segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A PRIMEIRA VEZ... DEPOIS DE MUITA SACANAGEM




           

Márcia Alencar. Escritora. De pegada forte no erotismo de seus contos, de seus poemas. Ficamos amigos na rede social. Eu, aqui, em Sampa; ela, lá, nas areias ardentes de Copacabana e adjacências. Ardentes, eu disse. Ardente a literatura de Márcia. Com aquilo que convencionamos chamar de "sacanagem". E se isso é sacanagem, é das boas. Seus contos, publicados, enfim, em livro (veja no final do post) deixam na boca o gosto às vezes amargo, às vezes travado, do cravo bem temperado do sexo sem meias medidas. E se o tema é "primeira vez", o enfoque - dramático, ou melhor, melodramático - surpreende. Enfim, segue o texto - que é bom, cru, direto - e espero que você, leitora e leitor constantes ou eventuais deste blog tirem suas conclusões:

COVARDIA





- Passe a língua de leve apenas ao redor deles e mordisque-os na pontinha. Assim. As... sim...! Ahhhhhhhh... Ahhhhhh... Aiiiiiiiieeeeeee...

- Vai, amorzinho. Deixa-me beber desse gozo! Deixa, deixa, deixa...

Deixei. Bebeu-me até a última gota espremida. Acho que ele se saciou, ou não? Também não quero saber. Nada disso me interessa. Nunca gostei de ser penetrada, mas tocada em dedos e sugada na língua. Mordida, chupada e lambida. Esse é o meu lema. Se eu sou virgem? Sim, sou virgem, AINDA.



Quero permanecer assim. Virgem. E se ele insistir em me penetrar eu grito. Eu berro. Eu faço um escândalo. Até porque ele é um puto. Sempre foi e sempre será um puto. Não passa disso o pervertido. É dos tais que come todas as bucetas das redondezas. Metelão de cuzinhos desorientados. Ele é do tipo corretor de imóveis, tem uma lábia desgraçada e a clientela cai nela, até de boca. Mas comigo não rola isso, não. Sou séria.

É bem verdade que ele me estraçalha por dentro. É charmoso, tesudo, tem bom gosto, beija bem e lambe, porra! Ele que vá a puta que o pariu! Que mais é que ele se foda. Comigo, no dedo, tô chorando agora.Ele disse que me deseja. Mas é tudo mentira. Ele me deseja tanto quanto as outras vagabundas que se arreganham pra ele. Tô sofrendo.




Ele sempre me liga e me chama. Dá as ordens: - Minha cadelinha venha, com aquele vestidinho predo de alcinha. Pinte a boca de vermelho e as unhas também. Deixe o cabelo num coque solto, e eu feito burra obedeço. Faço o que ele manda.

Leva-me pra o motel mais caro. E me ordena: mostre o que você tem de melhor, minha vadia linda. E eu mostro uma bucetinha palpitando pela rola dele. Eu juro que tento dar gostoso. Mas nunca dei. E imploro a língua babada dele no meu próprio caldo. Já gozei chorando só de imaginar ele fodendo outra. E o máximo que eu já fiz foi roçar gostoso na pica dele, eu por cima, rebolando toda e vertendo em lágrimas, e ele me chupando nos bicos...




Então implorei que não fodesse com as outras. Eu prometi me dar somente a ele. Ser dele e de mais ninguém. Ele gozou com o meu pedido. Minha voz ficou rouca, gemi baixinho com os dedos dele atolados na minha racha toda pegajosa. Eu gozei também.

Sustentamos o olhar alguns segundos. Ele me selou num beijo de língua e lambeu todo o meu rosto de lágrimas caídas...




Ontem saímos novamente. E ele disse que me ter de qualquer jeito, nem que fosse pela última vez. Fiquei calada. Desci a alcinha do meu vestido preto, arriei a calcinha, deitei-me na cama, abri as coxas, alisei toda a extensão do meu corte e o puxei contra o meu corpo.

Ele não acreditava no que via. Eu ali, entregue a ele. Roçou-me a pica por entre as coxas, me beijou lascivamente em grunhidos, me forçou nos lábios, forçou, enfiou os dedos para certificar-se da gosma aflita que me envolvia; apenas o olhei fixamente num sussurro:

- Sou toda sua. Me foda.




Penetrou-me sutilmente num tesão exacerbado, movimentei bem os quadris até sentir que ele estava completamente dentro de mim. Suspirei baixinho e completei com a voz alterada - roça bem gostoso, vai. Empurra a pica bem no fundo. Enterra tudo em mim. Fode. Fode. Me fode. Me fooooooodeeeeeee!

Os movimentos aceleraram-se e entre lambidas de línguas e o gozo desceu pernas abaixo. Olhei-o fixamente nos olhos, senti que com o meu gozo vieram também as lágrimas.

Passei a mão sobre a extensão da sua pica e o limite do meu corte. E dei o que de melhor eu tinha guardado pra ele:

O meu sangue vivo, escorregadio e pulsante.

A minha vida.




(Ilustrações: Tracy Nakayama)

Amar... Gozar... Dormir... - contos eróticos de Márcia Alencar:





Nenhum comentário: