segunda-feira, 9 de junho de 2014

TIJUANA BIBLES, OU: AS BÍBLIAS DE TIJUANA - 1








No Brasil, tivemos os célebres "catecismos" de nosso Carlos Zéfiro, de que já tratamos aqui. Nos Estados Unidos, ficaram famosas as "Bíblias de Tijuana".






Você pode encontrá-las sob as rubricas "eight-pagers" (oito-páginas), "Tillie-and-Mac books", "Jiggs-and-Maggie books", "jo-jo books", "bluesies", "gray-backs", and "two-by-fours" e fizeram a festa da molecada nas décadas de 20 a 60, do século passado.






Constituíam-se de pequenos gibis de oito páginas, impressos em papel vagabundo e em branco e preto, com histórias obscenas baseadas em personagens de tiras da época, ou em celebridades do momento ou, ainda, embora mais raras, em políticos.





Seus autores - e foram vários - nunca foram devidamente identificados. Tampouco os editores. A perseguição da polícia - numa sociedade bastante conservadora, como a estadunidense, com leis rígidas em vários estados contra a pornografia - levou a que esses gibis tivessem impressão clandestina e estratégias criativas de divulgação.







Ganharam o nome de "bíblias de Tijuana" porque se acreditava, erroneamente, que fossem impressas no México e contrabandeadas pela fronteira de Tijuana. Além disso, na década de 30, traziam falsas informações de gráficas e editoras inexistentes, como "London Press", "La France Publishing" e "Tobasco Publishing Co.", de Londres, Paris ou Havana.






As Bíblias de Tijuana eram vendidas de forma sorrateira, tal como os catecismos brasileiros, por sob o balcão de lojas e bancas de jornais; em lugares de reuniões masculinas, como boliches, tabacarias, barbearias, bares; e passadas, claro, de mão em mão.








O auge de produção e distribuição desses gibis ocorreu na década de 30, quando milhões de bíblias foram impressas, mas seu comércio decaiu a partir do final da segunda guerra, principalmente porque a qualidade das histórias e da impressão espantou os consumidores.






Além do modelo padrão de oito páginas, também foram impressas bíblias em tamanho maior  e também com número maior de páginas e com melhor qualidade de impressão. Esse formato valorizava o trabalho dos artistas, mas seu custo era bem mais alto.









Nenhum comentário: