segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

NUDEZ: UM ANTES E DEPOIS DIFERENTE






A nudez é tema recorrente neste blog. Como forma de desmistificar a ideia de que o corpo é pecaminoso. Assim, sempre que encontro algo interessante relacionado a esse tema, procuro trazê-lo para cá. Há algum tempo, no Facebook, chamaram-me a atenção para as fotos de Gracie Hagen e, poucos dias depois, um leitor deste blog me sugeriu matéria com a mesma fotógrafa. Encontrei no site português abaixo indicado o texto que reproduzo, já que a matéria traz algumas informações importantes sobre a artista e sua arte. Divirtam-se, principalmente com as fotos.

Gracie Hagen é uma fotógrafa e videógrafa americana, residente em Chicago. Como artista, aborda principalmente temas relacionados com o corpo — o conceito de beleza, os conceitos de perfeição, defeito e de realismo. Não destoando, Gracie criou o projecto "Illusions of the body". Neste projecto, a artista justapõe um retrato lisonjeiro e outro em que o mesmo sujeito aparece desfavorecido. Com isso, a autora pretende realçar que, apesar da discrepância visual, trata-se do mesmo corpo e que a noção de beleza não depende de mais do que de um momento."Todos temos momentos em que parecemos bonitos e outros em que estamos desfavorecidos", afirmou ao P3 numa entrevista por "e-mail". Segundo Hagen, os padrões culturais de beleza existirão sempre, mas chama a atenção para a tomada de consciência pública para o facto de os modelos apresentados nem sempre serem realistas. O papel dos media na criação e perpetuação dessa imagem é preponderante. A criação de um modelo inatingível fomenta o consumo. Em busca da perfeição, o cidadão médio vê-se na necessidade de se aperfeiçoar e de, para isso, consumir produtos que o permitam atingir os resultados pretendidos. "Comparamo-nos às fotografias de modelos, embora a grande maioria de nós saiba que essa também não é a sua aparência na vida real. [...] É iluminação, ângulo, photoshop, gestualidade..." Por isso, Hagen sublinha "Devemos celebrar as nossas diferenças e as estranhas contorções que o corpo humano é capaz de realizar."















Fonte:




segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

GAROTO QUE COME TODAS É GARANHÃO; JÁ AS MENINAS...





O texto é de 2011. A autora do blog indicado abaixo é Jaque Barbosa. Procure-a no Face, na internet. Não preciso traçar, aqui, a moça, digo, o perfil da moça. Apenas dizer que gostei do texto e faço dele a postagem da semana, por uma razão: o tema, o velho tema do  lema machista que, infelizmente, ainda vigora em nossa sociedade - "prenda sua cabrita que meu bode está solto". 



(Auguste Leroux)

O homem pode tudo. A mulher, nada. Principalmente na adolescência, quando é muito fácil colar nas meninas menos convencionais rótulos inconvenientes e injustos. Poderia ficar aqui a destilar inúmeros argumentos e histórias sobre esse assunto, mas dou a palavra à nossa articulista. Divirtam-se e, principalmente, tirem suas lições (homens e mulheres que tenham a responsabilidade de educar e formar outros homens e mulheres).


MÃE, NÃO QUERO SER PUTA

por Jaque Barbosa



(Diane Arbus)


Minhas primeiras lembranças sobre o rótulo de puta remetem ainda aos anos de escola, época em que minhas preocupações mais latentes giravam em torno de dilemas complexos do tipo “com-quem-vou-sentar-junto-no-ônibus-da-excursão?” Eu nem pensava em beijar meninos – fato que ocorreu uns bons cinco anos depois –, mas os assuntos nas rodinhas entre uma explicação de matemática e a conjugação do eterno verbo to be já apontavam para ela, a galinha da sala.


(Foto da internet, s/indicação de autoria)


Sem peito, já puta

Lembro-me que não entendia muito bem qual a relação entre uma galinha e o fato de uma menina ter beijado alguns meninos na boca, mas logo fui apresentada à definição que não consta no Aurélio:

Galinha s.f.

