segunda-feira, 15 de junho de 2015

"FAÇA AMOR, NÃO FAÇA A GUERRA" - UM LEMA QUE FICOU EM NOSSA MEMÓRIA






Só não ficou o ideal hippie, apesar de muitos, naqueles anos loucos da década de 1960, terem embarcado na tentativa de construção de comunidades voltadas para uma vida anti-capitalista, pré-industrial, pelo mundo todo. Todas fracassaram, mas deixaram um gostinho de "quero mais", de "que mundo diferente seria se..." Então, se você acha que o sonho não foi apenas sonho, mas teve laivos de realidade, embarque na reportagem a seguir, sobre um refúgio hippie dos anos 60, com fotos da época:






Fotos raras mostram refúgio hippie no Havaí
formado por pessoas que pediam a paz
nos anos 60




A água era cristalina, o asfalto mais próximo ficava a quilômetros de distância, o uso de roupas era opcional, não havia regras e as decisões não eram baseadas na razão, mas em vibes. Na primavera de 1969, treze jovens saíram das universidades dos Estados Unidos rumo a um refúgio onde buscavam paz, o encontro com a natureza e o desenvolvimento espiritual. Na região de Kauai, no Havaí, encontraram a terra que, por oito anos, seria uma das maiores e mais expressivas comunidades hippies do mundo, o Camp Taylor.





Na beira do oceano e sem contas para pagar, os jovens construíram barracas precárias que deram início ao sonho da comunidade livre. “Nós estávamos envolvidos no movimento anti-guerra e [a Universidade de] Berkeley estava prestes a explodir. Era pegar suas armas ou sair“, conta Sandra Schaub que, junto a seu esposo Victor, foram alguns dos primeiros integrantes do grupo.






Pouco tempo após se instalarem na região, foram todos presos, adultos e crianças, acusados de vadiagem. E é justamente aí que a história fica interessante: quem se dispôs a pagar a fiança para libertar o grupo de hippies foi ninguém menos que Howard Taylor, irmão da atriz Elizabeth Taylor, que era dono de um grande terreno próximo a Kauai. O grupo foi convidado por Taylor a habitar parte de sua área sem que fosse preciso pagar qualquer tipo de aluguel.






O terreno estava em uma das partes mais belas no Havaí, rodeado por mata e água limpa e o sonho de viver livre finalmente tomava forma. Sem eletricidade ou luxos, casas foram construídas usando bambu, restos de madeira e sucata. Batizada de Camp Taylor, a comunidade sobrevivia com sua própria horta e caça e poucas vezes recorria à ajuda do governo. As crianças iam à escola normalmente e ganhavam carona do ônibus escolar da região.






As roupas eram itens opcionais e andar pelado pela vila era mais que normal. “Nós estávamos pelados. Todo mundo pensa pelado com uma conotação lasciva. [...] Mas quando você vive pelado e vê garotas peladas todos os dias, elas se tornam suas irmãs. Não há segundos interesses. [...] Eu nunca soube de nenhuma orgia, e se eu soubesse, estaria lá. Sabe o que eu quero dizer? Não que eu fosse tímido em relação a essas coisas. Certo? Não rolava nada. Eram basicamente casais. Relacionamentos“, afirma Rosey Rosenthal, atual radialista da ESPN e ex-moradora do Camp Taylor.






Em pouco tempo, Camp Taylor atraiu cerca de 120 moradores, entre hippies, curiosos e veteranos de guerra, ocupando um espaço de 7 acres. O uso de drogas alucinógenas era frequente, mas, segundo participantes, tinha uma finalidade puramente espiritual. “Para mim, ácido era uma ferramenta, era um acordar espiritual usado com foco e propósito. Não era somente ‘Vamos festejar, traga o ácido!‘”, conta Teri Green, que morou em Camp Taylor junto a sua irmã, Debby.






O sonho de Camp Taylor durou oito anos como uma comunidade funcional, pacífica e livre. No final dos anos 70, contudo, o Havaí se tornava um dos principais interesses da indústria do turismo e não demorou muito até que o terreno de Howard Taylor fosse comprado pela União e transformado em parque.






As histórias de Camp Taylor foram reunidas pelos cineastas Robert C. Stone e Thomas Vendetti e deram origem a um documentário. Um livro com 108 fotografias, histórias e um mapa da comunidade também foi lançado pelo fotógrafo John Wehrheim, autor das imagens que ilustram este texto.






Se a experiência de Camp Taylor foi positiva? “Eu não consigo imaginar nada mais puro e belo do que a vida que tive lá. Foi a experiência mais valiosa de toda a minha vida“, afirmou David Pearson, hoje professor aposentado de uma escola pública.







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