segunda-feira, 26 de outubro de 2015

VOLTANDO AO TEMA: PELOS PUBIANOS



(Alena Kupčíková)



Quando abordei esse tema pela última vez, os pelos ainda tinham acento. E as bocetas sem pelo e com acento começavam a entrar na moda. Agora, lá se foi o acento e os pelos continuam por aí, já que a moda arrefeceu um pouco. Ou melhor: depila a periquita quem quer e já não há aquela "pressão" por kojaks. Aceita-se o que se oferece, desde que não haja exageros amazônicos, de matas abundantes (quem não se lembra da Cláudia Ohana e da Vera Fischer?). O meio termo parece prevalecer, como se pode depreender do texto abaixo, embora ainda, vez por outra, moças/atrizes apresentem-se com uma pentelheira admirável:



PELOS:

 POR QUE TÊ-LOS?


(Nadine Robbins)



Estarão mesmo em extinção nossas matas mais sagradas? De carona na recente pelêmica, digo, polêmica com a mata da musa Nanda Costa, ressuscito pensata-playground para a saudosa revista Ele&Ela sobre a história do trato das moças com seus cabelinhos.



(Atanas Matsoureff)



Cada vez mais as garotas têm limado os pelos que coroam suas perseguidas. O design baixo-capilar favorito por aqui, a virilha cavada, redesenhou as xoxotas yankees – lá, a febre é pela ‘brazilian wax’, a cera que assassina os cabelinhos de modo que as damas desfilem de biquíni sem causar espécie com fios indiscretos. Até mesmo a nova edição do dicionário Oxford traz, para sinônimo de brazilian, “estilo de depilação em que todos os pelos pubianos da mulher são retirados, permanecendo apenas uma faixa central”. De fato o brazilian style de alinhar a pentelhama começou por conta da moda praia, mas virou obsessão comportamental. Tente lembrar a última vez que você ficou enfeitiçado por uma selva selvagem (a mãe não vale, muito menos a Playboy com a Nanda Costa, aquela antiga da Claudia Ohana ou o ensaio famoso da Vera Fischer).



(Mel Ramos: Claudia Schiffer)



O cabeludo assunto virou tema de cervejadas cafajestes: há tanto os entusiastas da máquina zero (“Hollywood cut”, segundo o mesmo Oxford) quanto os românticos defensores da flora nacional – como o escritor Xico Sá, que em seu “Contra o desmatamento das fêmeas” salivou: “Estão acabando com as nossas matas mais nobres. Em nome de diagramações ridículas, muitas vezes só um tufinho de nada de pelo, espécie de buceta-Cebolinha… buceta-reco, um absurdo qualquer assim!”.




(Shunga Shuntei-Miyagawa)



Uma penteada no Google nos revela curiosidades insuspeitadas sobre a cheirosa plumagem e informa: não é de hoje esse preconceito. Na arte do antigo Egito, os pelos pubianos das moças eram indicados em forma de triângulos. Na arte clássica europeia, muito raramente eles despontavam – o sumiço também se dava na arte indiana. Mesmo o ultrarrealista Michelangelo jamais desenhava os pelinhos. Lá pelo século 18, no Japão, começaram a aparecer pentelheiras na arte shunga (erótica), o que se vê até hoje nos safados hentai: os pouco peludos nipônicos estão entre os povos mais interessados em cabelos íntimos. De resto, nas culturas do Oriente Médio (principalmente as islâmicas) e da Europa Oriental, as moças seguem há séculos o brazilian way of xavasca.




(Marek Fijalkowski)



Mostrar a pentelheira era um tabu tão disseminado que os anais da história da arte sopram uma história bizarra. O crítico de arte inglês John Ruskin teria ficado chocado ao dar de cara com os pelos de sua esposa Effie Gray – o refinado intelectual, acostumado a ver retratos de damas imberbes, imaginou que sua mulher fosse uma aberração, pois achava que só homens tinham pelos pubianos. Ficaram casados cinco anos sem partir para os finalmentes, o que fez com que Effie pedisse a anulação do casório (com o novo marido, o pintor sem frescura John Millais, teve nada menos que oito filhos).



(John Currin)



Considerada pornô em seu tempo, a pintura A Maja desnuda, do espanhol Francisco de Goya, foi a primeira obra de arte a escancarar a mulher em pentelhésimos detalhes. Mais ousado, Gustave Courbet enquadrou, em A origem do mundo, um maravilhoso exemplar da mata francesa. No cinema, os pelos foram assunto para o longa "A comédia de Deus", de João Monteiro, em que o personagem João de Deus guarda pentelhos deixados por ninfetas na banheira em que se lavam com leite (isso mesmo!) num grande livro chamado Caderno dos Pensamentos. Mais recentemente, a carioca Marcia Clayton causou furor ao usar pentelhos numa obra de arte (formavam os cabelos da noiva, numa escultura com aqueles bonequinhos de bolo de casamento). Marcia teria comprado a matéria-prima no Saara, famoso camelódromo do Rio, confirmando a tese de que ali se acha tudo.




(Betty Paige)



Recentemente a talentosa artista plástica checa Alena Kupčíková (sem trocadilhos óbvios, plis) expôs oito delicadas peças em que se retrata a genitália feminina e seus arredores: os sinuosos traços eram nada menos que dezenas de pelos, doados por várias amigas – que preferiram se manter no anonimato. A ideia surgiu quando Alena presenteou o namorado com um desenho de sua prochaska formado por seus próprios pelos. O cara, claro, ficou orgulhoso – tanto que escaneou a peça e mandou por e-mail aos amigos (curioso senso de comunhão tem o povo checo). Os amigos pediram “mais uma, mais uma” e Alena abriu uma bem-sucedida exposição em Praga: os oito quadros estão expostos dentro de um túnel. Fica a dica para o curador da próxima Bienal.




(Alena Kupčíková)



Depois desse agradável passeio, tendo em vista que os pentelhos cada vez mais alcançam nobre espaço na arte, apesar do Photoshop, Ele&Ela afundou na lingerie e conferiu o assunto in loco – que falem elas, afinal. Conversamos com sete moças entre 20 e 30 anos, duas gaúchas, duas cariocas e três paulistas, que nos revelaram o que pensam sobre seus cortes íntimos. Como explicariam a moda zero total? Fetiche infantil, influência dos diretores de arte das revistas masculinas?




(François Benveniste)



“Nem tô sabendo dessa moda, mas acho horrível, de mau gosto e sua causa Freud explica…”, desdenha a cantora carioca A*. Já a jornalista carioca R* é adepta: “Tem mais a ver com uma curiosidade por um toque diferente do que por algum fetiche infantil finalmente liberado porque acabaram-se todos os tabus no mundo”, afirma. “Lógico que existe uma tendência impulsionada pela revista, mas segui-la é coisa para fashion victims”, critica. A designer paulistana M* entende a arte como desculpa: “Talvez seja mais fácil pra tratar no Photoshop, ou os tratadores de imagem já têm uma xoxota pronta, aí é só aplicar, mudar a cor e tcharan!”




(Jan Saudek) 



A publicitária gaúcha S* crê que a moda depil total esteja em alta porque pelos nunca são bem vindos: “Tudo na vida sem pelo fica melhor, por isso a mulherada se atirou geral na cera quente”. Já a jornalista paulistana F* diz que até tem mulher que fica bem totalmente lisa, como na infância. “Mas não gosto muito. Pelos dão um ar ‘mulher’. Para algumas atividades é bom não ter barreiras nem atritos, só que essa moda contribui pra deixar os caras meio folgados, querendo só facilidade…”, ri.




(Jorge Bispo)




Alguma moça já deixou de praticar o nobre esporte por conta de falta de trato na mata nativa? “Óbvio, inclusive a altura do pelo da mulher está ligado à vontade de fazer sexo: se sei que vai rolar alguma coisa, já marco a depilação para estar em dia na hora H”, ensina a apresentadora gaúcha C*. “Se não quero transar já deixo grande, daí tenho uma desculpa pra mim mesma. Mas já fiquei na vontade com a penugem acima do nível ideal e transei igual.”