Menina amiga de muitos meninos que comete o ultraje de ficar com dois garotos do mesmo grupinho e que, segundo as más línguas, permite a um ou mais deles passar a mão nas proximidades dos seus peitinhos que começam a brotar tais quais pequenas laranjinhas.


(Foto da internet, s/indicação de autoria)


Seu nome era Gabriela. Eu gostava dela. Não me interessava muito o que ela fazia fora dali – mas o rótulo de “galinha” assumiu sua antiga identidade. Antes que eu me desse conta, me peguei também olhando-a e imaginando como conseguia ser tão lasciva. Por causa de sua nova identidade, Gabriela foi excluída das rodas das meninas e os meninos cada vez se aproximavam, sempre com as mesmas brincadeiras cheias de duplo sentido. A partir daí, concluí que não queria ser uma puta.



(Foto da internet, s/indicação de autoria)


Pernas cruzadas


O fantasma da puta me assombrou durante toda a adolescência. O mesmo acontecia com minhas amigas. Ninguém queria ser vista como fácil e a regra era: mesmo se estiver com vontade, cruze as pernas. Ficar com dois meninos da sala, jamais! Da escola, só se ninguém mais soubesse. As mãos mal-intencionadas dos meninos com hormônios explodindo tinham que ficar longe das nossas bundas e de nossos projetos de peito. Eram as regras básicas.



(Antonella Cinelli - secreti)


Fui crescendo e, apesar das regras terem evoluído, ainda via o fantasma da puta assombrando minha vida e a vida das mulheres ao meu redor. Agora o papo era outro e envolvia questões do tipo: “se estiver com vontade de dar no primeiro encontro, vá embora e bata uma sozinha em casa”, “se gostou muito, não ligue”, “não fique com mais de um cara no trabalho”, “sexo anal desmoraliza a mulher”, “ser safada na cama assusta os homens”. Se ele sumia do mapa, sempre tinha a amiga pra dizer:

— Não disse? Você foi fácil demais.



(Foto da internet, s/indicação de autoria)



Quem ditava as regras eu não sei dizer, mas elas existiam como parte de um manual invisível para não se tornar “mal-falada”.

Quando comecei a questionar o que queria da vida, me toquei que as regras do tal manual invisível não passavam de balela. Mas constatei que ele fez parte da minha adolescência e ditou, de certa forma, minha forma de me relacionar com os homens.

Pernas sempre cruzadas para não ser confundida com uma vadia.


(Miranda Kerr)


Um puta peso de puta

Conversando sobre esse assunto com uma amiga, escutei-a confessar, cheia de remorso, sobre o dia em que, durante uma festa, deu para um cara de quem nem sabia o nome. Foi, usando suas próprias palavras, a melhor foda de sua vida. Mas depois ficou sabendo que o cara espalhou para os amigos que tinha transado com ela na lavanderia da casa. Eis que o fantasma da puta novamente entrou em cena: escutei-a dizer – podendo jurar que via um princípio de lágrima querendo brotar nos seus olhos – que se arrependeu horrores de ter sido tão puta naquele dia, que não queria se sentir assim nunca mais na vida.



(Foto da internet, s/indicação de autoria)



Fiquei me perguntando qual a fonte do arrependimento dela – porque se o sexo tinha sido bom e se ela tinha sentido prazer, o sofrimento pós-foda não poderia ter vindo de motivações pessoais. E aí entendi o peso que o rótulo da puta exerceu sobre a vida de nós todas, reprimindo vontades e não nos permitindo ser quem realmente éramos.




(Frank Boots)

Hoje, posso dizer que esse fantasma não me assombra mais. Basta refletir um pouco para perceber que não há nada negativo em gostar de sexo, querer ter experiências com várias pessoas e se permitir transar da forma que o corpo pede. Hoje, sinto pena pelos desejos reprimidos e por todos os gozos que ainda virão a ser censurados. Deixar que a puta que existe dentro de nós assuma o controle de vez em quando é necessário – e delicioso. Como sabiamente já dizia Caio Fernando Abreu, “um dia de monja, um dia de puta”.



(Foto da internet s/indicação de autoria)







segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

QUANDO O CORAÇÃO DISPARA






Amor, tesão. Sexo. Paixões proibidas. Insinuações eróticas. Desejo. Erotismo e religiosidade. O santo não é, assim, tão santo. E a moça, bem, a moça é carne e tesão. Mesmo que o amor/tesão tenha chegado um pouco cedo. E provoque na menina o espanto e mais desejo.

Um universo erótico, em que nada escapa, nem as galinhas. E, claro, os rapazes, desde aquele que "palita os dentes" até o frei. E eles estão no quintal, onde há bananeiras que viram mar; no armazém, espreitando entre sacas de grãos; ou atrás dos muros dos quartéis ou pulando muros... Também, com essa vizinhança!

Estamos falando de ADÉLIA PRADO.

Seu erotismo sutil, ou não. Mas sempre belo, sempre poético.

De seu livro O CORAÇÃO DISPARADO, os poemas que constitui o "capítulo" denominado "o coração disparado e a língua seca", uma série de poemas de dar água na boca, embora água não seja o amor, ou o tesão.

Para fazer um jogo de oposião à sutileza mineira de Adélia, convoco o pintor italiano AURELIO PERNICE, com suas madonas estilizadas e exageradas, suas cores intensas. Minas e Itália, uma mistura que nunca vai dar samba nem tarantella, mas pode provocar, já que tanto a mineira quanto o italiano o fazem, cada um de seu jeito, recolhido ou despachado. Divirtam-se, pois.


1. MOÇA NA SUA CAMA





Papai tosse, dando aviso de si,
vem examinar as tramelas, uma a uma.
A cumeeira da casa é de peroba do campo,
posso dormir sossegada. Mamãe vem me cobrir,
tomo a bênção e fujo atrás dos homens,
me contendo por usura, fazendo render o bom.
Se me tocar, desencadeio as chusmas,
os peixezinhos cardumes.
Os topázios me ardem onde mamãe sabe,
por isso ela me diz com ciúmes:
dome logo, que é tarde.
Sim, mamãe, já vou:
passear na praça sem ninguém me ralhar.
Adeus, que me cuido, vou campear nos becos,
moa de moços no bar, violão e olhos
difíceis de sair de mim.
Quando esta nossa cidade ressonar em neblina,
os moços marianos vão me esperar na matriz.
O céu é aqui, mamãe.
Que bom não ser livro inspirado
o catecismo da doutrina cristã,
posso adiar meus escrúpulos
e cavalgar no torpor
dos monsenhores podados.
Posso sofrer amanhã
a linda nódoa de vinho
das flores murchas no chão.
As fábricas têm os seus pátios,
os muros têm seu atrás.
No quartel são gentis comigo.
Não quero chá, minha mãe,
quero a mão de frei Crisóstomo
me ungindo com óleo santo.
Da vida quero paixão.
E quero escravos, sou lassa.
Com amor de zanga e momo
quero minha cama de catre,
o anjo santo do Senhor,
meu zeloso guardador.
Mas descansa, que ele é eunuco, mamãe.


2. DIA




As galinhas com susto abrem o bico
e param daquele jeito imóvel
- ia dizer imoral-
as barbelas e as cristas envermelhadas,
só as artérias palpitando no pescoço.
Uma mulher espantada com sexo:
mas gostando muito.

3. BAIRRO




O rapaz acabou de almoçar
e palita os dentes na coberta.
O passarinho recisca e joga no cabelo do moço
excremento e casca de alpiste.
Eu acho feio palitar os dentes,
o rapaz só tem a escola primária
e fala errado que arranha.
Mas tem um quadril de homem tão sedutor
que eu fico amando ele perdidamente.
Rapaz desses
gosta muito de comer ligeiro:
bife com arroz, rodela de tomate
e ir no cinema
com aquela cara de invencível fraqueza
para os pecados capitais.
Me põe tão íntima, simples,
tão à flor da pele o amor,
o samba-canção,
o fato de que vamos morrer
e como é bom a geladeira,
o crucifixo que mamãe lhe deu,
o cordão de ouro sobre o frágil peito
que.
Ele esgravata os dentes com o palito,
esgravata é meu coração de cadela.


4. CANÍCULA





Ao meio dia, deságua o amor,
os sonhos mais frescos e intrigantes;
estou onde estão as torrentes.
Ao redor da casa grande espaça um quintal sem cercas,
tomado de bananeiras, só bananeiras,
altas como coqueiros.
Chego e é na beira do mar encrespado de correntezas,
sorvedouros azuis.
Há um perigo sobre faixa exígua
que é de areia e é branca.
Quero braceletes
e a companhia do macho que escolhi.


5. GÊNERO





Desde um tempo antigo até hoje,
quando um homem segura minha mão,
saltam duas lembranças guarnecendo
a secreta alegria do meu sangue:
a bacia da mulher é mais larga que a do homem,
em função da maternidade.
O Osvaldo Bonitão estão pulando o muro de dona Gleides.
A primeira, eu tirei de um livro de anatomia,
a segunda, de um cochilo de Maria Vilma.
Oh! por tão pouco incendiava-me?
Eu sou feita de palha,
mulher que os gregos desprezariam?
Eu de barro e oca.
Eu sou barroca.


6. CORRIDINHO






O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.
O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo,
desembarca do trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.


7.A MAÇÃ NO ESCURO





Era um cômodo grande, talvez um armazém antigo,
empilhado até o meio de seu comprimento e altura
com sacas de cereais.
Eu estava lá dentro, era escuro,
estando as portas fechadas
como uma ilha de sombra em meio do dia aberto.
De uma telha quebrada, ou de exígua janela,
vinha a notícia da luz.
Eu balançava as perna,
em cima da pilha sentada,
vivendo um cheiro como um rato o vive
no momento em que estaca.
O grão dentro das sacas,
as sacas dentro do cômodo,
o cômodo dentro do dia
dentro de mim sobre as pilhas
dentro da boca fechando-se de fera felicidade.
Meu sexo, de modo doce,
turgindo-se em sapiência,
pleno de si, mas com fome,
em forte poder contendo-se,
iluminando sem chama a minha bacia andrógina.
Eu era muito pequena,
uma menina-crisálida.
Até hoje sei quem me pensa
com pensamento de homem:
a parte que em mim não pensa e vai da cintura aos pés
reage em vagas excêntricas,
vagas de doce quentura,
de um vulcão que fosse ameno,
me põe inocente e ofertada,
madura pra olfato e dentes,
em carne de amor, a fruta.



(Adélia Prado, O CORAÇÃO DISPARADO; Guanabara, RJ, 1987).


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

A PRIMEIRA VEZ... DEPOIS DE MUITA SACANAGEM




           

Márcia Alencar. Escritora. De pegada forte no erotismo de seus contos, de seus poemas. Ficamos amigos na rede social. Eu, aqui, em Sampa; ela, lá, nas areias ardentes de Copacabana e adjacências. Ardentes, eu disse. Ardente a literatura de Márcia. Com aquilo que convencionamos chamar de "sacanagem". E se isso é sacanagem, é das boas. Seus contos, publicados, enfim, em livro (veja no final do post) deixam na boca o gosto às vezes amargo, às vezes travado, do cravo bem temperado do sexo sem meias medidas. E se o tema é "primeira vez", o enfoque - dramático, ou melhor, melodramático - surpreende. Enfim, segue o texto - que é bom, cru, direto - e espero que você, leitora e leitor constantes ou eventuais deste blog tirem suas conclusões:

COVARDIA





- Passe a língua de leve apenas ao redor deles e mordisque-os na pontinha. Assim. As... sim...! Ahhhhhhhh... Ahhhhhh... Aiiiiiiiieeeeeee...

- Vai, amorzinho. Deixa-me beber desse gozo! Deixa, deixa, deixa...

Deixei. Bebeu-me até a última gota espremida. Acho que ele se saciou, ou não? Também não quero saber. Nada disso me interessa. Nunca gostei de ser penetrada, mas tocada em dedos e sugada na língua. Mordida, chupada e lambida. Esse é o meu lema. Se eu sou virgem? Sim, sou virgem, AINDA.



Quero permanecer assim. Virgem. E se ele insistir em me penetrar eu grito. Eu berro. Eu faço um escândalo. Até porque ele é um puto. Sempre foi e sempre será um puto. Não passa disso o pervertido. É dos tais que come todas as bucetas das redondezas. Metelão de cuzinhos desorientados. Ele é do tipo corretor de imóveis, tem uma lábia desgraçada e a clientela cai nela, até de boca. Mas comigo não rola isso, não. Sou séria.

É bem verdade que ele me estraçalha por dentro. É charmoso, tesudo, tem bom gosto, beija bem e lambe, porra! Ele que vá a puta que o pariu! Que mais é que ele se foda. Comigo, no dedo, tô chorando agora.Ele disse que me deseja. Mas é tudo mentira. Ele me deseja tanto quanto as outras vagabundas que se arreganham pra ele. Tô sofrendo.




Ele sempre me liga e me chama. Dá as ordens: - Minha cadelinha venha, com aquele vestidinho predo de alcinha. Pinte a boca de vermelho e as unhas também. Deixe o cabelo num coque solto, e eu feito burra obedeço. Faço o que ele manda.

Leva-me pra o motel mais caro. E me ordena: mostre o que você tem de melhor, minha vadia linda. E eu mostro uma bucetinha palpitando pela rola dele. Eu juro que tento dar gostoso. Mas nunca dei. E imploro a língua babada dele no meu próprio caldo. Já gozei chorando só de imaginar ele fodendo outra. E o máximo que eu já fiz foi roçar gostoso na pica dele, eu por cima, rebolando toda e vertendo em lágrimas, e ele me chupando nos bicos...




Então implorei que não fodesse com as outras. Eu prometi me dar somente a ele. Ser dele e de mais ninguém. Ele gozou com o meu pedido. Minha voz ficou rouca, gemi baixinho com os dedos dele atolados na minha racha toda pegajosa. Eu gozei também.

Sustentamos o olhar alguns segundos. Ele me selou num beijo de língua e lambeu todo o meu rosto de lágrimas caídas...




Ontem saímos novamente. E ele disse que me ter de qualquer jeito, nem que fosse pela última vez. Fiquei calada. Desci a alcinha do meu vestido preto, arriei a calcinha, deitei-me na cama, abri as coxas, alisei toda a extensão do meu corte e o puxei contra o meu corpo.

Ele não acreditava no que via. Eu ali, entregue a ele. Roçou-me a pica por entre as coxas, me beijou lascivamente em grunhidos, me forçou nos lábios, forçou, enfiou os dedos para certificar-se da gosma aflita que me envolvia; apenas o olhei fixamente num sussurro:

- Sou toda sua. Me foda.




Penetrou-me sutilmente num tesão exacerbado, movimentei bem os quadris até sentir que ele estava completamente dentro de mim. Suspirei baixinho e completei com a voz alterada - roça bem gostoso, vai. Empurra a pica bem no fundo. Enterra tudo em mim. Fode. Fode. Me fode. Me fooooooodeeeeeee!

Os movimentos aceleraram-se e entre lambidas de línguas e o gozo desceu pernas abaixo. Olhei-o fixamente nos olhos, senti que com o meu gozo vieram também as lágrimas.

Passei a mão sobre a extensão da sua pica e o limite do meu corte. E dei o que de melhor eu tinha guardado pra ele:

O meu sangue vivo, escorregadio e pulsante.

A minha vida.




(Ilustrações: Tracy Nakayama)

Amar... Gozar... Dormir... - contos eróticos de Márcia Alencar: