segunda-feira, 26 de maio de 2014

A MULHER NUA: NO POEMA E NA ARTE



(Francine van Hove - la prairie etoillée)

O poeta morreu cedo, há pouco tempo, aos 53 anos. E deixou uma obra consistente. Além de muitos amigos. Então, a homenagem é póstuma, com ilustrações de vários pintores, de vários estilos, de várias épocas, para nosso deleite visual e intelectual.



SEGUNDA MEDITAÇÃO DA CARNE

Donizete Galvão

(Jeremy Lipking - nu)



Véu de penugem,
que se ergue
ao balançar dos lençóis.



(Lucien Freud - portrait of Kate Moss)



Corpo nu, iluminado
pela réstia de luz
que vara o quarto.



(João Fahrion - nu feminino)



Desenho de ancas,
fluidez das pernas,
cálido hálito de boca
entreaberta.




(John Currin - pearls)



Inda que imperfeita,
quem sabe por isso mesmo,
sua figura de mulher
resplandece como pera madura.



(Klopper - nude)



De onde flui este desejo
que dói como fratura exposta?
A alma quer mais do corpo.
Quer que ele se gaste.
Quer que definhe,
sem nada que lhe baste.



(Vladislav Shereshevsky)



Quer que se desespere
por nunca estar saciado.
Quer que ele procure em vão,
sem encontrar a resposta.



(Leone Frollo)




(A Carne e o Tempo - 1997)

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