segunda-feira, 30 de julho de 2012

A PRIMEIRA VEZ... COM A PROFESSORA DE PIANO, DE HENRY MILLER




LIÇÕES DE PIANO



(A. não identificado)


Uma das razões pelas quais nunca consegui nada com a maldita música é que ela sempre estava misturada com sexo. Desde que fui capaz de tocar uma canção, bocetas me cercavam como moscas. Para começar, foi em grande parte culpa de Lola. Lola foi minha primeira professora de piano. Lola Niessen. Era um nome ridículo e típico do bairro onde então vivíamos. Fazia lembrar um arenque fedorento ou uma boceta bichenta. Para dizer a verdade, Lola não era exatamente uma beldade. Parecia um pouco uma calmuca ou uma chinuque, com tez pálida e olhos biliosos. Tinha algumas verrugas e lobinhos, para não falar no bigode. O que me excitava, porém, era seu aspecto cabeludo. Tinha belos cabelos pretos, maravilhosamente compridos, que arrumava em coques ascendentes e descendentes sobre seu crânio nongólico. Na nuca, enrolava os cabelos para cima em forma de serpentina. Vinha sempre tarde, como conscienciosa idiota que era, e quando chegava eu já estava um tanto enervado de tanto masturbar-me. Logo que se sentava na banqueta ao meu lado, porém, eu ficava excitado de novo, com aquele perfume fedorento que encharcava suas axilas. No verão usava blusas muito cavas e eu podia ver os tufos de cabelos embaixo de seus braços. A vista deles deixava-me louco. Imaginava-a como tendo cabelos sobre todo o corpo, inclusive no umbigo. E o que eu desejava fazer era enrolar-me neles, enterrar meus dentes neles. Eu seria capaz de comer seus pelos como uma guloseima se houvesse um pouco de carne presa a eles. Seja como for, ela era peluda, é o que quero dizer, e sendo peluda como um gorila fazia com que meu pensamento se desviasse da música para sua boceta. 





(Mikhail Shishov)


Eu me sentia tão ansioso por ver aquela sua boceta que finalmente um dia subornei seu irmãozinho para que me deixasse olhar pela fechadura quando ele a estava tomando banho. Foi ainda mais maravilhoso do que imaginara: ela tinha uma grenha que se estendia do umbigo até o vão das pernas, um tufo enorme e espesso, um "sporran" escocês, rico como tapete tecido a mão. quando passou sobre ele a esponja do talco pensei que ia desmaiar. Da vez seguinte em que ela veio dar-me lição deixei uns dois botões da minha braguilha abertos. Ela pareceu nada notar de errado. Da vez seguinte deixei toda a braguilha aberta. Dessa vez ela percebeu. Disse: "Acho que se esqueceu de alguma coisa, Henry". Olhei para ela, vermelho como uma beterraba, e perguntei melosamente; "O quê?" Ela fingiu desviar os olhos enquanto apontava para ele com a mão esquerda. Sua mão chegou perto que não pude resistir a tentação de agarrá-la e enfiá-la na minha braguilha. Ela se levantou rapidamente, parecendo pálida e assustada. A essa altura meu membro já estava fora da braguilha e fremente de alegria. Avancei sobre ela e enfiei a mão por baixo de seu vestido para alcançar aquele tapete tecido à mão que eu vira pelo buraco da fechadura. De repente percebi um sonoro tapa no ouvido e depois outro. Ela me segurou pela orelha e, levando-me até um canto da sala, virou meu rosto para a parede e disse: "Agora abotoe sua calça, menino bobo!" Voltamos ao piano alguns momentos depois - voltamos a Czerny e aos exercícios de velocidade. Eu não conseguia mais distinguir um sustenido de um bemol, mas continuava a tocar porque tinha medo que ela contasse o incidente a minha mãe. Felizmente não coisa fácil de contar à mãe de alguém.




