segunda-feira, 30 de junho de 2014

PINTORAS DO SÉCULO XX: EROTISMO E LIBERDADE - GEORGIA O'KEEFFE






(Georgia O'Keeffe nua - Alfred Stieglitz)

Georgia O’Keeffe nasceu em 15 de novembro de 1887, em Wisconsin e morreu em 1986 no Novo México. Foi uma das primeiras mulheres a alcançar um sucesso indiscutível nas artes plásticas estadunidenses.


Afastando-se das influências da pintura europeia dos inícios do século XX e, nomeadamente, do surrealismo, encontramos as principais bases de influência da sua obra na fotografia, tendo como principal mentor o fotógrafo e empresário de artes Alfred Stieglitz (1864-1946).


Stieglitz começou a corresponder-se com O´Keeffe em 1915,  a partir de uma série de desenhos abstratos dela que lhe chegou às mãos. A relação dos dois avança para uma complicada história de amor. Em 1916, com o apoio financeiro dele, ela se muda para New York, para o que seria um ano de trabalho. 


Acabaram se casando em 1924. Ele fez fotografias extremamente ousadas dela: nus que fizeram sensação e que a projetaram para o mundo, dentro do conceito que ele, ótimo empresário, pregava: “primeiro eles vão conhecê-la tão bem como mulher que acabarão querendo conhecer a artista”.




A pintura de Georgia O'Keeffe - suas flores, principalmente - tem o erotismo abstrato de uma visão de mundo muito particular, apaixonada e intensa, que marcou profundamente a arte dos Estados Unidos.


(Georgia O'Keeffe_-Alfred Stieglitz -1919)



(Fotos da internet, sem indicação de autoria)

segunda-feira, 23 de junho de 2014

TIJUANA BIBLES, OU: AS BÍBLIAS DE TIJUANA - 2



Dois bons exemplos de "tijuana bible": um pastiche de Dick Tracy, famoso detetive de histórias em quadrinhos, e uma história do imaginário popular, o vendedor domiciliar.

DICK TRACY











O VENDEDOR













segunda-feira, 16 de junho de 2014

PINTORAS DO SÉCULO XX: EROTISMO E LIBERDADE - TAMARA DE LEMPICKA



(la chemise rose)


Para aqueles que, como eu, vivem à margem da sociedade, as regras habituais não têm qualquer valor” – esta frase define claramente o espírito e a postura de Tamara de Lempicka ao longo da sua vida e obra.



(the reclining woman)


Pensa-se que Tamara terá nascido em Varsóvia, em 1898; ao certo, sabe-se que saiu da Rússia, fugindo da Revolução de 1917 para Paris, acompanhada do seu primeiro marido, Tadeusz Lempicki. Instalou-se em Montparnasse, e desde logo começou a chamar a atenção da sociedade parisiense: la belle polonaise era o paradigma da mulher moderna, fazendo a apologia à joie de vivre, ao consumismo, ao conforto, à segurança, à técnica, ao futuro!



(Adam and Eve)


Teve aulas de pintura com André Lhote, através de quem viria a adquirir o seu estilo peculiar, um cubismo art-déco com motivos burgueses e acadêmicos, misturando Picasso, Braques e Ingres. Reflete assim não só os chamados "anos loucos", mas vai além deles, quando o sucesso é medido por Hollywood, pela revista Vogue e pelas cores de Elizabeth Arden ou Helena Rubinstein.



 (Suzanna in the bath)


De Lempicka, no entanto,  imprime extravagância e sensualidade aos seus modelos e expressa um certo erotismo em grande parte da sua obra, adoptando uma espécie de “Ingrismo perverso”, uma grande intensidade psicológica e física às suas personagens, ao expor de forma crua e fria, os sentimentos e emoções daqueles que retrata e que são um reflexo dela própria: "O meu objectivo é nunca copiar, mas sim criar um estilo novo, cores claras e luminosas, desvendar a elegância dos meus modelos"



(the baths)


Viveu a vida dos anos 20 e 30 com toda a intensidade, tendo muitas aventuras amorosas com amigos, conhecidos e modelos desconhecidos, homens e mulheres. Depois da separação do primeiro marido, casou-se com o Barão Kuffner, que lhe deu título e dinheiro, muito dinheiro.



(4 nudes)


Com o início da Segunda Guerra Mundial, o casal foi para os EUA, onde a imagem de De Lempicka como a pintora extravagante dos Roaring Twenties se esvaiu, dando lugar à fama da elegante Baronesa Tamara de Lempicka-Kuffner "que é tão divertida e pinta coisas tão engraçadas", conforme a crônica da época.



(portrait of Suzy)


Morreu em 1980, e Kizette, sua filha, satisfaz seu último desejo, ao transportar as suas cinzas num helicóptero e espalhá-las por cima do vulcão Popocatépetl no México. 



(Tamara de Lempicka - art deco woman)



segunda-feira, 9 de junho de 2014

TIJUANA BIBLES, OU: AS BÍBLIAS DE TIJUANA - 1








No Brasil, tivemos os célebres "catecismos" de nosso Carlos Zéfiro, de que já tratamos aqui. Nos Estados Unidos, ficaram famosas as "Bíblias de Tijuana".






Você pode encontrá-las sob as rubricas "eight-pagers" (oito-páginas), "Tillie-and-Mac books", "Jiggs-and-Maggie books", "jo-jo books", "bluesies", "gray-backs", and "two-by-fours" e fizeram a festa da molecada nas décadas de 20 a 60, do século passado.






Constituíam-se de pequenos gibis de oito páginas, impressos em papel vagabundo e em branco e preto, com histórias obscenas baseadas em personagens de tiras da época, ou em celebridades do momento ou, ainda, embora mais raras, em políticos.





Seus autores - e foram vários - nunca foram devidamente identificados. Tampouco os editores. A perseguição da polícia - numa sociedade bastante conservadora, como a estadunidense, com leis rígidas em vários estados contra a pornografia - levou a que esses gibis tivessem impressão clandestina e estratégias criativas de divulgação.







Ganharam o nome de "bíblias de Tijuana" porque se acreditava, erroneamente, que fossem impressas no México e contrabandeadas pela fronteira de Tijuana. Além disso, na década de 30, traziam falsas informações de gráficas e editoras inexistentes, como "London Press", "La France Publishing" e "Tobasco Publishing Co.", de Londres, Paris ou Havana.






As Bíblias de Tijuana eram vendidas de forma sorrateira, tal como os catecismos brasileiros, por sob o balcão de lojas e bancas de jornais; em lugares de reuniões masculinas, como boliches, tabacarias, barbearias, bares; e passadas, claro, de mão em mão.








O auge de produção e distribuição desses gibis ocorreu na década de 30, quando milhões de bíblias foram impressas, mas seu comércio decaiu a partir do final da segunda guerra, principalmente porque a qualidade das histórias e da impressão espantou os consumidores.






Além do modelo padrão de oito páginas, também foram impressas bíblias em tamanho maior  e também com número maior de páginas e com melhor qualidade de impressão. Esse formato valorizava o trabalho dos artistas, mas seu custo era bem mais alto.