segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

COMO-TE OU TU ME COMES?




(Foto: Viktor Ivanovski)



A ideia de comer, implícita ou explícita no sexo, constitui-se num dos elementos mais presentes nas relações eróticas. A expressão "comer", para designar o ato sexual, tem tido, ao longo do tempo, um uso quase que exclusivamente masculino. Erroneamente, a meu ver.






(Foto: Viktor Ivanovski) 




E, felizmente, as mulheres têm mudado isso, já usam também o "comer" numa forma ativa, para se relacionar com os homens. Afinal, na cama, quem come quem? O verbo transitivo tem um objeto que também é sujeito: quem come também é comido, devorado, deglutido pela paixão, que o o ato sexual provoca em parceiros realmente comprometidos com seus sentimentos. 






(Foto: Viktor Ivanovski)




Já no sexo sem a chama da paixão, apenas como satisfação de instintos, o ato de comer será sempre transitivo, porque envolve uma transação  meramente física, em que um parceiro se oferece ao outro em troca de um favor, seja ele monetário ou de qualquer outra espécie. 






(Foto: Viktor Ivanovski)




Condenam os moralistas essa transação, já na própria palavra, prostituição, que traz em si a carga negativa de milhares de anos de repulsa e, ao mesmo tempo, de aceitação de uma arte que nada tem de antissocial, a não ser que haja escravização. 







(Foto: Viktor Ivanovski)



Enfim, não é disso que se trata hoje, nessa pequena introdução ao ato de comer associado ao sexo. Mesa e cama se completam, como prazeres eróticos, quando e como desejarem os parceiros. É o que nos traz o poema a seguir, em que o "comedor", saciado, ao fim se transforma em vinho/champanhe, para melhor ser comido/bebido pela amada e, assim, atingir com ela uma fusão muito mais profunda - e sensual. 



Muito criativo, isso. 



Leia:






AINDA TE PEGO

 Ruy Bento Vidal


(Foto de autor não identificado)


Te jogo em meu prato
Te como de entrada
Te tomo de vinho
Te faço gostoso, meu prato central
Com as mãos te amacio
Te envolvo num caldo, o suor de nós dois
Com apertos e abraços, te pego
Te esfrego
Tempero tua carne
com beijos, mil beijos, lambidas
No fim, sobremesa, te estendo à mesa
Te envolvo em morangos com chantilly
Viro um champanhe e me entorno em teu corpo
Me espalho
Te assanho
Invado teus vãos.



(Foto de autor não identificado)




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