segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

A PRIMEIRA VEZ DA RAINHA ELIZABETH, DA INGLATERRA






                                                     
Outono de 1558. Aos 25 anos, Elizabeth sobe ao trono da Inglaterra, um país falido, às vesperas de uma guerra com a católica Escócia. Para selar a paz e buscar dias melhores para sua pátria, a rainha precisa casar-se. E bem. Com um rei ou príncipe que lhe dê força, poder e... dinheiro! No entanto, Elizabeth só tem olhos para Sir Robert Dudley, amigo de infância, também de 25 anos, mas desde os 16 casado uma mulher cinco anos mais velha. Contra tudo e contra todos, eles se tornam amantes. Essa, em síntese, a história contada por Philippa Gregory, no livro O amante da virgem. Diante de toda a intriga da corte e de muitas dificuldades, os dois apaixonados levam duzentas páginas para ir para a cama pela primeira vez. O relato tem mais intenções do que  erotismo. Embora pouco sutil, a preparação para a cena de amor - o treino do cavalo - prometia um pouco mais. Por isso, apimentei o texto com ilustrações (de autor não identificado) de uma antiga edição europeia de Teresa Filósofa. No entanto, vale o relato, pois, afinal, é primeira vez de uma rainha. Confira.


CAVALGANDO ELIZABETH





Sir Robert, cavalgando devagar de um lado para outro no pátio de esportes, fez o cavalo girar e depois o alinhou mais uma vez. Vinham fazendo exercício por mais de uma hora. Tudo dependia da disposição do cavalo em cavalgar em linha reta, embora outro cavalo, de guerra, com um cavaleiro de armadura completa montado, a lança para baixo, viesse estrondoso da outra ponta, apenas uma fina barreira entre as duas criaturas. O cavalo de Sir Robert não pôde desviar-se, nem dar uma guinada, precisava manter-se na raia mesmo quando Sir Robert, baixando a própria lança, segurava as rédeas com uma só mão, precisava manter-se na raia mesmo que ele balançasse na sela de um golpe, e quase o soltasse.






Robert girou-o, deu meia-volta, percorreu a raia num trote, girou, repetiu mais uma vez a linha a pleno galope. O cavalo bufava quando o freou, uma pátina escura de suor marcando-lhe o pescoço. Ele girou-o numa volta completa e precipitou-se de novo a toda pela raia.

Uma ondulação de cascos martelando veio da entrada para o pátio. Uma criada estava parada onde os cavaleiros entravam e saíam, um xale em volta dos ombros, uma touca enfiada na cabeça, uma mecha de cabelo vermelho saindo por baixo, o rosto pálido, os olhos pretos.

- Elizabeth - disse o cavaleiro, em tranquilo triunfo, ao reconhecê-la, e cavalgou na direção dela.






Parou o cavalo e desceu da sela. Esperou.

Ela mordeu o lábio, baixou os olhos e tornou a erguê-los. Ele viu os olhar dela dardejar da camisa de linho, onde o suor escurecia o tecido no peito e nas costas, do culote de montaria justos até as envernizadas botas de montaria pretas. Viu as narinas dela arfarem, absorvendo o perfume dele, olhos estreitos a erguerem-se mais uma vez para ele, para sua escura cabeça em silhueta contra o brilhante sol matinal.

- Robert - ela arquejou.

- Sim, meu amor?

- Eu vim para você. Não posso ficar fora dos meus aposentos por mais de uma hora.

- Então não vamos desperdiçar um momento sequer - disse ele apenas, e atirou as rédeas do cavalo de guerra ao escudeiro. - Ponha o xale na cabeça - disse, baixinho, e passou a mão em volta da cintura dela, conduzindo-a, não para o palácio, mas para seus aposentos privados acima dos estábulos.






Havia um pequena entrada fechada com portões que saía do jardim, e ele abriu-os e levou-a para cima.

Nos aposentos de Robert, Elizabeth largou o xale e olhou em volta. Era um grande espaço com duas janelas altas, as paredes cobertas de tecido escuro. As plantas para o torneio do dia seguinte espalhavam-se, abertas, na mesa, a escrivaninha cheia de papéis de trabalho dos estábulos. Ela olhou para porta atrás da escrivaninha, que dava para o quarto dele.

- Sim, venha - disse ele, acompanhando seu olhar, e conduziu-a pela porta até o quarto.

- Ninguém vai entrar? - ela perguntou, ofegante.

- Ninguém - ele tranquilizou-a, fechando a porta e passando o pesado ferrolho.






- Eu não posso engravidar - ela especificou.

Ele assentiu com a cabeça.

- Eu sei. Vou cuidar disso.

Mesmo assim, ela continuou ansiosa.

- Como pode ter certeza?

Ele enfiou a mão no bolso interno do colete e retirou um profilático, feito de bexiga de ovelha costurado com pontos minúsculos e debruado de fitas.

- Isso a manterá protegida.





Dilacerada entre os nervos e a curiosidade, ela deu risadinhas baixas.

- Que é isso? Como funciona?

- Como uma armadura. Você tem de ser meu escudeiro e pôr isso em mim.

- Não posso ficar com hematomas onde minhas damas possam ver.

Ele sorriu.

- Não deixarei mais que uma marca de meu lábios em você. Mas por dentro, Elizabeth, você vai ficar em chamas, prometo.

- Sinto um pouco de medo.

- Minha Elizabeth - disse ele baixinho, e adiantou-se para ela, retirando-lhe a touca. - Venha para mim, meu amor.

A massa de cabelos vermelhos tombou em volta dos ombros dela. Robert pegou um punhado de mechas e beijou-as, depois, quando ela virou o rosto em transe para ele, beijou-a em cheio a boca.

- Minha Elizabeth, finalmente - repetiu.





- Momentos depois, Elizabeth se viu num sonho de sensualidade. Ele sempre a imaginara responsiva, mas sob suas hábeis mãos estendia-se como uma gata, deleitando-se de prazer. E despudorada: sem nenhum sinal de vergonha quando se despiu e ficou nua em pelo, deitou-se na cama e abriu os braços. Quando ele encostou o peito no rosto dela, sorriu ao vê-la febril de desejo, mas depois perdeu a própria consciência na exacerbação de seus sentimentos. Queria tocar cada centímetro da pele dela, beijar cada ponta de dedo, cada sarda, cada fenda do corpo. Virava-a de um lado para outro, tocando, saboreando, lambendo, sondando, até ela gritar alto que necessitava tê-lo, e então afinal ele a penetrou e viu suas pálpebras piscarem antes de fecharem-se e os lábios róseos sorrirem.







(O amante da virgem: Philippa Gregory, tradução de Alda Porto)

(Ilustrações vintage, sem indicação de autoria)





3 comentários:

Escrevendo na Pele disse...

Isso é uma dádiva em forma de poesia! Que coisa mais linda! Me acendeu também! Que delícia!

Escrevendo na Pele disse...

Meu lindo, não esqueci do seu texto, viu? (ando sem inspiração...) Bjs, minha delícia!

Claudio Elias Do Nascimento disse...

Jesus Cristo Esta Voltando!!!