segunda-feira, 28 de setembro de 2015

NUDEZ: A VEZ DOS HOMENS, COM... SUAS FILHAS!



(Foto de Francesco Scavullo: Joe_Dallesandro and Child, 1968)

Nada de mais há, na nudez. Seja ela entre casais, de qualquer gênero. Num campo ou numa praia de nudismo. Em casa, entre os familiares. A nudez - pode-se dizer - é o estado natural do ser humano. No entanto, certo tipo de "civilização", principalmente a de cunho deísta, obriga-nos a usar roupas. Ou, pelo menos, a não tirar na frente dos outros as roupas, que deveriam ser apenas a proteção contra intempéries. E o homem, o macho da espécie, tem contra si mais preconceitos ainda. Um homem nu é sempre motivo de restrições, de comentários, de observações nem sempre elogiosas. Um homem, o macho da espécie, nu com outras mulheres, tudo bem. Mas, quando esse macho se despe, sem preconceitos, em estado puro de inocência, com... suas filhas! - pode ser objeto de muitas outras restrições. Mas, o tabu precisa ser quebrado. A nudez não só expõe o ser humano como ele é, como também o civiliza. Torna-o mais seguro de si e de seus instintos. Principalmente a nudez pública, ou familiar, ou grupal. Curtam, portanto, os pais corajosos, nus com suas filhas, também nuas.









segunda-feira, 21 de setembro de 2015

ANTES E DEPOIS: COM VESTIDOS E SAIAS E... NUAS



É só uma brincadeira, essa, de mostrar pessoas vestidas e, depois, nuas. Atiça a libido. Provoca a imaginação. Como seria fulano ou fulana sem as roupas, na rua, no metrô, no trabalho. Mas fique por aí, na imaginação. Que a brincadeira é só uma brincadeira. Aqui, nesta LUA, por mais safada que seja a matéria, defende-se sempre o respeito, o consenso, para que o prazer seja o melhor possível. E condena-se, com todas as forças, qualquer tipo de assédio, seja moral ou sexual. Todo esse papo para apresentar o tema do nu antes e depois, vestidas e nuas, com mulheres que estão usando vestidos e saias. Ou seja, despir de saias e vestidos uma mulher - ou a nudez sob saias e vestidos. Talvez apenas um fetiche, um fetiche bobo e simples, já que as mulheres, no mundo real de hoje, cada vez mais usam menos vestidos e menos saias. E então, imaginá-las sem essas vestimentas e, melhor ainda, vê-las sem essas vestimentas de vários modelos e cores pode ser muito, muito prazeroso - para homens e mulheres. Principalmente para saudar a primavera.

Divirta-se:
































(Fotos de internet, sem indicação de autoria)



segunda-feira, 14 de setembro de 2015

NEGRO É A COR MAIS QUENTE






Na verdade, o nome do filme é AZUL É A COR MAIS QUENTE. Troquei as cores, porque, antes de falar do filme, devo dizer que este post é uma homenagem a duas pessoas que não estão mais entre nós. Morreram, ambas, no começo deste ano de 2015, primeiro uma e, logo depois, a outra. Teria que ser assim: não podiam viver sozinhas.






Viveram juntas mais de quarenta anos. Depois de tanto tempo, o amor esgarça-se, mas elas permaneceram firmes. Firmes talvez não seja o termo exato para defini-las, porque, nos últimos anos, seu esporte predileto era o copo. E foi a bebida que as levou. Tiveram um bar. Beberam-no. Adotaram um bar, o da esquina aqui da minha casa. Para desespero do dono, que era amigo delas e tentava impedir que bebessem tanto.








Enfim, que não fique apenas essa impressão, mas que reste de recordação de suas trajetórias o amor que tiveram uma pela outra, consolo de uma vida que, como todas as vidas, teve altos e baixos. Deixaram aqui, no bairro onde moraram, a certeza de que muitos não as esquecerão. Amigas de todos: Iara e Sueli. Duas mulheres negras, maravilhosas. Aqui, sem sobrenomes. Mas com uma lágrima de saudade.







E vamos ao filme. Sua história é simples: a adolescente que ainda não compreende suas pulsões e impulsões sexuais. E descobre o amor, não no menino um pouco mais velho, um adônis que provocaria - e de fato provoca - a libido de muitas garotas como ela, mas numa outra garota, também estudante, de artes plásticas, de cabelo azul. Apaixonam-se e vivem intensamente esse amor. Essa a história do amor de Adèle e Emma.







Secreto amor. Que exsuda por todos os poros. Carnal. Filmado com grande sensibilidade pelo diretor, em cenas de grande prazer estético e erótico. Em cenas longas e detalhadas, com muito bom gosto. E mesmo quando rompem, fica em nossos sentidos o sentido profundo do gosto do primeiro amor. Um belo filme do amor lésbico, com o qual homenageio todas as mulheres, principalmente as amigas Sueli e Iara, postumamente.








Ficha técnica:


Filme: AZUL É A COR MAIS QUENTE (LA VIE D'ADÈLE - CHAPITRES - 1)

Direção: Abdellatif Kechine

Atrizes principais: Léa Sydoux (Emma) e Adèle Exarchopoulos (Adèle)

País de origem: França

Data de produção: 2013

Duração: 2h57min





segunda-feira, 7 de setembro de 2015

PUTA, VADIA, GALINHA... DE MULHER PARA MULHER?







Quantas vezes, com o ódio da traição nos olhos, ou simplesmente por brigas mesquinhas, não ouvimos uma mulher tachar a outra de impropérios que terminem com os indefectíveis "puta, vadia, galinha"?







Nenhuma escapa. E então se poderia pensar que "toda mulher é puta?" E por que esse preconceito contra as putas? Por que uma mulher mais livre, que "dá pra qualquer um" (plagiando Chico Buarque) ou, nos versos de Vinícius de Moraes, "ela era uma moça que dava", a "galinha" do bairro tem que ser obrigatoriamente execrada?






Bem, dou a palavra a uma mulher, Jarrid Arraes. Num artigo que gostei de ler, e acho que todos - homens e mulheres - também gostarão. Afinal, desfazer mal entendidos, buscar uma vida melhor, principalmente no terreno do erotismo, sem preconceitos de qualquer espécie é uma boa filosofia, amplamente defendida neste blog.






E divirtam-se, lendo o texto, com as mulheres que "não estão nem aí" da Tracy Nakayama, uma artista estadunidense contemporânea, nascida em Honolulu, no Hawai.



CHAMAR OUTRA MULHER DE “PUTA” É CUSPIR NO ESPELHO


Por Jarid Arraes





   
É possível que você já tenha ouvido alguma mulher chamando outras mulheres de “putas”, “vadias”, “periguetes” e outros termos com esse teor – se é que não foi você mesma a mulher a proferir tais xingamentos. Na nossa cultura, parece ser muito comum a competitividade e autoafirmação feminina por meio da não-sexualidade, quando o fator sexual é considerado algo ruim e reprovável. Por isso, as mulheres que parecem ser muito sexuais – ou que são difamadas como tal – recebem hostilidades diversas.





Muitas mulheres que chamam outras de “putas” estão tentando demarcar um território, uma diferença entre elas e as outras. Para elas, é como se o fato das outras serem “vulgares” automaticamente assegurasse a própria reputação. O imenso equívoco está aí, pois chamar outra mulher de puta não te torna imune ao machismo; você não fica vacinada contra esses mesmos xingamentos. De fato, ser vista e ofendida como uma “vadia” é um dos primeiros atos de agressão proferidos contra todas as mulheres.






Isso acontece porque o machismo é um sistema de desvalorização e violência contra todas as mulheres, não apenas contra algumas. O filtro da misoginia é muito evidente: comportamentos considerados “masculinos”, independência no modo de ser e autonomia sexual são punidos de diversas formas, das verbais até as físicas. Portanto, diminuir o caráter ou o valor de uma mulher porque ela está em busca de sexo, porque usa roupas curtas e justas ou por qualquer outro motivo que use seu ímpeto sexual como negativação se trata de machismo – e quanto mais esse machismo é reforçado, mais todas as mulheres sofrem.






Muito pouco é necessário para ser chamada de “puta”. É verdade que mulheres que usam roupas curtas, dançam rebolando até o chão e fazem sexo com diversas pessoas são constantes vítimas do machismo, mas isso não significa que as mulheres heterossexuais, casadas, donas de casa ou que se sentem mais “intelectuais” do que as outras não estejam na mira desses julgamentos. Pelo contrário: quando algum homem é contrariado por qualquer razão, um dos primeiros xingamentos proferido contra as mulheres são de cunho sexual. Não importa se você usa uma saia curta ou longa, com ou sem calcinha, ou se frequenta um show por causa das bandas e não dos homens integrantes das bandas – se você não se comportar de forma que agrade os homens, você será chamada de “vadia”, “quenga”, “biscate”, “puta”, “vaca”, “cadela” e “periguete”.






Também é necessário compreender que, mesmo que uma mulher seja de fato uma “puta” – ou prostituta -, isso de nenhuma forma a torna inferior, nem merecedora de humilhações e violências. O imenso preconceito nutrido contra prostitutas também é mais um reflexo desse quadro de misoginia. Ser prostituta não torna nenhuma mulher menos humana, menos inteligente ou menos respeitável.




Portanto, é preocupante o quanto as mulheres ainda competem umas com as outras em busca de um respeito que jamais lhes será dado de bom grado. Entender que o machismo nunca permitirá respeito às mulheres é de fundamental importância, pois somente assim poderemos lutar por nossos direitos e pelo respeito que nos é devido, independente de quem somos. Enquanto mulheres, precisamos nos unir e compreender que se uma fica para trás, todas continuam para trás; uma mulher que é ofendida e violentada por motivações sexistas não é um caso isolado, mas uma evidência de que todas estamos vulneráveis.








Pedir que todas as mulheres sejam amigas, companheiras e que não briguem por motivos diversos é ingenuidade demais. Mulheres ainda serão muitas coisas para além de serem mulheres e vão continuar disputando empregos, credibilidade e oportunidades. No entanto, não podemos nos deixar cegar pela dominação do machismo; termos como “puta” e “vadia” não são argumentos para conquistar algum cargo ou obter respeito. Ao compreendermos essa realidade, nós garantimos o avanço social e a luta contra todas as manifestações da misoginia – desde a violência simbólica ou verbal até os feminicídios.








Fonte: