segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

BOCETA VIRGEM, UM CASTELO A SER CONQUISTADO; MAS...






Este é um blog de erotismo e, portanto, tem dedicado páginas e mais páginas à boceta, às vezes de forma séria; outras vezes, de forma irônica e brincalhona; e outras, ainda, com boa dose de sacanagem, mas sempre com uma certa… elegância, um certo bom gosto, um refinamento meio forçado, sem dúvida, já que é impossível estabelecer com clareza o limite entre erotismo e pornografia. Tem logrado êxito em atrair alguns leitores, todavia. O que prova que boceta é sempre um tema interessante, abordado em livros sérios ou não, em obras de pintores consagrados - a origem do mundo, diz Gustave Courbet, e quem irá contradizê-lo?





Escritores gastam tinta e talento, escrevendo sobre ela. Teólogos e juristas só pensam nela, para condená-la os primeiros; para protegê-la, às vezes, os segundos. E todos só pensam nela, ou porque têm uma e precisam cuidar dela ou porque a desejam como objeto de paixão ou de inveja. É mesmo, se não a origem do mundo, o principal motivo por que a humanidade cresce e se multiplica. Claro, tem uma ajudinha. Porque sua majestade não é tão orgulhosa de querer todos os louros unicamente para si.  Enfim, a boceta reina.






E tem história e estórias. Na História, com agá maiúsculo, ocupa lugar de destaque, desde que o mundo é mundo, nas artes, nas ciências, nas religiões (sim, até nas religiões!)… Quanto às estórias, há algumas que merecem crônicas e contos e romances e poemas que têm sido publicados aqui, para degustação de nossos leitores e leitoras.






Toda essa enrolação - que todos já perceberam - é só para contar mais uma estória de boceta, que me chegou há algum tempo. Uma estória verdadeira, se considerarmos que tudo o que se escreve ou se conta, a partir do momento em que está escrito ou narrado, torna-se verdade, a verdade de quem escreveu ou narrou. Se é que você me entende.







Essa - a verdadeira história que pretendo contar, em segunda mão - dizem que aconteceu na cidade de Sapupemaçu, interior do Piauí. O delegado recebe a queixa de uma moça que se dizia deflorada pelo namorado. Na ausência de médico na cidade, pediu um laudo, por escrito, a uma parteira afamada da região, para anexar ao processo. E lá foi a dona Marinalva examinar a moça e declarar o que viu e constatou, para todas as providências legais, junto à Justiça:






"Eu , MARINIVALDA DAS DORES, parteira oficial do destrito de SAPUPEMAÇU, declaro para o bem do meu ofício que, examinando os baixos fudetórios de Maria das Mercedis, constatei manchas arrôxicadas na altura da críca, e tumbem falta de couro de inocência na bastiana da xana, que pela minha experiência foi capada fora por supapo de rola ou solavanco de pica .

É verdade e dou fé."





Não se sabe que fim levou o inquérito, se chegou à Justiça, ou que demanda exige a Maria das Mercedis em relação a seu namorado assanhado. O que eu sei é que a dona Marinalva entende de boceta e de deflorações, por obrigação de ofício e por experiência de vida. E mais: sua descrição do ato defloratório não tem par na literatura, pela precisão, pela concisão e pela originalidade, o que torna o seu laudo, a meu ver, um texto à altura de um Balzac, um Balzac do sertão, digno de inveja de todos nós que suamos o bestunto para produzir uma mísera metáfora.







Vejam se não tenho razão: para ela, o hímen é "couro de inocência", pele ou proteção não muito fácil de ser rompida, que fica na "bastiana" da xana - feminização do substantivo "bastião"/fortificação, baluarte, elemento de defesa de um castelo, o castelo da boceta. Quer imagem mais bela e poética? O castelo foi tomado e o "couro", rompido, mas não dentro dos trâmites "normais", mas por arte de "supapo de rola" ou "solavanco de pica", ou seja, "capado fora", rompido, de forma não muito gentil, ou seja, pela força, o que leva à interpretação de uma possível reação da moça.






Sem dúvida, trouxe a dona Marinalva todos os elementos de que precisa a Justiça para condenar o moço por violência, por estupro, sem usar uma só vez essa palavra. Um laudo, com certeza, acusador e definitivo da culpabilidade masculina no trato da conquista do castelo, que nunca, mas nunca mesmo, deve ter seu assédio baseado na força bruta, mas na docilidade da paixão mútua, sem "sopapos" ou "solavancos".







(Ilustrações: Egon Schiele)

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