segunda-feira, 24 de novembro de 2014

SEXO GAY E ESSE MUNDO CADA VEZ MAIS CARETA






Há pouco, publiquei aqui a reportagem sobre um puteiro alemão em que o cliente paga um preço único e transa à vontade, com quantas garotas aguentar, durante o tempo de permanência no recinto. Confira na rubrica "bordel", ao lado.




Então, pesquisando por aí, achei outro puteiro. Aliás, nem é exatamente um bordel, mas uma casa noturna dedicada ao sexo homossexual, ao sexo gay. E sabem onde? Em Lisboa! 




Aberta em 2008, fazia parte do roteiro gay e sexual da Europa, como um point exclusivo para homens com interesses específicos e homossexuais assumidos. Eu disse "fazia", e entreguei no tempo do verbo a breve história dessa casa, pois, já tendo pesquisado e aprontado a matéria a ser publicada, descubro logo em seguida que ela foi fechada há pouco mais de um ano, mais precisamente, no início de 2013.




Venceu, mais uma vez, a caretice, o conservadorismo, a homofobia.




Enquanto puteiros heterossexuais de diversos estilos proliferam, o sexo entre homens continua o tabu de sempre: muitos o praticam, poucos o confessam. E muitos que até mesmo o praticam perseguem aqueles que "saem do armário" e tornam públicas suas preferências, como forma, talvez, de autoproteção.




Em todo caso, aqui vão algumas informações sobre a decantada LABYRINTO (esse o nome do local), não apenas como protesto pelo fechamento, mas também como inspiração para empresários do ramo que tenham dinheiro e, principalmente, coragem de arrostar a onda conservadora, de Lisboa e de tantas outras partes desse "mundão cada dia mais careta". A reportagem - editada - é de Bruno Horta, publicada no site português indicado ao final do texto, e as ilustrações são do Kamasutra gay, de anônimos orientais:




"Chama-se Labyrinto e é o primeiro espaço em Portugal anunciado como exclusivo para a prática de sexo entre homossexuais masculinos. Clube de sexo gay, só para homens, inaugurado há menos de um mês, na Rua dos Industriais, a dois passos da Assembleia da República, um "clube privado", inaugurado em abril de 2008, no centro de Lisboa.




O porteiro, com uma lanterna de luz azul na mão, vai explicando aos visitantes: "Aqui são os gabinetes privados, ali fica a casa de banho." Nesta segunda-feira à noite, no clube de sexo Labyrinto, não há muita gente. Os visitantes acabam por ficar sozinhos numa das zonas mais escuras do Labyrinto, onde nem se consegue conhecer um rosto. Ficam a comentar os oito orifícios que atravessam de um lado ao outro uma fina parede de madeira e onde mal cabe uma mão. A princípio, parece que não percebem a utilidade destes buracos. Mas depressa chegam lá. São aquilo a que em inglês se chama glory holes. Servem para a prática de sexo oral ou anal. São muito populares entre alguns homossexuais por conjugarem fantasia sexual e anonimato.




Os empregados garantem que as sextas e sábados têm sido dias de casa cheia. Foi talvez isso o que transtornou a vizinhança. Desde há vários dias corre um abaixo-assinado contra o Labyrinto: as pessoas reclamam o encerramento do espaço por o acharem inapropriado numa rua onde há famílias com crianças.





Os responsáveis pelo clube de sexo, dois empresários portugueses de 31 e 35 anos, defendem-se, alegando que os clientes apenas praticam sexo no interior e que a entrada do sítio é discreta - apenas um placa, como o nome do estabelecimento. Aventam a hipótese de estarem a ser alvo de discriminação em função da orientação sexual da clientela, mas não quiseram alongar-se em comentários.




Enquanto em outras capitais, os clubes de sexo gays (ou men"s clubs, como também são conhecidos) estão organizados de acordo com diferentes subculturas homossexuais (leather, bear, sadomasoquista), o Labyrinto não está segmentado. Mas tem noites temáticas, organizadas de acordo com fetiches sexuais. Há noites de sexo livre; noites onde só se pode usar roupa interior; para quem usa acessórios sexuais de couro; para roupa desportiva; para o visual "homem das obras" etc. Também há noite de strip, mas aí não se pede aos clientes que o façam, mas, sim, que assistam ao desnudar de modelos masculinos.





O clube funciona todos os dias, das quatro da tarde às duas da manhã. Mas à sexta e sábado não tem hora para encerrar. Só sócios, homens, podem entrar. Há mais de mil sócios, garantem os empresários responsáveis. Nenhuma mulher está autorizada a entrar. O registo faz-se através do site do clube (labyrinto.com) ou no local. Recebe-se um cartão semelhante ao do multibanco, mas preto e apenas com o número de sócio gravado. Esse cartão é o único meio de pagamento dentro do clube. Tem de ser recarregado com frequência, com um mínimo de dez euros.




Ao todo, segundo os responsáveis, a área do Labyrinto é de 250 metros quadrados. Tem 14 espaços, repartidos pelo piso de entrada e por uma cave - desde pequenos recantos tapados por cortinas com motivos militares a salas privativas, abertas ou de porta fechada, com bancos ou camas com colchões de couro preto. A intenção é, sem rodeios, a de praticar sexo livre.




Esses espaços privativos (rectângulos com dois metros por um ou pouco mais) são bastante concorridos. Há um homem, nu, com as calças na mão que sai de um dos rectângulos e entra num outro, mais espaçoso e com cama. Atrás dele vem outro de tronco nu. Estes rituais são comuns, por aqui.




Um cliente do Labyrinto, de 28 anos, conhecedor de vários clubes de sexo europeus, diz que, em comparação, este é bastante higiénico. Considera que três cabines privativas é pouco e queixa-se da falta de ecrãs no interior. Mas, de um modo geral, diz-se satisfeito com o clube.




O clube, segundo os seus responsáveis, destina-se principalmente aos "camaleões", isto é, homens socialmente heterossexuais ou bissexuais, muitos dos quais casados. Até hoje, os sítios de engate - os chamados sítios de cruising em Lisboa - eram geralmente espaços públicos, como a Cidade Universitária. Uma realidade que foi abordada pelo punho do escritor Frederico Lourenço, homossexual assumido, no livro de crónicas Valsas Nobres e Sentimentais, onde falou destes "pontos de encontro onde homens se encontram com outros homens para convívio e sexo desportivo" em que "a maioria tem aliança de casamento".





Fonte:

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O TESÃO DE SALOMÉ PELO PROFETA, OU: BEIJO NEGADO, CABEÇA CORTADA!



(Salomé, de Franz von Stuck)

A ópera SALOME, de Richard Strauss, com libreto de Hedwig Lachmann, tem como fonte a peça homônima de Oscar Wilde. Quando estreou no Teatro da Corte, em Dresden, Alemanha, em 1905, provocou aplausos calorosos de uma plateia ávida por novidades e escândalos, do começo do século XX. No entanto, foi logo proibida em vários países, justamente por essas novidades: erotismo, decapitação, necrofilia... e tantos outros temas subjacentes na história da princesa que pede a cabeça do profeta, por haver sido rejeitada por ele.

(Foto: Salome, de Mario-Piazza)

O trecho abaixo (com tradução de Mário Videira) narra o momento em que, depois de obrigar os guardas de Herodes a tirar Yokanaan, o profeta, da cisterna onde se encontra prisioneiro, Salomé declara-se tremendamente atraída por ele, por seu corpo. Ao ver negados seus pedidos, entra num jogo de repulsa e desejo desesperadores, que a levam, mais tarde, a pedir a cabeça do profeta, depois de dançar sensualmente para seu padrasto, Herodes. Suas palavras provocam o suicídio de Narraboth, o chefe da guarda, seu admirador apaixonado, cujas súplicas tinham sido impotentes para demover a vontade de Salomé de ver o profeta e falar com ele.

