segunda-feira, 29 de julho de 2013

PARAFILIAS E FETICHISMOS: ANILINGUS



(Julie Delcourt)


Dito assim, até parece algo muito poético (e pode ser para muitos): FEUILLES DE ROSES, ou botão de rosa. Um fetichismo que prepara para atos mais ou menos comuns, ou seja, consiste em lamber o ânus do/a companheiro/a, de tal forma que o deixe pronto para a penetração anal, ou simplesmente, por prazer, no caso de mulheres que o praticam com homens.


(Julie Delcourt)


O ânus é uma zona erógena e, como tal, objeto de vários desejos. No entanto, a prática do anilingus (de ani, ânus e lingus, língua) requer alguns cuidados de higiene e muita disposição, além da extrema confiança no/a parceiro/a.


(Julie Delcourt)


Todas as práticas sexuais relacionadas ao ânus causam, quase sempre, algum tipo de desconforto a muitas pessoas. No entanto, a sexualidade humana tem inúmeros fetiches relacionados não só ao ânus, mas também ao que dele sai, se é vocês me entendem.


(Julie Delcourt)

E não só do ânus, mas de qualquer orifício que tenha acesso às entranhas, como a COPROFILIA, ou seja, a prática de sexo com fezes, urina ou vômito. E, muitas vezes, não é só o contato físico, mas o consumo desses, digamos, “ingredientes”.

(Julie Delcourt)


Bem, o que eu queria, afinal, com essa pequena séria de artigos sobre as chamadas “perversões” sexuais, era exatamente desmistificar o sexo diferente. Durante muito tempo, essas parafilias foram consideradas doenças e os indivíduos que as possuíam, estigmatizados. Felizmente, isso não mais acontece, em termos de medicina. Mas resta o preconceito.


(Julius Zimmermann - dominatrix)

O homem é cheio de mistérios. Respeitar a sexualidade ou as sexualidades dos indivíduos é condição para a superação do preconceito e da barbárie. Não há doença no diferente, não há crime em práticas sexuais alternativas, desde que haja consenso entre as pessoas e não haja dolo. O que não se pode admitir é a imposição de uma vontade sobre a outra, com consequências trágicas para a parte mais fraca, como no caso de estupro ou pedofilia.


(autoria não identificada)


Entre quatro paredes, no entanto, homens e mulheres de todos os gêneros e de todos os sexos devem gozar (literalmente) a vida e suas sexualidades, para se tornarem plenos, sem a consciência de pecado ou de algo proibido.


(Ilustração de Gamiani, a. não identificado)


Não vou escrever mais sobre parafilias - pelo menos, por enquanto. Senão esse blog não terá outro assunto por muito tempo, já que é imensa a lista dessas práticas mais ou menos incomuns, pela humanidade, desde os tempos mais remotos.


(Paul Avril)


Despeço-me, portanto, desse assunto (não de forma definitiva, pois ninguém sabe o dia de amanhã), com um poema. Um poema de autor fescenino de nossa época tão vária e tão complexa, chamado Dr. Ângelo Monaqueu, que dizem ser o alterego de outro autor, mas isso já é literatura (e quem quiser que pesquise por aí sobre o autor de POEMAS: SOB A ÉGIDE DE EROS e POEMAS DA MÃE):


(Georges Pichard)

"Imaginá-la cagar me faz um gosto e desgosto;
Vejo-a a liberar a massa pastosa e fétida
Que, de qualquer forma, é acariciada
Pelas carnes íntimas de você,
Coisa que eu, sem acesso a esse universo,
Penso valer menos que um troço,
Que um naco de merda.
Ah!, se pelo menos merda eu fosse,


A sua merda!”


(Harukawa)



segunda-feira, 22 de julho de 2013

PARAFILIAS E FETICHISMOS: CROSSDESSING OU EONISMO



Uma parafilia meio besta, essa. E até certo ponto, bastante inocente. Trata-se da mania de se vestir com as roupas do outro sexo, embora seja mais comum que homens se vistam de mulher.





Não, não se trata de mero travestismo, nem de homossexualismo. O crossdressing (como disse, são homens que se vestem de mulher) produzem-se, ou seja, travam uma verdadeira batalha para se transformarem em mulher, mas sem perder suas características de heterossexuais. Não o fazem em busca de prazer exatamente sexual, mas outro de tipo de prazer, mais sutil, se é que me entendem, de realizar a fantasia de “estar” mulher da forma mais perfeita possível.





Dizem eles que amam o universo feminino, por isso usam suas roupas para se identificar com esse mundo misterioso de pós, de calcinhas e sutiãs, de glamour. É claro que pode haver opções sexuais variadas entre eles, como em qualquer outro conjunto de homens, mas a finalidade confessa é entrar no universo feminino, senti-lo profundamente.





Muitos dos praticantes confessam que começaram a sentir essa atração desde criança, a partir de inocentes brincadeiras maternas de vestir o menino com as roupas da irmã. O que não quer dizer que todo moleque que alguma vez já se vestiu assim se tornou crossdressing.




Há ainda mais uma curiosidade: denominam-se também eonistas, nome derivado de cavaleiro francês da época da Revolução chamado Chevalier d’Éon, nascido Charles Geneviève Louis Auguste André Timothee Deon de Beaumont (1729-1810). A história desse cavaleiro é bastante complicada: como gostava de vestir-se de mulher, hábito adquirido nas tais brincadeiras infantis, e como era franzino, pés e mãos pequenos, cintura delicada, olhos azuis e cabelos longos e macios, foi convocado pelo rei Luís XV a infiltrar-se na corte russa, vestido de mulher, como embaixador/embaixatriz e agente secreto/a, para uma tentativa de reconciliação com aquele País. Sua vida é cheia de idas e vindas, de muitas reviravoltas (consultem o oráculo, o Google!). O que parece certo é que obteve sucesso em sua empreitada e tornou-se amante de várias damas ilustres da época.





Bem, eonismo ou crossdressing, está aí uma coisa com que muitas mulheres convivem: aceitar que seus maridos usem roupas femininas e até compitam com elas em certos salões exclusivos de clubes elegantes (e caros) de crossdressers. Caros, porque a tal “montagem” da persona feminina é complexa e exige muita grana para roupas, maquiagens e outros apetrechos que transformem marmanjões em peruas de grande glamour e elegância, se isso é possível (e parece que é).







Fotos do site: 




segunda-feira, 15 de julho de 2013

PARAFILIAS E FETICHISMOS: AGORAFILIA



A agorafilia consiste num desejo incontrolável de praticar sexo em lugares abertos ou ao ar livre.

Não é um nome muito popular. Por isso, quase não há referências mais concretas na internet. Mas, quando procurei por “sexo ao ar livre”, obtive bem mais informações interessantes.


Por exemplo: Amsterdã acaba de legalizar a prática de sexo num dos seus parques mais famosos, desde que feito à noite e longe do parquinho das crianças. E tem mais: as pessoas devem recolher o “lixo”, depois. Quanto zelo, não?


Mas a maioria das pessoas confunde a agorafilia com o voyeurismo ou com exibicionismo sexual. Fazer sexo ao ar livre não quer dizer deixar-se observar ou observar a outros fazendo o mesmo. É só o prazer de trepar em ambientes amplos, como num parque ou numa montanha, numa praia deserta, sentindo o calor do sol ou o vento.


Há, no entanto, algumas regrinhas básicas: não se despir totalmente, estudar rotas de fuga e ficar atento, para não ser surpreendido por outras pessoas ou por um policial mal humorado, que pode dar processo por atentado ao pudor.


Enfim, é uma parafilia meio boba, acho. Mas há muita gente que sente prazer nisso, e pode ser que seus praticantes tenham razão. Pois, nada melhor para apimentar um relacionamento meio morno do que sair do convencional. Uma moita ou o alto de uma pedra ou um carro estacionado numa estrada meio deserta podem, sim, fazer “milagres” na libido.





(Fotos da internet, sem indicação de autoria)





segunda-feira, 8 de julho de 2013

PARAFILIAS E FETICHISMOS: EXIBICIONISMO






Costumamos dizer de uma mulher bonita (ou não) que se veste de forma provocante ou se exibe em fotos sensuais que ela é “exibicionista”.




Estamos, aí, usando a palavra no seu sentido mais vulgar, mais corriqueiro, de pessoa que gosta de se mostrar para outra, por várias razões, como necessidade de autoafirmação, de conquista, de provocar etc.

Não é o caso do exibicionista clássico.




Exibicionismo, no sentido mais estrito e psicanalítico do termo, consiste em ter prazer sexual em mostrar os órgãos sexuais a outrem, principalmente quando esse prazer decorre do susto, do horror ou do choque do outro, do que do ato em si de exibir-se.




E isso ocorre, na maioria das vezes, no sexo masculino. Na imagem clássica do homem que se posta à porta de uma escola ou de outro local público e se expõe, para chocar.




Assim, a mulher que se mostra, que se expõe em público, nem sempre tem prazer sexual nesse ato. Apenas o faz por dinheiro ou por razões outras que não a obtenção do orgasmo.






Logo, casais que praticam sexo em público, por exemplo, não são necessariamente exibicionistas, mas pertencem a uma outra categoria de fetiche, a agorafilia, de que trataremos em outro post.

(Ilustração e fotos da internet, sem indicação de autoria)






segunda-feira, 1 de julho de 2013

PARAFILIAS E FETICHISMOS




(Lobel Riche)


Eu não entendo e nunca vou entender direito por que as religiões (todas elas) preocupam-se tanto com o sexo, no mau sentido, é claro. Para condenar. Para reprimir. Para frustrar e neurotizar as pessoas.



(Foto da internet, s/indicação de autoria)



Os deuses primevos, ditos pagãos (principalmente), das primeiras civilizações humanas eram bem menos repressores que os deuses das religiões modernas. Não se preocupavam tanto com o que os seres humanos faziam entre quatro paredes (ou mesmo fora delas) em relação ao sexo e havia, mesmo, até deuses bastante permissivos, como Priapo, por exemplo, um deus grego dedicado ao membro masculino e, por extensão, à fertilidade.


(Evocation to Priapus)


Aliás, ligados à fertilidade (ou seja, ao amor sexual, ao sexo, enfim), muitos desses deuses liberais, permissivos e, muitas vezes, até bem libertinos, tiverem seus seguidores, e altares, e templos.


(Afresco de Pompeia mistura Mercúrio e Priapo numa só figura)


Baco inventou o vinho e as orgias. Vênus nascia nua das águas. E o Olimpo não era mais do que um lugar de muitas aventuras sexuais e sacanagens das boas. Nem preciso contar, que todos conhecem as aventuras sexuais dos deuses gregos e romanos.


(Paul Avril)


Os gregos praticavam a homossexualidade sem nenhum constrangimento, uma homossexualidade erudita e filosófica no conteúdo, e muita sacanagem nos ginásios (lugares onde todos ficavam nus gymnós = nu, em grego). Os romanos, mais espertos, eliminaram a filosofia e ficaram só com a sacanagem, principalmente em suas famosas termas.


(Paul Avril)


A repressão dos deuses modernos, para mim, é incompreensível. O que têm padres, pastores, aiatolás e assemelhados contra o sexo? Não sei. Está aí, para mim, um mistério.


(Paul Avril)


Enfim, o sexo reprimido, em minha opinião, é que é o sexo “pervertido”. E sobre essas “perversões” é que pretendo falar um pouco por aqui, pois é um assunto que sempre me fascinou.


(Katharina Kranichfeld) 

Embora, pessoalmente, não me lembre de cultivar nenhum fetiche (e minha timidez me impediria de confessá-lo), acho engraçado o fetichismo e acho intrigantes algumas práticas sexuais “pervertidas” ou diferentes, como zoofilia, de que já tratei.

(Julie Delcourt)

Vou tentar levantar (sem trocadilho) algumas dessas práticas, apenas para satisfazer a curiosidade de algum eventual leitor e, por que não? – também a minha curiosidade em saber se conseguirei tratar desses temas sem nenhum moralismo.

(Michael Manning - chain reaction)

Então, aguarde o próximo post, sobre alguma parafilia ou fetiche.


(Michael Manning - feline)