(Man Ray: Adrienne Fidelin)



Sua conterrânea S* ajunta: “Já fui pra noite macaca de propósito, pra não correr o risco de dar naquele dia!”. A jornalista F* explica: “Não deixei de fazer, mas já rolou crise. E uns truques pra ela não ficar em evidência. Nunca percebi algum cara perdendo o tesão por causa disso, mas fico encanada…”. A cantora A* vaia: “Nunca! Já fiquei Claudia Ohana várias vezes e isso nunca me impediu de nada. É frescura demais…” M* lembra: “É muito raro ela ficar numa situação assim, mas existe o ponto em que começa a crescer, pinica e aí é uma desgraça: você pratica o esporte e depois parece que andou a cavalo, fica toda assada!”.




(Marcel Marien - the renaissance)



Por fim: preferência por algum corte? “A íntima é uma que tá na moda, vejo nas revistas masculinas. Ela deixa os pelos só na pista de pouso e tira os que cobrem os grandes lábios. Andava fazendo muito essa, parecia um meio-termo que agradava a mim e ao cara. Afinal, tenho que concordar que é gostoso passar os dedos nos grandes lábios lisinhos…” conta F*. Sua colega carioca R* radicaliza: “Meu argumento na depiladora é: tira tudo, não me serve de nada mesmo!”.




(Igor Chalapoutine)



A loura M* é a favor do zero: “Deixo o ‘hitler’, e sempre aparado. Lá embaixo não tem jeito, tem que ser lisinho, é mais gostoso (sim, fica mais sensível sem!) e mais limpinho”, confessa. Já a gaúcha S* é contra o ‘hitler’ e o depil full: “O meu corte favorito é pouco volume no topo, entrecu careca. Bigodinho de Hitler jamais, melhor depilar tudo. Mas depilação total achei horrível, completamente infantil e nada sexy – e quando começou a crescer espetava na boca do rapaz…”



(The Great Wall of Vagina, escultura do inglês Jamie McCartney)



Essa breve amostragem demonstra: embora o futuro talvez aponte mais para as estepes africanas do que para a floresta amazônica, entre as que só retiram o excesso e as que tiram tudo a média das garotas felizmente não está nem aí para o tamanho de suas matas.


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*A pedidos, as moças detalham seus milagres mas preferem não dar nome às santas

Fonte:




segunda-feira, 19 de outubro de 2015

UMA ARTE EFÊMERA E ALTAMENTE ERÓTICA: A PINTURA CORPORAL



(Valéria Valenssa)


Quem já não se encantou com os requebros carnavalescos da Globeleza e, principalmente, com as reportagens que mostram o trabalho feito no corpo das moças que se revezam na tela da televisão, a cada reinado de Momo?




Pintar o corpo - e mostrá-lo como uma tela que se move, ou não - é, sim, uma forma de arte, embora uma arte que ficará registrada apenas pela lentes dos fotógrafos, pois se esvanece ao primeiro banho. E é uma arte que não tem nada de moderna, nem é ícone de nossa civilização, muito menos do carnaval.




Aí está um artigo que desvenda um pouco dessa arte. Com a ilustração de belas fotos, para seu deleite. Espero que se divirta, como eu me diverti pesquisando e, agora, publicando este post.



PINTURA CORPORAL

 Gabriella Porto




A pintura corporal  é uma manifestação cultural presente em várias sociedades, como os indígenas, hindus, africanos e na sociedade ocidental por meio da maquiagem e da tatuagem.


(Etnia Tapirapé)

Os índios utilizam a pintura corporal como meio de expressão ligado aos diversos manifestos culturais de sua sociedade. Para cada evento há uma pintura específica: luta, caça, casamento, morte. Todo ritual indígena é retratado nos corpos dos mesmos na forma de pintura, é a expressão artística mais intensa dos índios. A tinta é feito de urucum, jenipapo ou babaçu na maioria das vezes.




A cultura hindu também utiliza a pintura corporal, nos casamentos, em que as noivas são pintadas por todo o corpo com desenhos decorativos que representam sorte para a noiva e um rompimento com a antiga vida em família e para exibir a condição da mulher casada, um sinal vermelho no centro das sobrancelhas. Quando uma mulher hindu se casa, ela passa a fazer parte da família de seu marido, e deixa de ser integrante de sua família biológica, e as pinturas são como uma representação desse ritual de passagem para ela.




Assim como os indígenas, muitas tribos africanas também usam a pintura corporal com significados particulares a cada evento, e para embelezar-se. A natureza também é muito retratada nesse tipo de pintura corporal. As pinturas africanas são feitas com vegetais, barro, ocre vermelho e amarelo extraídos de rochas vulcânicas, cal branca e seiva de algumas plantas que possuem pigmentos fortes.