(Salome, de Pierre Bonnard)

SALOMÉ:- Iokanaan! Eu estou apaixonada por teu corpo, Iokanaan! Teu corpo é branco como os lírios no campo, que nunca foram tocados pela foice. Teu corpo é branco como a neve nos montes da Judeia. As rosas no jardim da rainha da Arábia não são tão brancas como o teu corpo. Nem as rosas no jardim da rainha, nem os pés da aurora sobre a folhagem, nem o seio da lua sobre o mar. Nada no mundo é tão branco como teu corpo. Deixe-me tocá-lço, o teu corpo!

IOKANAAN:- Para trás, filha da Babilônia! Foi através da mulher que o mal veio ao mundo. Não fales comigo. Eu não quero te ouvir! Eu ouço apenas a voz do Senhor, meu Deus.


(Herrmann-Paul- 1864 - Jochanaan-und-Salome)


SALOMÉ:- Teu corpo é horrendo. Ele é como o corpo de um leproso. Ele é como uma parede caiada, por onde rastejaram as víboras; como uma parede caída, onde os escorpiões construíram o seu ninho. Ele é como um túmulo pintado de cal e repleto de coisas repugnantes. Ele é horrível, teu corpo é horrível. Por teu cabelo é que estou apaixonada, Iokanaan. Teu cabelo é como as uvas negras, nas vinhas de Edom. Teu cabelo é como o cedro, os grandes cedros do Líbano, que dão sombra aos leões e aos ladrões. As longas noites negras, quando a Lua se esconde e as estrelas lêm medo, não são tão negras como teu cabelo. O silêncio da floresta... Nada no mundo é tão negro como teu cabelo. Deixa-me tocá-lo, o teu cabelo!

IOKANAAN:- Para trás, filha de Sodoma! Não me toques! Não profanes o templo do Senhor, meu Deus!



(Foto de Mason Summers: Irina Koval e Joseph Carlson)



SALOMÉ:- Teu cabelo é horrível! Ele está repleto de imundície. É como se fosse uma coroa de espinhos posta sobre tua cabeça. É como um emaranhado de serpentes ao redor de teu pescoço. Eu não gosto do teu cabelo. (Com suprema paixão). Tua boca é o que eu desejo, Iokanaan. Tua boca é como uma fita escarlate em uma torre de marfim. Ela é como uma romã, cortada com uma faca de prata. As flores da romã nos jardins de Tiro, mais rubras do que as rosas, não são tão vermelhas. As rubras fanfarras das trombetas que anunciam a aproximação dos reis, e diante das quais treme o inimigo, não são tão vermelhas como tua boca. Tua boca é mais vermelha que os pés dos homens que esmagam uvas nos lagares. Ela é mais vermelha que os pés das pombas que habitam nos templos. Tua boca é como um ramo de corais no mar, durante o crepúsculo, é como a púrpura nas minas de Moab, a púrpura dos reis... (Fora de si). Nada no mundo é tão vermelho como tua boca. Deixa-me beijá-la, a tua boca.


(Frantisek Drtikol - Salome)


IOKANAAN (Em voz baixa, num horror quase sem voz):- Jamais, filha da Babilônia, filha de Sodoma... Jamais!

SALOMÉ:- Quero beijar tua boca, Iokanaan. Quero beijar tua boca.

NARRABOTH (Com extremo pavor e desespero):- Princesa, Princesa, vós que sois como um jardim de mirra, vós que sois a pomba de todas as pombas, não olheis para este homem. Não digais a ele essas palavras. Isto eu não posso suportar...

SALOMÉ:- Quero beijar tua boca, Iokanaan. Eu quero beijar tua boca.


(Narraboth se apunhala e cai morto entre Salomé e Iokanaan).


SALOMÉ:- Deixa-me beijar tua boca, Iokanaan!

IOKANAAN:- Não tens medo, filha de Herodíades?

SALOMÉ:- Deixa-me beijar tua boca, Iokanaan!

IOKANAAN:- Filha da luxúria, há apenas uma pessoa que te pode salvar. Vai e procura por ele. Procura por ele! (Com grande fervor). Ele está em um barco no mar da Galileia e fala a seus discípulos. (Muito solene). Ajoelha-te à beira do mar, chama por ele, e chama-o pelo nome. Quando ele vier a ti, e ele vem a todos que o chamam, curva-te então aos seus pés, para que ele perdoe os teus pecados.



(Aubrey Beardsley - Salome)


SALOMÉ (Como desesperada):- Deixa-me beijar tua boca, Iokanaan!

IOKANAAN:- Maldita sejas, filha de mãe incestuosa. Maldita sejas!

SALOMÉ:- Deixa-me beijar tua boca, Iokanaan!

IOKANAAN: Eu não quero olhar para ti. Estás amaldiçoada, Salomé. Tu estás amaldiçoada!


 (Ele desce novamente para a cisterna).



(Maria Ewing - Salome)



E assim, por causa desse beijo negado - e, claro, depois do beijo, tudo o mais... - Salomé exigiu de Herodes que lhe trouxessem a cabeça do profeta numa bandeja de prata, cujos lábios ela beija, enfim, desesperadamente, loucamente, antes de ser morta pelos soldados do Tetrarca, a seu mando. Isso tudo, no enredo da peça de Wilde e na ópera de Strauss.


(Giampetrino - Salome e a cabeça de Jean Baptiste)




segunda-feira, 10 de novembro de 2014

MONOQUÍNI, QUEM SE LEMBRA DELE?





Mas... você sabe o que é monoquíni?

Causou escândalo, quando lançado, em 1964. Claro, era um traje de praia de uma peça só, a de baixo. Liberava, pela primeira vez, no mundo ocidental, no século XX, os peitinhos das meninas para dourarem livres ao sol, nas praias europeias.




Foi uma criação de Rudi Gernreich (1922-1985) que, de acordo com a Wikipédia, foi um estilista austríaco, radicado nos Estados Unidos. Acho que mais do que uma "criação", foi uma jogada de marketing. Genial, mas marketing puro.




Rudi soube dar à sua criação um nome - monokini - e a publicidade necessária para chamar a atenção da mídia da época, tornando-se notícia mundial e capa de inúmeras publicações.




Então, monoquíni é isto: um maiô só com a parte de baixo. Bem, na verdade, não é bem assim, se formos historicamente rigorosos, já que o estilista criador do monoquíni desenhou uma peça sui-generis: a calcinha da peça é preta e grande e tem detalhes que chamam a atenção, principalmente para as tiras tipo suspensório que cruzam o peito e dão-lhe um toque personalizado.




Pode-se perguntar: mas o monoquíni não é simplesmente o topless? A resposta é: NÃO! E acho que não é muito difícil distinguir um do outro. Basta prestar bem atenção às fotos a seguir.

Isto é monoquíni:





Isto é topless:




Percebeu a diferença? Não? Então, não se preocupe. Todo mundo já esqueceu o que é monoquíni e as mulheres hoje lutam pela liberação do topless - nas praias, nos clubes, nos parques... E não há, infelizmente, ou felizmente, nenhum movimento pela liberação do monoquíni. Aliás, hoje o que o mundo da moda chama de monoquíni não é exatamente a criação de 64, como o modelo usado pela Miley Cyrus:



À História o que é da História, ou ao Rudi Gernreich as honras de ter sido aquele que chamou a atenção do mundo atual (ia dizer "hodierno"!) para os seios das mulheres, os seios liberados nas praias, nos clubes, nos parques...





Ah, sim, a nossa Wikipedia nos informa que o tal Rudi também foi gourmet, criando receitas de sopas. Mas, se ninguém se lembra do monoquíni, alguém, em sã consciência, vai-se lembrar das sopas do moço?




(E essa última observação é só uma desculpa para publicar mais algumas fotos de topless...  se é que se precisa de desculpa para isso).




Vou esticar o papo - e aproveitar para mais algumas fotos - para dizer que, no Brasil, em plena ditadura, o monoquíni não só foi terminantemente proibido, como acabou alvo de algumas histórias saborosas, como nos conta o colunista do jornal O Estado de São Paulo, Humberto Wernek.




Conta ele que, em Minas Gerais, o dono de uma loja, a Estética Decorações, baseado em fotos de revistas, mandou confeccionar um monoquíni e vestiu com ele um manequim. Deu a maior confusão. Logo, beatas em revoada ameaçaram depredar a loja e fizeram manifestação à porta, brandindo terços, como se ali estivesse a morada do próprio demo. O curioso é que o dono dessa loja abandonou depois o métier para se tornar ator - o conhecido Jonas Bloch, pai de Deborah Bloch.




Enfim, não só no Brasil, mas no mundo inteiro, naqueles idos de 64, o monoquíni atiçou a ira de todos os conservadores, do Kremlin ao Vaticano. E a peça caiu completamente no esquecimento. Mas não a inevitável e determinada vontade feminina de liberdade, iniciada logo depois, nos movimentos feministas de 68 e adjacências. E as tetas foram pouco a pouco liberadas. Com reservas, ainda, mas já não causam o escândalo moralista de antes.




Fontes:

1. Wipedia (verbete: monoquíni)

2. ESTADÃO / CULTURA:




segunda-feira, 3 de novembro de 2014

A INDECÊNCIA: ERÓTICA, POÉTICA E... SAUDÁVEL!






D. H. Lawrence (1885 - 1930) sempre foi um autor perseguido pela censura. Seu romance mais famoso, "O amante de Lady Chatterley", foi proibido na Inglaterra e Estados Unidos sob a acusação de obsceno. O poema abaixo é uma expressão perfeita da oposição instinto x consciência (inteligência) e faz parte da coletânea "Poesia Erótica em Tradução", originalmente lançada em 1990 pela Editora Companhia das Letras e reeditada em Coleção de Bolso, com tradução de José Paulo Paes. Aqui, ilustrado por Martin Van Maele:


A INDECÊNCIA PODE SER SAUDÁVEL


D. H. LAWRENCE





A indecência pode ser normal, saudável;
na verdade, um pouco de indecência é necessário em toda vida
para a manter normal, saudável.




 E um pouco de putaria pode ser normal, saudável.
Na verdade, um pouco de putaria é necessário em toda vida
para a manter normal, saudável.





Mesmo a sodomia pode ser normal, saudável,
desde que haja troca de sentimento verdadeiro.




Mas se alguma delas for para o cérebro, aí se torna perniciosa:
a indecência no cérebro se torna obscena, viciosa,
a putaria no cérebro se torna sifilítica
e a sodomia no cérebro se torna uma missão,
tudo, vício, missão, insanamente mórbido.




Do mesmo modo, a castidade na hora própria é normal e bonita.
Mas a castidade no cérebro é vício, perversão.
E a rígida supressão de toda e qualquer indecência, putaria e relações assim
leva direto a furiosa insanidade.
E a quinta geração de puritanos, se não for obscenamente depravada,
é idiota. Por isso, você tem de escolher.





Para conferir, o original:


BAWDY CAN BE SANE





Bawdy can be sane and wholesome,
in fact a little bawdy is necessary in every life
to keep it sane and wholesome.




And a little whoring can be sane and wholesome.
In fact a little whoring is necessary in every life
to keep it sane and wholesome.




Even sodomy can be sane and wholesome
grandet there is an exchange of genuine feeling.



  
But get any of them on the brain, and they become pernicious:
bawdy on the brain becomes obscenity, vicious.
Whoring on the brain becomes really syphilitic
and sodomy on the brain becomes a mission,
all the lot of them, vice, missions, etc., insanely unhealthy.



  
In the same way, chastity in its hour is sweet and wholesome.
But chastity on the brain is a vice, a pervesion.
And rigid suppression of all bawdy, whoring or other such commerce
is a straight way to raving insanity.
The fifth generation of puritans, when it isn’t obscenely profligate,
is idiot. So you’ve got to choose.