(Foto de Igor Pyatinin)



O incidente, embaraçoso como foi, assinalou uma decidida mudança em nossas relações. Pensei que quando viesse na vez seguinte seria severa comigo, mas, pelo contrário, parecia ter-se enfeitado, ter posto mais perfume e estava mesmo um pouco mais jovial, o que era extraordinário em Lola, tipo taciturno e retraído. Não me atrevia mais a deixar minha braguilha aberta, mas ficava de pau duro durante toda a lição, o que devia agradar-lhe, pois estava sempre lançando olhares disfarçados naquela direção. Eu tinha apenas quinze anos nessa época e ela devia ter uns vinte e cinco ou vinte e oito. Era difícil para mim saber o que fazer, a menos que a atacasse deliberadamente um dia em que minha estivesse fora de casa. Durante algum tempo, segui-a à noite, quando ela saía sozinha. Tinha o hábito de dar longos passeios sozinha, ao anoitecer. Eu costumava seguir seus passos, esperando que ela fosse a algum lugar deserto perto do cemitério onde pudesse tentar algumas táticas violentas. Tinha às vezes a impressão de que ela sabia que eu a estava seguindo e gostava disso. Penso que esperava que eu a atacasse de emboscada - penso que era isso que ela queria. Seja como for, uma noite eu estava deitado na grama perto dos trilhos do trem. Era uma abafada noite de verão e havia pessoas deitadas por toda parte, como cães arquejantes. Eu absolutamente não estava pensando em Lola - estava parado ali, com calor demais para pensar em alguma coisa. De repente vejo uma mulher avançando pelo estreito caminho coberto de restos de carvão de pedra. Estou deitado de costas no barranco e não vejo ninguém em roda. A mulher aproxima-se devagar, de cabeça baixa, como se estivesse sonhando. Quando chega perto reconheço-a. "Lola!" - chamo. "Lola!" - Ela parece realmente espantada em ver-me aqui. "Que está fazendo aqui?" - pergunta, sentando-se ao meu lado no barranco. Não me dei ao trabalho de responder-lhe. Não disse sequer uma palavra. Apenas rastejei até ela e deitei-a. "Aqui não, por favor", implorou, mas eu não prestei atenção. Enfiei a mão entre suas pernas, emaranhado-a naquele seu espesso "sporran". Ela estava toda molhada, como um cavalo espumando. Jesus, era minha primeira foda e tinha de apareceu um trem para jogar faíscas quentes sobre nós. Lola ficou aterrada. Acho que era também sua primeira foda e provavelmente ela estava precisando mais do que eu, mas quando sentiu as faíscas quis escapar. Era como tentar segurar uma égua brava. Não consegui conservá-la deitada, por mais que lutasse com ela. Levantou-se, baixou suas roupas e arrumou o coque na nuca. "Você deve ir para casa", disse ela. "Não vou para casa", repliquei, segurando-a pelo braço e pondo-me a andar. Caminhamos em silêncio mortal por uma boa distância. Nenhum de nós parecia estar notando para onde íamos. 


(A. não identificado)




Finalmente chegamos à rodovia. Acima de nós ficavam os reservatórios e perto dos reservatórios havia uma lagoa. Instintivamente encaminhei-me para a lagoa. Tínhamos de passar sob algumas árvores baixas quando nos aproximamos da lagoa. Eu estava ajudando Lola a abaixar-se quando de repente ela escorregou, arrastando-me consigo. Não fez o menor esforço para levantar-se. Ao invés disso, segurou-me, apertou-me contra ela e, para meu completo espanto, senti-a também enfiando a mão em minha braguilha. Acariciou-me tão maravilhosamente que em um um instante acabei em sua mão. Depois tomou minha mão e enfiou-a entre suas pernas. Ficou deitada, completamente largada, e abriu bem as pernas. Curvei-me e beijei cada pelo de sua boceta; pus a língua em seu umbigo e limpei-o com lambidas. Depois deitei-me com a cabeça entre suas pernas e lambi o suco que escorria de dentro dela. Ela agora estava gemendo e agitando furiosamente as mãos. Seus cabelos desmancharam-se e ficaram caídos sobre seu abdome nu. Para resumir, enfiei o pau e deixei-o dentro uma porção de tempo, pelo que ela deve ter-me agradecido muito, pois acabou nem sei quantas vezes - foi como um monte de foguetes disparado. Ao mesmo tempo, enterrava os dentes em mim, machucava meus lábios, unhava-me, rasgava minha camisa e só o diabo sabe o que mais. Eu estava marcado como um novilho quando cheguei em casa e mel olhei no espelho. 




