segunda-feira, 28 de julho de 2014

PREÇO ÚNICO: COMA À VONTADE!





Não, não é restaurante. Pelo menos, não no sentido convencional. Trata-se de um... puteiro! Isso mesmo, um bordel, na Alemanha, cobra taxa única e seus clientes podem... bem, leiam a reportagem abaixo, do repórter Connor Creighton, feita em julho de 2014, traduzida por Marina Schnoor, publicada no site indicado ao final e editada por mim, especialmente para esta "Lua Quebrada".


UMA VISITA A UM BORDEL "COMA À VONTADE" NA ALEMANHA






O bordel King George em Berlim abre às quatro da tarde, de segunda a domingo, exceto no Natal. Por €99 (R$300) você pode ficar ali até de madrugada, quando os primeiros varredores de rua passam, e beber e transar o quanto quiser com Klaudia, Katja, Petronella, Alina, Barby ou qualquer uma das 27 garotas da equipe, que se empoleiram em bancos de veludo ou botas de couro entre as muitas luzes vermelhas do bar.






O King George é o primeiro bordel de taxa fixa da Alemanha. É a resposta da indústria do sexo à recessão global. Em Berlim, há meia dúzia deles. Os bordéis preferem ser chamados de “tudo incluso”. Como o dono Sascha Erben me explica: “Trata-se de sexo; não é um pacote de telefonia celular”. Alina está trabalhando na porta. Ela usa um tubinho rosa. O vestido cobre seu corpo como um pão cobre a salsicha de um cachorro-quente. Quando ela se levanta, o vestido sobe acima da bunda e ela precisa ajeitá-lo de novo com as mãos. As outras garotas estão usando o mesmo vestido em diferentes tons de rosa. É o uniforme da casa.






O próprio layout do prédio é uma homenagem ao pênis: um bar longo leva a duas redes apertadas de quartos pequenos com camas, chuveiros e uma iluminação que torna difícil ler qualquer coisa. Música do tipo europop sai de pequenos alto-falantes, escondidos no alto em meio às sombras.






A maioria das mulheres é do Leste Europeu. A Klaudia é da Áustria, e é quase uma celebridade em Berlim. Alina diz que é de Nápoles e que sente saudades do mar e de casa. Mas Alina, eu e seu sotaque sabemos que ela não é da Itália. Provavelmente da Romênia. O mesmo vale para as garotas que falam espanhol, como Petronella e Barby. Elas aprendem a língua na Romênia assistindo a novelas espanholas e falam assim porque é divertido, ela diz. Obviamente, elas também mentem a idade. Quem parece ter uns 40 anos sempre diz ter 30 e poucos, e as garotas de 30 têm todas 19. Mas acho que é somente o sintoma das premissas desonestas de todo bordel. As mulheres agem como se todos os homens fossem interessantes e desejáveis, e os homens se convencem de que realmente são.






Os clientes começam a chegar depois que as fábricas e as lojas encerram o dia. Erben conhece bem a clientela. “Atendemos taxistas, desempregados, caras que não ganham muito mais de €1.500 [R$4.500] por mês.” Erben comprou o King George mais de seis anos atrás. O lugar era um clube de striptease. “O sorriso é a coisa mais importante numa prostituta”, ele diz. “Elas não precisam ser bonitas; na verdade, muitas vezes é melhor que elas não sejam. O que você quer é o tipo de garota que ainda consegue jogar charme mesmo depois de 12 horas sentada sem fazer nada.”






Erben parece um cara simpático. As garotas confirmam essa impressão. Klaudia me diz que ele é muito gentil. Ele empresta dinheiro às garotas. E ele comprou uma bolsa de €300 (R$900) para ela. Mas as outras garotas não podem ficar sabendo disso. Ele também transa com elas? “Não”, diz Erben. “Quando você faz isso, você não está respeitando-as como funcionárias. E isso pode causar problemas entre as garotas.”E com quem ele transa, então? “Tenho uma namorada, mas encontrar alguém com quem construir uma família, considerando meu negócio, é complicado.”






Já as garotas têm família. Klaudia tem uma filha de 17 anos. Ela vai buscá-la no trabalho toda noite e as duas saem para comer kebab. Klaudia também é enfermeira. Ela é útil aqui no bordel, mas bem menos no mundo real, onde uma enfermeira ganha apenas €1.300 (R$3.900) por mês. Numa noite boa no King George ela pode fazer €600 (R$1.800). Ela diz que vive bem como prostituta. Ela passa as férias em Ibiza no verão e nos Alpes no inverno.






“Muito do dinheiro nem vem do sexo. Os homens só querem alguém para conversar ou companhia para tomar uma garrafa de champanhe”, ela diz. “Às vezes, atendo uns três ao mesmo tempo, todo mundo na jacuzzi, rindo.” E não é somente sexo. Erben tem tudo calculado. O cliente de taxa fixa médio transa com 2,7 garotas. O resto do tempo ele gasta bebendo no bar, jogando pôquer nos caça-níqueis ou até deitado sozinho em um dos quartos. “Bordéis tradicionais”, explica Erben, “são desconfortáveis para muitos homens. Eles ficam apressando você para entrar ou sair, e alguns caras ficam nervosos e não conseguem fazer nada. Aqui, o cliente se sente no próprio pub, e ele tem tempo de conversar com as garotas”.






O King George fica aberto sete dias por semana, mas as garotas trabalham um máximo de cinco dias. “Para se recuperar”, diz Erben, “mental e fisicamente”. Uma funcionária pode transar até 20 vezes numa noite. Não consigo, nem quero, pensar em como alguém se recupera mentalmente disso. As garotas vão e voltam. Katja, da Hungria, tem dois filhos e qualificação em assistência médica, mas não consegue arrumar emprego agora, então está de volta ao Rei George por enquanto. E ela gosta do trabalho? “Às vezes, não muito. Mas ninguém gosta do seu trabalho normalmente”, ela diz.






Erben não tem problemas para contratar. As garotas chegam a formar fila lá fora. “Em outros bordéis, uma garota às vezes nem consegue pagar o táxi”, ele diz. Numa noite ruim, as garotas saem com €100 (R$300) no bolso. Para cada euro que um cliente gasta, a garota leva 50 centavos. Extras – como boquete sem camisinha, anal, beijo na boca – têm rendimento maior. Na Alemanha, a prostituição é legalizada, então elas pagam impostos que vão contribuir na construção de escolas, hospitais e pontes, e também para comprar botas para os soldados alemães no Afeganistão.





A Hydra, uma organização que luta pelos direitos das prostitutas na Alemanha, estima que meio milhão de profissionais do sexo trabalha na Alemanha. Dois terços disso não são alemães. Klaudia, a austríaca, tem uma tatuagem apagada no ombro. Foi a primeira que ela fez quando era adolescente, um coração escrito “Amor”. “É uma coisa boba”, ela diz. “O amor?”, pergunto. “Não, só a tatuagem.”







http://www.vice.com/pt_br/read/uma-visita-a-um-bordel-coma-a-vontade-da-alemanha




Nenhum comentário: