segunda-feira, 16 de junho de 2014

PINTORAS DO SÉCULO XX: EROTISMO E LIBERDADE - TAMARA DE LEMPICKA



(la chemise rose)


Para aqueles que, como eu, vivem à margem da sociedade, as regras habituais não têm qualquer valor” – esta frase define claramente o espírito e a postura de Tamara de Lempicka ao longo da sua vida e obra.



(the reclining woman)


Pensa-se que Tamara terá nascido em Varsóvia, em 1898; ao certo, sabe-se que saiu da Rússia, fugindo da Revolução de 1917 para Paris, acompanhada do seu primeiro marido, Tadeusz Lempicki. Instalou-se em Montparnasse, e desde logo começou a chamar a atenção da sociedade parisiense: la belle polonaise era o paradigma da mulher moderna, fazendo a apologia à joie de vivre, ao consumismo, ao conforto, à segurança, à técnica, ao futuro!



(Adam and Eve)


Teve aulas de pintura com André Lhote, através de quem viria a adquirir o seu estilo peculiar, um cubismo art-déco com motivos burgueses e acadêmicos, misturando Picasso, Braques e Ingres. Reflete assim não só os chamados "anos loucos", mas vai além deles, quando o sucesso é medido por Hollywood, pela revista Vogue e pelas cores de Elizabeth Arden ou Helena Rubinstein.



 (Suzanna in the bath)


De Lempicka, no entanto,  imprime extravagância e sensualidade aos seus modelos e expressa um certo erotismo em grande parte da sua obra, adoptando uma espécie de “Ingrismo perverso”, uma grande intensidade psicológica e física às suas personagens, ao expor de forma crua e fria, os sentimentos e emoções daqueles que retrata e que são um reflexo dela própria: "O meu objectivo é nunca copiar, mas sim criar um estilo novo, cores claras e luminosas, desvendar a elegância dos meus modelos"



(the baths)


Viveu a vida dos anos 20 e 30 com toda a intensidade, tendo muitas aventuras amorosas com amigos, conhecidos e modelos desconhecidos, homens e mulheres. Depois da separação do primeiro marido, casou-se com o Barão Kuffner, que lhe deu título e dinheiro, muito dinheiro.



(4 nudes)


Com o início da Segunda Guerra Mundial, o casal foi para os EUA, onde a imagem de De Lempicka como a pintora extravagante dos Roaring Twenties se esvaiu, dando lugar à fama da elegante Baronesa Tamara de Lempicka-Kuffner "que é tão divertida e pinta coisas tão engraçadas", conforme a crônica da época.



(portrait of Suzy)


Morreu em 1980, e Kizette, sua filha, satisfaz seu último desejo, ao transportar as suas cinzas num helicóptero e espalhá-las por cima do vulcão Popocatépetl no México. 



(Tamara de Lempicka - art deco woman)



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