segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

UMA BREVE HISTÓRIA DO VIBRADOR






Perdoem-me os médicos, mas, ao longo do tempo, a prática da medicina consistiu num festival de horrores. 

E isso não foi fruto da estupidez dos médicos, mas do desconhecimento de várias disciplinas que só tomaram corpo muito recentemente, como anatomia, fisiologia, bacteriologia,  microbacteriologia e muitas outras, o que tirou a medicina de sua longa idade das trevas.






Vou citar apenas um exemplo, que não está assim tão distante de nossa época: o desconhecimento do corpo da mulher, principalmente de sua  sexualidade.






No final do século XIX, portanto há pouco mais de cem anos, a medicina acreditava que a histeria e outras doenças femininas podiam ser curadas pela estimulação vaginal ou do clitóris, ou seja, pela provocação do orgasmo através da masturbação.





Então, a prática masturbatória conduzida por médicos tornou-se um tratamento relativamente comum em certas camadas sociais da Europa e dos Estados Unidos. E isso numa sociedade extremamente conservadora e pudica em relação aos "segredos" da sexualidade feminina. Acreditava-se que as mulheres não eram seres "excitáveis", ou seja, que as mulheres não possuíam desejo sexual ou, se isso ocorria, eram consideradas loucas. Um médico britânico, Willam Acton, dizia, por exemplo, que algumas mulheres podiam ser excitadas, mas eram "tristes exceções" e em vias de se tornar rapidamente "uma espécie de insanas bem conhecidas dos que frequentam os asilos de loucos". (*)






Ainda segundo o mesmo livro, A História da V, a prática da massagem genital tinha por objetivo aliviar os "paroxismos histéricos" das mulheres. Ou seja, os médicos eram contratados para provocar orgasmos na madames - e cobravam por isso!  - a fim de acalmá-las, seja lá o que signifique essa "calma", principalmente para seus maridos e parceiros.




No entanto, essa massagem genital demandava tempo, já que muitas mulheres demoravam para "chegar lá". Em 1906, Samuel Spencer Wallian se queixava não só da habilidade necessária, mas também do tempo empregado nessa prática. Ele se lamentava que a massagem manual "exige uma penosa hora para obter resultados muito menos profundos do que os facilmente obtidos pelo outro em cinco ou dez minutinhos".(**)


E sabem quem é esse "outro"?





Nada mais, nada menos do que o mais recente instrumento da profissão médica - o senhor VIBRADOR! Ou "terapia pela vibração", como foi maravilhosamente descrita no livro "The Technology of Orgasm: Hysteria, the Vibrator and Women's Sexual Satisfaction", de Rachel Maines. Sacaram o título? O orgasmo feminino podia ser obtido por meio de uma nova "tecnologia"!




E o vibrador foi a resposta às preces de todos os médicos fatigados da época, como nos conta Catherine Blackeledge:





"A vapor, movidos a água, a pedal ou, a partir de 1883, graças ao médico e inventor inglês Joseph Mortimer Granville, eletromecânicos, os vibradores representaram grande alívio para os médicos e suas pacientes. Os orgasmos femininos passaram a ser provocados com o apertar de um botão. [...] Em 1873 calculou-se que nos EUA mais de 'três quartos da prática médica era dedicada ao tratamento de doenças de mulheres', e o total anual que os 'médicos devem agradecer às mulheres de saúde frágil' chegou a 150 milhões de dólares. [...] no final do século XIX, a massagem vulvar para provocar orgasmo era a base da prática médica, e que alguns médicos recomendavam sessões 'terapêuticas' semanais."(***)






Como se acreditava piamente na masturbação como cura para muitas "doenças femininas", a moda dos vibradores pegou, ou seja, os médicos passaram a usá-los em seus consultórios e as mulheres, em suas casas. Afinal, em 1890, nos EUA, podia-se comprar um vibrador portátil por cinco dólares - "perfeito para fim de semana", segundo um anúncio - em vez de pagar dois dólares pelos dedinhos cansados do médico.





