segunda-feira, 10 de novembro de 2014

MONOQUÍNI, QUEM SE LEMBRA DELE?





Mas... você sabe o que é monoquíni?

Causou escândalo, quando lançado, em 1964. Claro, era um traje de praia de uma peça só, a de baixo. Liberava, pela primeira vez, no mundo ocidental, no século XX, os peitinhos das meninas para dourarem livres ao sol, nas praias europeias.




Foi uma criação de Rudi Gernreich (1922-1985) que, de acordo com a Wikipédia, foi um estilista austríaco, radicado nos Estados Unidos. Acho que mais do que uma "criação", foi uma jogada de marketing. Genial, mas marketing puro.




Rudi soube dar à sua criação um nome - monokini - e a publicidade necessária para chamar a atenção da mídia da época, tornando-se notícia mundial e capa de inúmeras publicações.




Então, monoquíni é isto: um maiô só com a parte de baixo. Bem, na verdade, não é bem assim, se formos historicamente rigorosos, já que o estilista criador do monoquíni desenhou uma peça sui-generis: a calcinha da peça é preta e grande e tem detalhes que chamam a atenção, principalmente para as tiras tipo suspensório que cruzam o peito e dão-lhe um toque personalizado.




Pode-se perguntar: mas o monoquíni não é simplesmente o topless? A resposta é: NÃO! E acho que não é muito difícil distinguir um do outro. Basta prestar bem atenção às fotos a seguir.

Isto é monoquíni:





Isto é topless:




Percebeu a diferença? Não? Então, não se preocupe. Todo mundo já esqueceu o que é monoquíni e as mulheres hoje lutam pela liberação do topless - nas praias, nos clubes, nos parques... E não há, infelizmente, ou felizmente, nenhum movimento pela liberação do monoquíni. Aliás, hoje o que o mundo da moda chama de monoquíni não é exatamente a criação de 64, como o modelo usado pela Miley Cyrus:



À História o que é da História, ou ao Rudi Gernreich as honras de ter sido aquele que chamou a atenção do mundo atual (ia dizer "hodierno"!) para os seios das mulheres, os seios liberados nas praias, nos clubes, nos parques...





Ah, sim, a nossa Wikipedia nos informa que o tal Rudi também foi gourmet, criando receitas de sopas. Mas, se ninguém se lembra do monoquíni, alguém, em sã consciência, vai-se lembrar das sopas do moço?




(E essa última observação é só uma desculpa para publicar mais algumas fotos de topless...  se é que se precisa de desculpa para isso).




Vou esticar o papo - e aproveitar para mais algumas fotos - para dizer que, no Brasil, em plena ditadura, o monoquíni não só foi terminantemente proibido, como acabou alvo de algumas histórias saborosas, como nos conta o colunista do jornal O Estado de São Paulo, Humberto Wernek.




Conta ele que, em Minas Gerais, o dono de uma loja, a Estética Decorações, baseado em fotos de revistas, mandou confeccionar um monoquíni e vestiu com ele um manequim. Deu a maior confusão. Logo, beatas em revoada ameaçaram depredar a loja e fizeram manifestação à porta, brandindo terços, como se ali estivesse a morada do próprio demo. O curioso é que o dono dessa loja abandonou depois o métier para se tornar ator - o conhecido Jonas Bloch, pai de Deborah Bloch.




Enfim, não só no Brasil, mas no mundo inteiro, naqueles idos de 64, o monoquíni atiçou a ira de todos os conservadores, do Kremlin ao Vaticano. E a peça caiu completamente no esquecimento. Mas não a inevitável e determinada vontade feminina de liberdade, iniciada logo depois, nos movimentos feministas de 68 e adjacências. E as tetas foram pouco a pouco liberadas. Com reservas, ainda, mas já não causam o escândalo moralista de antes.




Fontes:

1. Wipedia (verbete: monoquíni)

2. ESTADÃO / CULTURA:




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