Analisando estes tipos tradicionais de pintura corporal é possível notar o choque cultural existente entre as sociedades, e observar também como é mutável o conceito de beleza. No entanto, a pintura corporal na sociedade contemporânea ocidental baseia-se nos mesmos princípios de embelezar-se e expressar algo.




A maquiagem sempre foi um artifício feminino de beleza. As técnicas de maquiagem crescem ininterruptamente e seguem tendências e padrões. Entretanto, não apenas as mulheres utilizam a maquiagem, o teatro, o cinema e a fotografia também a utilizam para fins artísticos, para expressar idéias, enfatizar o desejado nas imagens e fazer referências sócio-culturais a depender da manifestação.




A tatuagem não é uma manifestação pertencente exclusivamente à sociedade contemporânea como pode se pensar. Estima-se que ela tenha surgido por volta do ano 3000 a.C. no Egito, em rituais ligados à religião. Todavia, a popularização da tatuagem, característica da sociedade contemporânea ocidental, também está ligada ao desejo de expressar algo, um estilo, uma opinião, etc., muitas tribos urbanas têm a tatuagem como marca de seu estilo, como uma patente.




A pintura corporal esteve inserida em diversos momentos por toda a história da humanidade, sendo utilizada de diferentes formas e com diferentes intuitos. Mas com intenções básicas comuns a todos os tipos de manifestação da mesma. A pintura corporal é mais que uma mera característica de manifestação cultural da humanidade, é parte integrante da formação da maioria das sociedades.





Fontes:




segunda-feira, 12 de outubro de 2015

DIA DA CRIANÇA





CUECAS MASCULINAS... MUITO ALÉM DA IMAGINAÇÃO



Já uma vez, aqui mesmo nesta LUA sem pejo, publiquei uma matéria sobre cuecas masculinas. Sim, cuecas masculinas. Para não haver dúvidas, já que, entre nossos patrícios lá da boa terrinha, "cuecas" são peças do vestuário feminino. Daquela vez, e se você quiser, pode conferir (procure a rubrica "cuecas masculinas" aí do lado direito), dei ênfase aos modelos de tecido, ou seja, às próprias cuecas. Desta vez, deixo que a imaginação de leitoras e leitores aficcionados voem para expressões, digamos, mais eróticas do corpo masculino, ao ressaltar que é preciso coragem, muita coragem, para vestir as peças que apresentamos abaixo. Não a coragem de quem enfrenta uma dificuldade ou um assaltante na rua, mas a coragem de expor um corpo modelado e bem feito como - e não falo, claro, dos modelos de tecidos e outros materiais - os modelos fotografados, aqui, em exibições ousadas. Se gosta, aprecie, imagine, sonhe e... goze do prazer do belo, principalmente quando o belo é, ao mesmo tempo, sensual... erótico. 



















Fonte:




segunda-feira, 5 de outubro de 2015

NUDEZ SEM RETOQUES, DE MULHERES COMUNS, NO APARTAMENTO 302



Jorge Bispo é um renomado fotógrafo de revistas masculinas, acostumado a clicar mulheres sensuais. Resolveu romper com essa "ditadura da beleza", e criou o projeto do "apartamento 302" - que virou livro e virou série no canal Brasil. Respondendo a um anúncio, dezenas de mulheres - de todas as classes e todas as idades - bateram à sua porta, para serem fotografadas. Nuas. Quase sempre em poses mais ou menos semelhantes. Num mesmo lugar. Sem Photoshop, sem óleo para dar brilho e sem grandes aparatos de luz, o resultado é um conjunto de fotos em que as mulheres parecem dizer, segundo o fotógrafo: “o corpo é meu, faço o que quero. Um tipo de atitude politica." Mesmo assim, há, claro, toda uma sensualidade especial, não aquela provocada às vezes por uma perfeição obtida através de truques, mas a sensualidade da mulher real, que se vê na rua, que mora ao lado de sua casa, ou, mesmo, mora com você, na sua casa, para a qual seus sentidos não haviam despertado plenamente. Portanto, aprecie - sem moderação e com muito tesão - a seleção de fotos do apartamento 302, de Jorge Bispo, que escalamos para você:


































Fontes: