segunda-feira, 31 de agosto de 2015

MONSIEUR X - O FOTÓGRAFO DAS PROSTITUTAS FRANCESAS DA DÉCADA DE 30



Alexandre Dupouy é um arqueólogo sexual. O colecionador francês passou a vida reunindo o que ele define como "lixo erótico e pornográfico". Sua loja, a Lágrimas de Eros (Les larmes d'éros, título de uma obra de George Bataille) – que só abre com hora marcada –, vende pinturas, imagens e objetos sexuais há quase meio século. É tipo um pequeno museu que conta a história do sexo na França. Em 1975, um amigo livreiro ligou dizendo estar com um velho cavalheiro que tinha "algo especial para mostrar". O que ele tinha era um carro de luxo com o porta-malas cheio de fotografias em preto e branco de prostitutas nuas e sorridentes dos anos 30. Ele explicou que tinha tirado a maioria das fotos num bordel na Rue Pigalle. Sabendo que seus dias estavam contados, o homem concordou em compartilhar as imagens desde que permanecesse anônimo. Esse senhor ficaria conhecido como "Monsieur X".

Quase quatro décadas depois, Dupouy decidiu republicar pela La Manufacture Books parte dessa coleção incrível num livro chamado Mauvaises Filles. A obra é uma coautoria de Dupouy e Monsieur X. Aí estão algumas dessas fotos, para seu deleite.




















(Fonte:



tradução de Marina Schnoor)

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

EROS E TÁNATOS, AMOR E MORTE: FRANCESCA WOODMAN







Nasceu em Denver, em 1958, e morreu em 1981, em Nova Iorque. Em sua breve vida, deixou um legado importante para a arte da fotografia, principalmente da fotografia que busca, através do corpo, revelar camadas profundas do ser humano. Suas fotos mexem com nossa imaginação, com nossa libido e com nossos sentimentos. Apresento a vocês Francesca Woodman, na crônica de Valéria Scavone, ilustrada com fotos da nossa personagem.



FRANCESCA WOODMAN, A JOVEM FOTÓGRAFA SUICIDA

Valéria Scavone





Um ego frágil e uma personalidade obsessiva coexistiam em Francesca Woodman, a fotógrafa americana que se suicidou em 1981, aos 22 anos, deixando para trás muito mais do que a promessa de um misterioso talento.







Nus fantasmagóricos, jogos surrealistas e um prenúncio de suicídio. Woodman foi fruto de um forte casamento boêmio - ela ceramista e escultora, ele pintor e fotógrafo - que viram  o retrato de família linda de se ver, ser destruído pela morte violenta de sua filha.








Francesca teve sua 'morte marcada' 5 dias antes de seu pai, George Woodman, inaugurar sua exposição em Guggenheim, em Nova Iorque. Para adicionar mais drama à cena, ela dá um salto no breu de sua casa, no Lower East Side - Manhattan, e desfigura seu rosto bonito.



Como um 'borro' surrealista.








Francesca cresceu nos EUA e se formou na Itália, onde era rodeada de artistas, amigos de seus pais. Talvez o cenário Toscano não fosse o bucolismo preto e branco de seus cliques aos 13 anos, mas a expiração de sua beleza decadente.








No 'mundo de cá', ela nunca foi totalmente presente: uma moçoila não contemporânea que amava literatura vitoriana e gótica e usava roupas vintage. Foi chamada de feminista por seu trabalho arquitetar, muitas vezes, seu autorretrato (provisório e incerto, que perde-se no momento em que está sendo definido)  onde focava seios, pernas e imagens que alternavam entre o erótico e o menina-moça com um resultado visceral.








Mas na verdade, Francesca não era política e nem se interessava por isso.








A causa de um suicídio é sempre uma polêmica. Todos podem abordar a causa que imaginarem juntando fatos e conhecimentos sobre a decisão de determinada pessoa. Mas o mais provável, é que Francesca Woodman tenha vivenciado ao pé da letra a persona que criou. Uma resistência contra a cultura da conformidade e do puritanismo.







Fonte:

http://www.ideafixa.com/francesca-woodman-a-jovem-fotografa-suicida/



segunda-feira, 17 de agosto de 2015

INTIMIDADE ENTRE GAYS, OU: QUEM COME QUEM?






Existem muitos filmes pornôs gays. E já assisti a vários, claro. Comecei a ficar incomodado com alguns deles: aqueles que fixam o estereótipo da transa pela transa, repetindo o que acontece com filmes de casais heterossexuais. Há alguém que dá e alguém que come. Sem nenhuma preparação, sem nenhum tipo de carícia, sem nenhum sentimento. Apenas penetração. Coisa da indústria pornô que, nesse caso, mais faz mal do que bem ao erotismo.







É claro - e o óbvio nem sempre é assim tão óbvio para as pessoas - que, assim como entre um casal hétero, os casais homossexuais não vivem só para e pelo sexo. E mais: como todos os casais, têm momentos de ternura e carinho em que apenas se tocam e se beijam e se acariciam, porque se amam, se gostam, se respeitam.

Pensava nisso, quando encontrei o texto abaixo. Responde à curiosidade de muitos, de forma simples, direta, sem deixar margem ao preconceito que é, afinal, o inimigo a ser combatido, e batido. Reproduzo-o juntamente com fotos que, embora eróticas, enfatizam o lado romântico do erotismo entre o casal.


CASAL GAY, QUEM É A MULHER?

Fabrício Viana






Outro dia, durante um workshop de tecnologia, um senhor, sabendo do meu relacionamento com outro homem, perguntou, do nada e sem estarmos falando sobre o assunto, quem de nós dois cozinhava em casa. Na mesma hora, graças a minha formação em psicologia junguiana (que analisa especialmente símbolos), interpretei sua nem tão ingênua pergunta “fora do contexto”. Sua curiosidade não era exatamente esta, de saber quem cozinhava, mas sim, de saber quem de nós representava o papel feminino entre quatro paredes, ou melhor dizendo, ele queria saber, literalmente, “quem comia quem“.






Para este senhor, utilizando-se o mesmo símbolo interpretado, eu consegui sanar sua dúvida explicitando nossa intimidade. Disse que em casa ambos cozinhávamos, dependia do dia e da vontade de cada um, que entre nós isso não era problema. Talvez, com esta resposta eu tenha sanado sua dúvida subjetiva ou, na pior das hipóteses, criado outras. Mas como diz o ditado, para um bom entendedor, meia palavra basta.

O que chamo a atenção neste caso é que a dúvida dele, não é só dele, mas da maioria das pessoas.








Quando vemos um casal gay, nosso cérebro esta tão acostumado a ver um homem e uma mulher que, quando vemos dois homens juntos, imaginamos que um dos dois desempenhe o papel feminino em tudo, inclusive na cama (sendo passivo – sendo penetrado).

E isso nem sempre acontece. Claro que existem casais gays que, na cama, um dos dois prefere ser somente passivo e o outro apenas ativo (aquele que penetra). Outros, não existem preferências rígidas e tudo vai depender do prazer de cada um naquele momento. Sem falar nos casos em que a penetração nem acontece.







Mesmo assim, a curiosidade do que um casal gay faz na cama, até mesmo por outros gays, é absurdamente grande graças a sociedade machista no qual estamos inseridos. Aquele pensamento em que um homem, para ser homem, jamais poderá ser dominado (penetrado) por outro homem. Ser dominado é algo exclusivo das mulheres, pois elas, no pensamento machista, são inferiores e devem ser submissas ao homem. Um homem ser dominado por outro homem, sexualmente, é inadmissível.







Claro que a dinâmica psíquica do machismo é muito mais complexa que o breve relato acima. Por este motivo um dos capítulos do meu livro O ARMÁRIO é dedicado a este importante tema. Tendo acesso a ele, as pessoas, principalmente os homossexuais, podem ter uma ideia exata da onde vem o preconceito contra gays, contra os passivos, drag queens, transexuais, travestis e até mesmo contra as próprias mulheres, pois até elas, sofrem e reproduzem o pensamento machista.








Sem falar que, aliado ao machismo, encontramos diversas personalidades incompletas que precisam “cuidar” da “vida alheia” para que, de alguma forma, se sintam completas. É o que chamamos de fofoca ou “cuidar da vida dos outros”. E não são poucas pessoas que fazem isso.

Claro que eu gostaria que as coisas fossem diferentes. Que cada um pudesse beijar, transar, “meter”, “dar” ou “comer” do jeito que quisesse. Sem os outros se intrometerem tanto. Porém, não tem jeito, nossa sociedade é do jeito que é e não temos como mudar isso.








O que precisamos fazer, e isso é uma opinião minha, é estarmos muito bem resolvidos com a nossa sexualidade (poucos são bem resolvidos!) e com as nossas preferências sexuais (passivo, ativo, versátil etc) para que, se nos perguntarem sobre elas nós possamos, NATURALMENTE e SEM CONSTRANGIMENTOS, sanar todas as dúvidas. E, obviamente, sem achar que este tipo de pergunta “é o fim do mundo” ou uma invasão brusca da intimidade (lembre-se que os heterossexuais falam de suas intimidades sem nenhum tipo de constrangimento). Afinal, isso tudo é só sexualidade humana. Algo instintivo que possuímos e que não podemos negar, apenas compartilhar, de alguma forma.