(A. não identificado)



Foi maravilhoso enquanto durou, mas não durou muito tempo. Um mês depois os Niessens mudaram para outra cidade e nunca mais vi Lola. Mas pendurei seu "sporran" sobre a cama e rezo para ele toda noite. Sempre que começo um exercício de Czerny tenho uma ereção, pensando em Lola deitada na grama, pensando em seus compridos cabelos pretos, no coque em sua nuca, nos gemidos que ela dava e no suco que jorrava de dentro dela. Para mim tocar piano era apenas um longo sucedâneo da foda. Tive de esperar outros dois anos antes de usar de novo o pau, como dizem, e então não foi tão bom porque apenhei uma bela gonorreia. Além disso, não foi na grama, nem foi no verão. E não havia calor no ato, pois foi apenas uma fria e mecânica foda de um dólar em sujo quartinho de hotel, com a filha da puta a fingir que estava acabando e não acabando coisíssima nenhuma. Talvez não tenha sido ela quem me passou a gonorreia, mas sua coleguinha do quarto ao lado que estava trepando com meu amigo Simmons. Foi assim - eu acabei tão depressa minha foda mecânica que pensei em ir ver o que estava acontecendo com meu amigo Simmons. Eles ainda estava metendo e com vontade. A garota era uma tcheca e bastante suculenta. Aparentemente não fazia muito tempo que estava na vida e esquecia-se do trabalho, passando a divertir-se. Observando como ela fazia o negócio, resolvi esperar e dar-lhe também uma trepada. Foi o que fiz. E antes de passar uma semana tive um corrimento e depois fiquei imaginado se ia ser orquite ou prostatite.





(Foto de Mutowka)


Mais ou menos um ano depois era quem estava dando lições. Quis a sorte que a mãe da moça que eu estava ensinando fosse uma cadela, uma vagabunda, uma puta da pior espécie. Vivia com um negro, como descobri mais tarde. Parecia não ser capaz e encontrar membro suficientemente grande para satisfazê-la. Seja como for, toda vez que eu ia sair ela me segurava na porta e se esfregava em mim. Eu tinha medo de começar alguma coisa com ela porque diziam que estava cheia de sífilis, mas que diabo pode a gente fazer quando uma cadela quente como aquela  esfrega a boceta na gente e manda a língua até o meio da garganta da gente? Costumava fodê-la em pé no vestíbulo, o que não era difícil, pois ela era leve eu podia segurá-la nas mãos como uma boneca. Segurava-a assim certa noite quando de repente ouvi alguém enfiar uma chave na fechadura. Ela também ouviu e ficou paralisada de susto. Não havia para onde ir. Felizmente havia um reposteiro no vão da porta e eu me escondi atrás dele. depois ouvi o negro beijá-la e dizer-lhe: "Como está, beleza?" Ela disse que estava esperando por ele e que era melhor subirem logo porque não podia mais esperar e assim por diante. Quando a escada parou de ranger, abri cuidadosamente a porta e dei o fora. 


(A.não identificado)

Então, por Deus, fiquei realmente assustado, porque se aquele preto me descobre eu estava com a garganta cortada, disso não há dúvida. Por isso deixo de lecionar naquela casa, mas logo a filha está atrás de mim - mal tem dezesseis anos - e me pede para dar-lhe lições na casa de uma amiga. Começamos novamente os exercícios de Czerny, com faíscas e tudo. É o primeiro cheiro de boceta fresca que eu sinto e é maravilhoso., como feno recém-cortado. Fodemos o tempo todo em cada lição e entre as lições damos algumas metidas adicionais. Depois, um dia, a mesma história triste: ela está grávida e que vamos fazer? Tenho de arranjar um judeuzinho para ajudar-me, mas ele quer vinte e cinco dólares pelo trabalho e eu nunca vi vente e cinco dólares em minha vida. Além disso, ela e menor de idade. Ademais poderia ter uma septicemia. Dou cinco dólares ao judeuzinho por conta e vou passar um par de semanas nos Adirondacks. Nos Adirondacks encontro uma professora que está morrendo de vontade de tomar lições. Mais exercícios de velocidade, mais camisinhas e adivinhações. Toda vez que eu tocava no piano parecia saltar uma boceta.



(A. não identificado)



(Trópico de Capricórnio, tradução de Aydabi Arruda)

2 comentários:

Escrevendo na Pele disse...

Que tesão gostoso!

Anônimo disse...

VC deveria tirar uma assim tbm!!