Detalhe: o vibrador foi o quinto utensílio doméstico a ser eletrificado, logo depois da máquina de costura, do ventilador, da chaleira e da torneira! Tornou-se tão popular, no final do século XIX e início do século XX, que passou a figurar até em muitos catálogos de compras por correspondência nos EUA, na Inglaterra e no Canadá, até a década de 1920.




A propaganda era aberta, mas não se mencionavam os "orgasmos" provocados pelos vibradores, mas os "benefícios à saúde", como tratamento para "hiperemia pélvica", ou congestão genital. Ou seja, curavam tesão reprimida. Mesmo que isso não fosse admitido, nem sob uma longa sessão de "terapia relaxante".






Aos poucos, os vibradores perderam sua popularidade junto aos médicos e ao público, ao longo da primeira metade do século XX. A explicação mais plausível é que sua exposição em filmes eróticos acabou por desmitificar sua função "médica" e ressaltar seu papel sexual. A moral da época não via com bons olhos o fato de as mulheres darem prazer sexual a si mesmas.



(Anúncio: vibrador para dor de cabeça)


Enfim, do "horror" da prática médica de "alívio" da histeria pela masturbação, começou a nascer um maior conhecimento da sexualidade feminina. E provocou a invenção do vibrador. Mais do os médicos de antanho, o diabo sabe bem o que faz!





P.S.: as fotos que ilustram essa matéria são alguns dos primeiros vibradores fabricados. Cabe à leitora (e também ao leitor) descobrir como usar tais geringonças: usem a imaginação... e gozem, se possível!


(*) A História da V - abrindo a caixa de Pandora: Catherine Blackledge; tradução de J. M. Berolote; p.251).

(**) obra citada, p.248

(***)obra citada, p.250



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

NATURISMO: PRINCÍPIOS FILOSÓFICOS





A ESSÊNCIA DA FILOSOFIA NATURISTA






A partir do primeiro Congresso Mundial de Naturistas, em 1952, foram lançadas as bases da futura Federação Internacional de Naturismo, que viria a nascer no ano seguinte em Montalivet na França.




Em 1974 a Federação Internacional de Naturismo (INF-FNI) criou a definição de Naturismo adotada por todas as entidades naturistas do mundo, que resume a filosofia básica do naturismo:





“Um modo de vida em harmonia com a natureza, caracterizado pela prática do nudismo em grupo, que tem por intenção favorecer o autorrespeito, o respeito pelo outro e o cuidado com o meio ambiente.”

Talvez surja ao leitor a seguinte questão: "Qual a relação entre nudez coletiva e desenvolvimento do indivíduo?"




 A resposta dos naturistas está no conceito de body-acceptance (literalmente "aceitação do corpo") , ou seja, na descoberta não apenas intelectual, mas prática (e portanto completa) de que o ser humano é um todo, e não seres seccionados em partes honrosas e partes indecorosas. Ao conviver com a nudez do próximo, percebe-se que o corpo não choca, não agride, que o respeito é possível mesmo sem artifícios.






Ao entrar em contato com a própria essência, deixa-se para trás o que é acessório. Abandonando  a roupa, percebe-se que somos todos iguais, apesar das diferenças, o que leva a uma nova forma de ver e sentir a realidade ao redor. Percebe-se  que somos parte de algo maior, que é a natureza.






(Fotos da internet, sem indicação de autoria)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

TRANSEXUALIDADE: O EXEMPLO DE LEA T.



(Anônimo - priape)


Traduzindo a definição da Organização Mundial de Saúde (OMS), a transexualidade consiste em nascer homem num corpo feminino ou nascer mulher num corpo masculino. Ou seja, uma síndrome de identidade de gênero.



Leandro Medeiros Cerezo (1980), filho do famoso jogador de futebol Toninho Cerezo, desde muito jovem descobriu-se "menina" e sofreu muitos preconceitos por isso. Tornou-se modelo, conhecida como LEA T., uma bela mulher, mas ainda com o "detalhe" masculino. 










Há pouco, resolveu realizar o "sonho" de todo transexual: mudar definitivamente de sexo e tornar-se totalmente mulher. E isso, mudar de sexo, pode ser algo mais complexo do que se pode imaginar. Em sua primeira entrevista (ao Fantástico, Rede Globo, 27.1.2013), Lea T não se mostra segura quanto à decisão:




"Eu fiquei um mês sentindo dor. Não aconselho essa cirurgia a ninguém" - após dizer que ficou um mês e meio deitada. E completa: "Eu achava que minha felicidade era embasada na cirurgia. Fiquei mais à vontade, mas a felicidade não é um peito, ou uma vagina. Nunca vou ser 100% mulher, mesmo depois da cirurgia. Tenho minhas partes masculinas. Tenho ombros largos, tudo mais. Eu reprimia muito". 












A troca de sexo é um impacto muito grande na vida de uma pessoa. Precisa ser precedida de uma grande força de vontade e de acompanhamento psicológico. Principalmente no caso da mudança de "homem" para "mulher", neste mundo priápico, onde o falo aparece, sob várias formas, como objeto de culto. Diante de todo preconceito social, do olhar enviesado de muita gente, o indivíduo deve sentir-se "mutilado". É o que deixam transparecer as palavras de Lea T.









Enfim, a sexualidade humana não se restringe a "machos" e "fêmeas". E, como exaustivamente temos tratado ao longo de todos esses anos neste blog, precisa ser melhor entendida pelas pessoas, sem vieses moralistas, religiosos, sociais, para que se torne não somente algo prazeroso, a despeito de sua posição fundamental na vida humana, mas também como forma de obter os necessários momentos de felicidade que merecemos desfrutar. Por isso, deixamos aqui o nosso mais profundo respeito a essa moça, desejando que ela supere todos os percalços de sua arriscada operação e continue a ser um exemplo de luta contra o preconceito e a estupidez dos ignorantes.








(Fotos da internet, sem indicação de autoria)


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

NATURISMO: ORIGEM E BREVE HISTÓRICO




ORIGEM DO NATURISMO





 O Naturismo moderno surgiu no início do século 20, na Alemanha e França.

Na França (especificamente na Ilha do Levante) foi criada pelos irmãos Duvalier uma "Clínica Helioterapêutica" onde se pregava que a nudez ao ar livre com alimentação natural (sem nenhum produto animal, drogas, cigarros e bebidas) e contato com outras pessoas ajudava na cura de todos os males físicos.




 Na Alemanha, que é tida como verdadeiramente a iniciadora do naturismo, um professor de educação física propôs aos seus alunos que estes deveriam fazer os exercícios ao ar livre e sem roupas.





Depois de algum tempo, os jovens deste professor passaram a ser mais corados, ter mais saúde e alegria. As famílias desses estudantes,  vendo as mudanças inclusive comportamentais dos mesmos, resolveram aderir aos exercícios e criaram em 1903, através de Paul Zimmermann, o que, a princípio, foi chamado de Nudismo (a alteração de nome só foi feita na década de 50).





 No ano de 1906, surge também na Alemanha o primeiro campo oficial para a prática do naturismo e a publicação do primeiro livro ["Die Nacktheit" (A Nudez)] sobre essa filosofia de vida cujo autor era o professor Ungewitter. Nessa época, além dos exercícios ao ar livre em completa nudez, havia também uma grande preocupação com a alimentação, que deveria ser saudável, geralmente baseada no vegetarianismo.





Após a Segunda Guerra Mundial, o Naturismo começou a se difundir, não só na Europa, mas também nos Estados Unidos. Em 1952 ocorreu um Congresso Mundial que foi realizado na Suíça, em Thielle, junto ao lago Neuchatel.





Ali se reuniram cerca de 300 naturistas de 14 nacionalidades: 200 da Suíça, 37 da Alemanha, 13 da França, 12 da Inglaterra, 8 da Holanda, 6 de Itália, 3 dos Estados Unidos, 3 da Áustria, 3 da Bélgica, 2 do Território do Sarre (hoje integrante da França), 2 da Nova Zelândia, um do Brasil, um da Espanha e um da Índia.









(Fotos da internet, sem identificação de autoria)