Fabrício Viana é bacharel em Psicologia e autor do livro O Armário (sobre a homossexualidade, com mais de 4 mil exemplares vendidos), Ursos Perversos (contos homoeróticos), organizador da Coletânea LGBT não erótica chamada Orgias Literárias da Tribo e autor de Theus (romance homossexual). Seus livros não são vendidos em livrarias, apenas em seu site pessoal  www.fabricioviana.com ou no site da Editora Orgástica www.editoraorgastica.com




segunda-feira, 10 de agosto de 2015

AS TELAS QUENTES DO EROTISMO EXPLÍCITO 7 - STU MEAD (1955)




(First communion)

Stuart "Stu" Mead nasceu em Waterloo, Iowa em 1955, é um artista americano que vive e trabalha em Berlim, Alemanha. Estudou arte na Universidade de Northern Iowa, antes de se mudar com os pais para a Inglaterra em 1975.


(After school)

O trabalho de Mead inclui pintura, desenho, gravura, e a produção de zines e livros de arte e inspira-se na cultura popular, como quadrinhos, cartões postais e desenhos que aparecem nas revistas masculinas baratas dos anos 1950 e início dos anos 1960.




Sua arte tem chamado a atenção de um público underground, com exposições de suas pinturas em galerias de todo o mundo há mais de vinte anos. Seus trabalhos de arte abrangem uma terra de fantasia e de erotismo em que as mulheres jovens são incorporadas a cenários bizarros que transcendem gêneros e  fetiches.





Seu trabalho explora tabus com uma mistura de sexualidade e humor que atingem limites a que poucos artistas ousam chegar. Brinca com temas que vão desde o feminismo até a insegurança das adolescentes na descoberta do sexo, com a sagacidade impertinente que é sua marca registrada.




Mead cita Picasso e Balthus como sua maior influência artística. Outra influência é o livro de Bruno Bettelheim "The Uses of Enchantment", que explora contos de fadas obscuros dos Irmãos Grimm de um ponto de vista psicológico freudiano. A análise de Bettelheim de contos populares, e seu uso de arquétipos simples e poderosos, para provocar respostas emocionais profundas, vem ao encontro dos esforços de Mead para criar imagens que envolvem o espectador imediata e emocionalmente.




Em abril de 2004, durante uma exposição coletiva chamada "Quando o amor vira veneno", realizada no Kunstraum Bethanien, em Berlim, sua pintura "Primeira comunhão" foi destruída por um vândalo obcecado por religião. A exposição, de oito artistas, tornou-se um escândalo nacional, com jornais conservadores declarando que aquilo era pornografia  e não arte.


(Savage-religion)





segunda-feira, 3 de agosto de 2015

EREÇÃO, CONSTRAGIMENTO, EXCITAÇÃO E SORVETE DE MORANGO








AO PERCEBER QUE UM HOMEM ESTÁ DE PAU DURO,

O QUE AS MULHERES SENTEM AO VER 

O VOLUME NAS CALÇAS?






Se é uma situação social, pode ser constrangedor para ambos. Mas, numa situação mais íntima, durante um beijo, por exemplo, isso pode ser perfeitamente natural. E muitas mulheres tratam do assunto com uma certa naturalidade, conforme algumas respostas que obtivemos de um site que fez a pergunta acima.






Talvez a melhor resposta tenha sido esta: "Tudo depende de 'quem' está com o pau duro! E também depende da situação e do momento. Às vezes pode ser legal e excitante e em outras, ser extremamente constrangedor e nada prazeroso em termos de sensações. Porém, falando por mim, as vezes dá um gostinho de vitória também. De objetivo atingido."






Outra resposta bastante interessante (e ousada): "Amigo vou te contar um coisa que aconteceu comigo! Eu ficava com um rapaz, mas nem tinha muito interesse, fiquei umas duas vezes, uns beijinhos xoxos e tal... Até que um dia demos uns beijos calientes e quando olhei para baixo, vi bem a cabecinha do pau dele para fora. Nossa! eu fiquei enlouquecida com aquilo, mas não aconteceu nada aquela noite. Fiquei semanas com aquilo na cabeça. Resumindo:  uma pessoa por quem eu não tinha o mínimo interesse, mas só do fato de ter visto aquela cena, tudo mudou..."






Embora não tenham entrado no aspecto particular, muitas aprovaram a visão: "Tudo de bom. A mulher que falar que não gosta está disfarçando, pois a mulher se sente gostosa e poderosa, ao sentir algo roçando nela." "Eu gosto, é sinal que ele tem tesão por mim, aí é muito bom."






Ou fizeram algumas restrições com uma certa honestidade e até veemência: "Isso depende de quem é o homem. Se for alguém que você curte mais, é vontade de ir pra cama logo. Se for alguém atraente de alguma forma, dá um certo tesão. Mas se não for, se a pessoa não tiver nada em comum com a gente, vai do nojo ao medo." "Dependendo do momento e local, pode ser constrangedor, engraçado, irritante, prazeroso..."






Eu assinalei acima uma possível melhor resposta, mas deixei para o final aquela que é, sim, a resposta mais criativa, por tudo que traz de excitação à nossa imaginação: "Vontade de tomar sorvete de limão com cobertura de morango".





Fotos de Claire Milbrath.