segunda-feira, 23 de julho de 2012

SEIOS: VIAGEM AOS SEIOS DE DUÍLIA





(Autor não identificado)

José Maria, já um senhor, aposenta-se no Rio de Janeiro, depois de mais de quarenta anos de trabalho numa repartição burocrática. Solteiro, não se adapta à vida pós-trabalho. Atormentado por lembranças de Caratinga, naquela época, década de 50, uma perdida cidadezinha do interior de Minas, relembra um momento de alumbramento.

Dou a palavra a 


Aníbal Machado 



(A. não identificado)

"Foi andando para o passado...Abriu-se-lhe uma cidade de montanha, pontilhada de igrejas. E sempre para trás - tinha então, 16 anos - ressurgiu-lhe a cidadezinha onde encontrara Duília. Aí parou. E Duília lhe repetiu calmamente aquele gesto, o mais louco e gratuito com que uma moça pode iluminar para sempre a vida de um homem tímido.
(...)


(Roman Tkachenko)

O que mais o espantara no gesto de Duília - recordava-se José Maria durante a insônia, agarrando-se ao travesseiro - foi a gratuidade inexplicável e a absurda pureza.




(A. não identificado)

Ela era moça recatada, ele um rapazinho tímido; apenas se namoravam de longe. Mal se conheciam. A procissão subia a ladeira, o canto místico perdia-se no céu de estrelas. De repente, o séquito parou para que as virgens avançassem, e na penumbra de uma árvore ela dá com o olhar dele fixo em seu colo, parece que teve pena e com simplicidade, abrindo a blusa, lhe disse - Quer ver? - Ele quase morre de êxtase. Pálidos ambos, ela ainda repete - Quer ver mais? - E mostra-lhe o outro seio, branco, branco. E fechou calmamente a blusa. E prosseguiu cantando...



(Bathelemi)

Só isso. Durou alguns segundos, está durando uma eternidade. Apenas uma vez, depois do alumbramento, avistara Duília. A moça se esquivara. Mas o que ela havia feito estava feito, e era um alumbramento."


(Foto do filme VIAGEM AOS SEIOS DE DUÍLIA)


VIAGEM AOS SEIOS DE DUÍLIA 


É o nome do conto. VIAGEM AOS SEIOS DE DUÍLIA é o nome de um filme luso-brasileiro, realizado em 1964, com direção de Carlos Hugo Christensenroteiro de Orígenes Lessa e Rodolfo Mayer no papel principal.

(Barthelemi)

Um dos filmes menos conhecidos de nossa produção e, talvez, um dos mais belos, pela nostalgia que nos traz e pela poesia do retorno ao passado, à juventude, através da metáfora dos "seios de Duília". Porque, é claro que nosso herói resolve empreender a viagem de volta, uma longa viagem pelas estradas de Minas, para reencontrar a dona daqueles seios...


(Autor não identificado)

E ele a encontra? Sim. Mais de cinquenta anos depois. E é também uma cena muito breve. E é também uma cena belíssima. Não a descreverei: quem sabe o leitor encontre na net o velho filme (como eu o encontrei e revi, muitos anos depois) e também se encante com o desvelamento puro e sensual dos seios de Duília e com o breve reencontro dela com seu apaixonado tanto tempo depois...


(Foto de Marcus Prado)

Tempus fugit.





Ficha técnica do filme:

Título original: Viagem Aos Seios de Duília
Gênero: Drama
Duração: 105min.
Lançamento (Brasil): 1964
Distribuição: U.C.B. - União Cinematográfica Brasileira
Estúdios: Atlântida Cinematográfica
Direção: Carlos Hugo Christensen
Roteiro: Orígenes Lessa (argumento baseado no conto de Anibal Machado)
Produção: Paulo D. Serrano
Gerente de produção: Orlando Guy
Co-produção: Serrano Filmes
Música: Lírio Panicali
Som: Aloysio Vianna
Fotografia: Anibal Paz Gonzalez
Desenho de produção: Benet Domingo
Edição: Nello Melli




Elenco:

Rodolfo Mayer
Natália Timberg
Oswaldo Louzada
Sarah Nobre
Artur Semedo
Lícia Magna
Isolda Cresta
Jota Barroso
Mário de Lucena
Lita Palácios
Geny Dias
Otávio Cardoso
Palmira Barbosa
Rofran Fernandes
Galileu Amparo
João Amaral
Manoel Teixeira
Renato Cardoso
Gilda Mendes
Patrícia Loureiro


Premiações:

- Menção Honrosa Especial, Troféu "Dedo de Deus", I Festival de Cinema de Terezópolis, RJ, 1965

- Primeiro Lugar, Prêmio "Governo do Estado da Guanabara", Comissão de Auxílio à Indústria Cinematográfica do Rio de Janeiro, RJ, 1965

- Primeiro Prêmio, "Prêmios de Cinema do IV Centenário", RJ, 1965

- Melhor Ator (Rodolfo Mayer), Prêmio "Governador do Estado de São Paulo", SP, 1965. 





(A. não identificado)



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