segunda-feira, 29 de junho de 2015

SEXO ANAL, SEM MEDO, SEM TRAUMAS... COM MUITO PRAZER!





Este blog não costuma promover nenhum produto, nenhum livro, nada. E tem a intenção de continuar assim. No entanto, de vez em quando, obriga-se a dar a seus leitores notícias de produtos, livros, serviços, porque... bem, porque atendem a um dos seus objetivos: trazer informação erótica de qualidade.




Em se tratando, no entanto, de literatura, quase sempre preferimos textos, poemas, contos a qualquer comentário ou análise de obras. Quebramos um pouco essa preferência, hoje, ao trazer uma crônica que analisa um livro que saiu há pouco no Brasil, um romance que tem um tema praticamente único: sexo anal. Divirtam-se, portanto, com a crônica abaixo e, depois, se quiserem, com o próprio livro:




A ENTREGA DE TONI BENTLEY

Leônidas Pellegrini


(Christophe)


 Ao comentar sobre seu meticuloso hábito de contar cada uma de suas relações anais (colecionando numa caixa as camisinhas usadas em cada episódio) Toni Bentley, autora do recém-lançado A Entrega: memórias eróticas (Objetiva, 2005, 220 págs.), justifica-se como sendo “anal”. Terminada a leitura, entretanto, percebi que a autora está muito além de ser uma simples freudiana, e que, de fato, parece ter desenvolvido uma verdadeira “alma anal”, termo que pode ser explicado pela intensa relação espiritual/existencial que Bentley estabelece em seus “sórdidos” relatos.


(Denis - volutes)


O livro, que já se encontra em décimo lugar entre os mais vendidos de não-ficção no Brasil, envolve um relato pessoal das experiências eróticas da autora, desde uma breve introdução acerca de seu defloramento, suas primeiras relações sexuais insatisfatórias, seu casamento fracassado (e traumático) e diversos relacionamentos monogâmicos infrutíferos, até sua grande descoberta sexual com o Homem A, com quem vive uma relação por cerca de três anos. E a tal grande descoberta da narradora nada mais é que o intenso prazer que encontra nas relações anais mantidas com seu amante. Mas fica claro, pela intensidade e pela complexidade que é dada por Bentley à sua relação com o Homem A, que não se trata apenas da descoberta de um grande prazer, mas um desabrochar espiritual. A ex-bailarina, ex-esposa e ex-boa-moça tem uma formação ateísta que a leva a procurar de diversas maneiras por alguma crença divina.




Além disso, carrega traumas de uma criação paterna rígida e carente de amor, o que, segundo a própria narradora, pode ter sido grande o fator que a levou a desenvolver seu caráter tão oblíquo e tão frágil, e a ser uma pessoa com tantas dificuldades de relacionamentos. E essa mulher de vida sexual tão atribulada acaba encontrando a terapia e a “cura” de seus fantasmas na sua “porta de saída”: numa relação (jamais monogâmica) de prazer transcendente, masoquismo e obediência temperada, Bentley viaja para dentro e fora de si, harmoniza seus yin-yang, tem seu encontro consigo própria e com Deus; a sua luz interior, a revelação de sua espiritualidade, é acesa pelo seu buraco obscuro!

(Julie Delcourt) 

E podemos pensar, sim, que essa paixão não é novidade tão grande, pois o ânus é mote pra lá de cantado e recantado na literatura erótica e/ou pornográfica: o renascentista Pietro Aretino já cantava repetidamente em seus sonetos o seu grande apreço pelo sexo anal (“E Deus perdoe a quem no cu não foda”), e também Sade, na voz do cínico Dolmacé, disserta longa e apaixonadamente sobre sua devoção pelo ânus. Mas fique claro que Aretino e Sade, além de lidarem com uma tradição pornográfica de estereótipos, passam ao leitor uma visão masculina do assunto. De poucas vozes femininas que já vi falando sobre a “paixão obscura” (e como uma revelação de prazer), lembro talvez apenas de Adélia Prado, em seu poema “Objeto de Amor”:




“De tal ordem é e tão precioso/ que vou dizer-lhes
que não posso guardá-lo/ sem a sensação de um roubo:
cu é lindo!/ Fazei o que puderes com esta dádiva.
quanto a mim dou graças/ pelo que agora sei
e, mais que perdoo, eu amo.”


(Nicolas Tassaert)

Registre-se, então, que recentes estudos de sexologia já se aprofundam bastante nos assuntos das relações anais (e não mais como perversões, desvios ou tabus), esquadrinhando-se e diferenciando-se, inclusive, os orgasmos anais feminino e masculino. Mas a experiência de vida de Bentley parece adiantar esses estudos em anos (ou ânus...).




Outra característica de não-novidade em A entrega é a da autobiografia erótica/pornográfica, já desenvolvida por Casanova em suas memórias, pelo relato anônimo (e duvidoso) do vitoriano Walter em Minha Vida Secreta, por nomes consagrados da literatura norte-americana como Frank Harris, Henry Miller, Erica Jong e Anais Nin, por escritoras brasileiras de 70/80, como Adelaide Carraro, Cassandra Rios e Márcia Denser, e, recentemente (num claro indício da total libertação sexual e pessoal feminina), por nomes como Melissa Panarello, Ana Ferreira e Sabina Anzuategui. Mas Toni Bentley, em sua incursão, mais uma vez parece ir além de todos esses nomes, seja pela ousadia, seja pela intensidade com que relata sua descoberta e sua paixão.


(Pierre-Mac  - nonne)


E em meio a tantas descrições de coitos anais (ela conta um total de 291 do início até o fim de seu caso com o Homem A) e reflexões e apologias ao buraquinho, o livro apresenta ainda um caráter de manual informativo. Bentley, com base em vasta experiência de campo, disserta sobre diversos “tipos” sexuais peculiares (como o Farejador de Vagina, apaixonado pela prática do cunilíngua), sobre práticas e preferências sexuais mais “comuns” como o menáge à trois, o swing, o 69, divagações sobre tamanhos de pênis, etc. Também apresenta dados e estatísticas acerca da sodomia: eu mesmo não fazia ideia, por exemplo, de que até 1962 todos os estados norte-americanos tinham leis severas contra a prática sodomita, e que em treze deles ainda vigoram leis desse caráter, tendo havido, só na Carolina do Sul, entre 1945 e 1974, 146 processos e 125 condenações! A autora ainda fala sobre tipos de lingerie e sobre o KY Gel, deixando inclusive dicas de uso e compra: “Conselho para quem dá o cu: use óculos escuros para comprar KY e não se vire na fila do caixa: estão todos olhando para sua bunda, sem acreditar” (pág. 111).


(Rajah)


A Entrega, enfim, como todo grande auto-relato erótico, envolve a história de uma paixão, um grande caso, com seu desenrolar, sua decadência e seu fim (mas deixando uma clara mensagem de renovação do espírito humano e continuidade da vida). Pode ser visto, afinal, como uma bela e intensa história de amor, escrita com estilo e alma. Um livro para ser lido sem preconceitos e/ou julgamentos morais, mas com a mente e o espírito “escancarados”.





Fonte:



segunda-feira, 22 de junho de 2015

AS TELAS QUENTES DO EROTISMO EXPLÍCITO 4 - JOHN CURRIN







John Currin nasceu em Boulder, Colorado, em 1962, e mora hoje em Nova York. Estudou na Carnegie Mellon University, em Pittsburgh , onde obteve um BFA, em 1984 e, em 1986, um MFA da Universidade de Yale.






É mais conhecido por pinturas figurativas satíricas que lidam com temas sexuais e sociais provocativos. Seu trabalho mostra uma ampla gama de influências, incluindo fontes tão diversas como o Renascimento, revistas de cultura popular e modelos da moda contemporânea .






Muitas vezes distorce ou exagera as formas eróticas do corpo feminino, salientando que os seus personagens são reflexos de si mesmo e não inspirados por pessoas reais, usando revistas como Cosmopolitan e edições antigas da Playboy para a inspiração de suas pinturas.








No fim dos 1990, sua capacidade técnica de pintar temas de kitsch levou-o ao sucesso de crítica e financeiro, alcançando suas pinturas, até 2003, preços que chegavam a seis cifras. Mais recentemente, tem realizado uma série de pinturas descaradamente pornográficas, entre o grotesco e o belo.












segunda-feira, 15 de junho de 2015

"FAÇA AMOR, NÃO FAÇA A GUERRA" - UM LEMA QUE FICOU EM NOSSA MEMÓRIA






Só não ficou o ideal hippie, apesar de muitos, naqueles anos loucos da década de 1960, terem embarcado na tentativa de construção de comunidades voltadas para uma vida anti-capitalista, pré-industrial, pelo mundo todo. Todas fracassaram, mas deixaram um gostinho de "quero mais", de "que mundo diferente seria se..." Então, se você acha que o sonho não foi apenas sonho, mas teve laivos de realidade, embarque na reportagem a seguir, sobre um refúgio hippie dos anos 60, com fotos da época:






Fotos raras mostram refúgio hippie no Havaí
formado por pessoas que pediam a paz
nos anos 60




A água era cristalina, o asfalto mais próximo ficava a quilômetros de distância, o uso de roupas era opcional, não havia regras e as decisões não eram baseadas na razão, mas em vibes. Na primavera de 1969, treze jovens saíram das universidades dos Estados Unidos rumo a um refúgio onde buscavam paz, o encontro com a natureza e o desenvolvimento espiritual. Na região de Kauai, no Havaí, encontraram a terra que, por oito anos, seria uma das maiores e mais expressivas comunidades hippies do mundo, o Camp Taylor.





Na beira do oceano e sem contas para pagar, os jovens construíram barracas precárias que deram início ao sonho da comunidade livre. “Nós estávamos envolvidos no movimento anti-guerra e [a Universidade de] Berkeley estava prestes a explodir. Era pegar suas armas ou sair“, conta Sandra Schaub que, junto a seu esposo Victor, foram alguns dos primeiros integrantes do grupo.






Pouco tempo após se instalarem na região, foram todos presos, adultos e crianças, acusados de vadiagem. E é justamente aí que a história fica interessante: quem se dispôs a pagar a fiança para libertar o grupo de hippies foi ninguém menos que Howard Taylor, irmão da atriz Elizabeth Taylor, que era dono de um grande terreno próximo a Kauai. O grupo foi convidado por Taylor a habitar parte de sua área sem que fosse preciso pagar qualquer tipo de aluguel.






O terreno estava em uma das partes mais belas no Havaí, rodeado por mata e água limpa e o sonho de viver livre finalmente tomava forma. Sem eletricidade ou luxos, casas foram construídas usando bambu, restos de madeira e sucata. Batizada de Camp Taylor, a comunidade sobrevivia com sua própria horta e caça e poucas vezes recorria à ajuda do governo. As crianças iam à escola normalmente e ganhavam carona do ônibus escolar da região.






As roupas eram itens opcionais e andar pelado pela vila era mais que normal. “Nós estávamos pelados. Todo mundo pensa pelado com uma conotação lasciva. [...] Mas quando você vive pelado e vê garotas peladas todos os dias, elas se tornam suas irmãs. Não há segundos interesses. [...] Eu nunca soube de nenhuma orgia, e se eu soubesse, estaria lá. Sabe o que eu quero dizer? Não que eu fosse tímido em relação a essas coisas. Certo? Não rolava nada. Eram basicamente casais. Relacionamentos“, afirma Rosey Rosenthal, atual radialista da ESPN e ex-moradora do Camp Taylor.






Em pouco tempo, Camp Taylor atraiu cerca de 120 moradores, entre hippies, curiosos e veteranos de guerra, ocupando um espaço de 7 acres. O uso de drogas alucinógenas era frequente, mas, segundo participantes, tinha uma finalidade puramente espiritual. “Para mim, ácido era uma ferramenta, era um acordar espiritual usado com foco e propósito. Não era somente ‘Vamos festejar, traga o ácido!‘”, conta Teri Green, que morou em Camp Taylor junto a sua irmã, Debby.






O sonho de Camp Taylor durou oito anos como uma comunidade funcional, pacífica e livre. No final dos anos 70, contudo, o Havaí se tornava um dos principais interesses da indústria do turismo e não demorou muito até que o terreno de Howard Taylor fosse comprado pela União e transformado em parque.






As histórias de Camp Taylor foram reunidas pelos cineastas Robert C. Stone e Thomas Vendetti e deram origem a um documentário. Um livro com 108 fotografias, histórias e um mapa da comunidade também foi lançado pelo fotógrafo John Wehrheim, autor das imagens que ilustram este texto.






Se a experiência de Camp Taylor foi positiva? “Eu não consigo imaginar nada mais puro e belo do que a vida que tive lá. Foi a experiência mais valiosa de toda a minha vida“, afirmou David Pearson, hoje professor aposentado de uma escola pública.







Fonte:




segunda-feira, 8 de junho de 2015

AS TELAS QUENTES DO EROTISMO EXPLÍCITO 3 - JEAN-MARIE POUMEYROL






Jean-Marie Poumeyrol, nasceu em Libourne, França, em 8 de junho de 1946 e estudou na Academia de Belas Artes de Bordeaux. Formado, ele já tinha um filho de quatro anos, para criar, e assim começou sua carreira como professor de desenho mecânico (seus alunos aprenderam a desenhar parafusos, porcas etc.).






Em seus primeiros trabalhos, Jean-Marie Poumeyrol foi reconhecido como um mestre do erotismo, combinando imagens sob o efeito de alucinógenos e efeitos macabros de uma forma sem precedentes, tornando-o um expoente do movimento denominado realismo fantástico.






Já em sua maturidade, o artista tem exibido um fascínio por paisagens, particularmente os espaços fechados de esgotos e resíduos industriais. No entanto, a precisão incrível e finesse de seu traço,  que animaram seus primeiros trabalhos, não o deixaram e só aumentaram com a idade.






"Desde que me lembro" - Poumeyrol escreve - "tenho tido por fiel acompanhante o tédio. Esses momentos tristes e inúteis, como um vazio agradável, inventaram essas quimeras estranhas que vagueiam continuamente na minha memória visual. Com o tempo, esse estado incomum entre memória e imaginação amadureceu em uma espécie de contemplação, e eu me tornei um grande conhecedor da solidão, preferindo o tédio que acompanha todas as minhas andanças num mundo delicioso, extravagante e inútil ".






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segunda-feira, 1 de junho de 2015

MÚSICA CLÁSSICA, A ÚLTIMA FRONTEIRA DA NUDEZ?





A música clássica sempre teve uma aura de sisudez. Apreciar grandes orquestras, maestros famosos, músicos virtuosos impõe a busca de grandes espaços ou teatros afamados, com gente bem vestida, luxo e glamour.




Mesmo os concertos realizados por pequenas orquestras, a música de câmara, exigem uma certa "classe", um ambiente devidamente personalizado para receber o público e os músicos.




Isso, é claro, também acontece num país como o Japão que só há poucas décadas se abriu totalmente para cultura europeia de apreciação de grandes concertos, com sinfônicas ou filarmônicas regidas por grandes maestros.




E também lá, a música clássica tem as suas exigências para o comportamento do público e, claro, dos músicos. Principalmente em relação ao uso de trajes adequados a uma noite de gala.




No entanto, é de lá que vem a mais interessante novidade nesse quesito tão caro ao público de música erudita. As regras parece que começam a ser quebradas e modificadas com uma orquestra sui generis: a primeira orquestra formada por músicos nus. No caso, musicistas, mulheres, totalmente nuas.




Não, não há apelo sexual na apresentação das musicistas nuas. Tampouco espetacularização da nudez. Tudo é extremamente simples, direto, num ritual quase asséptico, mas extremamente instigante.




O público é recebido pela orquestra completamente vestida. E a primeira parte do concerto é apresentada assim. Tudo muito convencional. Afinal, as garotas da orquestra precisam "sentir" o público, acostumar-se com a ideia do que vai acontecer em seguida. Uma performance nua, convenhamos, deve assustar a qualquer um.




No início da segunda parte, porém, cada uma das participantes da orquestra vai à frente do palco e - uma por uma - removem todas as suas roupas, ficando inteiramente nuas de frente para uma plateia atenta e amante da música clássica. Que aplaude cada performance. Você pode conferir neste vídeo:




A última a remover as roupas é, claro, a maestrina. Então, ela dá as costas ao público, as garotas retomam seus lugares e seus intrumentos, e o concerto tem continuidade. Agora, sim, uma apresentação nua - completamente nua - da Stark Naked Orchestra. Do Japão.




Ah, sim: não encontrei nenhuma crítica à performance musical da orquestra de mulheres nuas do Japão. Presume-se que, ou os críticos não apareceram - assustados com a novidade - ou elas realmente tocam bem. Torcemos - e muito! - pela segunda possibilidade, claro.




Fonte (infelizmente, as fotos disponibilizadas pelo site não têm boa qualidade de reprodução):