segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A ARTE HOMOERÓTICA DE TOM OF FINLAND




Nasceu Touko Laaksonen, em maio de 1920, na costa sul da Finlândia. Uma terra de homens rústicos, fazendeiros e lenhadores, mas ele não era parte deles. Seus pais eram professores e o educaram numa atmosfera de arte, literatura e música. Aos cinco, tocava piano e desenhava.







Urho (em finlandês, herói) era um garoto vizinho, lavrador musculoso, que primeiro chamou a atenção do menino culto e acabou influenciando, mais tarde, sua arte.





Em 1939, Touko foi para a escola de arte em Helsinki, para estudar propaganda. Sua fascinação se expandiu ao incluir os tipos sensuais da cidade, encontrados no porto cosmopolita: trabalhadores das construções, marinheiros, policiais.... Mas ele nunca se atreveu a fazer nenhuma proposta a eles. Sua vida começou a mudar quando Stalin invadiu a Finlândia e Tom, usando um uniforme de tenente, encontrou o paraíso nos blackouts da Segunda Guerra Mundial.






Nas ruas escuras da cidade, começou a se relacionar sexualmente, da maneira que havia sonhado: com homens uniformizados cuja luxúria ele veio a desenhar mais tarde, especialmente soldados alemães, que chegavam com suas jaquetas e botas. Depois da guerra, Touko voltou a estudar arte e a ter aulas de piano no afamado Instituto Sibelius.




Durante o dia, ele trabalhava como freelancer com desenho para propaganda e moda. À noite, ele tocava piano em festas e cafés, tornando-se, assim, um membro popular da boêmia do pós-guerra de Helsinki. Evitava frequentar a cena gay que despontava na cidade porque aquilo que eles chamavam de bares artísticos era dominado pela homossexualidade extravagante, típico daquela época. Como viajava freqüentemente, podia frequentar os locais gays das grandes cidades.




Em 1953 ele conheceu Veli, com quem viveria os próximos 28 anos, numa esquina a alguns quarteirões da sua casa. No final de 1956, Touko mandou seus desenhos secretos para uma popular revista americana de homens musculosos, tendo o cuidado de usar o pseudônimo Tom. O editor se interessou e a capa da edição de primavera de 1957 trouxe um lenhador sorrindo, desenhado por "Tom of Finland". Foi uma sensação. Touko se tornou Tom e, a partir de então, o resto se tornou história.




Tom combinou detalhes foto-realísticos com suas fantasias sexuais mais selvagens, a fim de produzir um trabalho repleto de homoerotismo, provavelmente nunca antes mostrado. A representação de detalhes, como as botas e as roupas de couro, chamava a atenção pela sua perfeição. O brilho que esses objetos de fetiche transmitem via papel, desenhados com um simples lápis preto, e a força de seus desenhos, costuma aguçar a imaginação dos observadores.





Em 1973, fez sua primeira exibição de arte em Hamburgo, na Alemanha, mas essa experiência foi muito negativa (só um de seus trabalhos não foi roubado). Somente em 1978 ele concordou em participar de outra exposição, em Los Angeles. Foi a primeira vez que viajou para a América. Nos próximos anos, houve uma série de exibições em Los Angeles, San Francisco e Nova Iorque. As viagens para os Estados Unidos transformaram o tímido artista de Helsinki numa celebridade gay internacional, com amigos como Etienne e Robert Mapplethorpe.






O grande salto na sua carreira deu-se quando o canadense-americano, Durk Dehner, se tornou seu empresário. Em 1981 o amante de Tom, Veli, morreu de câncer na garganta, ao mesmo tempo em que a epidemia de AIDS se espalhava por várias cidades. Tom começou a ter mais amigos na América e passava seis meses em Los Angeles, com Durk Dehner, e seis meses em Helsinki. Depois de ter diagnosticado um enfisema em 1978, Tom foi forçado a diminuir suas viagens, mas continuou a desenhar.






Quando a doença e a medicação deixaram sua mão trêmula para executar o detalhado trabalho pelo qual se tornou famoso, Tom voltou à técnica que gostava na infância, usando lápis pastel para executar uma série de nus muito coloridos, até morrer em 7 de novembro de 1991.





O trabalho de Tom tem sido considerado muito mais que "desenhos sujos" e é reputado como um crédito importante na mudança da autoimagem do mundo gay. À época da publicação do primeiro trabalho de Tom, os homossexuais eram vistos como simples imitações das mulheres e buscavam viver, não raro, no anonimato.




Quando perguntado se não ficava envergonhado ao desenhar homens praticando relação sexual, Tom afirmava enfaticamente: "Trabalhei arduamente para ter certeza de que os homens que desenho têm orgulho pelo sexo que praticam e estão felizes por fazê-lo!"





Para Tom, vergonha seria reprimir suas fantasias.






Fonte:




Um comentário:

Theeus Silva simões disse...

Me adicionem no snapchat:theeusuzumaki