segunda-feira, 22 de outubro de 2012

BDSM - BONDAGE, DOMINAÇÃO E SADO-MASOQUISMO: SÓ PARA RICOS?









Anastasia Steele tem 21 anos, está-se formando jornalista. É linda. E virgem (e, no texto abaixo, ainda o é. Sua primeira vez, num próximo post. Aguarde). Ao fazer uma entrevista para o jornal da Faculdade, cai de quatro (literalmente; se v. ler o livro CINQUENTA TONS DE CINZA, vai entender) pelo entrevistado, um jovem empresário de 28 anos, belo como um deus, solteiro e rico, muito rico.




É essa última "qualidade" que me intriga, em relação às práticas de bondage, dominação e sado-masoquismo. Porque se usam roupas, instrumentos, acessórios e outras coisas mais de tal requinte, que somente pessoas com muito dinheiro podem comprá-las e mantê-las funcionando e devidamente limpas e seguras. E aliciar parceiros dispostos às práticas ou também praticantes.




Então, fico pensando: pobres e remediados, como fazem, se têm as tais tendências para essas diversões sexuais diferenciadas? Ou será que só gente rica, muito rica, é que pode ter essas chamadas "perversões"?




Enfim, aí está o texto que me levou a pensar isso: é o momento em que o rico e belo Christian apresenta a Ana o seu quarto especial, quarto que ele mantém em seu luxuoso apartamento em Seatle, para o seu prazer, nas práticas sexuais de dominação, bondage e sado-masoquismo. As ilustrações são de Albert Dubout (1905-1976).


O QUARTO DA DOR

E L James




Ele abre a porta e recua para me deixar entrar. Olho para ele de novo. Quero muito saber o que há ali. Respiro fundo e entro. E parece que viajei no tempo para o século XVI e sua Inquisição espanhola. Puta merda.




A primeira coisa que noto é o cheiro: couro, madeira, cera com uma leve essência cítrica. É muito agradável e a iluminação é suave, sutil. Na verdade, não consigo ver de onde vem, mas está em toda a volta da cornija do teto, e emite uma luz acolhedora. As paredes e o teto são de um tom de vermelho-escuro bem fechado, dando ao quarto espaçoso uma sensação de aconchego, e o chão é de madeira muito antiga, envernizada.




Há uma grande estrutura de madeira em forma de X presa à parede em frente à porta. É feita de mogno muito polido, e tem algemas pendendo das quatro pontas. Acima do X, há uma ampla grade de ferro, pendurada no teto, de no mínimo dois metros quadrados e meio, da qual pende todo tipo de corda, corrente e grilhões reluzentes. Junto à porta, duas varas polidas e ricamente entalhadas que lembram balaústres, porém mais longas, porém mais longas, estão presas à parede como paus de cortina, e delas prende uma pressionante variedade de pás, varinhas, chicotes de montaria e divertidos objetos emplumados.




Ao lado da porta, há uma sólida cômoda em mogno, cujas gavetas são estreitas como se planejadas para conter espécimes num antigo museu. Pergunto-me rapidamente o que elas realmente contêm. Será que quero saber? No fundo, fica um banco estofado de couro vinho, e, preso à parede ao lado dele, está uma estante de madeira polida que parece um porta-tacos de bilhar, porém, de perto, vê-se que guarda bengalas de vários comprimentos e larguras. Há uma robusta mesa de um metro e oitenta de comprimento no canto oposto, em madeira polida com pernas intricadamente entalhadas e, sob ela, dois tamboretes fromando um conjunto.





Mas o que domina o quarto é a cama. É maior do que o tamanho king size, com quatro colunas e entalhes em estilo rococó e dossel plano. Parece do fim do século XIX. Embaixo do dossel, mais correntes e algemas. Nâo há cobertas... só um colchão de couro vermelho e almofadas de cetim vermelho amontoadas numa extremidade.





A alguns palmos do pé da cama há um amplo sofá estilo Chesterfield vermelho-escuro, simplesmente largado no meio do quarto de frente para a cama. Uma arrumação estranha... um sofá virado para a cama. Sorrio comigo mesma. Achei o sofá esquisito, quando na verdade é o móvel mais comum do quarto. Ergo os olhos e olho para cima. Há mosquetões por todo o teto, a intervalos disparatados. Questiono-me vagamente para que servem. O estranho é que a madeira, as paredes escuras, a iluminação instáve e o couro vermelho tornam o quarto quase suave e romântico... Sei que é tudo menos isso; é a versão de Christian para suavidade e romantismo.





Viro-me, e ele está me olhando com atenção, commo sabia que estaria, a expressão completamente inescrutável. Entro mais um pouco no quarto, e ele me acompanha. O objeto de plumas me intriga. Toco nele timidamente. É de camurça, como um pequeno gato de nove caudas, só que mais felpudo, e tem contas de plástico bem pequenas na ponta. 
- Chama-se açoite - diz Christian com a voz baixa e macia.





