", revista porta-voz do futurismo literário português publicada em Lisboa, em 1917.



(Frans de Geetere - desvão)



Ao texto de Almada seguia-se um «Manifesto Futurista da Luxúria» de Madame Valentine de Saint-Point. Aqui podemos ler as coordenadas da sexualidade da poesia de vanguarda de Almada Negreiros: “A Luxúria é a tentativa carnal do desconhecido (...) A arte e a guerra são as grandes manifestações da sensualidade; a luxúria é a sua flor. (...) A Luxúria estimula as energias e desencadeia as forças. É preciso ser consciente na Luxúria. É preciso dispor da Luxúria como um ser inteligente e raffiné dispõe de si próprio e da sua vida; é preciso fazer da Luxúria uma obra de arte.” (Portugal Futurista, edição facsimilada, Contexto, Lisboa, 1990).


(Franz von Bayros)



O inglês D. H. Lawrence (1885-1930) é o autor de um dos mais polémicos romances eróticos da primeira metade do século XX: Lady Chatterley’s Lover, escrito em 1928, publicado parcialmente em 1932, banido de imediato em Inglaterra, de novo publicado pela Peguin Books em 1959 e de novo proibido; só por decisão de um tribunal em 1960 o livro pôde circular livremente. O romance é a história de Constance Reid, uma mulher da nobreza, bela e sedutora, que se envolve sexualmente com um empregado da mansão em que vive, depois de o seu marido ter ficado inválido numa das frentes de batalha na Primeira Guerra Mundial.



(Frédérique Garcia)



Lawrence descreve com detalhes as relações sexuais de ambos, tentando glorificar a força do amor sensual que não pode obedecer às leis castas da sociedade, em termos que só podiam chocar a mentalidade puritana inglesa. O que fica bem ilustrado nesse romance, também estudado hoje como um texto anti-feminista, é o elogio do triunfo do falo.



(Gaston de Saint Croix)



Outro escritor que também ficou marcado como maldito por causa dos seus romances eróticos foi o americano Henry Miller (1891-1980), autor de obras tão divulgadas mundialmente como Tropic of Cancer (Trópico de Câncer, França, 1934; E.U.A., 1961), Tropic of Capricorn (Trópico de Capricórnio, França, 1939; E.U.A., 1961), Sexus, Plexus e Nexus (publicados como um todo em 1965). Miller, que escolheu Paris para viver e trabalhar na sua escrita, para onde traduziu as suas experiências pessoais com prostitutas francesas, glorificando a pornografia (recordemos que a etimologia grega desta palavra diz respeito à prostituição) como uma espécie de nova religião, o que levou a que os seus livros, censurados e proibidos em muitos países, constituíssem um fruto muito apetecido para a imaginação e curiosidade sexual de muitos adolescentes e adultos.



(Gaston de Saint Croix)



O filme de Philip Kaufman, Henry & June (1990), baseado nos diários (1914-1934) de uma escritora hoje referência obrigatória na literatura erótica, Anaïs Nin, retrataram o caso amoroso entre Henry Miller e a sua mulher June. Dentro do mesmo tipo de glorificação da pornografia, são de referência obrigatória Emmanuelle Arsan, autora de Emmanuelle (1959) e Dominique Aury que, sob o pseudónimo de Pauline Réage, publicou Histoire d’O (A História d’O, 1954). Obras de extremo erotismo, todas marcadas pelo escândalo, incluindo as suas adaptações cinematográficas, exploram os limites do amor carnal e a relação de poder entre os parceiros sexuais.



(Guido Crepax - Histoire d'O)



Outros escritores preferiram glorificar outras formas de realização da literatura erótica, como a pedofilia e o voyeurismo. Está, nesse caso, o escritor russo-americano Wladimir Nabokov, o célebre autor de Lolita (1955), onde se destaca o anti-herói Humbert Humbert. Nabokov reclama a paternidade do termo ninfeta, objecto sexual proibido, que o público associa hoje ao romance Lolita. Apesar de insistir na originalidade do termo, sabemos que o já citado poeta francês Ronsard, em Les Amours, utilizou essa expressão com sentido idêntico, sendo um dos lexemas clássicos da literatura erótica: “Amourette / Petite Nymphe folastre, / Nymphette que j'idolatre, / Ma mignonne dont les yeulx / Logent mon pis et mon mieux;” (CCXI, in http://www.bibliopolis.fr). O livro de Nabokov foi adaptado ao cinema por Stanley Kubrick em 1962.



(Serpieri - Druuna)



Em 1965, Natália Correia publicou, seleccionou, prefaciou e anotou uma importante Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica (3ª ed., 1999), que inclui autores como Martim Soares, Pero da Ponte, João Garcia de Guilhade, Gil Vicente, Luís de Camões, Fernando Pessoa, Gregório de Matos, Guerra Junqueiro, José Régio, Leonor de Almeida, Jorge de Sena, Ana Harthetly,  Maria Teresa Horta, Herberto Helder. A própria autora publica um poema seu, “Cosmocópula”: “Membro a pino / dia é macho / submarino / é entre coxas / teu mergulho / vício de ostras. // O corpo é praia a boca é a nascente / e é na vulva que a areia é mais sedenta / poro a poro vou sentindo o curso de água / da tua língua demasiada e lenta / dentes e unhas rebentam como pinhas / de carnívoras plantas te é meu ventre / abro-te as coxas e deixo-te crescer / duro e cheiroso como o aloendro.”



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