segunda-feira, 17 de junho de 2013

DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE, NEGRO E SENSUAL REQUEBRO





Maria Olinda Beja Martins Assunção, nasceu em Guadalupe, em 1946, em São Tomé e Príncipe. Com apenas dois anos foi para Portugal, onde passou a residir. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (Português/Francês) pela Universidade do Porto, Olinda Beja é docente do Ensino Secundário desde 1976. Ensina também Língua e Cultura Portuguesa na Suíça, é assessora cultural da Embaixada de São Tomé e Príncipe e dinamizadora cultural. Publicou os livros de poemas 'Bô Tendê?', 'Leve, Leve', 'No País do Tchiloli', 'Quebra-Mar' e 'Água Crioula';  os romances 'A Pedra de Villa Nova', '15 Dias de Regresso' e 'A Ilha de Izunari' e ainda livros de contos. Em 2013, ganhou o prémio literário Francisco José Tenreiro, o principal de São Tomé e Príncipe, pela obra “ A Sombra do Ocá”.

De OLINDA BEJA, destacamos dois deliciosos poemas (as fotos são da internet, sem indicação de autoria):


NEGBA





Passas dengosa
perfumosa
exibindo olhares lascivos
às multidões do sexo.
Balouças
a flor de lótus
que escondes no teu corpo
por entre a garridez
de tecidos virginais
e vais
deixando pólen
gostoso
africanoso
em detalhes colíricos
de afectuosas manhãs


MULATA





corpo de mulata
corpo de batuques e luar
corpo de serpente
a enroscar-se na árvore
corpo de mel e malícia
onde mãos buscam frementes
poemas de luz e cor
onde beijos estremece
entre seios ponteagudos
onde o sexo é uma flor
a oferecer as sementes
aos quatro cantos do mundo
corpo esguio e feiticeiro
por onde passa o amor
e fica ainda mais belo.






«Bô Tendê?», Edição da Autora
com apoio da Câmara Municipal de Aveiro, 1992



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