Açoite... hum. Acho que estou em estado de choque. Meu inconsciente desapareceu, ficou udo ou simplesmente caiu fulminado. Estou paralisada. Posso observar e absorver, mas não consigo articular meus sentimentos, porque estou em estado de choque. Qual é a reação apropriada à descoberta de que um amante em potencial é um completo tarado sadista ou masoquista? Medo... sim. esse parece ser o sentimento preponderante. Reconheço agora. Mas, por incrível que pareça, não tenho medo dele. Não acho que ele vá me machucar, bem, não sem meu consentimento. Muitas perguntas confundem minha cabeça. Por quê? Como? Quando? Com que frequência? Quem? Vou até a cama e passo as mãos nas colunas ricamente entalhadas. São muito resistentes, e o trabalho é impressionante.





- Diga alguma coisa - ordena Christian, a voz enganosamente macia.
- Você faz isso com as pessoas ou elas fazem isso com você?
Ele sorri, achando graça ou aliviado.
- As pessoas? - Ele pisca duas vezes ao considerar a resposta. - Faço isso com mulheres que querem que eu faça.
Não entendo.
- Se você tem voluntárias dispostas, por que estou aqui?
- Porque eu quero muito, muito fazer isso com você?
- Ah. - Engulo em seco. Por quê?





Vou até o fundo da sala, bato de leve no banco estofado da altura da minha cintura e corro os dedos pelo couro. Ele gosta de machucar mulheres. A ideia me deprime.
- Você é sádico?
- Sou dominador. - Seu olhar é abrasador, intenso.
- O que isso quer dizer? - pergunto.
- Quer dizer que quero que você se entregue espontaneamente a mim, em tudo.
- Por que eu faria isso?
- Para me satisfazer - ele murmura, inclina a cabeça para o lado e vejo a sombra de um sorriso.





(CINQUENTA TONS DE CINZA, de E L James; tradução de Adalgisa Campos da Silva)



5 comentários:

flor de cristal disse...

Desculpe minha indignação, mas é por estas e outras que o BDSM está mal das pernas, e se assim continuar vai desaparecer... :(

Para piorar vem ai o filme 50 tons de cinza. Nos poupe desta palhaçada!



Saudações SM!

flor de cristal

flor de cristal disse...

Me desculpe a ousadia, acho que fui até indelicada, desculpe!

Acredito que o BDSM está na veia daquele que sente e não no bolso no abastardo. Foi isso que eu quis dizer, entendeu Sr.Sidney? Qualquer pessoa pode viver o seu "caso" de amor com o BDSM ricos e pobres e neste ultimo caso a imaginação conta muito...rsrs

Obrigada pelo Link mais tarde vou passar por lá. Meu dia está curtinho hoje, mas assim que ler vamos comentar, ok?

Saudações SM!

flor de cristal

flor de cristal disse...

Não Sr.Isaias fui eu que achei que pesei na mão quando comentei, viu?

Quanto ao livro como disse não vou passar do primeiro pq não fui atraída pela leitura.

Concordo que o luxo exagerado do livro põe o BDSM em risco pq as mocinhas sonhadora podem esperar dos seus Dominadores o mesmo tratamento. E eu e o Senhor sabemos que a banda aqui no nosso país não toca assim. Sei de casos de que existe submissas/escravas (os)bancando seus Donos (as). E o contrario tbm é verdadeiro. Por isso este livro a meu ver não ajuda muito o BDSM sair da UTI infelizmente. :(

Agradeço o endereço que o Senhor deixou aqui. Realmente o livro História de O que virou filme depois tem uma temática com forte apelo do que é submissão. Este foi meu primeiro livro e confesso que tive medo pq não sou masoquista e as tortura descritas no livro mexeu bastante comigo, sabe Senhor Isaias? Mas é um livro que causou rumores e é um dos que mais abre discurso dentro do BDSM e por isso me agradou tanto. Alias foi este livro que acabou me mostrando o que eu espero de um Dominador o que me atraia nas praticas dentro do BDSM. E aqui estou com a certeza que não sou masoca, mas sei o que quero para viver como submissa.

Então é isso Sr. Isaias, vamos continuar nos visitando pq só o dialogo salva o BDSM das pessoas mal-intencionadas que entram as vezes pelas portas do fundos...

Obrigada por me ler e me desculpe alongar tanto tomando seu precioso tempo e vamos sim trocando figurinhas para o bem do BDSM. :))

Saudações SM!

flor de cristal

Anônimo disse...

"Flor de Cristal": "abastaRdos", kkk; só que os "pobres" acabam indo parar na delegacia de policia !!! kkk ...

Pedro Coelho disse...

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