segunda-feira, 22 de abril de 2013

A BUNDA FEMININA




Diz-se da bunda ser ela a preferência nacional. 

Justifica-se: o português colonizador que se atracava com as negras - africanas bem servidas desse atrativo - misturou as cores e deixou-se colonizar não só nas curvas barrocas de florestas e praias, mas, e principalmente, pelas belas bundas que se tornaram marca de nossas mulheres.

Poetas, seresteiros, boêmios, toda a raça de apreciadores já cantaram a bunda. E também nosso poeta maior. Então, sem mais conversa, com vocês, um poema de Carlos Drummond de Andrade ilustrado pelas fotos de Waclaw Wantuch:



NO CORPO FEMININO, ESSE RETIRO






   No corpo feminino, esse retiro
   - a doce bunda - é ainda o que prefiro.
   A ela, meu mais íntimo suspiro,
   pois tanto mais a apalpo quanto a miro.







   Que tanto mais a quero, se me firo
   em unhas protestantes, e respiro
   a brisa dos planetas, no seu giro
   lento, violento... Então, se ponho e tiro







   a mão em concha - a mão, sábio papiro,
   iluminando o gozo, qual lampiro,
   ou se, dessedentado, já me estiro,






   me penso, me restauro, me confiro,
   o sentimento da morte eis que adquiro:
   de rola, a bunda torna-se vampiro.







Um comentário:

Júllio Machado disse...

Belas e candentes imagens; a poética também é providencial.